Jairo Marques

Assim como você

 

A primeira

Retomo hoje a série que faz mais sucesso do que promoção de banana na feira: as cartas de leitores de fora da Matrix que curtem o “Assim como você”.

 

Pra mim, essas palavras têm um sabor especial. São da Gisele Azevedo, a minha “leitora número um” e que se tornou minha amiga querida. Ela é, invariavelmente, a primeira a comentar os post, todos os dias.

 

E a Gi é “inteligentchi”, delicada, tem um senso de humor aguçadíssimo o qual vivo copiando trejeitos. Me xinga, me elogia, vibra, chora, ri e divulga aos quatro ventos essa labuta diária.

 

Ficamos tão amigos que, num acaso, fui  filar bóia na casa dela, em Sorocaba . Lá, ganhei de brinde ser lambido da cabeça aos pés por dois labradores imensos e atentados que ela cria e momentos inesquecíveis de uma saborosa conversa com uma extraordinária família.

 

Curtam, então, o texto primoroso da Gi

 

 

 

“Pro ‘brog’, se for capaz”

 

 

Leio você desde o primeiro post, e comento todo dia.

Quase sempre sou a primeira a comentar, acordo e venho pro lap com o café da manhã.

Os motivos de tamanha fissura?

Vou tentar te contar aqui. Mas talvez você já saiba...

Trabalho na área de reabilitação, com pessoas com para/tetra/hemiplegias pelos mais diversos motivos, sou uma enfermeira estomaterapeuta.

Cuido de pessoas com incontinências urinária, anal, feridas, estomas e disfunção erétil.

Só meleca e desgraceira. Que eu adoro, claro.

Tudo que diz respeito a esse universo me interessa.

 

Nasci com um defeito, pé torto congênito, somente o esquerdo.

Tive que olhar prá ele agora, prá saber qual era. Nunca sei...

Ficou perfeitinho, graças aos cuidados da minha mãe e dos ortopedistas do Hospital do Servidor Estadual.

Mas fiquei com a perna 3,5cm mais curta que a outra.

De vez em quando manco, não muito. Quase ninguém percebe.

Manco prá num babar.

 

 

 

Já pensei que talvez a razão para eu ter me aprofundado nessa escolha tenha sido o cuidado e o amor da minha mãe na minha reabilitação.

Acho que faço isso por inspiração de tudo o que vivemos juntas, vai saber...

Mas tem o outro lado. Amigo não se faz, reconhece-se.

E você foi um deles, desde o começo. Quando leio suas palavras engraçadas e, às vezes, bestas, rio sozinha.

 

Vivo suas aventuras, sofro com suas decepções, me alegro com seus micos.

Fico morta de felicidade com cada um que vem aqui contar como faz prá viver na Matrix.

E emputeço quando entra um cretino fazendo um comentário acerca do seu estilo, viro fera e meto a boca.

Afinal, esse cantinho é seu, é meu, é nosso. De todos nós que estamos diariamente vivendo ao seu lado todas essas amarguras de estar num país em que governantes e cidadãos não se respeitam uns aos outros.

 

Recomendo o brogue a todos os pacientes/amigos que atendo, e sei que eles também te lêem.

Muitos têm vergonha de botar um comentário, mas dizem prá mim que leram tudo... rimos juntos.

 

 

 

Enfim, nessa toada se foram dias e dias e, um dia, você veio em casa almoçar comigo.

Minha pequena família se preparou prá te receber com comida gostosa, carinho, risadas e festa.

Como a gente sempre faz. E assim foi, você um dia entrou no meu templo, que é a minha casa.

Muito antes já estava no meu coração.

Parecíamos dois grandes e velhos amigos, a gente já sabia tudo um do outro, sem nem mesmo dizer.

 

Rimos demais da minha casa nada receptiva, com pelo menos dois níveis para passar de uma sala a outra, e acabamos ficando em duas.

Os labradores reconheceram o também velho amigo em você, e finalmente estava completo o rito de passagem.

 

 

A pedidos, ai estão Athos e a mãe, Cali

Hoje nos falamos diariamente, você é o amigo querido que eu sempre tive.

Estava guardado, era só questão de buscar ali.

Ali naquele ‘brogue’ que você resolveu escrever para encarar o seu quinhão de cidadania.

Sou grata ao ‘brogue’ por isso. Sou grata à vida por me dar um presente assim.

 

E sou grata a mim mesma por essa opção profissional que me faz cada dia uma pessoa melhor.

Só nos sabemos o quanto a gente se f... mas se diverte!!!!

 

Loveiú forévis, viu???

Escrito por Jairo Marques às 08h59

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Uma bienal bem acessível

Ontem, só de “reiva” desse povo que fica falando que o tio é “anarfa” e “inguinorante”, o que é mentira porque a minha mãe sempre diz que eu sou “inteligentchi” , fui ver figurinhas dos livros na 20º Bienal do Livro de São Paulo!

 

Ôh, povo, tá certo que eu sou mais entusiasmado que Lexotan vencido, do que palhaço em frente de loja de colchões, mas aquilo ali é o paraíso pra gente da Matrix de quem tem alguma deficiência, é totalmente acessível pra todos.

 

Fui com o carro da “firma” e para eu conseguir sair de boa do “tomóvel”, o motora imbicou numa vaga reservada, que estava bloqueada. Um tiozinho que fica por ali pra dar uma mãozinha olhou com cara brava, que nem cachorro de japonês.

 

 

 

“Tio, eu sou ‘malacabado’, preciso da vaga!”. Num instante, sorrindo, ele liberou.

 

Bem, e pra quem não tiver cavalo? Vai de metrô! Desce na estação Tietê e siga as placas indicativas para a bienal. Cadeirante e pessoas com mobilidade reduzida podem pedir uma Van especial para chegar até o pavilhão do evento! Maraviwonderfull?? Não, calma!

 

Todo mundo que for sobrevivente da guerra (pessoas com deficiência, vai ), não paga NADA “pra modi entra”! Nem um “roial”! Tá com preguiça? Tem dez, dez “cadeiras elétricas” pra facilitar o passeio cultural. Tem banheiro acessível, tem rampa pra todo lado e, acima de tudo: As pessoas são solícitas, sorridentes, atendem bem e tem prazer em falar contigo!

 

Leiam um pouco sobre o meu passeio por lá, guiado pela minha leitora queridona, atenciosa e profissional, Fabiana Fares.

 

Uma fundação que dá livro de graça?!

 

Povo, eu peço poucas coisas pra vocês. Falai, verdadchi, né? Mas eu queria muito que vocês fizessem essa dica circular pro maior número de pessoas possível pra gente conseguir divulgar uma iniciativa que me “arrupio”, que nem a mocinha na hora que viu o King Kong.

 

Na bienal, eu tive a oportunidade de conhecer uns “pessoal” totalmente “Assim como você” que tocam a fundação Dorina Nowill. E daí, né? Gente, eles mandam de graça, assim, sem pagar nada, nem o correio, pra qualquer lugar do Brasil, livros best sellers.

 

Tá, num achou graça nenhuma? Eu conto porque eu sou um “minino bão”: Os livros são em Braille!!!!! A pessoa cega vai no site, se cadastra, diz qual título precisa da ampla coletânea que eles possuem e recebe em casa!

 

 

 

Pára, gente, vai dizer que não é um troço de outro mundo? Bem, não quer ler em Braille, tudo bem. Eles mandam livros falados, por CD, na casa do deficiente visual. São 900 títulos, mas estes precisam ser devolvidos. Os livros em Braille são presentchi!

 

Eu num queria entregar todo o ouro, mas eu num agüento. Eles também mandam, de graça, sim, de graça, para qualquer deficiente visual do Brasil inteiro, semanalmente, a revista Veja, em áudio. Num gosta da Veja? Tá bem, eles mandam a revista “Cláudia”, mensalmente, de grátis!

 

Eu ia “escuitando” a Susi, uma das coordenadoras da fundação falando, e ia vibrando porque iria dividir isso com todo mundo! Ah, fala sério, povo, dá ou dá pra ter uma vida mais plena, quando tem gente tão delicada pensando no bem-estar do outro?

 

Mas, agora, eu vou dar o “fatalit” em vocês. Um dos momentos muito complicados para o cego é quando ele precisa ir para a faculdade, como qualquer outro “serumano”. Afora jornalismo, que é o curso que o tio fez e é quase vago , as outras carreiras exigem a leitura de vários livros. Tem em Braille? Muito raro. Ferrou-se? Vai depender de amigos que leiam e grave pra você a vida inteira? Nããão!!!

 

A Fundação Dorina Nowill desenvolveu um lance chamado “livro digital”. O cego entra em contato com eles e diz: “Tio Ricardo Soares, tô fazendo faculdade de direito e preciso do livro ‘tal’ pra modi eu poder estudar”.

 

Povo, eles mandam, de graça, o livro que o deficiente precisa em um cd mega ultra prático que, após ser inserido em qualquer computador, com todo o conteúdo, inclusive notas de rodapés, roda automaticamente. Eles já têm em arquivo uma grande coleção de títulos na área de humanas.

 

Carreiras exatas e biológicas, que possuem mais “figurinhas”, eles ainda estudam como viabilizar. Porém, o Ricardo me disse assim: “Pode pedir, pede o livro que o estudante universitário cego precisar que a gente vai dar um jeito”.

 

A fundação também distribui em escolas livros infantis que possuem as histórias, de forma simultânea, tanto com textos e figurinhas, como com a linguagem Braille, assim, os “moleque” podem interagir de boa!

 

 

 

Eu avisei a eles que esse blog pega mais do que catapora e que eles teriam trabalho com a demanda. E eles riram do tio. “Manda vir e diz que ficou sabendo pelo ‘Assim como você”. Meu povo, me dá uma “hand”. Vamos divulgar essa incrível iniciativa!

 

Leva os “minino”!

 

Para terminar, eu recomendo que quem tem filho que leve esses danado na “Biblioteca Viva”, realizada pelo Instituto Pró-livro. É uma viagem por um túnel do tempo que conta, por meio de imagens, brincadeiras e atores, a história do livro.

 

Seu filho é cego? Num tem problema, ele vai interagir do mesmo jeito. Eles tão preparados. Ele é surdo? Aff, tem tradutor de libras lá pra auxiliá-lo. É cadeirante? Ai, ai, tem rampa, tem acesso, tem portas largas e ele fará tudo, “ingual” qualquer criança.

 

 

 

E o mais louco de tudo, que deixou esse véio taquicárdico: Na parte final do túnel, as crianças aprendem e escrevem seu próprio livrinho. Ahhhh, mas papel é chato!!! Depois de pronto, os “menino” vão colocar seus livros num site e poderão mostrar pra todo mundo que quiser.

 

Bem, além do túnel, a bienal oferece diversas atividades de leitura para crianças, entre elas, uma experiência sensorial bem “bacanuda”!

 

 

 

Pronto, num falo mais, cabei!

 

O que é? 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Clica no link que vo6 vão ter todas as informações que precisam. Tô com preguiça de colocar tudo aqui )

 

Escrito por Jairo Marques às 08h14

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Nada de bala no farol

Eu sou um cara sarado, curado e bem passado , mas esse caboclo que vo6 poderão ver aqui é mais forte do que Biotônico Fontoura!

A dica veio do leitor Flávio Soares Caldeira que me faz a pergunta: "Quem disse que todo cadeirante está vendendo bala no sinal?". Verdadchi...tens uns que quebram pedra, como o tio!

A exibição é do atleta Victor Konovalov, que, com esse nome, só pode ser treslagoaense, "ingual" a mim.

 

Escrito por Jairo Marques às 08h35

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Um programa que faz a diferença

“Pessoais”, já tão mais calminhos?  Essas Olimpíadas tão acabando comigo. Fico até de “madruga” vendo piada de brasileiro e me dá um sono brabo. Resultado, o post atrasa e prejudico o vicio de muita gente, né, não?!

 

E nem adianta a minha torcida, pois, como diz o Agamenon, do jornal O Globo, na frente do Brasil no quadro de medalhas estão o Cazaquistão, o Azerbaijão e o Todostão”

 

Bem, mas hoje eu quero mostrar um pouquinho de um trabalho que tá sendo feito lá nos próprio Rio Grande do Sul. Umas “minina” sobreviventes da guerra, que nem eu , estão tocando um programa de TV que tem exatamente o espírito “Assim como você”.

 

Apresentado pelas jornalistas Juliana Carvalho, que é cadeirante, e Camila Nunes, que é cega (e também faz reportagem, algo totalmente maraviwonderfull), o “Faça a diferença” é exibido pela TV Assembléia do RS e também ganhou um blog, onde muito do que é apresentado pode ser visto.

 

 

Pra mim, há vários elementos importantes nessa conquista. Um por se tratar de um programa exclusivo para falar sobre gente da Matrix (eu sei que há também na TV Brasil, mas ainda não consegui ver), outro é por ser feito por pessoas “malacabadas”.

 

E tem também a importância de ser exibido numa TV pública, que precisa mesmo de diferenciais quanto ao conteúdo.

 

Coloco aqui dois “programetes” em que elas dão dicas importantes sobre a Matrix. O primeiro exemplifica com imagem o que eu já havia escrito pra vocês: como ajudar um cego:

 

 

Agora, vejam esse outro vídeo em que a Juliana resume todo o espírito que sempre quero exaltar com vocês: ser deficiente é ser igual a todo mundo, com apenas algumas adaptações na vida!

 

 

Beijo nas crianças 

 

Escrito por Jairo Marques às 10h26

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Pra não ver na TV

Ôh “zente”, hoje “vo6” vão tudo ficar bravos com o tio, mas num dá pra eu ser só o ‘homi’ das risadas, o “minino bão”. Este blog tem também que ter polêmica, sabe que nem assim a decisão se é o queijo ou a goiabada que deve ser cortado primeiro na hora de fazer o  romeu e julieta? 

 

Muita gente me pergunta o que eu acho de alguns quadros que envolvem gente da Matrix na televisão. Em geral, digo que vi um pedaço e que quase “gumitei” de “reiva”.

 

Não sou, como um dos diários que existe na internet, “xiita da inclusão”, mas vejo com crítica muito do que as pessoas vêem dando risada ou achando “noooossa, que lindo”.

 

Vamos aos exemplos, né, não? Pensei em alguns. Se vocês se “alembrarem” de outros, escrevam nos coments.

 

 

 

No último sábado, um quadro do programa do Luciano “Ruqui” na “Grôbo” colocou uma cadeirante pra jogar umas bolas numa cesta. Se acertasse: tchanaaaaaan... teria uma ultra mega reforma na casa onde morava! E daaaaa-lhe emoção... o marido chorando, os filhos chorando, um festival de lágrimas.

 

A moça ficou “malacabada” depois de receber uma bala perdida, aos 14 anos de idade. Depois de ela ter informado isso, o “Ruqui” perguntou: “Ah, então você não nasceu na cadeira?”. Eu nunca vi, juro, nunca vi um bebê nascendo em cadeira de rodas, mas, tudo bem!

 

Segundo a moça, antes da chegada do papai noel narigudo, ela vivia com muita “dificulidade”, sofria dentro de um barraco de três cômodos com mais três pessoas _dois filhos e o marido e nem banho tomava sozinha. No Brasil, essa é a realidade de milhares de pessoas e não é condição exclusiva de deficientes.

 

Nada contra o sujeito ir lá e dar um tapa na “goma” da moça. Ótimo, mas num precisa passar na televisão.

 

O que me irrita é aquela cara de pastel falando: “puxa, apesar de tudo, você é feliz!”. “Você não consegue sair de casa porque tem buraco na rua, né?”, “Que família bonita! Sofrida, mas bonita”, “As pessoas precisam ser tratadas iguais. Eu sempre pensei assim”. E mais um show de outros lugares comuns. Que raios é isso, meu povo?

 

Minha mãe ficava brava comigo, quando eu era criança, se eu aceitasse dinheiro dos outros que pensavam que eu era “mendingo”, se lembram?? (não? Clica aqui). Deficiência não se vence aceitando caridade ou com um olhar de piedade. Se vence com coragem, com oportunidade, com espírito de igualdade.

 

O quadro pode até ter emocionado muita gente, mas, pra mim, guardou uma sensação de que cadeirante precisa de ajuda financeira, de caridade pra sobreviver. Quantos outros deficientes viram aquilo e, imediatamente, puseram suas esperanças de uma vida mais digna em uma cartinha pro programa?

 

Acho que o “Ruqui” ajudaria mais se mostrasse pra moça que ela pode ter uma vida independente se estudar, se buscar uma formação, se apostar em si mesma. Ainda bem que ele deu um computador pra ela acessar o “Assim como você”, né, não? . Poderia, também, ter levado ela num fisiatra que desse dicas de qualidade de vida na cadeira de rodas.

 

Ah, sim, ela também ganhou uma “cadeira elétrica”, mas ela, não precisa de uma. Tem movimentos plenos nos braços. O veículo poderá é dificultar os movimentos dela.

 

Outro quadro que é unanimidade de “legal” é aquele que usa os deficientes pra arrancarem risada, o CQC, da Band. Vi duas vezes. Um com um cego que dá nota errada quando vai comprar um produto e, consequentemente, é roubado no troco, e outro com um cadeirante num prédio público sem elevador.

 

Claro que o programa tem vários momentos engraçados, mas, cego não é estúpido de confundir nota de R$ 100 com nota de R$ 10. Eles têm um tato extremamente aguçado para diferenciar o relevo das notas e têm uma organização das próprias coisas, inclusive do dinheiro, invejável.

 

 

O quadro foi protagonizado por um ator que, depois de ser surrupiado, volta ao local onde trocou as notas e coloca o bode na sala. É válido para mostrar a honestidade dos brasileiros? Pode até ser. Mas, pra mim, acentua a idéia de que cego é dependente dos outros pra tudo, até para administrar o próprio dinheiro. Não dá pra impor a lógica de quem vê para quem não vê.

 

O outro momento que vi foi o de um cadeirante que vai até um prédio público e ali não há elevador para que ele acesse o andar onde está um político. Bem sacado? Pra mim, foi constrangedor. Um falso moralismo que não leva a lugar nenhum.

 

Não vejo sentido em ter levado o cadeirante a um lugar onde ele não poderia acessar. Expor a imagem do “coitado” com cara de bunda olhando a escadaria. Mas legítimo seria se eles constrangessem o poder público arrecadando fundos e comprando um elevador. Ou mostrando que a falta de acesso prejudica idosos, pessoas com pouca mobilidade e não apenas a uma pessoa.

 

Já vivi milhares de vezes a situação de chegar a um lugar e não ter acesso. O que menos eu gostaria é de ter uma televisão na minha “fuça” pra dizer: “Olha que dureza a vida desse infeliz”.

 

Eu gostaria, sim, de voluntários pra me fazer vencer as escadas. Gostaria que a toda a equipe subisse e trouxesse o escritório do político lá para baixo. Gostaria que viabilizassem um acesso nem que fosse de jegue.  

 

Claro que vale, e muito, bater o bumbo e mostrar a falta de acessibilidade nos locais, sobretudo os públicos, mas para isso, não precisa esculachar a imagem de ninguém.

 

Por último, (prometo que vou retomar este tema porque vários outros quadros meia boca ficaram de fora) destaco um programa que vi na última sexta-feira, na Rede TV!, alertado pelo meu querido secretário-administrativo e amigo Valdeci, um fã e apoiador do blog. "Olha isso, 'minino bão', olha isso", dizia o Val meio que rindo, meio que indignado.

 

Um pastor dessas seitas “aceita cheque” berrava enquanto, na tela, aparecia: “Este paralítico voltou a andar com a fé”. Povo... tinha ou não tinha de aparecer a “puliça” e acabar com aquilo?

 

Não sou, de forma nenhuma, contrário à fé e ao seu possível poder regenerativo, mas daí a aceitar que um picareta diga que vai curar um brasileiro em uma emissora de televisão, para o país todo ver, é demais.

 

Como eu disse lá no comecinho, não sou radical em abordagens relativas ao povo Matrix e adoro uma piada torta, uma brincadeira. Mas, acho que dá para fazer tudo isso sem usar imagens distorcidas, piedosas e ajudando a criar uma nova mentalidade.

 

 

Escrito por Jairo Marques às 00h05

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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