Assim como você
Assim como você
 

Nada, não

Poxa, eu juro “proceis” que eu não imaginava que ter um blog ia ser algo “emocionantchi” pra minha vida. Achei que ia ser algo “tipo assim” legal pra divulgar algumas idéias, jogar luz em algumas histórias, dar uns pitacos...

 

Mas, como eu já disse milhares de vezes e ninguém agüenta mais ler, é muito "emocionantchi". E vocês é que fazem isso. Eu jogo o molho e esse povo todo tempera, apura, esquenta, mexe, remexe e faz a nossa “cozinha” bombar...

 

Hoje eu num consegui contar piadas pra vocês, nem mesmo colocar alguma coisa “bacanuda” pra agradecer quem veio aqui dar um oi pra mim e dizer, mais um dia: Jairet, sigo bem “Assim como você”...

 

Nem sempre dá, né, gente?! (acostumei mal vocês ) Mas, recebi dezenas de emails de gente preocupada, de gente querendo um novo post, de gente brigando com o véio aqui porque estava “com o bigode tremendo” por causa do “vício”....

 

Pô, é muito legal isso, povo, é muito legal. E nem é por mim. É por todos que querem sair desse mundo paralelo que é a Matrix de quem tem alguma deficiência... É muito bom saber que tem um monte de pessoas que, realmente, querem ajudar nessa “pequena” conquista.

 

Amanhã, eu volto, ta? Certeza...

 

Beijo nas crianças...

Escrito por Jairo Marques às 19h52

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Dicas para dar aquela empurradinha num cadeirante

“Zente”, pode parecer “inacreditível” o que eu vou dizer, mas, existe um jeito certo pra dar aquela empurradinha numa cadeira de rodas, juro!

 

Por mais que nosso “artomóvel” seja simples, num basta você, pra dar uma mãozinha, sair empurrado “desimbestado” o pobre do cadeirante. O cavalo empaca no menor descuido e o chão será destino certo. Já escrevi um texto sobre as minhas experiências com empurradinhas. Se não leu, basta clicar aqui.

 

Mais uma vez, pra mostrar que sou um “minino bão”, vou dar algumas dicas para mode todo mundo ficar habilitado em ajudar um “malacabado”, se for preciso, né?

 

O meu parceiro Jean, que todos já sabem, deu a cara para esse blog criando o topo lá de riba, me deu aquela “hand” criando ilustrações pro post. Gostei pacaramba.com.br . Espero que gostem também!

 

                                                                  

 

* A primeira dica e mais importante é a seguinte: nunca vá empurrando o cadeirante que nem um carrinho de compras, sem dizer a ele que você vai ajudá-lo. Por melhor que seja a sua intenção, é uma sensação muito ruim quando alguém que a gente não conhece vai dizendo assim: “Deixa que eu te ‘empurro’! Descansa o braço. Tira a mão daí”.

 

Imagine alguém que você nunca viu na vida chegar e ir te pegando. A cadeira faz parte, de certa maneira, do corpo do cadeirante. Muitos têm tanta habilidade e preparo físico e raramente precisam de ajuda. Mas há casos que uma “mãozinha” vai muito bem! O melhor a fazer, se você quer ajudar, é perguntar: “Você precisa que eu te empurre?”

 

E caso a ajuda for dispensada, pelamor, não sai dizendo por ai que deficiente é tudo revoltado  . Não tem nada a ver. É que, às vezes, a gente gosta de se virar sozinho, mesmo.

 

* A coisa mais chaaaata do mundo pra um cadeirante é quando o seu “condutor” diz assim: “Vamu dá uma corridinha. Segura ai Ayrton Senna do Brasil sil sil”. É de lascar . Muitos deficientes que usam cadeira de rodas têm problemas de equilíbrio e movimentos muito bruscos deixam a gente em pânico!

 

* Caso você for dar aquela carona para o cadeirante e estiver em grupo, evite ser o “the flash” e sair correndo. Num sei qual a razão, mas quem está levando o cadeirante anda sempre à frente de todo mundo, mais rápido que todo mundo. Desse jeito, papo entre amigos durante o percurso é impossível!

 

 

 

* A gente vive num país onde calçada boa é que nem nota de R$ 100 na minha carteira, uma fantasia . Tente desviar dos buracos, dos desníveis quando tiver levando a cadeira. As rodinhas dianteiras se prendem com facilidade em terrenos acidentados.

 

O cadeirante, pode ter certeza, presta muita atenção no caminho (porque é ele quem meterá a cara no chão se cair, né?), então, vá  seguindo o direcionamento que ele der nas rodas.

 

* Em terrenos muito acidentados, calçadas sem nenhum padrão ou mesmo de paralelepípedos, aquelas que transformam nosso “célebro” em milk shake de tanto “balangar” , o ideal é que o condutor empine a cadeira um pouco para trás, andando somente com as rodas traseiras. Vocês não sabem o alívio que dá!

 

 

* Para descer uma guia sem rampa com um cadeirante ou seja, a maioria das guias, né, não? Há duas maneiras: Para os iniciantes, o melhor é descer a cadeira de marcha a ré. Para quem já é craque, basta empinar a cadeira e descer com as duas rodas traseiras. Para subir a guia, erga as rodinhas da frente, coloque sobre a calçada e, em seguida, empurre, pronto, subiu!

 

* Em manobras curtas, como parar em baixo de uma mesa, encostar na porta do carro, deixe o cadeirante se virar sozinho. É broca quando a pessoa vai empurrando a gente e batendo em tudo que é lado . Nesses casos, o melhor mesmo é deixar que a gente se acomode.

 

 * Quando foi subir uma rampa, evite dar impulsos muito fortes para dar aquele “embalo”. O melhor é andar num ritmo normal, mesmo. A chance de evitar um acidente é maior. Também não reclame com o cadeirante por ele ajudar no embalo tocando a cadeira ao mesmo tempo em que você empurra. É bom para os dois! 

 

 

* Se você ajudar o cadeirante em apenas um trecho. Duas quadras de uma rua, por exemplo, avise a ele o trajeto da “carona”. Não abandone a cadeira sem dizer nada, “nóis” é tudo carente e pega sentimento rápido .

 

* Como todo mundo é “serumano”, é natural que em um descuido a rodinha dianteira da cadeira de rodas se prenda em algum obstáculo da calçada e o bicho pega. A tendência é que o corpo do cadeirante, em geral bem mamulengo pela falta de equilíbrio, se mova para a frente com destino ao chão.

 

 

Nesse momento, seu reflexo será fundamental para evitar um galo na nossa cabeça! Leve o braço pra frente do corpo do cadeirante e puxe o “matrixiano” para trás. Se tudo der certo, terá sido um susto!

Escrito por Jairo Marques às 00h11

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A sinfonia brasileira

“Zimininos”, sei que havia dito a vocês na segunda-feira que falaria mais sobre os direitos de andar de avião para quem é da Matrix, mas é que eu sou meio doido e mudo as coisas em cima da hora. Vou cumprir esse compromisso na próxima semana, fechô?

 

Antes, porém, eu retifico uma informação que dei ERRADA : a passagem aérea do acompanhante para quem tiver necessidade expressa de tê-lo não é de grátis, não. Mas, sim, um desconto de 80% na tarifa.

 

Hummm, que mais? Há sim, eu ia escrever hoje também sobre o filme “O Ensaio Sobre a Cegueira”, que está nos cinemas de todo o país. Vale muito, muito a pena ver! Mas também vou adiar...

 

Bem, porém, vou fechar a semana com uma idéia que alguém deu nos “comentis” sobre os para-atletas, não me “alembro” quem: fazer uma homenagem aos brasileiros que medalharam demais lá em Pequim!

 

Como as Paraolimpíadas acabaram, eu faço a última sinfonia bem brasileira, mas com o povo que lotou a praia de Copacabana, no último domingo, mesmo com chuva e frio no Rio, e protagonizou mais um espetáculo em nome da inclusão. A passeata Superação Rio 2008.

 

Bom final de semana e beijo nas crianças

 

 

Isso aqui ô ô

 

 

É um pouquinho de Brasil iá iá

 

Desse Brasil que canta e é feliz....

 

Feliz....

 

 

Feliz....

 

 

É... também um pouco de uma raça

 

 

Que não tem medo de fumaça ai ai...

 

Que não se entrega, não...

 

Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dá

 

Olha só o remelexo que ela sabe dá

 

 

Morena boa que me faz penar....

 

 

Bota a sandália de prata e vem pro samba, sambar

 

* Fotos de Rapha Bathe e Victor Klier

Escrito por Jairo Marques às 07h53

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Reabilitação

Pessoal, esse vídeo que coloco hoje, para mim, teve um impacto emocional muito grande. Ele me remete, de certa maneira, a minha própria história de vida.

 

Sempre digo aqui no nosso diário sobre a importância que a minha mãe teve na formação do meu caráter, na forma como que hoje eu levo a minha vida e, sobretudo, na minha reabilitação porque, afinal, foi ela quem me carregou daqui para acolá para que a medicina conseguisse dar um “tapa” na minha condição física.

 

Nunca escrevi isso para vocês, mas, acho que hoje é necessário. O meu pai, para dar aquela ajudada , morreu bem jovem, vítima de uma doença crônica, quando eu era ainda um bebê e havia recém contraído a pólio. 

 

A herança que ele deixou foi uma pensão do INSS de um salário mínimo e três bocas para encher de comida, entre elas, uma de um ser que não parava em pé . Então, a coisa num foi muito tranqüila, não.

 

Peço a vocês que tentem ver e refletir sobre a mensagem embutida na apresentação. Como eu escrevi na semana passada, o que importa para melhorar a vida de quem está na Matrix de quem tem alguma deficiência não são os milagres, mas a reabilitação, a forma de aprender a conviver com o mundo com suas limitações.

 

Coloco duas versões do vídeo, um presente da minha amiga Malu Filézio. A primeira, sem legendas, está em espanhol e com imagem melhor. A segunda está com legendas em português, a quem eu agradeço demais em ter me ajudado: Silvia Dutra, Carol Vila Nova e Vivian Retz.

 

Boa reflexão....

 

 

Versão sem legendas

 

 

Versão legendada

 

Em tempo: Fui carregado no colo até os 13 anos e sentia o meu próprio peso ir aumentando para o corpo da minha “véia” à medida que o tempo passava. Quando você vir uma situação semelhante à mostrada no vídeo, não relute nem tenha vergonha de oferecer ajuda. Ela será muito bem-vinda, podem ter certeza.

Escrito por Jairo Marques às 08h10

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Dez dicas conversar com quem não te escuta!

“Zente”, vocês já repararam que quando tentamos falar com alguém que não escuta direito ou é surdo por completo a gente vira tudo “ridiculoman”?

É que temos mania de gritar, porque achamos que vai facilitar o entendimento ou mesmo falamos bem “degavarzinho”, gesticulando com a boca, nos achando os “sabetuuudo” da inclusão.

Então, como eu sou um “minino bão”, pedi para a minha queridíssima e gatíssima leitora Lak Lobato, que tem o escutador de novela “mei” prejudicado , apontar dez dicas para que possamos nos comunicar melhor com os deficientes auditivos sem ficar com cara de pastel!

Leiam o que ela mandou.... Tá show (os gracejos, em itálico, são coisas do tio, que num guenta ficar com a boca fechada nem falado de mudo )

Antes de qualquer coisa, é importante saber que existe mais de um tipo de deficiente auditivo. Não somos todos iguais (in)felizmente.

Existem os que têm perda auditiva de leve a moderada, que geralmente se resolve com aparelhos auditivos. Com eles, basta você falar um pouco mais alto, mas pelamordosdeuses, não fale como se você estivesse falando num megafone, porque o aparelho já ajuda muito (uuuuia).

“Óia” o aparelho da Lak, em forma de coração (ahhhhh, que romantchico)

E, mais importante, espere ele dizer pra aumentar a voz, senão perigam os tímpanos do pobre estourarem junto com as suas cordas vocais!

Além deles, existem os surdos sinalizados, os surdos-mudos, muito embora a maioria tenha voz, apenas não costuma usá-la ou porque não aprendeu o necessário ou porque tem vergonha/não gosta (ai, ai, eu tenho a voz bonita, segundo as "minina") Uma boa parcela nasceu surda ou perdeu a audição antes da formação plena da fala.

Há também, um grupo grande, mas menos conhecido e facilmente confundido com deficiente auditivo. São os surdos oralizados, que se comunicam através da fala oral, lêem os lábios, mas o aparelho comum não costuma resolver o problema de audição deles.

Voilà as dicas (ai, ai, eu tumém falo alemão, viu?):

1 - Fale devagar, sempre. Mas com naturalidade. Não adianta falar separando as sílabas ou articulando demais. Além de você acabar fazendo careta o tempo todo – que certamente, o surdo terá que se segurar pra não rir - além de provocar dores no maxilar, periga você acabar se perdendo na linha de pensamento. 

Devagar, sim. Em 33 rotações, só se seu objetivo for matar o surdo de tédio (essa guria é boa nas própria palavras da Matrix).

Ai, “gzuis” fala baixinho que é mais gostoso!

2 - Fale de frente pra a pessoa. Se passar uma linda deusa na sua frente e você precisar virar o rosto, faça uma pausa. Cada virada de rosto é uma sílaba ou palavra perdida que poderiam alterar completamente o sentido da conversa. Jogos de adivinhação são supimpa (essa palavra é de vééééio, que neu eu!), mas podem causar um grande mal entendido desnecessário.

3 - O volume da voz deve ser de acordo com a perda de audição da pessoa. Claro que você não precisa ser adivinho. Comece falando com o tom de voz habitual. Se necessário, a pessoa te avisa que precisa que você fale um pouquinho mais alto, mais baixo ou mantenha do jeito que está. Além do mais, se a pessoa tem surdez quase total, não adianta gritar. Se você gritar ou falar sem voz dá na mesma. Ela apenas lê seus lábios.

4 - Surdos sinalizados, geralmente, lêem os lábios pelo menos um pouquinho. Se você perceber ou souber que o surdo é usuário exclusivo da Libras (aqueles trem que faz cás mãos) e realmente precisar falar com ele, fale de maneira simplificada. Ele provavelmente irá te entender e responder como puder (falando oralmente, por sinais ou até escrevendo). Ficar com medo de falar com ele, faz com que ele ache que você tem medo DELE. Surdos não mordem... (mentiiiira, deve ter umas surdinhas que mordem, sim )

Deuzulivre levar uma gata dessas no restaurante.

Imaginem a confusão dos homi pra falar com ela?

Aí é bom se fingir de surto, né, não

5 - Surdos oralizados falam oralmente. Achar que todo surdo fala libras também é uma gafe feia. Chegar achando que está abafando porque aprendeu alguns sinais pode ser indecoroso (inde o que, fia?!). Muitos não falam a língua de sinais. Com essas pessoas, fale normalmente. Se não entender, elas irão avisar. A voz pode soar estranha pra quem não está acostumado com ela, mas o surdo sabe disso, fique tranqüilo . Apenas tenha um pouquinho de boa vontade e fique a vontade pra pedir pra ele repetir, caso você não entenda alguma coisa...

6 - Não tenha medo de cometer gafes com figuras de linguagem. "Você está me ouvindo" "Nossa, você já tinha ouvido falar nisso?" "Ei, ouve essa.." não fazem um surdo te odiar. Se ele for bem humorado, vai tirar sarro disso. Se ele for mal humorado... Humm, você pode dar um chocolate pra ele. Dizem que produz endorfina, né?

7 - Às vezes, as pessoas acham que deficientes auditivos são, na verdade, pessoas antipáticas. Porque falam com elas e elas não respondem, já que a deficiência não é visível. Se, por ventura, você se deparar com uma pessoa que não responde quando você fala com ela estando virado, existe alguma chance dela não ter boa audição (ou é alguém que é meio árvore, fica paradão). 

Na dúvida, pergunte. 

A Lak é arte finalista numa agência de “publicidchi” e fotógrafa freelancer

Existem deficientes auditivos que sentem vergonha de expor essa condição e serem mal recebidos. Quando a pergunta parte, de forma educada, do interlocutor, o surdo auditivo, fica mais à vontade para falar disso (nada de: abre esses “zuvidos” e me “escuita”, pô). É claro que, pela lógica, é obrigação dele te informar, mas nem sempre acontece.

8 - Para chamar um surdo, você precisa de algum sinal visual ou tátil (aêêê, agora ficou gostoso). Você pode abanar as mãos, acender e apagar uma luz ou até tocar o ombro dele de leve. Mas, jamais dê um cutucão com força ou um tapa agressivo. Você quer conversar ou começar uma luta romana? (nem um chameguinho? )

9 - Surdos não casam apenas entre si. Se você tem curiosidade de saber se o(a) namorado, parceiro é surdo também, pergunte. Chegar falando com a outra pessoa como se ela também fosse surda é uma gafe (é broca, mesmo). O casal pode passar horas tirando sarro de você pelas costas. Não corra esse risco!

Com uma "muié" dessas o que eu menos queria fazer era conversar  

10 - Um dos piores furos que os ouvintes infelizmente cometem, é achar que a deficiência auditiva afeta o intelecto, qualquer deficiência, por sinal (eu sou “inteligentchi”!). O surdo tem a inteligência de uma pessoa como outra qualquer. Não se preocupe em achar que ele não é bem informado ou que não vai entender alguma coisa. Como qualquer pessoa, ele pode ou não estar informado sobre determinado assunto (como música, por exemplo), pode ou não entender determinada coisa, mas isso, ele te fala, não tente adivinhar.

* Imagens do arquivo pessoal de Lak Lobato

Escrito por Jairo Marques às 07h57

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Aqui do céu da pra ver tudo

Oi, povo! “Tavon” com “xodadis”? Já contei um pouco aqui para vocês sobre as delícias que passei andando de bumba pelo país afora, né, não?  Falei um pouco também sobre os apertos de viajar de avião. Hoje, vou contar um bocadinho mais sobre “avuar” e o sufoco que isso dá para quem tá montado numa cadeira de rodas.

 

O mais doido de viajar de avião é que todo mundo que freqüenta o aeroporto se acha, né?  Ali tem gente que pensa que é o rei ou a rainha da Inglaterra, só porque “tá pagaaaando”! E podem escrever ai, onde há gente arrogante e metida, os problemas pra o povo da Matrix de quem tem alguma deficiência se multiplicam devido à falta de educação.

 

 

 

Viajei bastante de avião porque fui repórter durante muitos anos aqui na Folha e tinha de ir daqui para acolá várias vezes. Era gostoso, afinal, quem não curte conhecer lugares novos? Mas, nessas andanças todas, sempre uma parte minha ou do meu cavalo voltava avariada.

 

O embarque mais crazy que já fiz num avião foi uma vez indo para as Espanha (sou chique, povo, mais chique do que arroz com carne moída e ovo da gema mole). Eu lá, todo bonitão para passear em Madri, cheio de malas quando recebo a notícia de que o vôo havia sido remarcado para seis horas à frente.

 

Como quem tá perdido não escolhe caminho, fiquei ali no aeroporto esperando porque voltar pra casa com aquela mudança toda ia ser broca. Mas, eis que vem um atendente solícito da cia aérea.

 

“Senhor, vamos dar uma ‘prioridadchi’ para você e o realocaremos num vôo de outra companhia, mais cedo. Fique esperto que vamos chamá-los a qualquer momento para o embarque.”

 

Nisso o “homi” leva minhas malas, coloca a etiqueta na minha cadeira e some. O tempo passou e nada do funcionário voltar. Fui para frente do balcão da empresa aérea e fiz cara de cachorro molhado pra ver se alguém se tocava...

 

“Mooooço, eu me esqueci de você! Vamos correr que o embarque já começou.”

 

“Zente”, e o ‘homi’ falava naqueles “uolkitolk” coisas que num davam pra entrender: “Tks positivo aqui como o ckb. Em segundos vamos entrar na xlz”... e ele corria comigo pelo saguão. Eu num sabia se rezava, se grudava na cadeira pra não cair, se fechava os olhos e prendia os pensamentos pra não sujar a cueca nova.

 

O avião era imenso. Nem sei qualéra a “marca” dele, mas era bem grande. Bem maior que um fusca, digamos assim . Todas as pessoas já haviam embarcado e, como se tratava de uma gentileza de uma cia aérea para outra, meu lugar não estava demarcado: era o que sobrasse.

 

 

 

E o lugar que havia sobrado era no meio do avião. Bem no meio, mesmo. E, nessa hora, vocês acham que algum brasileiro se oferece pra trocar? Neeeem, todo mundo só quer saber de ir logo...

 

 Como já tava tudo atrasado o despachante que me acompanhava nem quis muita conversa pra ver se rolava um clima entre a gente .  Ele nem me perguntou nada e já me jogou nas costas que nem “ingual” você carrega um saco de feijão de 15 quilos.

 

E o meu vôo já começou ali... O “homi” saiu em disparada comigo, mais uma vez, pelo meio daquele corredor estreitinho do avião. As minhas pernas iam batendo na cabeça dos outros passageiros que, delicadamente, diziam palavras de incentivo e chiavam sem parar pelo atraso. O meu pensamento único era desembarcar logo na poltrona que nunca chegava...

 

O despachante fungava e suava porque apesar de eu ter um corpo de miss  num é fácil fazer algo tão, digamos, delicado. Quando a poltrona chegou, ele me repousou no acento qual uma caçamba derramando entulho. Um luxo, um luxo.

 

Depois dessa emoção, o resto foi fichinha. O espaço do acento era minúsculo e, apesar de um vôo de quase nove horas, pensar em ir ao banheiro (ainda mais um cadeirante), era um sonho muito remoto, realmente impossível. E ninguém perguntou se eu precisava dar uma urinadinha básica também.

 

Mas deu tudo certo, apesar das emoções. Assim, deu certo até eu descobrir que haviam extraviado a minha bagagem e a minha cadeira . Ai, ai, como a gente sofre... Os meus badulaques chegaram apenas cinco horas depois...

 

Vou contando aos poucos as minhas histórias de aeroporto. Ainda tem muita coisa pra dividir com todo mundo. Nesta semana, ainda vou falar um pouco sobre os diretos dos deficientes de levarem um acompanhantes de graça para auxiliá-lo em uma viagem de avião, o que, como quase tudo aqui neste país, é bem complicado de fazer valer.

 

Em tempo: O embarque de um deficiente físico num avião é realmente um pouco mais trabalhoso e pode demorar. Mas, boa parte dessa demora não é provocada pelo deficiente, mas pela falta de infra-estrutura nos aeroportos. Porém, esses pequenos atrasos são naturais e não vão mudar os rumos da humanidade. Quando você estiver nas poltronas da frente da aeronave e puder ficar em outro local, se oferece para trocar com alguém que tem mobilidade reduzida ou mesmo que seja cadeirante. Ser deslocado ao longo do corredor do avião é de lascar.... e, se todo mundo colaborar, fica bemmm mais fácil! 

 

Imagens: Google imagens e blog do Betir   

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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Por que eu selecionei um trainee cadeirante?

Quem tem amigo num fica no mato sozinho nunca, né, não?  A Ana Estela, que falo um pouquinho mais abaixo, acaba de salvar o post do dia me enviando, sem combinar, juro, o texto que segue abaixo... Adorei!

 

 

Um dia, há dez anos, o Jairo me perguntou:

 

- Por que eu passei para o treinamento?

 

- Passou porque passou, foi a minha resposta mal-humorada.

 

Fui meio ríspida, acho. Mas queria deixar claro: não foi uma escolha “emocional”.

 

Não fiz um “favor” ao Jairo porque ele é cadeirante. Ele competiu em pé de igualdade com centenas de outros candidatos e mostrou ter qualidades para ser trainee. [Depois provou por conta própria que tinha tudo pra ser um bom jornalista _ainda bem que os meus meninos nunca me deixam em maus lençóis, hehehe.]

 

Mas não dá pra ignorar a pergunta dele _que, provavelmente, é também uma pergunta que o Leo, meu novo trainee cadeirante, deve ter se feito alguma vez nesse período.

 

E talvez seja a pergunta que muitos outros se fazem quando vêem o Leo na turma.

 

Por que eu selecionei um cadeirante? É política de cotas? Fiquei com pena e quis ajudar?

 

Não tenho nada contra incentivos. Acho que às vezes é preciso intervir até que uma cultura de preconceito e exclusão seja abalada.

 

Também não condeno quem tem pena dos deficientes (o Jairo vai ficar louco da vida comigo por isso, mas é o que eu penso. Não critico quem se condói dos outros. Só acho que esse sentimento tem que resultar em ação, ou é realmente inútil e humilhante).

 

Mas, tanto no caso do Jairo quanto no do Leo, não foram esses os motivos da escolha.

 

O Leo, por exemplo, fez a prova do treinamento três vezes antes de passar para a semana de treinamento. Ele chegou lá por méritos próprios, depois de insistir _e, vamos lembrar, persistência é uma qualidade importantíssima num jornalista.

 

 

Óia que barba linda a do Léozim 

 

Na semana, havia 37 pessoas maravilhosas, inteligentes, talentosas, interessadas, com vontade de fazer um bom trabalho. Qualquer um deles pode ser um excelente trainee e tenho certeza de que todos serão excelentes profissionais.

 

Como eu escolho só dez (ou 11, ou 12)? É uma espécie de "alquimia", que leva em conta as diferentes aptidões e interesses de cada um. Tive a impressão de que o Leo se encaixaria bem nesta turma. E essas duas semanas não me desmentiram.

 

Deixe que ele decida

 

Não vou dizer, porém, que tenha sido tudo tranqüilo. Depois da seleção, acordei para o mundo real:

 
* meu andar não tem banheiro adaptado,
* algumas atividades exigem uma agilidade que o Leo não terá,
* os prédios da Folha são antigos e, apesar de reformas que os tornaram acessível, é preciso dar uma boa volta para se movimentar de lá para cá

 

Tudo indicava que a vida dele não seria fácil. Será que eu tinha direito de metê-lo nessa enrascada, pensei?

 

Fui correndo consultar o meu oráculo, o Jairo.

 

- O que você acha? Vou criar toda uma expectativa... e se der tudo errado? Não corro o risco de ter piorado a situação?

 

Ouvi uma frase que nunca vou esquecer:

 

- Ana, explica tudo isso para ele e deixe que ele decida.

 

Liguei:

 

- Olha, Leo, a situação é assim, assada. Já pedi uma reforma nos banheiros do meu andar, mas vai demorar uns meses. Se você fizer o treinamento agora, vai enfrentar bastante complicação nos acessos e deslocamentos. Se preferir, pode se considerar selecionado, mas adiar sua participação para o semestre que vem, quando a infra estará melhor.

 

Ele pediu pra pensar (claro, né? Meu telefonema era mais ou menos como um convite para um passeio em Bagdá...). Ligou de volta poucas horas depois:

 

- Olha, prefiro fazer agora. Já estou motivado, não quero esperar mais tempo.

 

- Tem certeza??? [parênteses: juro que tento controlar minha grave tendência à superproteção]

 

- Tenho.

 

E foi assim que o Leo entrou nesta aventura que vai durar até dezembro.

 

Já houve percalços _carregar o laptop pesadão, por exemplo_ e haverá muitos outros. Ninguém disse que seria fácil. Mas eu, o Leo, o Fábio, a Sandra, a Vivi e todos os trainees vamos tentar contornar o que aparecer, com tranquilidade, jogo de cintura e bom-humor.

 

O que der para fazer deu. O que não der não deu. E bola para frente que, como diz o Simão, quem fica parado é poste.

 

Escrito por Jairo Marques às 10h58

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"Zente", hoje rolou uma pregui.... Talvez eu volte só na terça, "tá bão"? Vou tirar uma folguinha na segunda! 

Mas tem uma ótima história "Assim como você" no blog da Ana Estela, o "Novo Em Folha". Ela é editora de Treinamento do jornal e faz um trabalho de formação de futuros profissionais que é incrível. Vale muito a pena ler... Cliquem aqui para saber do que se trata!

Beijos nas crianças e bom findi

* Imagem do site www.lilivicc.com.br

Escrito por Jairo Marques às 10h21

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O que sei e o que não sei...

Não sei o nome dela...

 

Não sei porque ela está na Matrix...

 

Não sei se ela será “balalina”....

 

Mas sei que ela é linda....

 

Sei que ela baila...

 

Sei que ela me fez os “zóios” ficarem cheios de água...

 

Sei que muita gente vai passar o dia cantando assim: “Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo e não foi semeado....”

 

Em tempo: Gente, se alguém conhecer essa florzinha, mande o meu muito obrigado pelo show

Escrito por Jairo Marques às 07h46

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Domingo do Rio

“Zente”, eu adoro o Rio, a verdadeira cidade “maraviwonderful” do mundo . E vai ser lá que, no domingo, um grande ato pretende reunir o povo da Matrix de quem tem alguma deficiência e seus respectivos amigos, simpatizantes, agregados e tudo mais para uma “caminhada” (ou uma “cadeirada”, como preferirem), na orla da praia de Copacabana.

 

Os “malacabados”, organizados pelo Movimento Superação, vão começar a se reunir por volta das 8h30, no “postcho” 5, perto do metro Cantagalo, de onde sairão todos de biquíni, sungão,  “maquilagem” e chapéu de boiadeiro.

 

 

Acho que fui ao Rio umas cinco vezes, em todas elas, como não podia deixar de ser, vivi boas histórias. É que o carioca tem aquele jeito, digamos assim, sério, né? Que nem eu e esse diário  . Então, quando vou lá me sinto em casa e me divirto muito.

 

E tem também o fato de no Rio o povo ficar fazendo a “exibição da figura”, com aqueles bronzeados e corpos sarados, “ingual” que nem o do tio.

 

Vocês podem até não acreditar, mas aquele cadeirante fortão que eu coloquei o vídeo aqui, “alembram”? “Nóis” é primo! (é que eu fui acometido por uma gripe forte )

 

Bem, mas voltando à viagem ao Rio, da última vez foi muito bom. Fiquei num hotel em Copacabana, da rede Sesc, baratinho e bem localizado (fica a dica para quem for participar do ato no domingo).

 

 Mas a minha alegria malemolente acabou assim que entrei na “goma” acessível que eles oferecem. Beleza, quarto amplo, tudo ajeitado, mas, no banheiro, povo, tinha uma cadeira de banho que só por Gzuis, mesmo.

 

 

Aquilo ia acabar com a dignidade da minha bunda, pô . Era super alta e o buraco era muito largo. A cadeira de banho pode ser muito útil para algumas pessoas porque facilitada a transferência da “casinha” para o chuveiro, mas, para outras, pode ser inconveniente. E toca eu reclamar.

 

“Oi, a cadeira de banho não rola pra mim. Machuca  meu popô. Podem me dar uma outra cadeirinha ‘simprinha’, de ‘prástico’, mesmo?!”

 

Eis que diz o atendente, daqueles estilo franguinho clássico: “Senhor o ambiente do quarto foi totalmente adaptado para as suas necessidades pela nossa equipe. A regra é que o senhor use aquele cadeira mesmo por medida de segurança.

 

Ainda bem que no Brasil existe lei que proibi a gente de usar estilingue. Porque senão eu teria dado uma estilingada nele.  

 

Eu mesmo comprei um banquinho de plástico e botei lá. Pô, gente, com bunda num se brinca, né, não?

 

O Rio ainda tem muito a evoluir, assim como outras centenas de cidades do país, para se tornar mais universal. Ainda mais se pretende mesmo ser vitrine para o mundo sediando uma Olimpíada.

 

Mas, povo, o Rio é a segunda fonte mais "ledeira" e mais "acessadeira" desse blog. Tá certo que muitos visitantes não deixam “coments”, mas eu acho que é porque eles são tímidos. Carioca é tudo tímido.

 

Então, peço para que espalhem a notícia dessa passeata em prol de um mundo mais pleno para o convívio de todos. A “causa” dos “matrixianos” está nas ruas, está nas mídias, está nas “internets” e com a repercussão de vocês a gente vai conseguir cada vez mais conquistar um direito básico, que é poder sair à rua.

 

Eles tão esperando juntar uns 3000 brasileiros. Ah, fala sério... Eu acho que dá pra juntar muito mais. Basta vocês ajudarem a divulgar. Vai lá, negada.... copiem esse chamado em seus blogs, liguem pra um amigo carioca, manda um “i ½” praquela sua tia que mora no “Méieirrrrr”, nos Vigário Geral, nas Rocinhas, na Barra...  Boraí?

 

 

 

Hum? Passeata Superação Rio 2008

 

Mai... qui hora que é? A concentração começa às 8h30 e o ato deve durar toda a manhã, com trios elétricos, gente bonita, gente doida, gente sobre quatro rodas...

 

Cumé? Vai rolar na orla de Copacabana. O povo vai ser começar a concentração no Posto 5

 

Ai Gzuis e agora?  Informações no (21) 3904-2614

Escrito por Jairo Marques às 23h38

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O espetáculo Paraolímpico

 

PRIMEIRA SINFONIA

Rompi tratados, traí os ritos

 

Quebrei a lança, lancei no espaço

 

 

Um grito, um desabafo

 

 

E o que me importa é não estar vencido

 

 

Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos

 

 

 

Meu sangue latino

 

 

Minha alma cativa

 


SEGUNDA SINFONIA 

 

 

Sonhar mais um sonho impossível

 

 

Lutar, quando é fácil ceder

Vencer o inimigo invencível

 

Negar quando a regra é vender

 

Romper a incabível prisão

 

 

 

Voar no limite improvável

 

 

Tocar o inacessível chão

 

 

É minha lei, é minha questão, virar esse mundo, cravar esse chão

 

 

Não me importa saber se é terrível demais

 

 

Quantas guerras terei de vencer por um pouco de paz?

 

 

E amanhã, se esse chão que eu beijei for meu leito e perdão

Vou saber que valeu delirar e morrer de paixão

 

 

E assim, seja lá como for, vai ter fim a infinita aflição

 

 

E o mundo vai ver uma flor

 

 

Brotar do impossível chão

 

Em tempo: Obrigado ao meu colega Ayrton Vignola, chefe de reportagem da editoria de Fotografia da Folha, quem me deu a luz para este post e deu ajuda fundamental para a edição das imagens

 

* Todas as fotos registradas aqui são das agências internacionais: France Presse, Reuters, Efe e AP

 

 

Escrito por Jairo Marques às 23h34

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Na busca de um milagre

Até os meus treze anos, a busca da minha família para uma “cura” para mim foi incessante. Bastava ouvir um buxixo de algum novo tratamento, novo curandeiro, novo pai de santo que supostamente fazia “voltar a caminhar” e lá estava a minha mãe promovendo rifa de frango assado para levantar uma grana pra gente viajar fosse para Santo Antonio do Passo Dentro como para São Pedro do Passo Fora.

 

Para quem é vítima da pólio, a tal paralisia infantil, essa busca é muito frenética uma vez que na cabeça dos pais vai sempre pairar uma “culpa”. O que é uma bobagem. Como já escrevi aqui, em 1974 / 1975, lá nos cafundós onde o tio nasceu, campanha de vacinação era “ingual que nem” pizza na casa de pobre: lááá de vez em quando.

 

E era um tal de ir ao doutor japonês Tomaro Mia Kombi, no chinês Kixaco Kosano quase todos os meses. E a gente era bem pobre, mesmo. Levantar “ricurso” era sempre um capítulo à parte.

 

Nessa busca de um milagre, minha mãe chegou ao cúmulo (sei que vão me azucrinar pelo resto dos dias desse blog por essa revelação) de me colocar... pensa, gente, pensa... no “bucho” da vaca.  

 

 

 

“Todo mundo dizia que se eu colocasse você dentro do bucho da vaca, mas tinha que ser logo que abatessem a vaca, com o bucho quente, você iria sarar. E é claro que eu coloquei. E depois você ainda teve de ficar de repouso por vários dias”, disse minha mama, que hoje ri daquilo tudo.

 

Acho que vocês devem estar se perguntando onde quero chegar com isso , né, não? É que nos últimos dias me chamaram atenção duas notícias que rolaram na imprensa: a de uma estudante de medicina inconformada com sua tetraplegia e que foi para a China atrás de um tratamento alternativo com células tronco (assinante Uol e Folha pode ler a reportagem aqui) e outra sobre um revolucionário aparelho ortopédico israelense eletrônico que faz paraplégicos andarem com uma “bela” desenvoltura.

 

Fico imaginando o impacto emocional que essas duas notícias causaram em muita gente. Quantas mães, quantos pais e quantos irmãos não pensaram: “Agora vai!”, “agora o Juninho volta a andar. ‘Vamu pá’ China. ‘Vamu pá’ Israel”.

 

Não, povo, não sou um cético e acredito muito no poder da ciência, no avanço da medicina de REABILITAÇÃO. Mas olho com muita desconfiança “milagres” oferecidos por alguém que come “arroz com feijão”.

 

Penso que a cura milagrosa não existe. O que existe é uma forma de fazer a vida de quem tem deficiência física melhor. Acredito que possa vir avanços por meio das células tronco, penso que é possível aumentar a capacidade de movimentos de um braço meio “mamulengo”, de uma mão meio boba.

 

Como me diz a minha médica particular , “há sempre algo que dá para melhorar na vida de um deficiente”, mesmo que seja conseguir esticar o dedo médio e apontar para esse blogueiro.

 

Por outro lado, me angustia quem vende a idéia de que um corpo e um organismo que já se moldaram a uma nova realidade irão, da noite para o dia, conquistar de volta sua desenvoltura perdida.

 

A divulgação do tal aparelho ortopédico israelense me deixou muito espantado. Recebi há meses o texto que “vendia” para a imprensa o tal ReWalk que, para mim, é assustador. Até o Uol botou o exotismo no ar.

 

 

 

O texto do treco tem um trecho assim: “Mais do que melhorar a capacidade de locomoção do paraplégico, o ReWalk permite a ele voltar a ter a mesma estatura de seus interlocutores e conversar com eles olhos-nos-olhos. Parece pouco para as pessoas comuns, mas para quem está preso a uma cadeira de rodas é um enorme ganho de dignidade”.

 

Gente, a cadeira de rodas nunca me prendeu, não. Ao contrário: ela me liberta à medida que me leva para o trabalho, para o jazz, para o balé . Olhar olho no olho de alguém em pé, na boa, eu prefiro mesmo olhar deitado.

 

O tal aparelho revolucionário, que transforma a pessoa no verdadeiro Robocop, deve custar no Brasil a fábula de R$ 20 mil e atualmente só funciona “bem” em uma pessoa... vou repetir: UMA pessoa. Ah, sim, foi criado por um médico tetraplégico que não pode usar o treco.

 

O hospital Sarah, que tanto falo aqui, faz aparelhos ortopédicos para paraplégicos de graça. Eles também possibilitam subir escada, ficar em pé, entrar no carro. Ah, sim, exigem mais esforço físico que esse automático, mas, não acabam a bateria.

 

Bem, aceito que me taquem ovo por esse post.  Não sou contra as pessoas procurarem seus “buchos de vacas” na esperança de voltarem a andar. Só o que insisto é que precisamos apoiar iniciativas da ciência. Iniciativas que reabilitem com seriedade e que atinjam um público plural. Ou alguém é favorável que volte a andar somente quem tenha grana, muita grana?

 

 

Para mim e para muita gente séria, voltar a andar, voltar a enxergar, voltar a falar não é como fazer salsicha em que você bota o cavalo de um lado e sai a “sarsicha” do outro.

 

Fico contente de hoje minha mãe não querer fazer rifa para me levar para a China. Vivo com muita dignidade, assim como muitos paraplégicos, tetraplégicos, amputados. E isso não tem nada a ver com conformismo. Tem a ver com gostar de si mesmo seja como for e apostar no bom senso, nas pessoas de boa fé, e na ciência.

 

* Imagens de divulgação e do google image

Escrito por Jairo Marques às 08h11

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Na "rádia"

"Pessoais", graças à dica do Leandrão, fui atrás e achei o link das própria entrevista do tio para a CBN. Quem quiser ouvir uma voz aveludada, mais gostosa do que pudim de padaria , abram o "escutador de novela" e ouçam aqui esse "minino bão".

Escrito por Jairo Marques às 16h07

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Hoje é dia de "Fototerapia"

“Zimininos”, o que vocês fazem naqueles dias em que acordam com um gosto de cabo de guarda-chuva na boca? Com aquela cara de “óh céus, óh vida”, odiando suas pernocas finas, seus cabelos “engastaiados”? Choram? Procuram uma ponte? Chamam a “puliça”? Entram no meu blog?

 

Poi zé... tem gente que quando precisa se firmar melhor dentro da Matrix de quem tem alguma deficiência e reconhecer sua beleza “diferentchi”, seu potencial de ser atrativo para o outro ... tira foooota!!!!

 

“Para mim, cadeira de rodas, bengalas, próteses, órteses, enfim, os aparelhos ortopédicos, nada mais são do que acessórios de moda nas minhas fotos”.

 

Tão entendendo, nada? Eu só explico porque sou “minino bão”, como vocês sabem. A frase acima é da fotógrafa Kika de Castro, que trabalha exclusivamente com modelos que possuem deficiência.

 

 

Essa é a Diolice da Silva Barbosa, 19, tetraplégica. Êh, lá em casa...

 

“Tenho uma amiga psicóloga que me ajuda na questão de auto estima dos modelos. Muito empresário ainda tem o preconceito de colocar uma pessoa com deficiência nos anúncios, acham que isso choca, mas esquecem que essas pessoas são tão consumidoras, ou até mais, que as pessoas ditas como símbolos de beleza”.

 

A Kika, pela experiência que tem fazendo o trabalho com esse povo da Matrix, avalia que a fotografia pode ter efeito terapêutico bem importante para o resgate da vaidade, da valorização dos aspectos físicos dos “malacabados”, no que ela chama de “Fototerapia”.

 

 

Thiago Caro Cenjor, 25, que tem paraplegia. Bom pra levantar laje

 

 “Procuro  fotografar a estética de cada modelo afinal, a beleza existe em diversas formas”.

 

 

Márcia Jordão, 36,“Gzuis”, que cabelão “bão” de puxar

 

 “Em 2003, tive a oportunidade de desenvolver a fototerapia, uma forma que encontrei de ajudar as pessoas com o meu trabalho. As meninas amaram e me deram forças para a cada dia continuar. Aos poucos, os meninos foram se aproximando”

 

 

 Silvio César Carvalho da Silva, 26, tem seqüelas da pólio,

 que nem “ingual” ao tio. Passa de ano, né? 

 

 “O desafio é diário. Tenho que estudar as patologias para poder abusar e ousar nas poses e ângulos. Conto com a ajuda de uma amiga fisioterapeuta”.

 

 

Cleia Patrícia Araújo, 26. Essa é “casa, comida e um milhão por mês”, né?

 

Eu pedi pra Kika fazer os próprio book meu, mas ela disse que não ainda não tá “operando milagre”. Que será que ela quis dizer, heim?

 

Michael Correia, 26, paraplégico. Essa penteada de cabelo,

sei não. Ta, é inveja, é inveja minha

 

“O que começo como uma ‘brincadeira’ virou coisa séria. Em meados de 2005, comecei a apresentar as fotos para amigos que tinham pequenos comércios e consegui fazer colocar as meninas em anúncios, sem remuneração”.

 

 

Juliana da Costa,12, paraplégica. Uma florzinha, uma florzinha. Se eu fizer

uma pose dessas na minha cadeira eu fico entrevado uma semana

 

“Tínhamos na mão tudo: talento, beleza e profissionalismo. Então, em 2007, tomei a decisão de montar a agência de modelos, onde o casting e 100% com pessoas deficientes, homens e mulheres, várias patologias, entre 4 a 58 anos. O espaço é para todos”.

 

 

Daiane Lopes, 26, que tem paralisia cerebral. Eu vou dizer o quê? Uma deusa, né, não?

 

Todas as fotas que ilustram o post são da Kika de Castro. Se quiserem saber mais, o email dela é o kicadecastro@gmail.com e o fone é o  (11) 8131-0154

 

Em tempo: “Zente”, amanhã vai ter “Assim como você” na “rádia” CBN. O tio dará uma entrevista e conta umas mentiras , às 13h30, ao vivo (óóóóia). Quem não for de São Paulo, pode acompanhar também pelo www.cbn.com.br  . Bom findi e beijo nas crianças

Escrito por Jairo Marques às 00h17

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Longe, lá de longe

Ontem eu fiquei pensando se me acham muito “inzibido” por publicar cartas de gente que aderiu ao blog e a causa que ele pretende explicitar. Ai, não cheguei à conclusão nenhuma e, sendo assim, eu publico.

 

Gente, pra mim ainda é muito louco quando alguém me pára e quer comentar um post, dizer que achou “maraviwonderful” as histórias de vocês e as minhas, os vídeos e tudo mais.

 

Certo dia, aqui na redação do jornal, eu tava bebendo água e o editor de um dos principais cadernos do matutino disse assim: “Jairo, leio muito seu blog. Leio mesmo. É muito legal. Parabéns”.

 

Eu não imagino ele lendo aquele monte de piada e conhecendo o mundo paralelo da Matrix, mas tá valendo, né? É alguém “importanchi” envolvido, de alguma maneira, com a discussão de um mundo mais acessível a todos. Talvez até ele impeça que alguém pare em vaga reservada, né, não?

 

Bem, mas minha surpresa também é ser lido em vários países, lá longe, bem longe. Depois do Brasil, evidente, nos próprio Estadosunidos a gente “bomba”. E é de lá que vem a carta que divido com vocês hoje.

 

Quem escreve é a brasileira Sílvia Dutra, que já me ajudou muito contando um pouco da realidade norte-americana dos deficientes físicos, me enviando fotos, me dando sugestões.

 

E ela também me enviou um presente! O que eu e ela chamamos de “mãozinha tabajara estiqueitor”... é um acessório que auxilia o cadeirante a pegar objetos que estejam no alto ou em locais onde a cadeira não chega.... é mega ultra bom.

 

 

 

Bem, então, fiquem com a letter da Silvets.

 

 

 

“A verdade nada mais que a verdade”

 

Leio a Folha e outros jornais todos os dias e por curiosidade com esse nome do seu blog cheguei ao “Assim como você”.

 

Pensei a principio que fosse blog feminino (uuuuia), desses que tenta explicar porque as mulheres são como são. Com quase 50 anos nas costas ainda não estou bem certa de quem eu sou e quis descobrir se havia outras assim como eu.

 

Apesar de não ser da Matrix, acabei fisgada pelo assunto e pelo seu estilo franco, autêntico, leve, engraçado de escrever.

 

 Acho muito cativante ver um homem se expondo dessa maneira verdadeira como você faz, falando das suas dificuldades, dos preconceitos e situações desrespeitosas que você tem enfrentado ao longo da vida, dos seus projetos, sonhos, emoções, trabalho, amigos, da sua relação com sua mãe, que a gente percebe ser muito forte e bonita.

 

E escrevendo com tanta propriedade, sabendo do que está falando, tocando em assuntos essencialmente dolorosos e espinhosos, mas mantendo o astral lá em cima, sem cair na pieguice.

 

Sinto uma inveja limpa e reverente quando vejo alguém fazendo um trabalho lindo assim como o seu, tocando a vida de tanta gente, forçando a mudanca, fazendo as coisas acontecerem.

 

Há blogs que a gente visita uma vez e já viu dezenas iguais. Outros nada acrescentam, soam falsos, outros ainda tem uma aura ruim, mal humorada.

 

O seu, não. Sempre tem conteúdo, histórias inspiradoras que nos aquecem a alma e instigam a reflexão, ou tem uma informação importante, uma dica educativa, uma crítica bem fundamentada . Hoje sou uma viciada assumida desse blog e recuso tratamento.  

 

 

 

Leio todos os dias, e pra mim tem sido uma experiência bastante enriquecedora. Até descobrir o “Assim como você” eu não prestava atenção em nenhuma dessas questões que você aborda.

 

Não fazia idéia da quantidade de obstáculos que o pessoal da Matrix tem que enfrentar pra fazer as coisas cotidianas, que quem não é deficiente assume como garantidas.

 

Seu blog me ensinou tanta coisa que eu sequer imaginava, ampliou minha visão do mundo e sinto que me tornei uma pessoa um pouco melhor por conta disso.

 

E por isso lhe sou grata. Sou grata também à Folha por abrir espaço pra discussão dessas questões tão importantes para a conquista da cidadania plena dos deficientes no nosso Brasil.

 

Botar a boca no trombone já conseguiu melhorar o banheiro do posto la na estrada não foi? Agora faltam as calçadas esburacadas, a ausência de rampa nos prédios públicos, maior respeito e espaço no mercado de trabalho, o cumprimento das leis que já existem, mas não são aplicadas...  etc etc etc....água mole em pedra dura, por que não? Mudar o mundo não é fácil, mas é possível, sim. E que prazer isso dá não é mesmo?

 

 

 

Só tem uma coisa que eu não gosto no seu blog, vou te confessar, correndo o risco da Gisele ficar brava comigo: é quando você se chama de “malacabado”.  Entendo que é brincadeira, mas sei lá, me machuca, não gosto dessa palavra aplicada a você e a toda essa gente linda que é retratada nesse espaço.

 

E como tenho filhos imagino que a sua mãe também não deva gostar de ver o baby dela se referindo a si próprio dessa maneira. “Malacabado” é quem não respeita os direitos dos outros, sejam eles da Matrix ou não. Pra mim você é um “homi bão”, fazendo um trabalho lindo e da maior importância.  

Escrito por Jairo Marques às 00h20

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Sem palavras...

Ah, nem sei o que dizer... Assistam o vídeo ai de baixo que depois a gente conversa um pouco, porque eu sei que vocês ficam carentes das palavrinhas do tio.

 

Em tempo: Este comercial foi enviado de presente pela minha leitora “arretada e porreta” Vera Serra, de Salvador (BA). Eu já assisti umas cinqüenta vezes. Bonito demais da conta, num é, povo?

 

A Vivi Garcia, que é deficiente visual e freqüentadora do nosso diário desde o começo, me explicou que nem todo cego compreende o alfabeto tradicional, mas que parte desse grupo de "matrixiano" consegue, sim, entender as letras convencionais e não somente o Braile. 

 

“Para mim, que já enxerguei, ou seja, tenho memória visual, é normal o meu conhecimento das letras. Fui alfabetizada enxergando, então, tenho em minhas memórias todas as letrinhas da cartilha ‘Caminho Suave’... Lembro até das letras pontilhadas. Bem, mas para alguém que nunca viu, as letrinhas pouco importam, já que não são muito utilizadas e não fazem parte da memória de algumas pessoas. Se elas tiverem interesse podem conhecer as letras por relevo”, me disse a Vivi.

 

Em tempo, de novo: Eu sou bem puxa-saco dos meus amigos e das pessoas que gosto. Porém, como a Tabata é unanimidade por aqui, não tem muito problema de babar ovo pra essa belezura, né?

 

Quem quiser ver ela gravando uma das cenas da novela Água na Boca e dando uma entrevista pra um programa da própria Band (a loira tava bem nervosa ), basta clicar aqui (é que num deu pra ‘cupia’ o vídeo, que demoooora pra carregar).

 

Escrito por Jairo Marques às 08h00

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Você conhece a língua do "Tê"?

Zente”, é muito comum quando se conhece alguém da Matrix de quem tem alguma deficiência que o caboclo ou cabocla, na hora de te explicar como ele entrou pra essa “comudidadchi”, diga assim:

“Eu ‘tavo’ nadando no brejo, dei um mergulho atravessado, bati as costas, lesionei a ‘T7’ e fiquei 'malacabado' da cintura para baixo.”

 Isso é o que eu chamo de língua do “Tê”, muito usada por médicos e por deficientes que sofreram lesões traumáticas, sobretudo (acidentes).

Pra provar, mais uma vez, que o “Assim como você” é um “brogue” feito por um “minino inteligentchi”, como sempre diz a minha mãe, hoje “nóis tamo” científico.

Pedi para a minha médica particular  (clica no ‘médica’ que você descobre quem é) tentar explicar um pouco esse lance da língua “diferentchi” usada pelos esgualepados. Acho legal falar sobre isso porque tem muita gente nova entendendo agora como funciona esse nosso mundo paralelo.

Ela “escrevinhou” o texto tudo certinho e eu passei o batom e a 'maquilagem'  pra mode ele fica mais sexy.

 

As “Ts” são vértebras torácicas que, quando ferradas , podem levar à paraplegia. A coluna é formada pelo arranjo de, em média, 33 vértebras.

São sete cervicais (C), doze torácicas (T), cinco lombares (L), cinco sacrais e quatro ou cinco coccígeas, que são responsáveis pela nossa sustentação e movimento.  

 Por isso, às vezes, a gente escuta também a língua do “Cê”:

“Fui saltar de pára-quedas que sobrou da guerra, tava furado, e lesionei a C6. Virei ‘mamulengo’ ou, com dizem os mortais, tetraplético

Dentro da coluna existe um canal por onde passa a medula espinhal, é ela que faz a condução das informações sensitivas e motoras entre o cérebro e o corpo.

A medula é feita de células nervosas, os neurônios; e seus prolongamentos, os axônios. Eles vão determinar a nossa “sensibilidadchi” (sabe quando tocam na sua perna e você diz, “ai, uiui”, então), e também determinam os movimentos.

Os nervos estão por toda parte, músculos, pele, órgãos, e são responsáveis por todas nossas sensações (frio, calor, dor, pressão) e pelo andar, pular, correr, dançar...

 

Um acidente pode deixar a gente “malacabado” porque uma lesão pode afetar algum nível da coluna (as T, C e L) interrompendo o trajeto dos nervos.

Quando esse rompimento se dá próximo ao “célebro”, diz-se que a lesão foi alta, quanto mais longe...advinha??? Aêêê: lesão baixa  . E quanto mais “em riba” também, mais bamba a pessoa fica, porque vai comprometer mais o equilíbrio.

Se o bombardeio  atingir a coluna cervical (falai? As “Cs”), o cabra pode ficar tetraplégico, com braços e pernas ‘malacabados’ e também podem rolar problemas respiratórios.

Ou seja, se ferrar as “C”, o 'matrixiano' (essa é novidadchi, heim) vai dar um trabaaaaalho.

Quando a guerra ferrar a coluna torácica, as “Ts”, o sujeito pode ficar que nem “ingual” ao tio, paraplégico: mamulengo da cintura para baixo.

Como na região da coluna sacral (que fica bem embaixo) estão as inervações responsáveis pelos próprio órgão sexual (ai que delícia), bexiga e intestino, tuuudo isso pode ficar comprometido quando se ferra uma vértebra láááá de cima, sacaram? Sejam as Cs, sejam as Ts.

 

Cada nervo tem um caminho, originado na medula e que passa pelas vértebras, e é responsável por uma área do nosso corpinho.

Mas não há uma regra, uma lógica perfeita que diga: lesionou aqui, logo, o sujeito vai ficar assim ou assado. A lesão pode ser completa, afetando tooodas as comunicações dos nervos abaixo da vértebra atingida, ou incompleta, quando alguma ligação, mesmo com o trauma, fica funcionando, sacaram?

 

 

O mapinha ai de cima com as vértebras e as regiões do corpo que representam é apenas para dar  uma noção. E, não necessariamente, quando se lesiona uma região demarcada vai-se ter como conseqüência a perda das habilidades em tal região.

O corpo tem seus enigmas e, duas pessoas que tiveram lesões na T4, por exemplo, podem ter reflexos diferentes em suas vidas.

Fato é que sempre vai sobrar (ufa ) uma área preservada e que, muito provavelmente, o corpo irá rearranjar sensibilidade e sensações.

Povo, este post é só para todo mundo ter uma idéia do que estou falando quando digo paraplegia, tetraplegia e mais ainda para vocês poderem entenderem um pouco sobre vértebras, medula e nervos, o que é tão falando por gente da Matrix.

Tudo o que escrevi aqui não tem valor acadêmico e, claro, há impropriedade no texto. Facilitei as palavras para que vocês pudessem ter uma idéia mais próxima do dia a dia e menos “linguagem de médico”, valeu?!

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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Um motel pra chamar de meu

“Alô?! Oi, boa tarde. Queria saber se vocês têm alguma suíte acessível?! Segundos de silêncio do outro lado da linha...

 

“Olha, a mais ‘aquicessível’ que a gente ‘temos’ é 150 reaus”.

 

“Não, moça, eu quero saber se tem alguma suíte acessível para cadeirante”

 

“Cadeirante como assim, você fala?” “Que usa cadeira de rodas, sabe?!”

 

“Ahhhh.. ‘minutinho’, tá”... “Ixi, tem, não, viu?!”, diz a atendente do décimo motel que ligo naquela tarde para ver se consigo entrar com o meu cavalo em algum.

 

Povo, é sério. Dono de motel acha que cadeirante ou pessoas com mobilidade reduzida, definitivamente, não transam. Apesar que já ouvi muita história de gente que vai ao motel pra fazer qualquer coisa, menos ir às vias de fato, né?

 

O tal do “gramur” faz os arquitetos desses “antros do prazer” projetarem sempre uma escada nas tais suítes. Tem quem adore dar aquele amasso nos degraus, né, não? Nada contra, mas, toooodos os quartos serem inacessíveis pra quem não pode subir já é demais.

 

Mas, a minha luta não foi inglória e encontrei um Motel que a atendente havia garantido que era térreo, “suuuper tranqüilo”... o nome do chalé era algo do tipo “Planeta Distante”.  

 

Quem que não quer dar uma namoradinha num lugar “diferençado”? E lá fui eu com a namorada pra ter o nosso momento sábado de romance no motel.

 

“Oi, eu queria a suíte 'Planeta Distante', por favor?! É térreo, né?” (sempre confirmo, pra ter a margem de erro mais restrita possível)

 

Paro o carro na garagem e, neste momento, como qualquer “minino bão”, já tô mais feliz do que porco na lama pra dar aquela namoraaaada.

 

Gente, num preciso nem descer do carro pra ver, logo na porta da “Planeta Distante”, dois degraus gigantes pra acessar a suíte.

 

Aí a felicidade já vai murchando aos poucos, né?!  Mas namorada de cadeirante é guerreira (apesar que eu acho que a vontade dela de... de... conversar   era maior.)

 

“Eu consigo te puxar de costas com a cadeira. Vai dar certo!”

 

 

E vai daqui, tenta dali... e eu morrendo de medo de cair. Porque ai o prazer ia descambar pro masoquismo, falai?!

 

“E se a gente pedir ajuda pra alguém?!”, disse a moça.... “Pô, mais ai vira suruba”, respondi.

 

Mas, conseguimos depois de algum esforço e muito jeitinho... não tinha rolado nada, mas a gente já tava suado .

Valeu a dedicação! A “Planeta Distante” era “bacanuda”, decoração legal, luzes inspiradoras, espelhos, aquela festa!

 

Vo6 podem não acreditar, mas acho que aquela tensão de vai dar pra subir, num vai dar pra subir me deixou meio tenso e eu precisava, claro, ir ao banheiro! Olha, juro que não era motel de dez real, daqueles com néon cor de rosa, era bom o lugar... mas o banheiro era microscópio.

 

E lá vai a moça me ajudar a passar da minha cadeira pra uma cadeira estreitinha que tinha na suíte... ai, ai... lembrando, nem eu acredito nas roubadas que eu me coloco.

 

Marcelo Justo / Folha Imagem

 

Resolvido os problemas “emocionais” era a hora de se entregar ao ...lazer! “Pessoais”, cama redonda é massa, né? Mas, pensem comigo: como é que a cadeira encosta?

Tudo bem, deu certo pra fazer a transferência para o ninho de amor (uuui) sem novas fortes emoções e dá-lhe viagem pelo “Planeta Distante”!

Ralou, rolou, brincou, passou gelol , era hora de curtir o quê?! A banheira!!! Aêêêêê!!!!!

 

Linda, fumegante, aconchegante, borbulhante, mas.... eu fiquei do lado de fora, mesmo . Para entrar na banheira era preciso vencer três degraus e a gente num tava mais em condições físicas, digamos assim, para novas escalas.

 

Fiquei dando um de voyer enquanto ela jogava espuma pro alto. Mas é claro que fiquei chateado, né?! Na água, os movimentos de um deficiente ficam mais fáceis e a gente consegue ficar mais, digamos... hummm soltinho!

 

 Marcelo Justo / Folha Imagem

 

Mas, gente, nem tudo está perdido!! As duas fotos que ilustram o post são de um motel de verdade, daqui de São Paulo, que tem uma suíte totalmente acessível há CINCO anos!

 

Vejam na “fota” da banheira que a cadeira de rodas fica na altura exata para fazer a transferência e, além disso, há barras que ajudam a entrar e a sair (óóóia).... da água.

 

Além disso, o banheiro também tem barras de apoio e não há escadas! Os acessos possuem rampas. O único senão, apontado pelo meu colega Marcelo Justo, que fez as fotos, é que, caso o casal seja de cadeirantes, a garagem fica um pouco apertada para abrir as duas portas do carro de forma completa e reitrar as cadeiras... nem tudo é perfeito, né?!

 

O gerente do motel, que foi descoberto pelo caderno Negócios, da Folha, que publicou reportagem ontem sobre o assunto (assinante UOL e do jornal clique aqui e leia a íntegra), disse que pouquíssimas pessoas usam a suíte.

 

Capaz! Eu nunca tinha lido nem ouvido falar desse motel. E, olha só, povo, que ironia do destino, ele fica pertinho da minha casa, no mesmo bairro!

 

Fica ai a opção para todo mundo. Quem quiser saber mais detalhes sobre o motel com suíte acessível, basta apertar no bozo!

 

O fone eu passo: (11) 3758-3324

Escrito por Jairo Marques às 00h28

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Para os Olímpicos

Comecei a nadar aos dez anos de idade, graças à insistência do querido professor Nuna, que, pacientemente, me ensinou a perder o medo da água e a vencer meus próprios “grilos” do “eu não posso”.

 

E eu ia todos os dias, até o final da adolescência, na piscina do clube Comercial da já famosa aqui cidade de Três Lagoas, onde nasci.

 

Belo dia, Nuna resolve fazer uma competição entre todos os seus alunos. O detalhe é que, de “esgualepado”, só havia eu.

 

“Nuna, eu num venho amanhã pra competição”.

 

“Vem, claro que vem, terá uma categoria só para o seu estilo”.

 

Cabeça de mino, vocês sabem como é. Aquilo foi a minha glória, poder disputar com outros meninos, mostrar o meu estilo livre ou peito que eu mesmo jurava que eram lindos.

 

Levei a mãe a tiracolo para me “assistir” naquele momento épico da minha vida desportiva. Será que eu tinha chances de medalhar? Eram remotas, mas o importante mesmo é que eu estaria dentro da competição.

 

Eis que o campeonato começa com todos os moleques e molecas caindo na água e ganhando medalhas e mais medalhas nos cem metros livres, no revezamento, no nado peito, no nado costa.

 

“Jairão, agora é sua vez. Cai na piscina e se aquece um pouco”.

 

O meu inesquecível professor Numa pede para outros cinco alunos da minha idade, sem deficiência, pularem também na água.

 

“As regras são as seguintes para vocês que vão disputar com o Jairo: Se baterem as pernas estão desqualificados e só vocês podem usar um dos braços (a pólio também afetou parcialmente os movimentos do meu braço esquerdo).

 

Claro que, naquelas condições “iguais”, eu fui o vitorioso e ganhei do meu professor uma medalha linda, com um motivo de ouro ao centro. Jamais vou esquecer do quando o esporte foi importante para mim tanto no aspecto de afirmação quanto no emocional, físico.

 

Amanhã, começam as Paraolimpíadas de Pequim onde se virá uma explosão de gente “Assim como Você” atrás de representar seus países e disputarem o momento da glória da medalha ou do importante “chegar ao fim”.

 

 

 

 

A minha homenagem aos nossos atletas é singela. Ainda não tenho como dar a eles o espaço e a divulgação que merecem. Boa parte das competições será transmitida pelo canal a cabo SPORTV.

 

Avalio que os jornais, inclusive a Folha, e as TVs abertas irão mostrar os destaques brasileiros nos jogos.  Serão 187 competidores em 17 categorias.

 

Para conhecer um pouco de cada atleta, basta ir a http://www.cpb.org.br/perfil-dos-atletas

 

 

 

Seleção de basquete feminino sobre rodas

 

Foto de Maurício Pinheiro / CPB

 

 

 

 

Nadador Daniel Dias, 20, de São Paulo, que teve má formação congênita nos braços e na perna direita

 

Foto de divulgação da Ciedef (Associação para a Integração Esportiva do Deficiente Físico)

 

 

 

A remadora Claudia Cícero, de Baureri (SP)

 

Foto de Saulo Cruz / CPB

 

 

 

A Seleção Brasileira Paraolímpica de Futebol

 

Foto de Pedro Rezende / CPB

Escrito por Jairo Marques às 11h27

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O futuro e um prêmio

Povo, recebo diversos emails me pedindo espaço pra divulgar coisas. Tem desde anúncio pra achar o cachorro que caiu do caminhão da mudança até festa do cabide  .

 

Mas eu só divulgo aquilo que avalio que vai atingir um grande número de pessoas, quando vai trazer um benefício para a Matrix e... ah, sei lá, quando me dá um “pô, legal, heim”, no coraçãozinho.

 

Então, vão ai duas dicas, pra provar que eu sou, sim, um “minino bão”

 

Oficina para o Futuro

 

Gostei demais dessa iniciativa de um povo “esgualepado” (essa eu ‘cupie’ do Thiagão, leitor top do blog) lá de Campinas, city onde só dá “nóis” do Assim como você.

 

Um grupo chamado Instituto de Pesquisas Eldorado tem entre seus programas um lance que qualifica pessoas com deficiência para atuarem em ramos voltados à tecnologia: a “Oficina do Futuro”.

 

 

 

Gente, eles pretendem qualificar pessoas de nível médio e superior para “tramparem” em empresas de telecomunicação, informática e outros ramos que envolvam os próprio chips e o tal de control + alt + del da vida.

 

O treinamento é de grátis total, meu povo. Eles têm condições de dar acessibilidade para diversos tipos de alunos, com diversos tipos de “ferimentos da guerra” (tá, tá, deficiências ).

 

 

 

Sabe aquele seu vizinho, seu irmão, seu primo que acha que por ser “malacabado” o mundo caiu? Manda a dica pra ele. O mercado quer qualificação das pessoas, seja elas quem forem. Então, bora aprender pra ganhar dinheiro e comprar umas pingas, porque ninguém é de ferro, né, não?

 

www.oficinadofuturo.org.br

www.eldorado.org.br

 

Fone: (19) 3757-3032

 

Prêmio Sentidos

 

Vão até o dia 31 de dezembro as inscrições para quem quiser concorrer ao concurso que vai reconhecer histórias e talentos desse povo que dá um trabaaaalho danado, o povo da Matrix de quem tem alguma deficiência.

 

O “Prêmio Sentidos”, promovido pela revista de mesmo nome e pelo site www.sentidos.com.br , tem três categorias, ou seja, em alguma um dos personagens que passaram por aqui “fafavor” de ganhar.  

 

 

 

Gente como a gente – Para a melhor história de superação da deficiência (essa eu num tenho chance porque num estudei e virei jornalista, né? )

 
Talentos especiais – Para quem, por meio da arte ou do esporte, fez da deficiência um baile e dançou gostoso (essa também eu num tenho “chanxa” porque o meu esporte é o chopp, que num é competitivo, e minha arte é contar piada “procês” rirem)


Menção honrosa - Para empresa ou organização do terceiro setor que contribui para a inclusão social da pessoa com deficiência (que eu também não devo ganhar porque num tenho empresa, pelo menos que eu saiba, talvez eu seja laranja de alguém e ainda não me contaram )

 

Os ganhadores irão aparecer na revista, na televisão, vão pagar cerveja, vão....

 

É uma grande oportunidade, sem dúvida, de muita gente brilhar com algo simples: mostrando um pouco da suas vidas.

 

Para ver o regulamento, ter acesso à ficha de inscrição e outros detalhes, clica no bozo.  

Escrito por Jairo Marques às 08h18

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Lista de filmes

“Zente”, nesta semana “cinematográfica”, aproveito para colocar algumas sugestões de filmes que, de alguma maneira, abordam questões da Matrix de quem tem algum tipo de deficiência.

 

Os que estou sugerindo são aqueles que eu vi e gostei! Claro que, a idade avançada faz meu “célebro” não “funfar” direito , logo, vou esquecer alguns e coloco depois.

 

Caso vocês se “alembrem”, me indiquem nos coments ou por email, tá, bão?

 

 

“Uma Lição de Amor” (I am Sam), EUA, 2001, com Sean Penn, Michelle Pfeiffer e Dakota Fanning. Dirigido por Jessie Nelson

 

 

 

Esse eu acho que muita gente já viu. Conta a história da luta de um pai que tem idade mental de uma criança para conseguir o direito de criar a própria filha.

 

Num dá, num dá pra num chorar de se acabar e pra não fazer uma ampla reflexão sobre a capacidade humana de amar. O filme é recheado com versões de músicas dos Beatles de tirar o fôlego. Para ouvir uma, clica aqui.

 

“Carne Trêmula” (Carne Trémula), Espanha, 1997, com Javier Bardem, Francesca Neri e Penélope Cruz. Dirigido por Pedro Almodóvar

 

 

 

Então... esse é um pé no saco (será eu posso falar saco? ), de quem tem deficiência motora.  Não é questão principal do filme, mas é o pano de fundo do enredo que irá se desenrolar após um policial ser ferido a bala e ficar paraplégico.

 

Não recomendo para quem é mais fraquinho  . Geralmente, só um cadeirante consegue ficar furioso com o debate que o diretor propõe. Não vou contar, craro.

 

Sou suspeito, porque adoro o estilo do Almodóvar.

 

“Janela da Alma”, Brasil, 2002, com participações de José Saramago, Wim Wenders, Hermeto Pascoal entre outros. Dirigido por João Jardim e Walter Carvalho

 

 

 

É um documentário que aborda diversos aspectos da visão, povo. Sem dúvida nenhuma, depois que vocês virem este filme terão outra uma noção sobre os cegos e sobre as próprias limitações do enxergar. E enxergamos mal. Muito mal.

 

“Loucos de Amor” (Crazy in Love/ Mozart and the Whale), EUA, 2005, com Josh Hartnett e Radha Mitchell. Dirigido por Petter Naess

 

 

 

Como o título já insinua: é uma doidera! Comédia que aborda um caso de amor divertidíssimo entre dois autistas. Serve para aprendermos um pouco sobre esse pessoal, que também é da Matrix!, e dar ótimas gargalhadas.

 

“Mar Adentro” (Mar Adentro), Espanha, 2005, com Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas e Mabel Rivera. Dirigido por Alejandro Amenábar

 

 

 

Quando um mergulho muda toda a rota de sua vida, que precisa ser redesenhada e enfrentada. Quando a insatisfação de sua própria condição chega ao limite. É bem “dilorido”, mas, também, é uma grande obra sobre .... “avuar”... é... “avuar”.

 

 “Os melhores dias de nossas vidas” (Rory O´Shea Was Here- Inside I´m Dancing), Eua, 2005, com James Mcavoy, Steven Robinson e Jefrey Caine. Dirigido por Damien O´Donnell

 

 

 

Um tetraplégico doido convence um amigo que tem paralisa cerebral a encarem o mundo e morarem sozinhos. Neste filme, quem não é da Matrix, vai poder ver e sentir um pouquinho dos desafios diários que temos para simplesmente sermos “Assim como você”.  “Bão”. Muito “bão”, mesmo.

 


 

Depois que comecei a escrever foi vindo as lembranças . Vou ficar nestes seis, que já dá um bom final de semana de “curtura”. Atualizo a lista mais para a frente, com ajuda de vocês. Agora deu preguiça.

 

Beijo nas crianças

 

* Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 08h10

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Superar é o esquema

A arte é um importante instrumento para ajudar a gente a reinventar a vida seja sobre rodas, seja sem a visão ou mesmo para enfrentar uma enfermidade.

 

Hoje, trago um belo documentário realizado por uma turma de formandos em jornalismo da PUC de Campinas, cidade onde o nosso blog bomba!

 

Impossível evitar o lugar comum: vocês irão se emocionar, irão crescer um pouquinho mais e irão ao encontro de figuras bem carimbadas da nossa Matrix (vejam, vejam e me falem se valeu a pena ver os sorrisos e as histórias).

 

As autoras da idéia _Berenice Lisboa, Carla Ramil, Carolina Pimentel, Fabiana Silva e Yara Alvarez_, algumas minhas leitores desde o começo do “Assim como você”, as tenho como fortíssimas aliadas nessa looonga viagem rumo a um mundo mais acessível a todos.

 

Vou colocar a primeira parte agora e a segunda, por volta das 12h (dessa forma vocês virão aqui visitar o tio duas vezes!)

 

 Vivian Retz, do Folha Online, thanks!

 


Ta ai a segunda parte

 

 

Créditos:

 

Produção e direção: Berenice Lisboa, Carla Ramil, Carolina Pimentel, Fabiana Silva e Yara Alvarez

 

Orientação e edição: Ana Paula

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 07h56

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Cadeiradas no cinema

Desde moleque eu vou ao cinema. Me lembro que era um programão ir aos sábados no cine Santa Helena, no centro da cidade, junto com outras dezenas de amigos que se revezavam para empurrar minha “carriola”.

 

Hoje, o lugar, que não tinha escadas e eu entrava na faixa (não sei a razão) virou mais uma unidade das “Cazas Baiano”.

 

Já li certa vez, mas não consigo me recordar quem escreveu ou disse, se alguém lembrar, please, diga nos coments, que: “depois da invenção do cinema a gente passou a viver duas vezes mais”. Pô, e é isso mesmo!

 

O cinema nos transporta para outros países e planetas, nos apresenta emoções agudas e profundas, nos dá raiva, nos dá alegria, nos permite ter contato com outras culturas, com outras realidades.

 

Bom, mas, e daí, né, não? O tio já viveu boas aventuras para sustentar esse meu vício pela telona. As salas de exibição “mudernas” empunharam aos cadeirantes um desconforto sem igual: a dor no pescoço.

 

Eu explico pra vo6 porque eu sou “minino bão”. Já repararam que 90% dos cinemas têm escadas? E não é escadinha, não, são escadarias gigantes para acessar os melhores lugares, para degustar o filme de um ângulo onde o beijo dos atores fica até mais gostoso.

 

 

 

O resultado? Quem é da Matrix tem uma opção: Ficar no lugar mais baixo, com o nariz grudado na tela. Como o meu direito de escolha fica limitado, com a maior cara de pau eu sempre... pago meia!!!! . Sem o menor pudor, eu pago meia-entrada.

 

Mas, quando a gente inventa, a gente se trumbica, né? Vou muito sozinho ao cinema. Não ligo, não, gosto mesmo é da arte. Certa vez, porém, o “homi” da bilheteria queria porque queria que eu ficasse num lugar mais alto.

 

Eu subo você. ‘rapai’! Não tem problema!  Te coloco lá no alto e, no final do filme, venho te pegar. É melhor. A visão é bem mais gostosa”.

 

Povo, eu cedi. Abracei e tio (não rolou sentimento, não  ) e fui ficar lá no altão. A cadeira de rodas ele levou sabe Deus pra onde. Sim, claro que todo mundo já sabe o que aconteceu.

 

O filme acabou e eu suava frio, igual depois de comer aquela coxinha suspeita num boteco mais supeito ainda. Era a última sessão da noite. O povo ia saindo e nada do tiozinho aparecer com a minha cadeira ou mesmo com aqueles braços fortes (uuui) pra me tirar dali. Pedi socorro ao último cristo que saía da sala e evitei dormir ali mesmo.

 

Quando vou ver um filme, geralmente, não fico na minha cadeira. Passo para a poltrona confortável, né? To pagaaaando, ué! Ai eu coloco o meu cavalo do lado e fico comendo pipoca, bem lindo.

 

Num desses filmes disputados da vida, do tipo 'batimén" eis que entra um senhor, já com as luzes apagadas e os trailers comendo na tela. Ele procura, procura, procura uma cadeira... e acha!!! Acha a minha cadeira de rodas! .... e senta!!!

 

 

 

Eu num sabia se eu ria ou se eu chorava de “reiva”. “Zente”, ele demorou a perceber que estava mais baixo do que a pessoa que tava do lado dele (eu, mesmo).... ai ele se tocou que tinha cometido uma ligeira gafe.

 

Sabe quando você entra na sala errada e sai difarçando? Então, assim fez o tiozinho!

 

E esse negócio de só poder ficar nos lugares ali embaixo quase me rende um namoradO . Vou muito ao cinema de um shopping aqui da city que ficou famoso por ser freqüentado pelo público gay.

 

Não, gente, num sou gay (pelo menos que eu saiba ), mas eu gosto de lugares onde facilitam a vida do cadeirante. E, lá, é assim. Desde o estacionamento até o cinema. Eles, “excrusivel”, mudaram os locais dos cadeirantes nas salas porque, pelo projeto inicial, era péssimo.

 

Não fazem mais do que a obrigação, claro, mas foi uma iniciativa que nem todo empresário tem. Bom, mas voltando. Fui ver aquele filme “O Segredo de Brokeback Montain”, que, para quem não viu, conta uma história de amor entre dois cowboys (tô mona, hoje, né?).

 

Na fila das cadeiras de baixo só havia eu. As pessoas “normais” ficaram todas para cima, nos lugares bons, é óbvio. Mas, eis que vem um franguinho desses magrinhos, bem magrinhos... senta do meu lado... e diz assim:

 

Vou fazer companhia pra você porque é muito ruim assistir filme ‘romantchico’ assim tão sozinho, tá?!”.

 

Gelei, meu povo, gelei e tranquei, pra ser sincero. Magina se a biba resolve me beijar, me levar pra casa pra criar?! Mas ela foi comportada, juro. Só que chorava tanto, tanto que quase o enredo o filme muda para Titanic de tanta água dos "zóios".

 

Bom, mas, o meu amigo Evandro Bonocchi, que fez a ilustração lá de riba, projetou uma sala de cinema “amiga do cadeirante”. Vejam ai!

 

 

 

Percebam que os lugares demarcados para a cadeira ficam no alto, perto da entrada. Assim, a gente pode ver o filme sem ficar com o pescoço “dilorido”. Como há rampas laterais ao longo da sala, as opções de escolha também se diversificam!

 

Existem alguns cinemas assim, em São Paulo, mas, são poucos. Então, vou seguir pagando meia-entrada e tomando dorflex por um bom tempo.

Escrito por Jairo Marques às 00h54

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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