Assim como você
Assim como você
 

Pelo direito de brincar

Quando eu era criança, minha mãe, que tem um senso de humor de outro mundo (por isso eu sou assim, triste ), sempre falava: “Hoje eu vou te levar na praça pra ver os ‘minino tomá’ sorvete”.

 

E realmente, esses passeios em praça e, consequentemente, nos parquinhos, eram mesmo só para olhar a molecada usando o espaço público, as gangorras, os balanços, os escorregadores e as rodas de girar.

 

Pensem num ‘minino’ lindo, doido pra “capetiar” junto aos outros, mas tendo de se contentar com o algodão doce e o tanquinho de areia. Por quê? Porque não havia brinquedos inclusivos e integração só com amigos conhecidos.

 

Por isso, quando fiquei sabendo desta “novidadchi” recém inaugurada em Brasília, pirei o cabeção !

 

 

 

Um parquinho universal!!!! Povo, olha só esse balanço, que mega ultra legal!!!

 

 

 

Nele, os pais do “cadeirantinho” podem colocá-lo inteiro ali pra "mode" ele começar a sentir a inigualável sensação de... "avuar" .

 

O brinquedo tem um dispositivo de trava da cadeira de rodas. A criança se segura nas cordas de aço e ai, ai é só festa, "balangar" pra lá e pra cá!

 

 

 

O parquinho foi criado pelo governo do Distrito Federal e conta também com espaço para atividades físicas de baixo impacto para idosos. Há ainda uma quadra de tênis com acesso facilitado para cadeirantes.

 

Olha só essa roda de girar!

 

 

 

Ela também permite que a criança com deficiência acesse o brinquedo de forma fácil, sem a necessidade de ser carregada e, o mais importante, sem deixar a cadeira que, para quem usa, é como se fosse parte do próprio corpo.

 

Fiquei muito feliz com essa iniciativa visionária, mais uma vez, vinda de Brasília (Curitiba tem algo assim, meu povo??).

 

 

Thanks again, lovezinho

 

Como esta não é a realidade da maioria esmagadora das praças e parquinhos pelo Brasil afora, quero pedir a vocês, "andantes", que:

 

Caso veja uma criança com deficiência em um parque, em uma praça, em um “praygraudi” e você for uma pessoa “de boa”, com filhos de “boa”, não pense duas vezes em se oferecer para integrar a todos.

 

Pais de crianças da Matrix vão, naturalmente, ter um forte senso de proteção de expor o filho ao preconceito e, raramente, eles chegaram em pessoas com filhos “normais” para brincarem juntos.

 

Se você tiver capacidade física, tente colocar a criança no brinquedo e ampará-la. Pergunte como fazer para acomodá-la da melhor forma possível em um balanço, por exemplo. Se não for possível, invente um jeito imaginativo de ela brincar, de participar.

 

Conto com todo mundo para essa mudança de atitude! Tenham certeza, certeza mesmo, que os olhos de um “cadeirantinho” no “sorvete” de outros meninos é cheio de vontade de se divertir igual, de sorrir igual, de “balangar” igual. (Pô, até os meus ‘zóios’ ficaram marejados, agora).

 

Bom final de semana e beijos nas crianças

 

* Fotos de Natália Sousa

 

Onde fica?

 

Praça Aloysio Faria de Carvalho

Em Brasília (DF), no Lago Sul, QI (Quadra Interna) 13

É público = "de gratis"

Escrito por Jairo Marques às 08h33

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Quando o mundo virou do avesso

Se o mundo paralelo onde vivem os deficientes, a nossa Matrix, se tornasse o mundo "real", acho que muita gente ficaria bem confusa.

Mais ou menos como neste comercial francês de uma companhia de eletricidade, a EDF, que tornou seus prédios acessíveis a todos.

Assisti ao vídeo, que ganhou prêmios na Europa, dezenas de vezes... Acho que vão curtir também. Não tem muito segredo. Se atentem nas imagens.

Como sou um minino bão e tenho amigos que falam francês, ajudo na tradução! 

Na primeira fala, a moça diz ao caixa do banco: "Bom dia, eu gostaria de abrir uma conta!?"

No final, as frases querem dizer: "O mundo é mais difícil quando não é concebido para você" "Na EDF (o nome de uma empresa francesa), agora todos os espaços são acessíveis"

 

Thanks, love!

Escrito por Jairo Marques às 07h55

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Ela é de ouro!

 Ôh povo, hoje trago uma “novidadchi” que acho que vocês vão curtir. Vai estrear na sexta-feira, o popular “despois” de amanhã , no canal por assinatura SPORTV, o programa “Sem Barreiras”, a partir das 22h30!

 

Não, “zente”, não é um programa sobre estradas sem pedágios , é um programa que vai mostrar os preparativos e as histórias dos nossos atletas paraolímpicos! Achei totalmente "maraviwondeful" um canal tão importante para o esporte abrir um espaço desses. Mas, tá faltando alguma coisa, né, não?

 

Sabem quem vai apresentar o "Sem Barreiras" ao lado do jornalista Renato Peters? Uma pessoa da Matrix! Aêêêê!

 

A jornalista Carla Maia, 27, que é tetraplégica (tem restrição de movimentos nos braços, pernas e tronco) desde os 17 anos, e é também mesatenista, vai estar lá na telelinha mostrando seu “corpicho” e a sua cadeira vermelha pra todo o Brasil, sil, sil! Mais um feito inédito de inclusão no país, povo!

 

 

 

Carlinha, que é de Brasília,  esteve em Atenas acómpanhando os jogos Paraolímpicos de 2004 e foi medalhista nos jogos Para-Pam, do Rio! Tô feliz que nem “minino” comendo terra com essa conquista tão dela e tão nossa, ao mesmo tempo.

 

Leiam uma entrevista que o tio fez com a belezura da Carlinha, que conta um pouco sobre o programa e sobre nossas chances em Pequim

 

 

 

 

Blog: Existe, mesmo, atleta de verdade que tenha alguma deficiência, num é tudo café com leite?

 

Carla Maia - Essa idéia vem do início da prática esportiva para pessoas com deficiência. Depois da 2ª Guerra Mundial, muitos soldados ficaram com lesões na coluna. O esporte foi usado como forma de reabilitação médica e social desses veteranos de guerra. Hoje, o esporte para pessoas com deficiência também pode ser encarado como de alto rendimento. Ou seja, visando resultados. Da mesma forma que os atletas olímpicos, se não houver dedicação e talento, não há vitórias. Se o tempo de um velocista cego era acima dos 16 segundos na década de 60, hoje ele não passa de 12 segundos. Aliás, o Brasil, na classe T11 (deficientes visuais), tem o atual recordista mundial dos 100m. Lucas Prado, com 11 segundos e 26 centésimos. Sei não, quem chamar esse atleta de café com leite corre o risco de queimar a língua!

 

 

 

Blog- Ser âncora de um programa num dos principais canais esportivos do país dá um tremelique? Será que você não vai cair da cadeira?

 

Carla - Quase! Eu sempre busquei trabalhar com TV. Quando me formei em publicidade quis fazer jornalismo com esse objetivo. O destino me colocou frente a frente com o Renato Peters. Um repórter “fera”, que admiro muito, que gosta do assunto e teve coragem e determinação de tocar a idéia para a frente. A oportunidade é maravilhosa para o esporte paraolímpico e é a realização de um sonho: ter espaço para falar do assunto que amo. Tenho essa percepção e claro, sinto esse tremelique. Mas o Renato dá aquela força. Acreditamos no interesse que as pessoas têm pelo assunto. Esse é o fator principal para que o programa siga em frente.

 

 

 

Blog - Que nível internacional nossos paraolímpicos estão? Você avalia que vamos bronzear ou vamos mesmo dourar ao sol de Pequim?

 

Carla - Acredito nos nossos atletas e no trabalho que vem sendo feito. Estamos evoluindo. Algumas modalidades, com maior apoio, evoluíram mais que as outras. Mas é um processo. Na última Paraolimpíada de Atenas disputamos em 13 modalidades. Dessa vez, serão 17. Será a maior delegação de todos os tempos: 188 atletas. Se em Atenas tivemos a experiência paraolímpica mais vitoriosa brasileira, ficando em 14º lugar, para Pequim, a meta do Comitê Paraolímpico Brasileiro é a 12ª posição. Acho que o sol vai brilhar bem dourado por lá!

 

 

 

Blog - Dá pra você contar um pouco do que será o programa? Aqui "nóis" adora furar o sistema "Grobo"!

 

Carla - Estamos começando. O momento é Paraolimpíada. Vamos falar disso. Não dando os resultados de lá, mas mostrando como o movimento e os atletas são notícia em todo o país.

 

 

 

Blog - A gente vai ver muita reportagem com aquela musiquinha triste ao fundo e de dar vontade de chorar e nem prestar atenção no assunto?

 

Carla - Como atleta e tendo uma deficiência (sou tetra), sinto isso na pele. A superação das limitações da deficiência existe. É algo bonito. Mas o atleta paraolímpico não é só isso. Ele sua muuuito, treina muuuito, faz sacrifícios e se esforça para representar bem o clube, a cidade, o Estado e o país. É o maior orgulho subir com a bandeira no pódio. Mas quem sobe lá, não sobe porque tem uma deficiência, sobe porque é um atleta dedicado. Ele quer ser reconhecido por isso. Por superar suas marcas, as estratégias do adversário, o cansaço do corpo. E por fazer tudo com muito amor.

 

Blog-  A sua cadeira de rodas vai aparecer ou você vai ficar atrás da bancada?

 

Carla - Gravamos ao ar livre. Vou aparecer com cadeira e tudo. Ela me leva para todos os lugares, já quase faz parte do meu corpo, não tem motivo para escondê-la.

 

* Fotos do arquivo pessoal de Carla Maia

Escrito por Jairo Marques às 07h53

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Quanta custa uma rampa?

Aqui no centro de São Paulo tem um boteco onde se vende um sanduíche de pernil que não faz apenas a Ana Maria Braga passar por baixo da mesa como também ficar lá por hooooras!

 

Como todo qualquer “serumano” que curte uma boa bóia, vez ou outra vou lá ensebar os beiços comendo a iguaria dos deuses e das calorias “pançais”. Logo na entrada do “restaurante”, até pouco tempo, havia um degrau imenso, daqueles que dá pra praticar rapel de tão alto.  Sozinho, era impossível de entrar.

 

Nunca fui um “minino sangue nos zóio”. Sempre fui um “minino bão” e minhas conquistas por ambientes mais acessíveis foram muito mais com o carisma do que com a pressão ou com piquetes. Não digo que estou certo ou estou errado, estou falando de “modus operandi”, apenas!

 

Talvez alguém possa ler isso me colocando como um “homi” passivo diante das “dificulidades”, mas, pra mim, é apenas um jeito de ser que, a minha maneira, também traz resultados.

 

Mas, qual não foi a minha surpresa quando voltei lá no “pé sujo” em uma das últimas vezes e os donos resolveram fazer uma rampa! E num é qualquer rampa, não. É uma rampa com antiderrapante, com inclinação razoável e ampla para a cadeira.

 

Foi só o tempo de eu colocar o meu “pernilzinho” na boca que lá veio o gerente, todo pimpão.

 

 

 

“Ficou bom? Olha, fiz pra você, viu? Tava precisando de uma rampa, né? A gente sempre te via aqui e resolvemos fazer esse investimento. Você gostou, nego?”

 

“Pô, ficou muito bom, tio! Agora dá pra eu vir mais vezes comer aqui e não precisar da ajuda de ninguém, né, não?” (eu entro no clima pra não perder a amizade )

 

Depois de toda a formalidade da “entrega oficial” da obra a MIM, veio a parte hilária da história, contada pelo gerente.

 

“Olha, ficou ótimo, valeu o investimento, mas custou uma fortuna, viu? ‘Zeis milhões de reaul’. É porque a companhia de energia teve de mexer nos fios que passam aqui em baixo, tive de refazer a calçada. Mas olha, valeu a pena, viu!?”

 

 

 

Claro que dei muita risada calculando na cabeça quantos sanduíches de pernil eu teria de comer para “compensar” o “investimento” na rampa. Mas, será que numa cidade tão grande só eu de ‘malacabado’ freqüento aquele boteco, gzuis?

 

Uma rampa não facilita a vida apenas de um cadeirante. Muitas “muleres” já me disseram que, quando estão de salto, sempre optam pelo acesso sem degraus porque facilita muito! E também ajuda quem está com um carrinho de bebê, um idoso, uma pessoa com dificuldades de equilíbrio!

 

Nem toda rampa custa “tão caro” quando a do “pernil” do centro de São Paulo. Às vezes, elas são baratinha e de fácil feitura. Uma atitude simples que vai determinar a nossa liberdade de ir e vir a algum lugar.

 

Voltando no lance de que não tenho o estilo de exigir acessibilidade pela força, posso garantir a vocês que, nos locais onde morei, sempre os donos de estabelecimentos próximos como locadoras, mini mercados, quitandas acabavam por criar um acesso, uma rampinha, para facilitar a MINHA vida.

 

E por quê? Porque eu não deixo de ir onde quero e onde preciso com medo do degrau ou dos degraus. É péssimo ter de ser carregado, ter de depender de alguém para dar aquela “ajudinha básica” para transpor um obstáculo, mas, a meu ver, pior ainda é se enclausurar uma vez que parte do mundo acredita que você viva numa realidade paralela, na MATRIX.

 

 

“Jairo, ficou do jeito que você precisa a rampa? Fizemos pra você ter mais liberdade”. É sempre assim, me sinto o único “sobrevivente da guerra” da humanidade, apesar de sermos milhões. Mas, jamais minimizo essas pequenas “conquistas”.

 

Quando eu entrei na faculdade, lá no brejo da cruz, rampa era algo tão raro como nota de R$ 100 na minha carteira . Nos primeiro dias, tive dificuldades imensas para chegar à biblioteca, laboratórios, salas de aulas. Mas, não titubeava, dividia o meu problema com a segurança pedindo ajuda e com os professores, com os colegas de turma.

 

Em menos de um mês, a universidade colocou um engenheiro a minha disposição para saber onde, exatamente, eu precisava das rampas. E foram feitas até nas ruas, longe dos domínios de ação da Federal.

 

 

Poxa, eu era um jovenzinho desengonçado, ainda. Havia acabado de vencer o desafio do vestibular, de sair da casa da minha mãe, não tinha noção de que aquilo era UM DEVER DO ESTADO e não uma benesse para um cadeirante “revolucionário”.

 

Seja como for, seja quanto for que tenha custado ao erário aqueles acessos todos, quem for ao campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, vai poder notar um monte de rampas espalhadas por todo canto por onde hoje passam mulheres de salto alto, “malacabos”, idosos e outros que precisam de um pequeno detalhe para ter uma vida mais plena.

 

 

 

Em tempo: Antes de construir uma rampa “de qualquer jeito”, procure saber com um arquiteto ou engenheiro as especificações técnicas de grau de inclinação, largura, altura para que ela fique ideal para todos. Pensem que uma ação simples como rebaixar uma calçada, uma entrada de um boteco pode melhorar demais a vida de outras pessoas!

Escrito por Jairo Marques às 08h06

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A cadeira de rodas voadora

Tem gente que não sai de casa por causa de uma espinha na cara. Tem gente que deixa de sentir os apelos do coração quando deixa de sentir a sensibilidade das pernas. Tem gente que deixa de brincar de roda porque ficou gordo demais. Tem gente que deixa de encarar a rua com medo do tamanho dos buracos.

 

Mas, o que me anima, o que me anima de verdade, é quando eu vejo que tem gente, tem gente que, mesmo com vários músculos do corpo não respondendo plenamente à própria vontade, mesmo com os movimentos restritos nos braços, nas pernas e no tronco...tem gente que voa!

 

 

 

“Voar foi a sensação mais maravilhosa que já senti até hoje... estar livre... liberdade... Quando estava lá cima, diante daquela paisagem linda não conseguia pensar em mais nada, a não ser em curtir cada segundo”

 

Micheli Olivera, 26, convive com a distrofia muscular desde os 10 anos e, há pouco mais de um mês, resolver voar.... Como eu sempre digo, a vida da gente fica mais plena e viável quando há outras pessoas que podem dar uma “mãozinha” pelo bem da igualdade entre as pessoas.

 

 

 

O instrutor de vôo José Mário, que mora em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, criou um mecanismo, por meio da adaptação de uma cadeira de rodas, que possibilita que gente da Matrix que seja cadeirante ou que tenha limitações severas de movimento a saltar, junto com ele, de paraglider.

 

O cadeirante vai fixo ao instrutor, que leva um pára-quedas nas costas, e pode desfrutar daquele tão delicioso “vento no rosto”, desfrutar da sensação de que o mundo é mesmo imenso e cheio de possibilidades.

 

 

 

 

Perguntei pra Micheli, que é filha da dona Benedita e do seu Jossé, por que, em vez de ficar “avuando”, ela não foi capinar um quintal?

 

“Porque voar é muito mais emocionante que capinar um quintal! Desde que me entendo por gente sempre tive vontade de voar. Meu sonho é saltar de pára-quedas, mas melhor começar com ‘algo menor’, assim, faço um teste comigo mesma para saber se ‘guento’ o tranco! E, eu ‘guentei’, já tô pronta para outra!”

 

 

 

 

 

Temos também o direito e o desejo de sermos “radicais” e praticar esportes que levam ao limite das emoções humanas, né não? Ter ou não ter coragem é outro departamento! Eu mesmo, me grudo na cadeira quando alguém resolve me empurrar ligeiramente mais rápido para “brincar” de Ayrton Senna do Brasil sil sil.

 

“Sempre tive vontade de me aventurar por aí. Gosto de emoções fortes, sentir adrenalina... nunca tinha feito nada com relação à atividade radical por falta de oportunidade mesmo, moro numa cidade pequena (Caraguá) que agora resolveu acordar para a questão acessibilidade.”

 

 

 

Tomara que o vôo da Micheli, esta figura de imensa simpatia e atuante para que a Matrix domine o mundo  (ela é colaboradora da Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Caraguatatuba), leve o pensamento de vocês, neste início de semana, lá para o alto, para um bom astral, para ampliarmos essa vontade de ter mais espaço para todos em todas as situações!

 

Para o Zé Mário, o instrutor que, com certeza, tá fazendo história ao possibilitar que todos possam viver a aventura de voar, fica o meu abraço de “brother”. Confesso que fiquei com vontade de “avuar”. Será eu vô, meu povo?

 

 

 

 

Para quem quiser saber mais sobre como funciona o salto de paraglider e conhecer a escola do Zé Mário, basta clicar aqui.

 

* Fotos de arquivo pessoal de Micheli Oliveira

Escrito por Jairo Marques às 08h05

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A primeira

Retomo hoje a série que faz mais sucesso do que promoção de banana na feira: as cartas de leitores de fora da Matrix que curtem o “Assim como você”.

 

Pra mim, essas palavras têm um sabor especial. São da Gisele Azevedo, a minha “leitora número um” e que se tornou minha amiga querida. Ela é, invariavelmente, a primeira a comentar os post, todos os dias.

 

E a Gi é “inteligentchi”, delicada, tem um senso de humor aguçadíssimo o qual vivo copiando trejeitos. Me xinga, me elogia, vibra, chora, ri e divulga aos quatro ventos essa labuta diária.

 

Ficamos tão amigos que, num acaso, fui  filar bóia na casa dela, em Sorocaba . Lá, ganhei de brinde ser lambido da cabeça aos pés por dois labradores imensos e atentados que ela cria e momentos inesquecíveis de uma saborosa conversa com uma extraordinária família.

 

Curtam, então, o texto primoroso da Gi

 

 

 

“Pro ‘brog’, se for capaz”

 

 

Leio você desde o primeiro post, e comento todo dia.

Quase sempre sou a primeira a comentar, acordo e venho pro lap com o café da manhã.

Os motivos de tamanha fissura?

Vou tentar te contar aqui. Mas talvez você já saiba...

Trabalho na área de reabilitação, com pessoas com para/tetra/hemiplegias pelos mais diversos motivos, sou uma enfermeira estomaterapeuta.

Cuido de pessoas com incontinências urinária, anal, feridas, estomas e disfunção erétil.

Só meleca e desgraceira. Que eu adoro, claro.

Tudo que diz respeito a esse universo me interessa.

 

Nasci com um defeito, pé torto congênito, somente o esquerdo.

Tive que olhar prá ele agora, prá saber qual era. Nunca sei...

Ficou perfeitinho, graças aos cuidados da minha mãe e dos ortopedistas do Hospital do Servidor Estadual.

Mas fiquei com a perna 3,5cm mais curta que a outra.

De vez em quando manco, não muito. Quase ninguém percebe.

Manco prá num babar.

 

 

 

Já pensei que talvez a razão para eu ter me aprofundado nessa escolha tenha sido o cuidado e o amor da minha mãe na minha reabilitação.

Acho que faço isso por inspiração de tudo o que vivemos juntas, vai saber...

Mas tem o outro lado. Amigo não se faz, reconhece-se.

E você foi um deles, desde o começo. Quando leio suas palavras engraçadas e, às vezes, bestas, rio sozinha.

 

Vivo suas aventuras, sofro com suas decepções, me alegro com seus micos.

Fico morta de felicidade com cada um que vem aqui contar como faz prá viver na Matrix.

E emputeço quando entra um cretino fazendo um comentário acerca do seu estilo, viro fera e meto a boca.

Afinal, esse cantinho é seu, é meu, é nosso. De todos nós que estamos diariamente vivendo ao seu lado todas essas amarguras de estar num país em que governantes e cidadãos não se respeitam uns aos outros.

 

Recomendo o brogue a todos os pacientes/amigos que atendo, e sei que eles também te lêem.

Muitos têm vergonha de botar um comentário, mas dizem prá mim que leram tudo... rimos juntos.

 

 

 

Enfim, nessa toada se foram dias e dias e, um dia, você veio em casa almoçar comigo.

Minha pequena família se preparou prá te receber com comida gostosa, carinho, risadas e festa.

Como a gente sempre faz. E assim foi, você um dia entrou no meu templo, que é a minha casa.

Muito antes já estava no meu coração.

Parecíamos dois grandes e velhos amigos, a gente já sabia tudo um do outro, sem nem mesmo dizer.

 

Rimos demais da minha casa nada receptiva, com pelo menos dois níveis para passar de uma sala a outra, e acabamos ficando em duas.

Os labradores reconheceram o também velho amigo em você, e finalmente estava completo o rito de passagem.

 

 

A pedidos, ai estão Athos e a mãe, Cali

Hoje nos falamos diariamente, você é o amigo querido que eu sempre tive.

Estava guardado, era só questão de buscar ali.

Ali naquele ‘brogue’ que você resolveu escrever para encarar o seu quinhão de cidadania.

Sou grata ao ‘brogue’ por isso. Sou grata à vida por me dar um presente assim.

 

E sou grata a mim mesma por essa opção profissional que me faz cada dia uma pessoa melhor.

Só nos sabemos o quanto a gente se f... mas se diverte!!!!

 

Loveiú forévis, viu???

Escrito por Jairo Marques às 08h59

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Uma bienal bem acessível

Ontem, só de “reiva” desse povo que fica falando que o tio é “anarfa” e “inguinorante”, o que é mentira porque a minha mãe sempre diz que eu sou “inteligentchi” , fui ver figurinhas dos livros na 20º Bienal do Livro de São Paulo!

 

Ôh, povo, tá certo que eu sou mais entusiasmado que Lexotan vencido, do que palhaço em frente de loja de colchões, mas aquilo ali é o paraíso pra gente da Matrix de quem tem alguma deficiência, é totalmente acessível pra todos.

 

Fui com o carro da “firma” e para eu conseguir sair de boa do “tomóvel”, o motora imbicou numa vaga reservada, que estava bloqueada. Um tiozinho que fica por ali pra dar uma mãozinha olhou com cara brava, que nem cachorro de japonês.

 

 

 

“Tio, eu sou ‘malacabado’, preciso da vaga!”. Num instante, sorrindo, ele liberou.

 

Bem, e pra quem não tiver cavalo? Vai de metrô! Desce na estação Tietê e siga as placas indicativas para a bienal. Cadeirante e pessoas com mobilidade reduzida podem pedir uma Van especial para chegar até o pavilhão do evento! Maraviwonderfull?? Não, calma!

 

Todo mundo que for sobrevivente da guerra (pessoas com deficiência, vai ), não paga NADA “pra modi entra”! Nem um “roial”! Tá com preguiça? Tem dez, dez “cadeiras elétricas” pra facilitar o passeio cultural. Tem banheiro acessível, tem rampa pra todo lado e, acima de tudo: As pessoas são solícitas, sorridentes, atendem bem e tem prazer em falar contigo!

 

Leiam um pouco sobre o meu passeio por lá, guiado pela minha leitora queridona, atenciosa e profissional, Fabiana Fares.

 

Uma fundação que dá livro de graça?!

 

Povo, eu peço poucas coisas pra vocês. Falai, verdadchi, né? Mas eu queria muito que vocês fizessem essa dica circular pro maior número de pessoas possível pra gente conseguir divulgar uma iniciativa que me “arrupio”, que nem a mocinha na hora que viu o King Kong.

 

Na bienal, eu tive a oportunidade de conhecer uns “pessoal” totalmente “Assim como você” que tocam a fundação Dorina Nowill. E daí, né? Gente, eles mandam de graça, assim, sem pagar nada, nem o correio, pra qualquer lugar do Brasil, livros best sellers.

 

Tá, num achou graça nenhuma? Eu conto porque eu sou um “minino bão”: Os livros são em Braille!!!!! A pessoa cega vai no site, se cadastra, diz qual título precisa da ampla coletânea que eles possuem e recebe em casa!

 

 

 

Pára, gente, vai dizer que não é um troço de outro mundo? Bem, não quer ler em Braille, tudo bem. Eles mandam livros falados, por CD, na casa do deficiente visual. São 900 títulos, mas estes precisam ser devolvidos. Os livros em Braille são presentchi!

 

Eu num queria entregar todo o ouro, mas eu num agüento. Eles também mandam, de graça, sim, de graça, para qualquer deficiente visual do Brasil inteiro, semanalmente, a revista Veja, em áudio. Num gosta da Veja? Tá bem, eles mandam a revista “Cláudia”, mensalmente, de grátis!

 

Eu ia “escuitando” a Susi, uma das coordenadoras da fundação falando, e ia vibrando porque iria dividir isso com todo mundo! Ah, fala sério, povo, dá ou dá pra ter uma vida mais plena, quando tem gente tão delicada pensando no bem-estar do outro?

 

Mas, agora, eu vou dar o “fatalit” em vocês. Um dos momentos muito complicados para o cego é quando ele precisa ir para a faculdade, como qualquer outro “serumano”. Afora jornalismo, que é o curso que o tio fez e é quase vago , as outras carreiras exigem a leitura de vários livros. Tem em Braille? Muito raro. Ferrou-se? Vai depender de amigos que leiam e grave pra você a vida inteira? Nããão!!!

 

A Fundação Dorina Nowill desenvolveu um lance chamado “livro digital”. O cego entra em contato com eles e diz: “Tio Ricardo Soares, tô fazendo faculdade de direito e preciso do livro ‘tal’ pra modi eu poder estudar”.

 

Povo, eles mandam, de graça, o livro que o deficiente precisa em um cd mega ultra prático que, após ser inserido em qualquer computador, com todo o conteúdo, inclusive notas de rodapés, roda automaticamente. Eles já têm em arquivo uma grande coleção de títulos na área de humanas.

 

Carreiras exatas e biológicas, que possuem mais “figurinhas”, eles ainda estudam como viabilizar. Porém, o Ricardo me disse assim: “Pode pedir, pede o livro que o estudante universitário cego precisar que a gente vai dar um jeito”.

 

A fundação também distribui em escolas livros infantis que possuem as histórias, de forma simultânea, tanto com textos e figurinhas, como com a linguagem Braille, assim, os “moleque” podem interagir de boa!

 

 

 

Eu avisei a eles que esse blog pega mais do que catapora e que eles teriam trabalho com a demanda. E eles riram do tio. “Manda vir e diz que ficou sabendo pelo ‘Assim como você”. Meu povo, me dá uma “hand”. Vamos divulgar essa incrível iniciativa!

 

Leva os “minino”!

 

Para terminar, eu recomendo que quem tem filho que leve esses danado na “Biblioteca Viva”, realizada pelo Instituto Pró-livro. É uma viagem por um túnel do tempo que conta, por meio de imagens, brincadeiras e atores, a história do livro.

 

Seu filho é cego? Num tem problema, ele vai interagir do mesmo jeito. Eles tão preparados. Ele é surdo? Aff, tem tradutor de libras lá pra auxiliá-lo. É cadeirante? Ai, ai, tem rampa, tem acesso, tem portas largas e ele fará tudo, “ingual” qualquer criança.

 

 

 

E o mais louco de tudo, que deixou esse véio taquicárdico: Na parte final do túnel, as crianças aprendem e escrevem seu próprio livrinho. Ahhhh, mas papel é chato!!! Depois de pronto, os “menino” vão colocar seus livros num site e poderão mostrar pra todo mundo que quiser.

 

Bem, além do túnel, a bienal oferece diversas atividades de leitura para crianças, entre elas, uma experiência sensorial bem “bacanuda”!

 

 

 

Pronto, num falo mais, cabei!

 

O que é? 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Clica no link que vo6 vão ter todas as informações que precisam. Tô com preguiça de colocar tudo aqui )

 

Escrito por Jairo Marques às 08h14

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Nada de bala no farol

Eu sou um cara sarado, curado e bem passado , mas esse caboclo que vo6 poderão ver aqui é mais forte do que Biotônico Fontoura!

A dica veio do leitor Flávio Soares Caldeira que me faz a pergunta: "Quem disse que todo cadeirante está vendendo bala no sinal?". Verdadchi...tens uns que quebram pedra, como o tio!

A exibição é do atleta Victor Konovalov, que, com esse nome, só pode ser treslagoaense, "ingual" a mim.

 

Escrito por Jairo Marques às 08h35

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Um programa que faz a diferença

“Pessoais”, já tão mais calminhos?  Essas Olimpíadas tão acabando comigo. Fico até de “madruga” vendo piada de brasileiro e me dá um sono brabo. Resultado, o post atrasa e prejudico o vicio de muita gente, né, não?!

 

E nem adianta a minha torcida, pois, como diz o Agamenon, do jornal O Globo, na frente do Brasil no quadro de medalhas estão o Cazaquistão, o Azerbaijão e o Todostão”

 

Bem, mas hoje eu quero mostrar um pouquinho de um trabalho que tá sendo feito lá nos próprio Rio Grande do Sul. Umas “minina” sobreviventes da guerra, que nem eu , estão tocando um programa de TV que tem exatamente o espírito “Assim como você”.

 

Apresentado pelas jornalistas Juliana Carvalho, que é cadeirante, e Camila Nunes, que é cega (e também faz reportagem, algo totalmente maraviwonderfull), o “Faça a diferença” é exibido pela TV Assembléia do RS e também ganhou um blog, onde muito do que é apresentado pode ser visto.

 

 

Pra mim, há vários elementos importantes nessa conquista. Um por se tratar de um programa exclusivo para falar sobre gente da Matrix (eu sei que há também na TV Brasil, mas ainda não consegui ver), outro é por ser feito por pessoas “malacabadas”.

 

E tem também a importância de ser exibido numa TV pública, que precisa mesmo de diferenciais quanto ao conteúdo.

 

Coloco aqui dois “programetes” em que elas dão dicas importantes sobre a Matrix. O primeiro exemplifica com imagem o que eu já havia escrito pra vocês: como ajudar um cego:

 

 

Agora, vejam esse outro vídeo em que a Juliana resume todo o espírito que sempre quero exaltar com vocês: ser deficiente é ser igual a todo mundo, com apenas algumas adaptações na vida!

 

 

Beijo nas crianças 

 

Escrito por Jairo Marques às 10h26

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Pra não ver na TV

Ôh “zente”, hoje “vo6” vão tudo ficar bravos com o tio, mas num dá pra eu ser só o ‘homi’ das risadas, o “minino bão”. Este blog tem também que ter polêmica, sabe que nem assim a decisão se é o queijo ou a goiabada que deve ser cortado primeiro na hora de fazer o  romeu e julieta? 

 

Muita gente me pergunta o que eu acho de alguns quadros que envolvem gente da Matrix na televisão. Em geral, digo que vi um pedaço e que quase “gumitei” de “reiva”.

 

Não sou, como um dos diários que existe na internet, “xiita da inclusão”, mas vejo com crítica muito do que as pessoas vêem dando risada ou achando “noooossa, que lindo”.

 

Vamos aos exemplos, né, não? Pensei em alguns. Se vocês se “alembrarem” de outros, escrevam nos coments.

 

 

 

No último sábado, um quadro do programa do Luciano “Ruqui” na “Grôbo” colocou uma cadeirante pra jogar umas bolas numa cesta. Se acertasse: tchanaaaaaan... teria uma ultra mega reforma na casa onde morava! E daaaaa-lhe emoção... o marido chorando, os filhos chorando, um festival de lágrimas.

 

A moça ficou “malacabada” depois de receber uma bala perdida, aos 14 anos de idade. Depois de ela ter informado isso, o “Ruqui” perguntou: “Ah, então você não nasceu na cadeira?”. Eu nunca vi, juro, nunca vi um bebê nascendo em cadeira de rodas, mas, tudo bem!

 

Segundo a moça, antes da chegada do papai noel narigudo, ela vivia com muita “dificulidade”, sofria dentro de um barraco de três cômodos com mais três pessoas _dois filhos e o marido e nem banho tomava sozinha. No Brasil, essa é a realidade de milhares de pessoas e não é condição exclusiva de deficientes.

 

Nada contra o sujeito ir lá e dar um tapa na “goma” da moça. Ótimo, mas num precisa passar na televisão.

 

O que me irrita é aquela cara de pastel falando: “puxa, apesar de tudo, você é feliz!”. “Você não consegue sair de casa porque tem buraco na rua, né?”, “Que família bonita! Sofrida, mas bonita”, “As pessoas precisam ser tratadas iguais. Eu sempre pensei assim”. E mais um show de outros lugares comuns. Que raios é isso, meu povo?

 

Minha mãe ficava brava comigo, quando eu era criança, se eu aceitasse dinheiro dos outros que pensavam que eu era “mendingo”, se lembram?? (não? Clica aqui). Deficiência não se vence aceitando caridade ou com um olhar de piedade. Se vence com coragem, com oportunidade, com espírito de igualdade.

 

O quadro pode até ter emocionado muita gente, mas, pra mim, guardou uma sensação de que cadeirante precisa de ajuda financeira, de caridade pra sobreviver. Quantos outros deficientes viram aquilo e, imediatamente, puseram suas esperanças de uma vida mais digna em uma cartinha pro programa?

 

Acho que o “Ruqui” ajudaria mais se mostrasse pra moça que ela pode ter uma vida independente se estudar, se buscar uma formação, se apostar em si mesma. Ainda bem que ele deu um computador pra ela acessar o “Assim como você”, né, não? . Poderia, também, ter levado ela num fisiatra que desse dicas de qualidade de vida na cadeira de rodas.

 

Ah, sim, ela também ganhou uma “cadeira elétrica”, mas ela, não precisa de uma. Tem movimentos plenos nos braços. O veículo poderá é dificultar os movimentos dela.

 

Outro quadro que é unanimidade de “legal” é aquele que usa os deficientes pra arrancarem risada, o CQC, da Band. Vi duas vezes. Um com um cego que dá nota errada quando vai comprar um produto e, consequentemente, é roubado no troco, e outro com um cadeirante num prédio público sem elevador.

 

Claro que o programa tem vários momentos engraçados, mas, cego não é estúpido de confundir nota de R$ 100 com nota de R$ 10. Eles têm um tato extremamente aguçado para diferenciar o relevo das notas e têm uma organização das próprias coisas, inclusive do dinheiro, invejável.

 

 

O quadro foi protagonizado por um ator que, depois de ser surrupiado, volta ao local onde trocou as notas e coloca o bode na sala. É válido para mostrar a honestidade dos brasileiros? Pode até ser. Mas, pra mim, acentua a idéia de que cego é dependente dos outros pra tudo, até para administrar o próprio dinheiro. Não dá pra impor a lógica de quem vê para quem não vê.

 

O outro momento que vi foi o de um cadeirante que vai até um prédio público e ali não há elevador para que ele acesse o andar onde está um político. Bem sacado? Pra mim, foi constrangedor. Um falso moralismo que não leva a lugar nenhum.

 

Não vejo sentido em ter levado o cadeirante a um lugar onde ele não poderia acessar. Expor a imagem do “coitado” com cara de bunda olhando a escadaria. Mas legítimo seria se eles constrangessem o poder público arrecadando fundos e comprando um elevador. Ou mostrando que a falta de acesso prejudica idosos, pessoas com pouca mobilidade e não apenas a uma pessoa.

 

Já vivi milhares de vezes a situação de chegar a um lugar e não ter acesso. O que menos eu gostaria é de ter uma televisão na minha “fuça” pra dizer: “Olha que dureza a vida desse infeliz”.

 

Eu gostaria, sim, de voluntários pra me fazer vencer as escadas. Gostaria que a toda a equipe subisse e trouxesse o escritório do político lá para baixo. Gostaria que viabilizassem um acesso nem que fosse de jegue.  

 

Claro que vale, e muito, bater o bumbo e mostrar a falta de acessibilidade nos locais, sobretudo os públicos, mas para isso, não precisa esculachar a imagem de ninguém.

 

Por último, (prometo que vou retomar este tema porque vários outros quadros meia boca ficaram de fora) destaco um programa que vi na última sexta-feira, na Rede TV!, alertado pelo meu querido secretário-administrativo e amigo Valdeci, um fã e apoiador do blog. "Olha isso, 'minino bão', olha isso", dizia o Val meio que rindo, meio que indignado.

 

Um pastor dessas seitas “aceita cheque” berrava enquanto, na tela, aparecia: “Este paralítico voltou a andar com a fé”. Povo... tinha ou não tinha de aparecer a “puliça” e acabar com aquilo?

 

Não sou, de forma nenhuma, contrário à fé e ao seu possível poder regenerativo, mas daí a aceitar que um picareta diga que vai curar um brasileiro em uma emissora de televisão, para o país todo ver, é demais.

 

Como eu disse lá no comecinho, não sou radical em abordagens relativas ao povo Matrix e adoro uma piada torta, uma brincadeira. Mas, acho que dá para fazer tudo isso sem usar imagens distorcidas, piedosas e ajudando a criar uma nova mentalidade.

 

 

Escrito por Jairo Marques às 00h05

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Pelo Mundo

As bonecas que ensinam Braille

 

“Pipou”, óia que dica “maviwonderfull” que recebi da minha colega Adriana Küchler, correspondente da Folha na Argentina (“tamo internacional, né? Ingual que nem o Lula: viajandão pelo mundo ).

 

Uma professora de Buenos Aires, que dá aulas para alunos cegos e alunos com visão numa mesma escola, resolveu criar uma boneca que ensina crianças a entenderem o método braille, aquele dos pontinhos, usado pelo “pessoias” que não enxergam para poderem fazer leituras de forma independente.

 

 

A invenção de Virigina Pérez está “bombando” na Europa porque foi considerado um instrumento lúdico perfeito para promover a integração dos “niños e niñas”

 

Achei a idéia demais de legal. Quando a gente ensina uma criança maneiras de se relacionarem e respeitarem coleguinhas que possuem algum tipo de deficiência, não tenho a menor dúvida que estamos fomentando adultos mais conscientes sobre a realidade que todos têm suas diferenças, mas que precisam apenas de algumas adaptações para viver de forma plena.

 

“Me chamava muito atenção a curiosidade das crianças da primeira série sobre o método Braille que eu enviava aos alunos cegos. Então, pensei que poderia ensinar a linguagem a todos e apresentei o projeto da boneca que leva na barriga uma lousa magnética e seis círculos com imãs que podem formar as diferentes combinações do Braille. Fazíamos várias atividades usando a boneca e deu muito certo”, disse a professora a um jornal da Argentina, país que também deverá passar a vender o brinquedo em breve.

 

Caraca, num seria ótimo se o governo brasileiro distribuísse um brinquedo desses para cada escola do país como instrumento didático? Claro, claro, seria mais legal ainda se alguma fabricante apostasse na idéia e vendesse o produto em lojas do país também, né, não?

 

 

Vamo papiá

 

Está dica também não deixa de ser dos “estrangeiro” porque é do UOL (Universo, tenderam a relação? ). Então, a página de Educação do site criou um fórum de discussão para debater se as universidades de São Paulo estão ou não preparadas para receber o povo da Matrix (para quem ta chegando, povo da matrix somos nós “malacabados” que possuem algum tipo de deficiência).

 

 

 

Claro que quem não é de São Paulo também pode participar dando dicas da realidade de seus Estados ou contando os problemas que enfrentam para poder fazer algo básico pra qualquer “serumanu”: estudar e ter um diploma.

 

“Pra modi” vocês acessarem o espaço basta clicar aqui.

 

Nos “Estadosunidos” (assim, mesmo, bem juntinhos, unidos )

 

Essa é pra gente passar “réiva”. A leitora Silvia Dutra, que mora na Flórida, nos Estados Unidos, e que tá sempre mandando dicas para o “Assim como você”, me escreveu pra dizer como funcionam as vagas reservadas para deficientes físicos por lá. Pessoal, lá o bicho pega se o cabra resolver descumprir a lei e brincar de colocar o carro em local proibido.

 

 

 

A “Silvets” fotografou tudo pra gente e explicou que, se um carro não autorizado (há placas especiais indicando que condutor é deficiente, como um símbolo) pára na vaga reservada, o guincho chega rapidinho e o espertalhão toma um “gorpe” no bolso de US$ 250, algo em torno de...   QUATROCENTÃO!

 

 

 

“Como as pessoas aqui sabem que, além da policia, as companhias de guincho também ficam de olho e, provavelmente, pagam gente da vizinhança pra avisá-los quando percebem alguém infringindo a lei, ninguém se atreve a sair da linha e o sistema funciona melhor que aí. Todo mundo sai ganhando no final. Não tem jeito: infelizmente nem todo mundo respeita o espaço do outro. Fiscalizar e punir é a única maneira das coisas funcionarem”.

 

 

Acho que placas especiais e fiscalização intensiva do nosso direito de colocar o carro num local especial, e é especial porque precisamos de mais espaço para abrir a porta, colocar a cadeira do lado de fora e sair do carro (entre outros motivos que falo depois), seriam medidas interessantes para ser adotadas aqui também. Será que não?

 

* Fotos de Silva Dutra

Escrito por Jairo Marques às 08h04

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Meu povo, me "adesculpem", ando um pouco cansado... assim, num consigo escrever bacana pra modi vcs se divertirem... Volto em breve.. segurem o choro

Beijo nas crianças..

Escrito por Jairo Marques às 13h54

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Mexe com alguém do tamanho dele!

Sabe aquele tipo de pessoa que você conversa por cinco minutos e pensa consigo mesmo: “esse cara é dos meus”... Poi zé, com o ator Claudinho Castro, 33, que costumo chamar carinhosamente de “florzinha” e, ele, em retribuição, me chamar de biba , foi exatamente assim.

 

O “Crau” já é bem conhecido na internet uma vez que um dos vídeos que produziu com sua trupe, a Mama Djo Djo, e o Kibe Loko, já teve cerca de 10 milhões de acessos no mundo todo, o hilário “Dança do Quadrado”.

 

Este curtibano (eu tava em dívida com os “pessoais” do Paraná, né não?) de 1,17m, um dos poucos homens que eu posso chamar para a porrada sem risco de apanhar muito , foi carregado no colo pela mãe, a dona Lucia, até os 10 anos de idade.

 

“Nasci em 1975, ano em que nevou em Curitiba. Minha mãe ficou sabendo logo que eu seria anão e vibrou bastante, pois disse ao médico que teria um bebê pro resto da vida.”

 

 

 

Esta Matrix, este mundo paralelo de quem é “ligeiramente” diferente, também é desse povo pequeno que já relatei algumas vezes neste diário.

 

Por isso, hoje eu revelo um pouco mais do meu formidável amigo Claudinho Castro, que se tornou quase um “chefe de família” aos oito anos de idade, pois era o único que sabia ler e escrever em casa.

 

“Aos 12 anos eu tinha salário e já ajudava em casa. Eu ia para escola em uma espécie de pau arara. Morava em sítio e a escola ficava distante”.

 

O personagem de hoje trabalhou fazendo apostas de loteria, como cobrador de ônibus, caixa de supermercado e quebrou muita pedra para hoje se firmar com ator de teatro e de TV (o metido irá ser um dos protagonistas de uma série na retransmissora da “Grobo” na capital paranaense que estréia em setembro). Ah, sim, ele também já jogou futebol.

 

No making off da série

 

“Na minha infância eu sempre fui o dono da bola e o do campo de futebol, então, era impossível eu não ser do time”.

Leiam, então, a entrevista que fiz com o filho do seu João e da Lucia

                           

 

Blog: Você é um cara que pensa pequeno?

Claudinho Castro: Penso pequeno quando estou com preguiça, mas meus pensamentos vão além do Horizonte dos Sonhos e passam a ser possibilidades que mais cedo ou mais tarde se tornam realidade!!!

  

É ou não é uma flor? 

Blog: Muitas pessoas pensam que gente pequena vive nas florestas ou em mundos escondidos no subterrâneo, é verdade?

Claudinho: Vivemos nos subterrâneos daqueles que não têm fantasia. Mas gosto de brincar com as crianças com esse assunto. Elas acreditam e perguntam mais e mais e dai você vai contando mais historias e quando vê aquilo é quase um livro. Às vezes, as crianças ficam com a mística na cabeça e eu não tiro esse direito de elas sonharem, pois falar para uma criança que tudo não passa de uma brincadeira é o mesmo que ela descobrir que Papai Noel não existe logo depois que ganhou o presente do velhinho.

 

Blog: É complicado fazer sua arte chamar atenção do que seu tamanho?

Claudinho: É complicado. Uma vez eu fazia no teatro um bandido, um moleque de 16 anos que era respeitado na favela onde morava...No final, eu morria ao levar um tiro e a platéia, geralmente, ria e só entendia depois que se tratava de uma cena dramática. Mas eu me cuido muito para que as pessoas gostem do meu trabalho e não de eu ser um anão ali dentro do palco. Quero ser um personagem engraçado e não o ator engraçado.

 

Blog: Qual a vantagem de ver o mundo numa perspectiva mais baixa? Ficar olhando com mais detalhe a bunda das meninas?

Claudinho: Há vantagens e desvantagens. Vejo as melhores bundas, vejo os decotes quando alguém se abaixa para me beijar, vejo que o telefone celular de alguém tá tocando... Desvantagens se a pessoa soltar um pum no elevador, pois o primeiro a sofrer sou eu. Mas eu encaro tudo com normalidade. O único momento em que eu abaixo a cabeça é para falar com  um amigo que é menor que eu. Deve ser por isso que todos falam o ‘Claudinho é foda, não abaixa a cabeça pra ninguém’.

 

Blog: Quando que o tamanho é, sim, documento?

Claudinho: O momento mais complicado para mim é quando recebo e-mail de um amigo com um parente mal no hospital precisando de doadores eu nunca posso doar. De resto, sobre humilhação ou sarros das pessoas na rua, eu tiro de letras, pois eu penso assim: ´pobre senhor, ele não tem culpa de ser ignorante’.

 

Percebam como Claudinho é discreto

Blog: Você tem um hit da Internet que é a dança do quadrado. Fumaram muito cigarrinho de chocolate para criar aquilo?

Claudinho: A Dança do quadrado foi o maior presente que eu ganhei até hoje. O Antonio Tabet (do Kibe Loco) veio com a música e com a idéia. Eu e o meu grupo fizemos a produção e mandamos ver no estúdio com a dança. A gente esperava uns 200 mil acessos, mas, até agora, já são 10 milhões. Trabalho de segunda a segunda. Minha carreira artística já soma 14 anos e hoje posso dizer para todos aqueles que perguntavam se além do teatro eu tinha um trabalho de verdade: Eu Venci!!! Hoje sou feliz por dizer que venci. Não digo isso por aparições ou por ser uma quase celebridade, mas, sim, por ser sustentando por aquilo que amo fazer. 

 

*Fotos do arquivo pessoal de Claudinho Castro

 

Escrito por Jairo Marques às 23h28

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Neurônios

"Pessoais", o tio teve um probleminha "ténico" ontem e não consegui fechar o post que queria. Como eu não posso ajoelhar no milho , sei que vão me desculpar! De qualquer forma, coloco mais uma sugestão certeira sugerida pela Fernanda Pereira, de Campo Grande, parceira de primeira hora do "Assim como você".

Trata-se de um anúncio publicitário da ADD (Associação Desportiva para Deficientes) com uma mensagem sensacional! Espero que gostem! Amanhã eu me redimo e trago uma boa história, "fechô"?

Escrito por Jairo Marques às 08h05

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Já sei namorar

Povo, agosto, mês do cachorro louco, então, nada melhor do que um pouco de “romantichismo”, né, não? . Vou contar para vocês um bocadinho sobre namoro e gente da Matrix. É, podem acreditar, damos beijo na boca também!

 

Mas, namorar, não é algo tranqüilo, não. Sobretudo para quem precisa retomar a estima com um novo corpo, após uma lesão por um acidente, por exemplo. Também é complicado para quem tem que encarar a juventude (momento em que todo mundo só quer ficar e a aparência conta muito) sobre quatro rodas, com um cão guia , com um par de muletas ou sendo muito pequeno.

 

Como sou muito tímido , comecei a namorar tarde (sim, à tarde, também). Foi complicado admitir pra mim mesmo que eu poderia atrair as “muleres”, ter um relacionamento como qualquer um.

 

 

 

E como eu consegui? Incentivando uma personalidade de bem com a vida, mudando o foco do meu corpo para as minhas histórias, para o meu talento de ser uma boa companhia, para os meus valores e para um jeitinho escorpiano de ser.

 

É o maior lugar comum do mundo isso, mas, um bom namoro não se solidifica com uma bunda dura, uma barriga de tanquinho (a minha é de tanque de guerra, mesmo), uma boca carnuda. Ele se solidifica com dedicação, com um olhar atento, com um carinho sincero num domingo chato de chuva.

 

Depois que me dei conta de que eu poderia, sim, ser um bom parceiro, não parei mais com o negócio . E, dá-lhe mulher bonita!!

 

Quando se namora um cadeirante, algumas coisas são ligeiramente diferentes. O primeiro ponto para quem for entrar nesta aventura sobre rodas é ter em mente que sempre, sempre o casal vai ser alvo de olhares diversos, o tempo todo.

 

Certa vez, eu “tava” num bar agitado aqui de São Paulo com uma namoradinha que era uma deusa de dilícia. E, como qualquer casal, a gente começou a se pegar “de acordo”, no meio do povão. Pra que, né? A alegria foi geral. Assovios, palmas, frases do tipo: “Força ai, kapião” vinham de todos os lados.

 

 

 

E tem um segundo momento, que acontece com meninas e meninos deficientes: os cumprimentos das pessoas aos nossos parceiros. “Puxa, parabéns, viu?! “Você tem muita coragem! Que gesto bonito esse seu de namorar com ele” “Que pessoa iluminada é você fazendo isso”... só rindo, né, pessoal?

 

Uma outra diferença é que, as meninas, invariavelmente, vão ter que fazer o papel do homem da relação . Pegar a cadeira e jogar no porta malas do carro vai, uma hora ou outra, sobrar para ela. Para os meninos, pegar a mulher no colo antes da noite de núpcias poderá ser uma constante.

 

A namorada do cadeirante, caso ela também não seja cadeirante, claro, vai loguinho aprender a pilotar o veículo para subir calçadas, vencer obstáculos!

Uma namorada já quase me derrubou no chão voltando da padaria . Mas ela teve um reflexo tão ágil que impediu a minha queda. Nunca vou esquecer aquele gesto, que foi valorizado por um choro de hoooooras por parte dela.

 

Mas tem uma parte prática muito boa de namorar um cadeirante para quem é “andante”: qualquer lugar que você for, haverá uma cadeira com um colinho para você se sentar!

 

 

Acho que quem consegue vencer o preconceito e encara viver um sentimento com um deficiente vai ter uma experiência de vida muito bacana.

 

Por quê? Porque você ganhará uma forma nova de ver as mesmas coisas. Vai descobrir nuances ligeiramente diferentes de sentir seu corpo (olha eu erótiko ), vai perceber que ficar contemplando o mar pode ser tão bom quanto caminhar na areia da praia, vai descobrir que ter 1,80m ou ter 1,40m só faz diferença na hora de trocar uma lâmpada.

 

Em tempo: Tudo bem ficar olhando com curiosidade um casal com um dos parceiros cadeirante ou até mesmo os dois, um casal com um anão e uma mulher altíssima, um cego e uma pessoa com visão! Chama mesmo a atenção o que não é comum. Mas, procure não imaginar o fato como um ato de benevolência ou exótico e evite manifestar seu espírito de “boa gente”, pode ser constrangedor para todo mundo! Namorar é algo saudável e natural para qualquer ser humano.

Escrito por Jairo Marques às 22h57

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Meu pai é cadeirante!

Cada história que entra neste diário passa antes por um crivo de potencial de promover uma mudança de atitude, mesmo que pequena, e do potencial de fazer refletir por meio da emoção ou do exemplo.

O post de hoje, em especial, passou bem fácil por essa “peneira” realizada por esse que vocês sabem: é um “minino bão”. 

Como no domingo é Dia dos Pais, e eu ainda quero ser um (por enquanto eu só tento “cas minina”), o caso me pegou de jeito. Conto, então, um pouco das façanhas de Álvaro, um pai cadeirante.

Espero que esta história jogue um toque de brilho no almoço de família, no telefonema de quem está distante ou mesmo numa saudosa lembrança de pai. Boa viagem na leitura!

                                           

“Quando eu era criança, eu jamais saia correndo do meu pai. Sempre esperava ele montar a cadeira de rodas e sair do carro para irmos juntos onde quer que fosse. Era algo natural. Desenvolvi isso por mim mesmo como uma forma de respeito a ele”.

“Meu pai sempre fez de tudo para ser um pai como qualquer outro. Só notei que ele era um pouco diferente quando eu ia em algum lugar com meus tios e ele não ia por falta de acessebilidade, como em algumas praias, por exemplo. Mas, isso não era problema. Era só uma situação de outras diversas que vivíamos juntos”.

“Todo moleque gosta de jogar bola com o pai e, comigo, não foi diferente. Mas ele dava um jeito para me fazer feliz e entrar no time comigo: ele jogava no gol”.

Gente, as frases acima são do estudante de publicidade Gabriel Lorenzetti, 25, filho do analista de sistemas Álvaro Roberto Savioli Lorenzetti, 52, cadeirante, depois de contrair pólio (paralisia infantil), aos 11 meses de idade.

Achavam que cadeirante não fazia nenê, né? . Pois saibam que Álvaro não fez só o tranqüilo e atencioso Gabriel, ele também fez a Isabela Cruz Lorenzetti, 20, uma garota de imensa simpatia e espírito de igualdade. Ela éestudante de psicologia e me disse assim:

“Nunca tive nenhuma problema com estranhamento de amigos ao meu pai. Para todos eu fazia questão de dizer que ele  era cadeirante e que tem uma vida como a de outra pessoa qualquer: trabalha, protege os filhos”.

Isa e o papis

“Meu pai diz que se o gênio da lâmpada aparecesse e desse a ele a chance de realizar um desejo, o último pedido do mundo que ele faria era voltar a andar. Afinal, ele tem uma família, tem um emprego, tem amigos, tem felicidade e voltar a andar não é uma prioridade. Isso me dá muito orgulho dele”.

“Todo lugar que eu vou dou uma olhadinha para ver se é acessível. Quando não tem uma rampa num bar, por exemplo, eu questiono o dono. A gente briga mesmo para que o direito dele ir e vir seja respeitado em qualquer lugar”.

Bem, acho que ainda tá faltando um elemento bem importante nesta história, né, não? Cadê a mãe? O sorridente Álvaro é casado há 27 anos com a Rai, 56, que: tchanananannnn também é cadeirante!

Povo, não é uma família de fazer a gente suspirar?  O Álvaro e a Rai, que transpiram vitalidade pela voz e pelo jeito de ser, se conheceram praticando esportes na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e criaram dois filhos com muita garra, mesmo enfrentando o olhar de suspeita de alguns.

Rai e Álvaro, um casal muito mais que 20

“Tivemos de enfrentar muita desconfiança dos outros sobre a nossa capacidade de criar e dar educação aos nossos filhos. Duvidavam muito, às vezes de forma velada, de que daríamos conta. Mas, os meninos têm uma mãe super protetora e carinhosa. Mostramos para todos que podíamos e tínhamos o direito de ter filhos e a gente foi muito elogiado”, me contou o pai.

Já imaginaram como fazer para se virar com duas cadeiras de rodas e um carrinho de bebê? Não, eu conto “pro ceis”.

“Era complicado! Se para quem não é cadeirante já é difícil, imagina pra gente? Diminuímos um pouco o ritmo de viagens, de sair de casa e troquei o carro para um bem maior”.

Perguntei ao Álvaro, se houve algum momento em que ele se sentiu um pai “diferente”, no que ele respondeu:

“Eu soltava pipa com meus filhos, brincava de tudo. Ia com eles no Parque do Ibirapuera. Tenho certeza que os dois tiveram uma noção perfeita de infância.

Apenas quando eles estavam ainda na escola, eram pequenos, eu me sentia um pouco diferente em alguns momentos. Na época dos jogos com os pais, das atividades desportivas, por exemplo, eu não tinha como participar e, intimamente, sentia uma dorzinha no peito. Mas, meus filhos sempre entenderam as minhas limitações perfeitamente”.

Um pai cadeirante guarda também uma outra diferenciação dos outros pais “andantes” e ela tem a ver com um desprendimento e amor por parte dos filhos que é sem igual.

Viagem comigo: muito precocemente, é o filho quem irá conduzir e ajudar o pai cadeirante, seja vencendo um degrau, seja auxiliando numa rampa, seja guardando a cadeira no carro, seja dando uma empurradinha naquele passeio de final de tarde.

Aqui, toda a família Lorenzetti. Todos "bunitos"!

“Protejo o meu pai com muito carinho e o ajudo muito em coisas que ele hoje tem dificuldade de fazer sozinho. Quando estou trabalhando e não posso ajudá-lo, fico pensando sem parar como ele irá se virar em determinadas situações. Não que ele me peça isso, me cobre esse empenho. Isso é da minha natureza. É amor”.  Gabriel

“Com o meu pai, eu aprendi o respeito a todas as pessoas, independentemente de ser cadeirante ou não. Não olho ninguém de forma torta, com preconceito. Temos as nossas diferenças, sim, mas no fundo somos todos iguais. Ele me ensinou a ajudar quem precisa de um auxílio seja um idoso, seja uma criança, seja a ele mesmo”. Isabela

“Tenho uma alegria enorme de ser ajudado por meus filhos. Eles sempre olham se os lugares possuem acesso pra mim e para a mãe deles. Tenho orgulho de eles agirem assim e não só dentro de casa como com os amigos e aonde quer que forem”.  Álvaro

Bom final de semana e beijo nos pais!

Escrito por Jairo Marques às 23h18

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Um comercial bem acessível

Povo, trago hoje para vocês uma notícia que me pareceu um bom avanço para as conquistas dos habitantes da Matrix de quem tem alguma deficiência. Começou a ser exibido na TV, há cerca de duas semanas, o primeiro comercial brasileiro totalmente acessível.

 

Achei a iniciativa interessante tanto pelo aspecto da inclusão como pelo ineditismo do fato. Certamente, outras empresas vão passar a querer contemplar um público mais universal para suas ações publicitárias daqui para a frente. Afinal, perder cliente é perder “roiaus” e “nóis” tem algum dinheiro, né, não?

 

O anúncio em questão tem as opções de ser visto com as legendas closed caption e também com uma narração do que se passa na filmagem por meio do acionamento da tecla sap do televisor. “Maraviwonderfull”!?

 

Com estes recursos, os surdos e os cegos podem entender a mensagem com mais clareza sem que ninguém faça a “tradução” do que rolou. Em alguns programas como novelas e telejornais já é comum a legenda, mas, a narração ainda é pouco usada no país.

 

A campanha publicitária em questão é da Natura. Vo6 sabem que não faço propaganda de ninguém aqui no blog. Mas, a empresa, além de ter tomado esta atitude visionária, tem um amplo programa para ter em seus quadros de funcionários gente “Assim como você”, então, achei válido citar.

 

O processo de feitura do comercial acessível não tem complexidade, não. Contrata-se uma agência que cria o comercial e uma outra que cria o programa de acessibilidade ao anúncio. Clique aqui se quer saber mais.

 

Vejam então, o comercial inédito, com a narração (na tv dá pra ver com as legendas, para quem tem closed caption). Percebam que fica super interessante e não interfere na mensagem original do anúncio.

 

 


Vrummmm

 

No próximo Sábado, dia 9, vai rolar aqui pertinho da “capitar” da fumaça a primeira etapa da Copa São Paulo de Kart Adaptado. Achei maneiro o lance e devo ir lá ver se deixam eu pilotar um dos cavalos turbinados.  

 

 

 

Onde que é? No Kartódromo Internacional Granja Viana, em Cotia (SP)

 

Quem que faz? VIQUI : Viver com Igualdade, Qualidade e Integridade e a Mingo Racing

 

O que mais? (11) 4702 7700   contato@kartadaptado.com.br ou clica aqui.

 


Recado

 

“Pessoais”, o post de amanhã vai estar totalmente “Galvão Bueno”. Calma, calma, num é porque vai estar xarope, é porque vai ser daqueles “haaaaaja coração”, tenderam? 

 

Espero vocês!

Escrito por Jairo Marques às 22h24

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“Aventuras e desventuras de uma cadeirante fajuta”

 

Meu povo, a dinâmica que o blog tem tomado me surpreende a cada dia. Felizmente, há sempre algo novo vindo de algum canto do país “pra modi” eu dividir com vocês.

 

Hoje, o post é da Maria Carolina, advogada de São Paulo que chegou faz pouco na nossa “comunidachi”. Ela não tem deficiência nenhuma, mas narrou pra gente uma pequena aventura que viveu montada numa cadeira de rodas. Eu achei “inacredititivel” quando li o texto e vi as fotos.

 

E ela quis passar pela experiência pelo "simples" fato de sentir na pele o que passa um cadeirante. Achei demais de crazy. Vale a pena visitar o blog da moça e dar boas risadas com estilo único que ela tem. Leiam o divertido relato da Carol:

 

                                        

 

Capítulo 1 – Na Locadora de DVDS

 

Se tem uma frase que minha mãe sempre usa, (além de “arruma esse quaaaaaaaaaaaaarto”), esta frase é “ ponha-se no lugar dele minha filha.”

 

Levando a sério a idéia da mama, lá fui eu ver a vida pelos olhos de um cadeirante. Para tanto precisei da ajuda providencial da minha madrinha Luzema que, gentilmente, me cedeu suas rodas para a empreitada.

 

Logo de saída, primeiro obstáculo: quem diz que o meu prédio tem rampa? Pois é. Toca pedir ajuda do porteiro pra vencer a primeira barreira que foi chegar até a calçada.

 

 

 

Bom, eu tô sendo generosa chamando esse treco aqui em frente de casa de calçada. Pelamordedeus... tanto buraco, desnível, degrau pra tudo que é lado que vocês não tem idéia. Fora o monte de cocô de cachorro, folha de árvore, lixo e uns famigerados canterinhos que não ajudam em nada a vida de quem tem que levar a cadeira no braço.

 

Nem preciso dizer que deram dois metros e eu tava de língua de fora... ridículo mesmo. Cada rampinha que aparecia eu sentia como se meu pulmão fosse sair pela boca.

 

Nos dois primeiros minutos já apareceram umas três pessoas pra ajudar. A primeira foi uma senhora que me disse “- Mas como?! não tem ninguém com você?!” num tom de voz ao mesmo tempo indignado e cheio de pena. 

 

Na seqüência, um moço que estava do outro lado da rua vendo que eu estava desesperada pra conseguir atravessar veio correndo “ – Ô moça, quer ajuda?” Aceitei obviamente. Desse eu consegui o nome: Rodrigo. Pois bem: o Rodrigo me empurrou até a esquina e eu consegui me colocar de volta na “calçada”.

 

Dali fui levando a cadeira aos poucos, detalhe: DE MARCHA A RÉ porque se eu tentasse ir de frente, era chão na certa. Agora vocês tentem imaginar alguém levando a cadeira olhando o caminho por cima do ombro...

 

Bom depois de uns 15 minutos pelo menos e a ajuda de mais quatro pessoas diferentes, tô eu na frente da locadora apenas pra ver o que? Um baita degrau... toca chamar a atendente pra me por pra dentro.

 

Ainda não acabou. Na hora em que eu vou entrar ainda tem o detector de metais. Por um triz que a cadeira não passa, mas vamos lá.

 

 

 

Ah, que alívio! Tô dentro da locadora, agora posso escolher o filme que quiser certo? ERRADO. E quem disse que eu consigo alcançar os DVDS na prateleira? Fico limitada a pouquíssimos títulos porque as novidades estão na altura dos olhos de quem fica de pé. Quem não fica de pé...

 

 

O banheiro foi um caso à parte. Eu não conseguia tirar foto dele, quanto mais entrar com a cadeira.

 

Pra completar caiu o maior aguaceiro e eu precisei esperar a chuva passar antes de voltar pra casa porque senão já viu.

Na volta me envergonho de dizer que vim andando e empurrando a cadeira com medo de que ela se molhasse.

 

Que via crucis... mas minha mãe tinha razão. Ponha-se no lugar dos outros!

Escrito por Jairo Marques às 00h16

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O grande prazer das compras

 Normalmente, as pessoas gostam de ir ao supermercado, né, não? Olham tudo, reclamam do preço do feijão, comem frutas de grátis, encontram os amantes .

 

É, mas para um cadeirante solitário como eu , esse “prazer” do consumismo nem sempre é gostoso. Só vou mesmo ao mercado quando meu armário tá falando sozinho e a geladeira só tem gelo e solidão.

 

Quando eu era pobre , uma cestinha daquelas de cor de burro quando foge resolvia meu problema alimentar. Agora que eu virei blogueiro e ganho milhões de roiaus, faço compras em hipermercados e é sempre uma aventura.

 

O trabalho de parto das compras começa já na guarita, quando a moçoila dá o cartão do estacionamento: “Moça, por favor, você pode pedir para um segurança retirar a cadeira de rodas da mala do carro pra mim?”

 

Depois de olhar com cara de quem viu um búfalo cor-de-rosa voador elas costumam dizer: “Nós não temos esse serviço aqui, senhor”. “Mas não é serviço, não. É só uma mãozinha, mesmo”, moça.

 

Até que o nó desate, a fila de carros atrás de mim já está cheia daquele povo que adora enfiar o dedo no... no... no volante pra acionar a buzina.

 

Vencido o obstáculo, agora é só conseguir vaga pra estacionar. Tem várias reservadas! Opa, um taxista na vaga de deficiente? Uma Kombi véia??? Juro, meu povo, tirei essas fotas que tão ruins, mas é vero. “Inacredititível”, né?

 

 

 

 

Mas, nada tira o meu humor do grande prazer de fazer compras! Vou direto pegar uma cadeira ‘elétrica’ pra ficar mais fácil de carregar os fardos de pipoca de microondas, miojo e chocolate para passar o mês.

 

“Ta carregadinha, moço, vai com Deus”, dizem as solícitas atendentes. E lá vou eu com a carroça azul e possante comprar trem pra encher o bucho.

 

A felicidade, em geral, não dura muito. Logo ali, na parte das geladeiras, um led começa a piscar sem parar e a cadeira “carregadinha” começa a morrer. Numa altura destas, vocês hão de convir que a alegria tem que ser muito resistente pra permanecer no brasileiro.

 

“Ih, morreu a cadeirinha? Tão tudo velha, mesmo, viu. Precisam comprar outras. O senhor espera um minutinho que vou trazer uma carregada de verdade.”

 

Se o cadeirante for fazer compras num sábado. Desista desse recurso automatizado. É só pra passar raiva. A demanda é tanta que não dá tempo pra bateria respirar. A solução seria essas grandes redes, que faturam toneladas de dinheiros, ter cadeiras extras para essas situações.

 

Mas, vamos em frente. Iogurte... quero iogurte de morango. Ixi tá bem lá no alto. Ferrou-se. O inventor das gôndolas altas poderia ser fuzilado com creme de chantililly em praça pública por não ter pensado em cadeirantes e em gente pequena na hora que concluiu a obra.

 

A solução nestas horas é fazer cara de madalena arrependida até que um santo te ajude a apanhar o que precisa. Mas é sempre chato. Todo mundo tá concentrado no seu próprio extrato de tomate.

 

Porém, fica a dica. Se você vir um cadeirante fazendo compras e a “filosofia” do rosto dele for de “meu Deus, como farei”, ofereça ajuda que é batata que ele precisa.

 

Claro que a gente da Matrix pede ajuda, mas você que anda e tem estatura média ou alta procure pensar que a situação de quem vê o mundo um pouco mais baixo é sempre mais vitimada (falei “bunito” agora, heim).

 

 

E agora falta pouca coisa para comprar: laranja, uva, banana, batata frita, cerveja, cerveja. O complicado é vencer os carrinhos de compras que são abandonados no meio do corredor e aquelas empilhadeiras dos repositores em todo canto. Nada contra, mas atrapalha o trânsito ligeiramente e a gente precisa, digamos, sair brincando de tromba-tromba de forma forçada.

 

Chega! Vou para o caixa especial, lindo, específico para deficientes, gestantes (cansou?), mulheres com crianças no colo (ta com a língua de fora?) e idosos. Povo, vocês não acham quem é humanidade demais pra caixa de menos?

 

Afora que, nesta hora, todo mundo tem mais de 60 anos, tem um leve problema na perna e carrega “minino” no colo, mesmo que ele tenha cara de 15 ou 16 anos.

 

Caixa reservado é um luxo, pena que são superlotados... Enfim, é ou não é uma delícia fazer comprar com um cadeirante?

Escrito por Jairo Marques às 23h12

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O sonho de Joana

 “Pessoais”, hoje tenho “novidadchis” bacanas. Deixei todo mundo bem acostumando com as histórias de segunda, né? Mas esta semana será um pouco diferente a rotina.

 

Se lembram da Tabata Contri, que passou por aqui há alguns dias (pergunta besta, eu sei) e encheu o blog de belezura? Poi zé, ela vai fazer novela, meu povo! Num é “maraviwonderfull”?

 

 

 

A loira vai ser a primeira atriz brasileira, cadeirante de verdade, a fazer parte da teledramaturgia do país! E ela me fez uma promessa: diferentemente de outras situações com “deficientes” (todos de mentirinha) que rolam na TV, ela não vai se curar da noite para o dia e não vão dizer no roteiro que ela está “condenada a viver numa cadeira de rodas”.

 

Vo6 querem saber detalhes, né? Vô contá porque eu sou um “minino bão”. Segundo a Tabata, um diretor bom da boca lá da Band leu a entrevista dela no blog e entrou em contato para conversar, fazer testes.

 

 

 

O cabra curtiu o trabalho dela e a convidou pra fazer uma participação na novela “Água na Boca”, que passa de segunda a sexta, às 20h15. Ela já começou a gravar e deve entrar no ar dentro de dez ou quinze dias.

 

O tio não assiste à novela porque tem medo de pegar gosto. Daí pro tricô, pro crochê é um pulo . Mas, vou ter que ver a loira nas própria televisão, né?

 

A Tabs me contou que fará o papel da personagem “Joana”, que aparecerá, inicialmente, em um sonho de um galã da trama.

 

 

Fotos de Lara Miranda

Ai gzuis. Tô bem feliz com isso, sabe, povo. Não pela vaidade de ela dizer, e ela diz sem parar, que foi “por causa do Assim como você” que rolou a chance, mas pelo simbolismo disso pra todo mundo da Matrix.

 

Ela vai quebrar um paradigma importante num meio de comunicação de massa que é a TV. E, quem conhece a moça pessoalmente, sabe que ela é consciente dessa “responsabilidade” e é alguém que tá à frente da batalha de fazermos um mundo mais acessível para todo mundo.

 

A Band, pelo que me contou um passarinho, tem outras intenções de projetos para tratar desse povo “malacabado” que nós “semos”! Vou torcer para que aconteçam!

 


 

E num é que o “Noturno Cadeirantes” bombou? As últimas apresentações tiveram casa lotada! O tio foi de novo, no sábado. Muita gente olhou de rabo de olho pra mim e outros me chamaram de “Jairo do blog”.

 

O mais engraçado foi que recebi, depois, emails de gente que passou vontade de ir falar com tio .

 

 

 

Leiam um trechinho de um email que a Eliane, de Campinas, que levou a filha Isabella e o marido Moacir ao espetáculo:

 

"Quero te dizer que VALEU muito ter ido até SP assistir ao espetáculo. Realmente é LIIIIIIIIIINDO. É como você me falou: tem que assistir para sentir realmente o que é. Fiquei feliz em conhecer esse grupo e em te conhecer pessoalmente.

 

Foi um teatro como poucos que assisti, a emoção que causou e a inquietação foram enormes. Sem contar a qualidade do dessa rapaziada. E que vozes, hein?

 

Bem, através de você tive um enorme prazer cultural, emocional e além do humano. Com certeza você tem causado muitas coisas boas nas pessoas."

 


Por fim, não posso deixar de compartilhar com vocês uma mensagem  que a Lenarde, mãe da Maria Luiza, que quebrou todos os recordes deste diário na semana passada, me passou.

 

Ela disse que imprimiu todos os recados deixados e leu todos para a Malu. Ao final, a nossa mascote retribuiu com “um doce sorriso”. Eu “guento”?  

Escrito por Jairo Marques às 22h51

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Para sorrir

Desde o primeiro comentário que colocou em um post do “Assim como você”, e lá se vão vários dias, o Henrique Fragoso me chamou muito a atenção.

 

Ele é, certamente, um dos meus leitores mais assíduos e mais espirituosos (e são muitos como ele, ainda bem!). Tem um humor intelectualizado e agrega sempre uma opinião ou uma piada de primeira linha.

 

O presente de hoje e para o final de semana, então, é um texto inteligente, saboroso e divertido deste cara que nunca vi, mas que, como ele mesmo escreve, parece meu “brother” há séculos! Ele não tem deficiência nenhuma, mas aderiu à causa explícita neste blog de forma verdadeira e contundente.

 

Então, se deliciem com o Henrique:

 

 

 

Jairão, seja em São Paulo ou em qualquer outra fábrica de doidos, lidar com o sorriso alheio é um negócio um tanto quanto complicado. Convenhamos, quem é que não desconfia de um estranho que chega do nada, assim, abrindo a boca, mostrando o piano de graça?

 

Não é novidade para ninguém que a cordialidade não faz parte do script, foge à normalidade de uma cidade na qual não existem “outros”, e sim “terceiros” e “estranhos”, e destes como já avisa o caixa eletrônico, convém não aceitar ajuda.

 

Esse é princípio básico do manual de sobrevivência de qualquer urbanóide que se preze: tenha receio de tudo e de todos até prova em contrário.

 

 

A exceção que confirma a regra normalmente se dá quando alguma felicidade nos toma de assalto. Aí a gente sai dando bom dia a torto e a direito, sorri pra todo mundo, gosta de conversa em elevador, não surta quando o computador encrenca, não vira bicho no trânsito e chega a se sentir tão bacana, tão civilizado, que se o poder de melhorar o mundo inteiro por decreto existisse, certamente seria o cara que carimba o “cumpra-se”.

 

Sim, eu sei que as coisas não são “preto ou branco”, “isso ou aquilo”, mas como negar que ninguém é perfeito e que a vida não é justa?

 

Não dá mesmo pra ficar sorrindo o dia inteiro. A não ser que o sujeito já esteja dando tchau pra cocô. É fato.

 

O negócio é tocar o barco, procurando se aproximar de coisas positivas, antídotos para sobreviver ao primeiro jornal. E foi numa dessas procuras que vim parar no “Assim como você”.

 

O efeito positivo causado pelas histórias de vida inspiradoras de um monte de gente que, não bastasse superar obstáculos impressionantes, não abre mão de ser vista como realmente é, ou seja, pessoas com bagagem, com virtudes e defeitos iguais a quaisquer outras. Apesar do desrespeito diário que é a falta “da tal” acessibilidade, não se fazem de vítimas e tão pouco esperam favores.

 

 

 

Eu admiro e quero aprender com essa postura. Como é que pode alguém que tem sua cidadania sistematicamente desrespeitada, ou seja, é discriminado a partir do momento em que “sai às ruas”, ter tanta vitalidade? Lutar sem perder o... sorriso?

 

Pois é, será que o sorriso do desconhecido no final das contas é justamente o que mais vale a pena, seja aqui ou em qualquer outro lugar? Vale a aposta de deixar o espírito desarmado?

 

Cara, tenho sentido (e não achado) que sim. Afinal, eu não lhe conheço, mas me sinto seu brother todo dia em que seu estilo ímpar de escrever, seu exemplo e de todos por você retratados me faz pensar e sorrir.

 

A maioria das pancadas do “primeiro jornal” continua lá para todos nós porque deficientes são todos os setores da nossa sociedade. Mas como diz “o povo do Superação”: “Estamos na rua. Na calçada é impossível”.

Malandro, isso quer dizer muita coisa. Obrigado a todos

Escrito por Jairo Marques às 10h59

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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