Jairo Marques

Assim como você

 

Pelo Mundo

As bonecas que ensinam Braille

 

“Pipou”, óia que dica “maviwonderfull” que recebi da minha colega Adriana Küchler, correspondente da Folha na Argentina (“tamo internacional, né? Ingual que nem o Lula: viajandão pelo mundo ).

 

Uma professora de Buenos Aires, que dá aulas para alunos cegos e alunos com visão numa mesma escola, resolveu criar uma boneca que ensina crianças a entenderem o método braille, aquele dos pontinhos, usado pelo “pessoias” que não enxergam para poderem fazer leituras de forma independente.

 

 

A invenção de Virigina Pérez está “bombando” na Europa porque foi considerado um instrumento lúdico perfeito para promover a integração dos “niños e niñas”

 

Achei a idéia demais de legal. Quando a gente ensina uma criança maneiras de se relacionarem e respeitarem coleguinhas que possuem algum tipo de deficiência, não tenho a menor dúvida que estamos fomentando adultos mais conscientes sobre a realidade que todos têm suas diferenças, mas que precisam apenas de algumas adaptações para viver de forma plena.

 

“Me chamava muito atenção a curiosidade das crianças da primeira série sobre o método Braille que eu enviava aos alunos cegos. Então, pensei que poderia ensinar a linguagem a todos e apresentei o projeto da boneca que leva na barriga uma lousa magnética e seis círculos com imãs que podem formar as diferentes combinações do Braille. Fazíamos várias atividades usando a boneca e deu muito certo”, disse a professora a um jornal da Argentina, país que também deverá passar a vender o brinquedo em breve.

 

Caraca, num seria ótimo se o governo brasileiro distribuísse um brinquedo desses para cada escola do país como instrumento didático? Claro, claro, seria mais legal ainda se alguma fabricante apostasse na idéia e vendesse o produto em lojas do país também, né, não?

 

 

Vamo papiá

 

Está dica também não deixa de ser dos “estrangeiro” porque é do UOL (Universo, tenderam a relação? ). Então, a página de Educação do site criou um fórum de discussão para debater se as universidades de São Paulo estão ou não preparadas para receber o povo da Matrix (para quem ta chegando, povo da matrix somos nós “malacabados” que possuem algum tipo de deficiência).

 

 

 

Claro que quem não é de São Paulo também pode participar dando dicas da realidade de seus Estados ou contando os problemas que enfrentam para poder fazer algo básico pra qualquer “serumanu”: estudar e ter um diploma.

 

“Pra modi” vocês acessarem o espaço basta clicar aqui.

 

Nos “Estadosunidos” (assim, mesmo, bem juntinhos, unidos )

 

Essa é pra gente passar “réiva”. A leitora Silvia Dutra, que mora na Flórida, nos Estados Unidos, e que tá sempre mandando dicas para o “Assim como você”, me escreveu pra dizer como funcionam as vagas reservadas para deficientes físicos por lá. Pessoal, lá o bicho pega se o cabra resolver descumprir a lei e brincar de colocar o carro em local proibido.

 

 

 

A “Silvets” fotografou tudo pra gente e explicou que, se um carro não autorizado (há placas especiais indicando que condutor é deficiente, como um símbolo) pára na vaga reservada, o guincho chega rapidinho e o espertalhão toma um “gorpe” no bolso de US$ 250, algo em torno de...   QUATROCENTÃO!

 

 

 

“Como as pessoas aqui sabem que, além da policia, as companhias de guincho também ficam de olho e, provavelmente, pagam gente da vizinhança pra avisá-los quando percebem alguém infringindo a lei, ninguém se atreve a sair da linha e o sistema funciona melhor que aí. Todo mundo sai ganhando no final. Não tem jeito: infelizmente nem todo mundo respeita o espaço do outro. Fiscalizar e punir é a única maneira das coisas funcionarem”.

 

 

Acho que placas especiais e fiscalização intensiva do nosso direito de colocar o carro num local especial, e é especial porque precisamos de mais espaço para abrir a porta, colocar a cadeira do lado de fora e sair do carro (entre outros motivos que falo depois), seriam medidas interessantes para ser adotadas aqui também. Será que não?

 

* Fotos de Silva Dutra

Escrito por Jairo Marques às 08h04

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Meu povo, me "adesculpem", ando um pouco cansado... assim, num consigo escrever bacana pra modi vcs se divertirem... Volto em breve.. segurem o choro

Beijo nas crianças..

Escrito por Jairo Marques às 13h54

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Mexe com alguém do tamanho dele!

Sabe aquele tipo de pessoa que você conversa por cinco minutos e pensa consigo mesmo: “esse cara é dos meus”... Poi zé, com o ator Claudinho Castro, 33, que costumo chamar carinhosamente de “florzinha” e, ele, em retribuição, me chamar de biba , foi exatamente assim.

 

O “Crau” já é bem conhecido na internet uma vez que um dos vídeos que produziu com sua trupe, a Mama Djo Djo, e o Kibe Loko, já teve cerca de 10 milhões de acessos no mundo todo, o hilário “Dança do Quadrado”.

 

Este curtibano (eu tava em dívida com os “pessoais” do Paraná, né não?) de 1,17m, um dos poucos homens que eu posso chamar para a porrada sem risco de apanhar muito , foi carregado no colo pela mãe, a dona Lucia, até os 10 anos de idade.

 

“Nasci em 1975, ano em que nevou em Curitiba. Minha mãe ficou sabendo logo que eu seria anão e vibrou bastante, pois disse ao médico que teria um bebê pro resto da vida.”

 

 

 

Esta Matrix, este mundo paralelo de quem é “ligeiramente” diferente, também é desse povo pequeno que já relatei algumas vezes neste diário.

 

Por isso, hoje eu revelo um pouco mais do meu formidável amigo Claudinho Castro, que se tornou quase um “chefe de família” aos oito anos de idade, pois era o único que sabia ler e escrever em casa.

 

“Aos 12 anos eu tinha salário e já ajudava em casa. Eu ia para escola em uma espécie de pau arara. Morava em sítio e a escola ficava distante”.

 

O personagem de hoje trabalhou fazendo apostas de loteria, como cobrador de ônibus, caixa de supermercado e quebrou muita pedra para hoje se firmar com ator de teatro e de TV (o metido irá ser um dos protagonistas de uma série na retransmissora da “Grobo” na capital paranaense que estréia em setembro). Ah, sim, ele também já jogou futebol.

 

No making off da série

 

“Na minha infância eu sempre fui o dono da bola e o do campo de futebol, então, era impossível eu não ser do time”.

Leiam, então, a entrevista que fiz com o filho do seu João e da Lucia

                           

 

Blog: Você é um cara que pensa pequeno?

Claudinho Castro: Penso pequeno quando estou com preguiça, mas meus pensamentos vão além do Horizonte dos Sonhos e passam a ser possibilidades que mais cedo ou mais tarde se tornam realidade!!!

  

É ou não é uma flor? 

Blog: Muitas pessoas pensam que gente pequena vive nas florestas ou em mundos escondidos no subterrâneo, é verdade?

Claudinho: Vivemos nos subterrâneos daqueles que não têm fantasia. Mas gosto de brincar com as crianças com esse assunto. Elas acreditam e perguntam mais e mais e dai você vai contando mais historias e quando vê aquilo é quase um livro. Às vezes, as crianças ficam com a mística na cabeça e eu não tiro esse direito de elas sonharem, pois falar para uma criança que tudo não passa de uma brincadeira é o mesmo que ela descobrir que Papai Noel não existe logo depois que ganhou o presente do velhinho.

 

Blog: É complicado fazer sua arte chamar atenção do que seu tamanho?

Claudinho: É complicado. Uma vez eu fazia no teatro um bandido, um moleque de 16 anos que era respeitado na favela onde morava...No final, eu morria ao levar um tiro e a platéia, geralmente, ria e só entendia depois que se tratava de uma cena dramática. Mas eu me cuido muito para que as pessoas gostem do meu trabalho e não de eu ser um anão ali dentro do palco. Quero ser um personagem engraçado e não o ator engraçado.

 

Blog: Qual a vantagem de ver o mundo numa perspectiva mais baixa? Ficar olhando com mais detalhe a bunda das meninas?

Claudinho: Há vantagens e desvantagens. Vejo as melhores bundas, vejo os decotes quando alguém se abaixa para me beijar, vejo que o telefone celular de alguém tá tocando... Desvantagens se a pessoa soltar um pum no elevador, pois o primeiro a sofrer sou eu. Mas eu encaro tudo com normalidade. O único momento em que eu abaixo a cabeça é para falar com  um amigo que é menor que eu. Deve ser por isso que todos falam o ‘Claudinho é foda, não abaixa a cabeça pra ninguém’.

 

Blog: Quando que o tamanho é, sim, documento?

Claudinho: O momento mais complicado para mim é quando recebo e-mail de um amigo com um parente mal no hospital precisando de doadores eu nunca posso doar. De resto, sobre humilhação ou sarros das pessoas na rua, eu tiro de letras, pois eu penso assim: ´pobre senhor, ele não tem culpa de ser ignorante’.

 

Percebam como Claudinho é discreto

Blog: Você tem um hit da Internet que é a dança do quadrado. Fumaram muito cigarrinho de chocolate para criar aquilo?

Claudinho: A Dança do quadrado foi o maior presente que eu ganhei até hoje. O Antonio Tabet (do Kibe Loco) veio com a música e com a idéia. Eu e o meu grupo fizemos a produção e mandamos ver no estúdio com a dança. A gente esperava uns 200 mil acessos, mas, até agora, já são 10 milhões. Trabalho de segunda a segunda. Minha carreira artística já soma 14 anos e hoje posso dizer para todos aqueles que perguntavam se além do teatro eu tinha um trabalho de verdade: Eu Venci!!! Hoje sou feliz por dizer que venci. Não digo isso por aparições ou por ser uma quase celebridade, mas, sim, por ser sustentando por aquilo que amo fazer. 

 

*Fotos do arquivo pessoal de Claudinho Castro

 

Escrito por Jairo Marques às 23h28

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Neurônios

"Pessoais", o tio teve um probleminha "ténico" ontem e não consegui fechar o post que queria. Como eu não posso ajoelhar no milho , sei que vão me desculpar! De qualquer forma, coloco mais uma sugestão certeira sugerida pela Fernanda Pereira, de Campo Grande, parceira de primeira hora do "Assim como você".

Trata-se de um anúncio publicitário da ADD (Associação Desportiva para Deficientes) com uma mensagem sensacional! Espero que gostem! Amanhã eu me redimo e trago uma boa história, "fechô"?

Escrito por Jairo Marques às 08h05

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Já sei namorar

Povo, agosto, mês do cachorro louco, então, nada melhor do que um pouco de “romantichismo”, né, não? . Vou contar para vocês um bocadinho sobre namoro e gente da Matrix. É, podem acreditar, damos beijo na boca também!

 

Mas, namorar, não é algo tranqüilo, não. Sobretudo para quem precisa retomar a estima com um novo corpo, após uma lesão por um acidente, por exemplo. Também é complicado para quem tem que encarar a juventude (momento em que todo mundo só quer ficar e a aparência conta muito) sobre quatro rodas, com um cão guia , com um par de muletas ou sendo muito pequeno.

 

Como sou muito tímido , comecei a namorar tarde (sim, à tarde, também). Foi complicado admitir pra mim mesmo que eu poderia atrair as “muleres”, ter um relacionamento como qualquer um.

 

 

 

E como eu consegui? Incentivando uma personalidade de bem com a vida, mudando o foco do meu corpo para as minhas histórias, para o meu talento de ser uma boa companhia, para os meus valores e para um jeitinho escorpiano de ser.

 

É o maior lugar comum do mundo isso, mas, um bom namoro não se solidifica com uma bunda dura, uma barriga de tanquinho (a minha é de tanque de guerra, mesmo), uma boca carnuda. Ele se solidifica com dedicação, com um olhar atento, com um carinho sincero num domingo chato de chuva.

 

Depois que me dei conta de que eu poderia, sim, ser um bom parceiro, não parei mais com o negócio . E, dá-lhe mulher bonita!!

 

Quando se namora um cadeirante, algumas coisas são ligeiramente diferentes. O primeiro ponto para quem for entrar nesta aventura sobre rodas é ter em mente que sempre, sempre o casal vai ser alvo de olhares diversos, o tempo todo.

 

Certa vez, eu “tava” num bar agitado aqui de São Paulo com uma namoradinha que era uma deusa de dilícia. E, como qualquer casal, a gente começou a se pegar “de acordo”, no meio do povão. Pra que, né? A alegria foi geral. Assovios, palmas, frases do tipo: “Força ai, kapião” vinham de todos os lados.

 

 

 

E tem um segundo momento, que acontece com meninas e meninos deficientes: os cumprimentos das pessoas aos nossos parceiros. “Puxa, parabéns, viu?! “Você tem muita coragem! Que gesto bonito esse seu de namorar com ele” “Que pessoa iluminada é você fazendo isso”... só rindo, né, pessoal?

 

Uma outra diferença é que, as meninas, invariavelmente, vão ter que fazer o papel do homem da relação . Pegar a cadeira e jogar no porta malas do carro vai, uma hora ou outra, sobrar para ela. Para os meninos, pegar a mulher no colo antes da noite de núpcias poderá ser uma constante.

 

A namorada do cadeirante, caso ela também não seja cadeirante, claro, vai loguinho aprender a pilotar o veículo para subir calçadas, vencer obstáculos!

Uma namorada já quase me derrubou no chão voltando da padaria . Mas ela teve um reflexo tão ágil que impediu a minha queda. Nunca vou esquecer aquele gesto, que foi valorizado por um choro de hoooooras por parte dela.

 

Mas tem uma parte prática muito boa de namorar um cadeirante para quem é “andante”: qualquer lugar que você for, haverá uma cadeira com um colinho para você se sentar!

 

 

Acho que quem consegue vencer o preconceito e encara viver um sentimento com um deficiente vai ter uma experiência de vida muito bacana.

 

Por quê? Porque você ganhará uma forma nova de ver as mesmas coisas. Vai descobrir nuances ligeiramente diferentes de sentir seu corpo (olha eu erótiko ), vai perceber que ficar contemplando o mar pode ser tão bom quanto caminhar na areia da praia, vai descobrir que ter 1,80m ou ter 1,40m só faz diferença na hora de trocar uma lâmpada.

 

Em tempo: Tudo bem ficar olhando com curiosidade um casal com um dos parceiros cadeirante ou até mesmo os dois, um casal com um anão e uma mulher altíssima, um cego e uma pessoa com visão! Chama mesmo a atenção o que não é comum. Mas, procure não imaginar o fato como um ato de benevolência ou exótico e evite manifestar seu espírito de “boa gente”, pode ser constrangedor para todo mundo! Namorar é algo saudável e natural para qualquer ser humano.

Escrito por Jairo Marques às 22h57

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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