Jairo Marques

Assim como você

 

Para os Olímpicos

Comecei a nadar aos dez anos de idade, graças à insistência do querido professor Nuna, que, pacientemente, me ensinou a perder o medo da água e a vencer meus próprios “grilos” do “eu não posso”.

 

E eu ia todos os dias, até o final da adolescência, na piscina do clube Comercial da já famosa aqui cidade de Três Lagoas, onde nasci.

 

Belo dia, Nuna resolve fazer uma competição entre todos os seus alunos. O detalhe é que, de “esgualepado”, só havia eu.

 

“Nuna, eu num venho amanhã pra competição”.

 

“Vem, claro que vem, terá uma categoria só para o seu estilo”.

 

Cabeça de mino, vocês sabem como é. Aquilo foi a minha glória, poder disputar com outros meninos, mostrar o meu estilo livre ou peito que eu mesmo jurava que eram lindos.

 

Levei a mãe a tiracolo para me “assistir” naquele momento épico da minha vida desportiva. Será que eu tinha chances de medalhar? Eram remotas, mas o importante mesmo é que eu estaria dentro da competição.

 

Eis que o campeonato começa com todos os moleques e molecas caindo na água e ganhando medalhas e mais medalhas nos cem metros livres, no revezamento, no nado peito, no nado costa.

 

“Jairão, agora é sua vez. Cai na piscina e se aquece um pouco”.

 

O meu inesquecível professor Numa pede para outros cinco alunos da minha idade, sem deficiência, pularem também na água.

 

“As regras são as seguintes para vocês que vão disputar com o Jairo: Se baterem as pernas estão desqualificados e só vocês podem usar um dos braços (a pólio também afetou parcialmente os movimentos do meu braço esquerdo).

 

Claro que, naquelas condições “iguais”, eu fui o vitorioso e ganhei do meu professor uma medalha linda, com um motivo de ouro ao centro. Jamais vou esquecer do quando o esporte foi importante para mim tanto no aspecto de afirmação quanto no emocional, físico.

 

Amanhã, começam as Paraolimpíadas de Pequim onde se virá uma explosão de gente “Assim como Você” atrás de representar seus países e disputarem o momento da glória da medalha ou do importante “chegar ao fim”.

 

 

 

 

A minha homenagem aos nossos atletas é singela. Ainda não tenho como dar a eles o espaço e a divulgação que merecem. Boa parte das competições será transmitida pelo canal a cabo SPORTV.

 

Avalio que os jornais, inclusive a Folha, e as TVs abertas irão mostrar os destaques brasileiros nos jogos.  Serão 187 competidores em 17 categorias.

 

Para conhecer um pouco de cada atleta, basta ir a http://www.cpb.org.br/perfil-dos-atletas

 

 

 

Seleção de basquete feminino sobre rodas

 

Foto de Maurício Pinheiro / CPB

 

 

 

 

Nadador Daniel Dias, 20, de São Paulo, que teve má formação congênita nos braços e na perna direita

 

Foto de divulgação da Ciedef (Associação para a Integração Esportiva do Deficiente Físico)

 

 

 

A remadora Claudia Cícero, de Baureri (SP)

 

Foto de Saulo Cruz / CPB

 

 

 

A Seleção Brasileira Paraolímpica de Futebol

 

Foto de Pedro Rezende / CPB

Escrito por Jairo Marques às 11h27

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O futuro e um prêmio

Povo, recebo diversos emails me pedindo espaço pra divulgar coisas. Tem desde anúncio pra achar o cachorro que caiu do caminhão da mudança até festa do cabide  .

 

Mas eu só divulgo aquilo que avalio que vai atingir um grande número de pessoas, quando vai trazer um benefício para a Matrix e... ah, sei lá, quando me dá um “pô, legal, heim”, no coraçãozinho.

 

Então, vão ai duas dicas, pra provar que eu sou, sim, um “minino bão”

 

Oficina para o Futuro

 

Gostei demais dessa iniciativa de um povo “esgualepado” (essa eu ‘cupie’ do Thiagão, leitor top do blog) lá de Campinas, city onde só dá “nóis” do Assim como você.

 

Um grupo chamado Instituto de Pesquisas Eldorado tem entre seus programas um lance que qualifica pessoas com deficiência para atuarem em ramos voltados à tecnologia: a “Oficina do Futuro”.

 

 

 

Gente, eles pretendem qualificar pessoas de nível médio e superior para “tramparem” em empresas de telecomunicação, informática e outros ramos que envolvam os próprio chips e o tal de control + alt + del da vida.

 

O treinamento é de grátis total, meu povo. Eles têm condições de dar acessibilidade para diversos tipos de alunos, com diversos tipos de “ferimentos da guerra” (tá, tá, deficiências ).

 

 

 

Sabe aquele seu vizinho, seu irmão, seu primo que acha que por ser “malacabado” o mundo caiu? Manda a dica pra ele. O mercado quer qualificação das pessoas, seja elas quem forem. Então, bora aprender pra ganhar dinheiro e comprar umas pingas, porque ninguém é de ferro, né, não?

 

www.oficinadofuturo.org.br

www.eldorado.org.br

 

Fone: (19) 3757-3032

 

Prêmio Sentidos

 

Vão até o dia 31 de dezembro as inscrições para quem quiser concorrer ao concurso que vai reconhecer histórias e talentos desse povo que dá um trabaaaalho danado, o povo da Matrix de quem tem alguma deficiência.

 

O “Prêmio Sentidos”, promovido pela revista de mesmo nome e pelo site www.sentidos.com.br , tem três categorias, ou seja, em alguma um dos personagens que passaram por aqui “fafavor” de ganhar.  

 

 

 

Gente como a gente – Para a melhor história de superação da deficiência (essa eu num tenho chance porque num estudei e virei jornalista, né? )

 
Talentos especiais – Para quem, por meio da arte ou do esporte, fez da deficiência um baile e dançou gostoso (essa também eu num tenho “chanxa” porque o meu esporte é o chopp, que num é competitivo, e minha arte é contar piada “procês” rirem)


Menção honrosa - Para empresa ou organização do terceiro setor que contribui para a inclusão social da pessoa com deficiência (que eu também não devo ganhar porque num tenho empresa, pelo menos que eu saiba, talvez eu seja laranja de alguém e ainda não me contaram )

 

Os ganhadores irão aparecer na revista, na televisão, vão pagar cerveja, vão....

 

É uma grande oportunidade, sem dúvida, de muita gente brilhar com algo simples: mostrando um pouco da suas vidas.

 

Para ver o regulamento, ter acesso à ficha de inscrição e outros detalhes, clica no bozo.  

Escrito por Jairo Marques às 08h18

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Lista de filmes

“Zente”, nesta semana “cinematográfica”, aproveito para colocar algumas sugestões de filmes que, de alguma maneira, abordam questões da Matrix de quem tem algum tipo de deficiência.

 

Os que estou sugerindo são aqueles que eu vi e gostei! Claro que, a idade avançada faz meu “célebro” não “funfar” direito , logo, vou esquecer alguns e coloco depois.

 

Caso vocês se “alembrem”, me indiquem nos coments ou por email, tá, bão?

 

 

“Uma Lição de Amor” (I am Sam), EUA, 2001, com Sean Penn, Michelle Pfeiffer e Dakota Fanning. Dirigido por Jessie Nelson

 

 

 

Esse eu acho que muita gente já viu. Conta a história da luta de um pai que tem idade mental de uma criança para conseguir o direito de criar a própria filha.

 

Num dá, num dá pra num chorar de se acabar e pra não fazer uma ampla reflexão sobre a capacidade humana de amar. O filme é recheado com versões de músicas dos Beatles de tirar o fôlego. Para ouvir uma, clica aqui.

 

“Carne Trêmula” (Carne Trémula), Espanha, 1997, com Javier Bardem, Francesca Neri e Penélope Cruz. Dirigido por Pedro Almodóvar

 

 

 

Então... esse é um pé no saco (será eu posso falar saco? ), de quem tem deficiência motora.  Não é questão principal do filme, mas é o pano de fundo do enredo que irá se desenrolar após um policial ser ferido a bala e ficar paraplégico.

 

Não recomendo para quem é mais fraquinho  . Geralmente, só um cadeirante consegue ficar furioso com o debate que o diretor propõe. Não vou contar, craro.

 

Sou suspeito, porque adoro o estilo do Almodóvar.

 

“Janela da Alma”, Brasil, 2002, com participações de José Saramago, Wim Wenders, Hermeto Pascoal entre outros. Dirigido por João Jardim e Walter Carvalho

 

 

 

É um documentário que aborda diversos aspectos da visão, povo. Sem dúvida nenhuma, depois que vocês virem este filme terão outra uma noção sobre os cegos e sobre as próprias limitações do enxergar. E enxergamos mal. Muito mal.

 

“Loucos de Amor” (Crazy in Love/ Mozart and the Whale), EUA, 2005, com Josh Hartnett e Radha Mitchell. Dirigido por Petter Naess

 

 

 

Como o título já insinua: é uma doidera! Comédia que aborda um caso de amor divertidíssimo entre dois autistas. Serve para aprendermos um pouco sobre esse pessoal, que também é da Matrix!, e dar ótimas gargalhadas.

 

“Mar Adentro” (Mar Adentro), Espanha, 2005, com Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas e Mabel Rivera. Dirigido por Alejandro Amenábar

 

 

 

Quando um mergulho muda toda a rota de sua vida, que precisa ser redesenhada e enfrentada. Quando a insatisfação de sua própria condição chega ao limite. É bem “dilorido”, mas, também, é uma grande obra sobre .... “avuar”... é... “avuar”.

 

 “Os melhores dias de nossas vidas” (Rory O´Shea Was Here- Inside I´m Dancing), Eua, 2005, com James Mcavoy, Steven Robinson e Jefrey Caine. Dirigido por Damien O´Donnell

 

 

 

Um tetraplégico doido convence um amigo que tem paralisa cerebral a encarem o mundo e morarem sozinhos. Neste filme, quem não é da Matrix, vai poder ver e sentir um pouquinho dos desafios diários que temos para simplesmente sermos “Assim como você”.  “Bão”. Muito “bão”, mesmo.

 


 

Depois que comecei a escrever foi vindo as lembranças . Vou ficar nestes seis, que já dá um bom final de semana de “curtura”. Atualizo a lista mais para a frente, com ajuda de vocês. Agora deu preguiça.

 

Beijo nas crianças

 

* Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 08h10

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Superar é o esquema

A arte é um importante instrumento para ajudar a gente a reinventar a vida seja sobre rodas, seja sem a visão ou mesmo para enfrentar uma enfermidade.

 

Hoje, trago um belo documentário realizado por uma turma de formandos em jornalismo da PUC de Campinas, cidade onde o nosso blog bomba!

 

Impossível evitar o lugar comum: vocês irão se emocionar, irão crescer um pouquinho mais e irão ao encontro de figuras bem carimbadas da nossa Matrix (vejam, vejam e me falem se valeu a pena ver os sorrisos e as histórias).

 

As autoras da idéia _Berenice Lisboa, Carla Ramil, Carolina Pimentel, Fabiana Silva e Yara Alvarez_, algumas minhas leitores desde o começo do “Assim como você”, as tenho como fortíssimas aliadas nessa looonga viagem rumo a um mundo mais acessível a todos.

 

Vou colocar a primeira parte agora e a segunda, por volta das 12h (dessa forma vocês virão aqui visitar o tio duas vezes!)

 

 Vivian Retz, do Folha Online, thanks!

 


Ta ai a segunda parte

 

 

Créditos:

 

Produção e direção: Berenice Lisboa, Carla Ramil, Carolina Pimentel, Fabiana Silva e Yara Alvarez

 

Orientação e edição: Ana Paula

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 07h56

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Cadeiradas no cinema

Desde moleque eu vou ao cinema. Me lembro que era um programão ir aos sábados no cine Santa Helena, no centro da cidade, junto com outras dezenas de amigos que se revezavam para empurrar minha “carriola”.

 

Hoje, o lugar, que não tinha escadas e eu entrava na faixa (não sei a razão) virou mais uma unidade das “Cazas Baiano”.

 

Já li certa vez, mas não consigo me recordar quem escreveu ou disse, se alguém lembrar, please, diga nos coments, que: “depois da invenção do cinema a gente passou a viver duas vezes mais”. Pô, e é isso mesmo!

 

O cinema nos transporta para outros países e planetas, nos apresenta emoções agudas e profundas, nos dá raiva, nos dá alegria, nos permite ter contato com outras culturas, com outras realidades.

 

Bom, mas, e daí, né, não? O tio já viveu boas aventuras para sustentar esse meu vício pela telona. As salas de exibição “mudernas” empunharam aos cadeirantes um desconforto sem igual: a dor no pescoço.

 

Eu explico pra vo6 porque eu sou “minino bão”. Já repararam que 90% dos cinemas têm escadas? E não é escadinha, não, são escadarias gigantes para acessar os melhores lugares, para degustar o filme de um ângulo onde o beijo dos atores fica até mais gostoso.

 

 

 

O resultado? Quem é da Matrix tem uma opção: Ficar no lugar mais baixo, com o nariz grudado na tela. Como o meu direito de escolha fica limitado, com a maior cara de pau eu sempre... pago meia!!!! . Sem o menor pudor, eu pago meia-entrada.

 

Mas, quando a gente inventa, a gente se trumbica, né? Vou muito sozinho ao cinema. Não ligo, não, gosto mesmo é da arte. Certa vez, porém, o “homi” da bilheteria queria porque queria que eu ficasse num lugar mais alto.

 

Eu subo você. ‘rapai’! Não tem problema!  Te coloco lá no alto e, no final do filme, venho te pegar. É melhor. A visão é bem mais gostosa”.

 

Povo, eu cedi. Abracei e tio (não rolou sentimento, não  ) e fui ficar lá no altão. A cadeira de rodas ele levou sabe Deus pra onde. Sim, claro que todo mundo já sabe o que aconteceu.

 

O filme acabou e eu suava frio, igual depois de comer aquela coxinha suspeita num boteco mais supeito ainda. Era a última sessão da noite. O povo ia saindo e nada do tiozinho aparecer com a minha cadeira ou mesmo com aqueles braços fortes (uuui) pra me tirar dali. Pedi socorro ao último cristo que saía da sala e evitei dormir ali mesmo.

 

Quando vou ver um filme, geralmente, não fico na minha cadeira. Passo para a poltrona confortável, né? To pagaaaando, ué! Ai eu coloco o meu cavalo do lado e fico comendo pipoca, bem lindo.

 

Num desses filmes disputados da vida, do tipo 'batimén" eis que entra um senhor, já com as luzes apagadas e os trailers comendo na tela. Ele procura, procura, procura uma cadeira... e acha!!! Acha a minha cadeira de rodas! .... e senta!!!

 

 

 

Eu num sabia se eu ria ou se eu chorava de “reiva”. “Zente”, ele demorou a perceber que estava mais baixo do que a pessoa que tava do lado dele (eu, mesmo).... ai ele se tocou que tinha cometido uma ligeira gafe.

 

Sabe quando você entra na sala errada e sai difarçando? Então, assim fez o tiozinho!

 

E esse negócio de só poder ficar nos lugares ali embaixo quase me rende um namoradO . Vou muito ao cinema de um shopping aqui da city que ficou famoso por ser freqüentado pelo público gay.

 

Não, gente, num sou gay (pelo menos que eu saiba ), mas eu gosto de lugares onde facilitam a vida do cadeirante. E, lá, é assim. Desde o estacionamento até o cinema. Eles, “excrusivel”, mudaram os locais dos cadeirantes nas salas porque, pelo projeto inicial, era péssimo.

 

Não fazem mais do que a obrigação, claro, mas foi uma iniciativa que nem todo empresário tem. Bom, mas voltando. Fui ver aquele filme “O Segredo de Brokeback Montain”, que, para quem não viu, conta uma história de amor entre dois cowboys (tô mona, hoje, né?).

 

Na fila das cadeiras de baixo só havia eu. As pessoas “normais” ficaram todas para cima, nos lugares bons, é óbvio. Mas, eis que vem um franguinho desses magrinhos, bem magrinhos... senta do meu lado... e diz assim:

 

Vou fazer companhia pra você porque é muito ruim assistir filme ‘romantchico’ assim tão sozinho, tá?!”.

 

Gelei, meu povo, gelei e tranquei, pra ser sincero. Magina se a biba resolve me beijar, me levar pra casa pra criar?! Mas ela foi comportada, juro. Só que chorava tanto, tanto que quase o enredo o filme muda para Titanic de tanta água dos "zóios".

 

Bom, mas, o meu amigo Evandro Bonocchi, que fez a ilustração lá de riba, projetou uma sala de cinema “amiga do cadeirante”. Vejam ai!

 

 

 

Percebam que os lugares demarcados para a cadeira ficam no alto, perto da entrada. Assim, a gente pode ver o filme sem ficar com o pescoço “dilorido”. Como há rampas laterais ao longo da sala, as opções de escolha também se diversificam!

 

Existem alguns cinemas assim, em São Paulo, mas, são poucos. Então, vou seguir pagando meia-entrada e tomando dorflex por um bom tempo.

Escrito por Jairo Marques às 00h54

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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