Casa da Justiça ou da mãe Joana?
“Pípous” (temos muitos leitores nos exterior, então, tenho que falar em inglês também
), dêem uma olhada nas cenas abaixo. Elas foram registradas no Fórum Criminal de São Paulo pelo leitor Kiyomori Mori, que é advogado e virou um fiscal assíduo para este blog e para o respeito aos deficientes físicos.


Num entenderam? Eu explico, afinal, sou um “minino bão”. Na primeira foto, é revelado que as vagas exclusivas para deficientes estão todas lotadas. Ok, pode até ser, né, não? A gente dá trabalho, mesmo, e vai tudo parar na Justiça
.
Na segunda imagem, porém, o Kiyomori flagra uma advogada que acabara de deixar o carro na vaga reservada. Tão vendo ela caminhando, de boa, com uma "brusinha" vermelha? Não vejo cadeira de rodas, muletas, bengala, cão-guia, nada. Beleza, né?
Me espanta o fato de não haver respeito ao nosso direito às vagas reservadas num lugar onde se aplica a lei. Ali circulam promotores, juízes, procuradores, rábulas. Ou seja: se eles não mandam “prender”, não mandam rebocar, não mandam autuar quem está desrespeitando o direito do outro, quem vai fazer? Não posso acreditar que na casa da Justiça quem manda é a mãe Joana.

Nestas outras duas fotas, se vê claramente a marcação da vaga e o carro. Pode até ser que a pessoa que tenha estacionado esteja com uma limitação de movimento temporária, uma perna quebrada, por exemplo, né? Bem, neste caso, coloque escrito em um papel esta situação e cole no pára-brisa.
Cadeirante, tenho certeza que não é. A gente nunca compra este tipo de carro porque, me digam, como vamos tirar a cadeira da caçamba?
. Se fosse deficiente, tinha obrigação de colocar o selo indicativo, como este que colo abaixo!

Se lembram da história que contei sobre a viagem que fiz de carro voltando das terras que a minha família tem embaixo das unhas, lá no interior
? Não? Leia aqui, então.
Na última sexta-feira, o gerente geral do posto Graal de Bauru, o José Carlos, me ligou e pediu formalmente desculpas pelo ocorrido no banheiro, que tava cheio de tralhas. E mais: ele disse que vai fazer uma ampla reforma no local para que TUDO fique bem adaptado para qualquer deficiente físico.
Ele me convidou para ir até lá e passar dicas para as obras. Como não tenho planos de ir por aquelas bandas tão breve, sugiro que algum cadeirante ou deficiente da cidade vá até o posto e se disponha a apontar o que precisamos.
Pedi para ele documentar o que me disse por email, o que ele fez prontamente. Povo, a grita de vocês faz efeito!!! Quem quiser mandar as dicas de acessibilidade pra ele por email, segue aqui o contato: postosemlimites@uol.com.br
Escrito por Jairo Marques às 11h09
As criaturas da noite
Meu povo, vou novamente (como é bom ter um blog pra chamar de seu) divulgar aqui o espetáculo “Noturno Cadeirantes”, que terá as últimas apresentações desta temporada no próximo final de semana, dias 02 e 03.
O tio foi no último sábado assistir e levou com ele uma médica, afinal, como eu sabia que era super emocionante, eu poderia passar mal, né, não? (quem acompanha o blog desde o começo, que tire suas conclusões
)
Graças ao meus contatos imediatos de terceiro grau, fiquei num lugar mega ultra bom e pude acompanhar tudo bem de perto. Mas, quem viu lá da cozinha, também saiu derretido “ingualzinho” a mim. E o teatro tava lotado, bem lotado!

Em certo momento, eu não sabia se eu ria, se chorava, se ria e chorava, se aplaudia, se vibrava, se gritava que nem a Priscila Rainha do Deserto, se deixava toda aquela luz e toda aquela garra daquele povo totalmente “Assim como você” cravar em mim uma noite especial, pra vida toda.
O “Noturno Cadeirantes”, para quem tá chegando agora no blog, é um espetáculo teatral/musical totalmente protagonizado por deficientes físicos. Acompanham a trupe, intérpretes cujas vozes estremecem a alma da gente por horas e horas a fio.
Confesso a vocês que eu não esperava tudo o que vi e ouvi. E a cada cena que se fechava, aquela gente que se deu de presente ir àquele espetáculo ia ao delírio fosse com os movimentos sutis de meninas lindas, fosse com um japonês que, com certeza, é parente do bozo, como eu, fosse com um careca maluco com trejeitos divertidíssimos.


E os arrepios seguiam depois das caras de mau de um cidadão cheio de dreadlooks, do encanto do sorriso de uma moça pequenininha numa cadeira de rodas que parecia grandona, da voz forte e da presença marcante de um cara que é quase mais bonito que eu
, dos magníficos efeitos de luzes que faziam flutuar no ar pessoas que alguns vêem como “presos” a uma realidade “dura”.

Vejo tanta coisa de qualidade abaixo do razoável ser patrocinada por bancos milionários, por ricas estatais do governo, por empresas multinacionais de capital que beira ao trilhão e o “Noturnos Cadeirantes” ser ajudado com a força de patrocinadores de médio porte.
Uma pessoa me disse que é porque ninguém se interessa de cara por gente em cadeira de rodas fazendo “firulas”, que todo mundo imagina que será algo na linha do melodrama do pobre deficiente.

Quem pensa assim, está totalmente enganado. A apresentação fervilha na cabeça e no coração da gente. É arte, é teatro, é música de ótima qualidade. Por isso, divulgo com todo orgulho, mais uma vez, neste diário!

Se vocês vibram com as histórias que coloco aqui e riem de perder o fôlego com os “causos” que conto, aceitem o desafio de assistir o “Noturno Cadeirantes”.

As fotos que ilustram o post são do Rapha Bathe
Onde que é, heim? No teatro Dias Gomes, que fica na Domingos de Moraes, 348. Fica dentro de uma galeria e tem um estacionamento bem em frente. É pertinho da estação Ana Rosa, do metrô, em São Paulo.
Quanto que morre? Na hora, você paga R$ 40 contos, mas, se entrar no site (clica aqui) e comprar antecipado, paga só R$ 15 roiaus (Menos que a entrada de um cinema)
Quando que rola? Na sábado, dia 02, às 21h, e no domingo, dia 03, às 20h
Que mais? Telefone (11) 55757472
Escrito por Jairo Marques às 20h47
Nós e as crianças
Criança é sempre um desafio para nós da Matrix de quem tem alguma deficiência física. Os “minino e minina” são tão diretos, lógicos e verdadeiros em seus questionamentos que desconsertam qualquer um.
“O tio você ‘quebô’ a peina? Pô que você não levanta daí pra eu dar uma voltinha no seu carrinho? Tá dodói?” As perguntas para os cadeirantes são geralmente estas. Com pequenas variações do tipo: “Você ta com peguiça e só anda na cadela é? Pô que você tem essas rodinhas? Você tá de castigo?”
Quando a molecada dispara a perguntar, e isso acontece em qualquer lugar, em qualquer hora seja no supermercado, na igreja, no hospital, numa festa, não para mais...nunca mais.
Como todo mundo sabe, criança é mesmo curiosa e quando ela vê algo ou alguém que esteja fora da realidade que ela conheça, aí, ferrou-se. Ela vai querer descobrir os detalhes daquele ser que é diferente!
O maior desafio nem é o menino doidinho que insiste que eu saia da cadeira para que ele brinque de Airton Senna. O maior desafio é fazer com que o pai ou a mãe encare a situação com maior naturalidade e ajude neste processo de mostrar que existem pessoas que não andam, não falam, não escutam.
“Menino, cala a boca! Menino não tá vendo que o moço é doente? Minha filha volta aqui e pára com isso. Filhinho, o moço vai ficar bravo com você”.
Entendo que a situação pode ser complicada, mesmo. Nem todo cadeirante é de boa como o tio
, nem todo cego quer que brinquem com seu cão guia (isso é bem raro), nem toda pessoa pequena quer ficar dizendo que ele já cresceu, sim, e não tem mais cinco anos.
Porém, acho que, quando houver abertura do deficiente, o melhor é mesmo deixar rolar um papinho. Uma explicação, uma interação entre o andar e o não andar, entre o diferente aos olhos da criança e a verdade de fato.

Quando a reação é a de evitar o deficiente, por experiência, própria, digo que será um constrangimento puro. O moleque vai apontar o dedo, vai querer fugir para ir ao encontro do cadeirante, vai ficar com medo ou vai passar horas perguntando o porquê de aquela pessoa estar daquele jeito.
No meu caso, quando sou abordado, procuro explicar que fiquei na cadeira porque não tomei as gotinhas. Em geral, a criança fica quietinha um tempo, pensando, e depois sorri, como se dissesse: “tudo bem, tio!”
E eu deixo que me empurre um pouquinho para brincar de “corrida”, deixo que toque a cadeira, que sente no colo, que aperte as “peininhas”. A interação é necessária porque a criança quer ter certeza que aquela pessoa é mesmo igual a ela, com algumas diferenças.
. Que ela conseguiu entender as diferenças entre as pessoas e que, tem certeza, que a filha aprendeu muito.
O que não adianta é forçar uma situação. Para ser legal, deficiente, criança e pais precisam estar dispostos a interagir de forma a todos saírem com um sorriso.
Tenho muitas histórias de crianças, mas hoje meu tempo tá corrido demais, meu povo. Escrevo mais adiante.
Escrito por Jairo Marques às 08h22
Um sorriso para Malu
Todo mundo que passa por esse diário tem sempre uma grande história relativa à inclusão. Com a Malu, Maria Luiza, de cinco anos e meio, não vai ser diferente, é claro. E ela abre alas como a primeira personagem do “Assim como você” que ainda é criança!
E ela é escorpiana como eu, risonha como eu, cadeirante como eu, santista como eu (ela nasceu em Santos, e eu sou torcedor do Santos), e é linda .... (tá, tá bem, eu sou apenas bonito
)
Malu nasceu com uma má-formação no sistema nervoso central. Precisa de cuidados especiais 24 horas por dia de diversos profissionais e de pais com dedicação acima da média!
Ela tem de usar um respirador artificial e se alimenta também de uma forma especial, diretamente pelo estômago. Como é de se supor, ela não tem uma rotina de criança baladeira! Porém, nada disso impediu essa coisa querida de ganhar uma passarela da moda. Eu explico “procêis”, porque eu sou um menino “bão”.
A mãe da Malu, a Lenarde Nascimento dos Santos Mendes, sempre comprou as roupas da filha na mesma loja, desde quando ela era bebê. É uma grife dessas concorridas do país com modelos que encantam e deixam as crianças ainda mais irresistíveis pra gente querer apertar.
“As vendedoras sempre pediam para eu levar a Maria Luiza até a loja. Elas não a conheciam e também não sabiam da deficiência dela. Sair à rua com ela é muito complicado e é preciso muitos cuidados. Evitamos ao máximo”, me contou a Lenarde.
Na última vez que voltou à loja, a mãe foi surpreendida pela gerente: “Vamos ter um desfile com a coleção de inverno e queremos que a Maria Luiza seja uma das modelos.”
“Eu não aceitei e também não expliquei nada na hora. Mas, depois de alguns dias, me ligaram em casa insistindo novamente para que ela participasse. Aí eu contei sobre a situação da Maria Luiza, que ela não poderia participar, que usava cadeira de rodas e precisava de cuidados especiais”.
Meu povo, agora, “arrupiem”. Os representantes da loja voltaram a ligar para Lenarde pedindo que ela levasse a Malu para desfilar, que a cadeira não tinha problema nenhum, que ela era uma criança como outra qualquer. “Falai” povo, isso é inclusão, né, não? Isso é ter sensibilidade para saber que todo mundo é bonito, é feliz e é modelo... a sua maneira.
“Conversei com os médicos dela, que autorizaram e disseram que não haveria risco nenhum se tomados todos os cuidados. Discuti muito a situação com meu marido (o engenheiro José Mauro Mendes) e chegamos à conclusão que ela tinha esse direito. Afinal, a vida dela é tão privada de tudo.”
“Eu tinha muito medo da reação das pessoas vendo a Maria Luiza. Como elas iriam reagir? Ficariam com pena ou aceitariam? As mães iriam ficar com medo de ela ter uma doença transmissível?”
E há quase um mês, Maria Luiza saiu de casa, com seu respirador e com toda a logística que precisa para ser “Assim como você”, e foi para a passarela onde, evidentemente, brilhou e foi recebida com emocionantes aplausos e centenas de disparos de fashs de câmeras fotográficas.
“Criança não tem preconceito. Elas ficaram encantadas, fizeram várias perguntas. E pegavam no cabelinho dela, tocavam na perninha da minha filha e diziam que ela era linda e que logo, logo ela iria melhorar e voltar a andar. A alegria da Maria Luiza estava na cara. Ela adorou, sorriu o tempo todo”.
O sucesso de Malu foi tão grande que ela já convidada para participar do desfile de verão. “Ainda estamos pensando se vai dar certo. Ainda faltam acessos nas ruas e no próprio evento para que o conforto dela seja maior. Mas, acho que ela irá, sim”.
Tomara que as condições sejam mais fáceis para que a Malu continue nas passarelas. O meu sorriso hoje vai para essa encantadora menina. E o seu?
Escrito por Jairo Marques às 22h51
As cartas
Povo, eu continuo, felizmente e mesmo com a greve dos Correios, recebendo muitas e muitas cartas
. E é tão legal de ler e ir imaginando o caminho que a mensagem fez da cabeça do leitor até a minha caixa de email.
Como este diário é de todo mundo, nada mais justo do que compartilhar algumas mensagens com temas mais plurais, né, não?!
Começo hoje, então, a publicar emails que tem um assunto em comum: gente de fora da Matrix de quem tem alguma deficiência, mas que acompanha o blog todos os dias. E é muita gente!
O texto que abre a série é da Malu Filezio, uma verdadeira coisa querida e que tem um diário voltando a questões ambientais (tudo a ver, né? Tem gente que pensa que deficiente é tudo árvore, que fica parado
)
Adorei a forma que ela explica como se tornou “dependente” da gente. Boa leitura!

Eu não sou exatamente assim como você
Jairo, meu querido
Acompanho seu blog desde que ele nasceu. Meus comentários normalmente são curtinhos, não porque os assuntos não mereçam um comentário mais elaborado, mas porque sou uma aluna e estou aprendendo. Portanto eu não achava que poderia acrescentar alguma coisa ao texto que você postava.
Porém, percebi que eu posso, sim, acrescentar alguma coisa e resolvi mandá-lo um e-mail.
Como já disse uma vez, eu não sou exatamente assim como você e muitos dos comentaristas do blog. Em mim, aparentemente, tudo (tirando o tico e teco) funcionam nos conformes.
Então, por que eu acompanho seu blog? Confesso que na primeira vez foi por curiosidade, depois porque eu ria muito com sua maneira de escrever e depois foi indo, foi indo, e hoje é por tudo e mais um pouquinho.
O seu blog tem sido maravilhoso em minha vida, tem me dado lições, mas, principalmente, tirou o buraco que havia entre pessoas como eu, que não são exatamente assim como você, e pessoas assim como você.
Hoje, quando encontro com alguém que tenha alguma deficiência me sinto muito mais à vontade. Vou tentar explicar o porquê, e me desculpe se eu meter os pés pelas mãos na minha tentativa, sou ótima nisso (rsrsrs)!
Manja um namoro no começo? Imagine que eu acabei de conhecer um cara gatíssimo (meu marido que leia isso...), e ele me convida para sair (meu marido que leia isso parte II).
Primeiro encontro...aquela coisa...Saímos para jantar e ele me leva para um restaurante chiquetérrimo. Já imaginou? Quero ser gentil e agradável, mas eu mal conheço o rapaz, estou num restaurante que pede um conhecimento e traquejo (nossa...) que eu não tenho. O que acaba acontecendo? Fico na minha, meio constrangida, falando pouco para evitar falar besteira...ou falando muito e conseqüentemente falando muita besteira.
É esta sensação que eu tinha ao me deparar com o novo, com alguém que não estava numa situação exatamente igual a minha.
E o que você me ensinou com o seu blog? Me ensinou a usar todos os talheres e copos da mesa. Me ensinou que posso ficar na minha quando eu não quiser falar, mas que também posso... rir... falar besteira, contar piada e ser feliz. Mas, o melhor, foi aprender que posso, ou melhor, devo ser eu mesma.
Você, sua cadeira e todos os seus amigos que já passaram por aí, de alguma forma, hoje, fazem parte da minha vida.
Quando estou num restaurante, em corredores de supermercados, na rua... Hoje presto atenção no espaço, em passagens, rampas , banheiros...
Quanto às críticas a maneira como vc escreve. É esta maneira que faz com que possamos nos sentir em casa e à vontade. A idéia é esta, não é?
Sinto pelas pessoas que não tem sensibilidade para perceber a grandeza do seu trabalho. Em vez de aprender com ele ficam se pegando em detalhes que não tem nada a ver.
Parabéns Jairo, e muito obrigada por tudo.
Salve Jairão!!!!
Beijãozão,
Malu Filezio
Escrito por Jairo Marques às 22h51
Flagrantes & Delírios
Hoje eu coloco três imagens que “surrupiei” em blogs de gente que vive na Matrix. São três flagrantes e algum "delírio" que ficaram ótimos e divulgo aqui também. Afinal, quem não cola não sai da escola, né, não? ![]()
Calçada, que calçada?

Essa foto é do Max Perdigão. Que abriu um diário há pouco. Ele é arquiteto e pretende falar bastante sobre acessibilidade.
Olhem isso que alguém chama de calçada, lá em “Belzonte”, em Minas. Quer testar passar por ali com uma cadeira de rodas? Empresto a minha! Acho que nem a pé o cabra consegue escalar tranqüilo esse “diacho”.
Um banheiro pra chamar de seu

O Evandro, que já esteve por aqui contando sua história, arquitetou esse banheiro perfeito pra um cadeirante e divulgou lá no cyber espaço dele. Pô, é quase do tamanho do meu apartamento!
Gostei do negócio. Dá pra fazer uma balada dentro dele, vocês não acham?

Esta imagem incrível é do blog da Tabata Contri, aquela "dilícia" que também já “zambetou” aqui pelo Assim como você. Eu adorei essa foto, que ela tirou na praia, junto com amigos. Dei muita risada sozinho com ela! Fiquei pensando sobre o que se passou na cabeça dos motoristas dos carros que tavam ali parado, esperando a tropa passar.
Será que alguém achou que tava pegando fogo no hospital? ![]()
Compõem o flagrante “parecidíssimo” com a famosa foto dos Beatles na capa do disco “Able road”: a Carol (com a Clara no colo), a Selma, o Sidão e "as própria" Tabata.
Escrito por Jairo Marques às 23h11
Um lugar chamado... elevador
Responde com “sinceridadchi” pro tio: Você tem tara por elevador? É daquelas pessoas que não anda em uma escala rolante, nem sobe alguns degraus mesmo com um decreto do Lula? Tem fetiche, né? Lugar fechadinho, cheio de ‘butão’ pra “modi” apertar....
Eu não tenho dúvida que 90% da população brasileira adora um elevador. Isso porque, como cadeirante, é uma luta conseguir espaço dentro de um, sobretudo em shoppings, prédios públicos e grandes lojas.
“Sobe?”... “Você tá subindo, benhê? (não tô aqui vendo os números se acenderem) Espera ai que eu já volto que agora tá lotado. Fica quietinho ai.... Ainda tá lotado. Espera que eu já volto”. Esse diálogo insólito com ascensoristas eu já tive diversas vezes.
“Chega mais pro cantinho pra caber a cadeirinha dele, senhor. Iiiiissso, issso. Cola mais o ‘carrinho’ dele ali na parede que dá. Aí, agora dá.. num deu, num deu... espreme mais. Empurra. A senhora pode 'dismagrecê' a barriga pra dar mais espaço?”. Na hora desses sufocos, eu sempre desisto e saio do elevador. Num dá, né?
Eu acho que deveria haver uma lei que determinasse que elevadores em lugares de grande movimento e com outras opções de acesso, como escadas rolantes, deveriam ser exclusivos pra deficientes, gestantes, pessoas conduzindo carrinhos de bebê, idosos e pessoas com mobilidade reduzida momentânea (com uma perna quebrada, por exemplo).
E não adianta que as pessoas não se tocam nunca que eu não tenho outra maneira para acessar os andares superiores ou inferiores. Se tá lotado e eu quero entrar, é muito raro que alguém desça e ceda o lugar. Fica todo mundo com aquela cara de paisagem ou disfarçando que não está vendo que alguém que não tem outra opção de acesso precisa entrar no treco.
Já cheguei a esperar 15 minutos para conseguir pegar um elevador. As soluções, às vezes, são “bizonhas”. “O senhor tá subindo? Olha, então é melhor você descer agora comigo até o último subsolo porque quando eu voltar vai ta chapado de gente e não vai conseguir entrar, viu”.
Povo, ceda a sua vez para quem realmente precisa desse veículo, vai. Tenho certeza que é mais rápido esperar por outro elevador do que esperar por um ônibus adaptado nos pontos de São Paulo. ![]()
Vencido o desafio de entrar no caixote de aço, a batalha da gente da Matrix ainda não está totalmente vencida. Quando não conseguimos entrar no elevador vazio ou ser um dos primeiros a entrar, quem é cadeirante ter que ir... de costas pra porta!!!! Gente, é demais. Todo mundo de frente pra saída e eu de costas. Imaginou a cena?
E tem mais, quando o "veículo" vai lotado, tem sempre alguém que se acha no direito de se escorar na cadeira, como se fosse assim, um balcão de bar, manja?
Aí, geralmente, só tem eu e alguma das meninas do 10º andar, onde fica o “telemarqueti”.
O que é sensacional é que, depois do blog, toooodas me conhecem e fazem assim: “Bom dia, Jairo, tudo bem?” e dão uma risadinha. Puxa, eu num sei o nome de ninguém é gente demais! Mas, elas, gentilmente, apertam o botão do 4º andar pra mim, onde fica a redação e dizem que tão curtindo o “Assim como você”.
Ainda tenho muito pra falar de elevador e deficientes. Tem aqueles “exclusivos” do metrô, já viram? Você aperta um botão para se comunicar com o operador que, raramente, tá na cabine? E tem aqueles que são abertos, que só cabem mesmo a cadeira. Eu me sinto a verdadeira rainha da Inglaterra neles. ![]()
Escrito por Jairo Marques às 22h40
O menino cortador de grama
A dica de hoje vem lá dos "próprio" Estados Unidos. A leitora Silva Dutra, que mora na Flórida, viu esse vídeo na CNN local e sugeriu ao blog.
Ele é bem curtinho e narra a história do menino Dylan Everage, de 12 anos e com 82 cirurgias na lomba
. Ele mora numa cidade no Estado de Ohio e tem paralisia cerebral. Como todo moleque, ele quer ganhar uns dinheiros, né, povo!
A solução encontrada pelos pais para que ele se sinta igual a qualquer menino de sua idade foi inusitada e emocionante!
A Vivian Retz, da Folha Online, fez o melhor possível para colocar legendas para vocês. Se ficarem um pouquinho perdidos é só ver novamente que vão compreender tudinho! A tradução é da Manu Azevedo!
Escrito por Jairo Marques às 08h07
A vida do Rodrigo é uma "barra"
Não tenho dúvidas de que muita gente que passa na rua e vê o personagem de hoje, o Rodrigo Tadeu Silva Ferreira, de 35 anos (ele jura que tem 25), deve pensar: “Nossa, a vida dele deve ser uma barra”.
E, realmente, é! Cadeirante há dez anos, depois que deu uma pirueta nervosa
(um duplo mortal de frente, no solo, duas voltas no ar) e sofreu uma queda, que acabou lesionando sua coluna, ele continua o atleta que sempre foi e ainda mais: ensina a teoria das barras paralelas, das barras fixas, das argolas, do cavalo com alças, do solo, da trave.
Rodrigo é professor universitário de um curso “moleza” para um deficiente físico: “EDUCAÇÃO FÍSICA”! “Arrupiou”? Ele já disputou mundial de natação, joga tênis, faz musculação, curte baladas raves (já fiquei cansado), mora sozinho há quatro anos e é um apaixonado pela vida e pelas ‘mininas’... quase todas que chegam perto
.
Mesmo após o acidente, esse paulista de Mogi das Cruzes não abandou sua paixão pela ginástica artística. Esporte que praticou por dez anos, até o momento do acidente.
Eu me surpreendo demais com essas “figuras” que encontro na Matrix. Aceitar os limites do próprio corpo e se expor a alunos que pretendem aprender diversas possibilidades do FÍSICO não é pra qualquer um.
“Em 1993, entrei na faculdade de Educação Física do Clube Náutico Mogiano, aqui em Mogi das Cruzes e, a partir daí, iniciei na área com escolinhas de ginástica artística e natação. Me formei em 1996.
Logo após de formado, sofri o acidente, em 1997. Me afastei de tudo para fazer reabilitação, que durou três anos. Em 1999 comecei a nadar e, em 2001, comecei a competir participando de alguns campeonatos regionais e brasileiros.
Em 2003, tive a oportunidade de uma convocação para a seleção brasileira e fui disputar um campeonato Mundial na Nova Zelândia. Associado a isso, em 2000, comecei a acompanhar as aulas na faculdade onde me formei como professor monitor convidado. Em 2004, fiz especialização e, no ano seguinte, comecei a atuar como professor-assistente nas disciplinas de manifestações gíminicas e ginástica artística.”
Mais eu vez, posso garantir a vocês que, ao final da entrevista que fiz com ele, seu dia vai ser diferente e você irá ficar pensando se não é hora de cuidar melhor da sua saúde, da sua forma de ver o mundo e ver o outro.
Então, arruma a posição da bunda na cadeira, manda as crianças para o “praigraude”, alteia o volume das caixas de som, e conheça mais uma história de gente “Assim como você”, a do boa pinta Rodrigo.

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Escrito por Jairo Marques às 07h45
Assim como você: Os alunos novos, quanto te vêem, devem achar que a faculdade anda meio quebrada, né?
Rodrigo Tadeu Silva Ferreira: Todo início de ano, fazemos as honras da casa e recebemos os alunos novos logo no primeiro dia de aula. Como todo aluno novo e "bicho", que é e assustado pelos veteranos e pelos trotes, num primeiro instante é curioso e assustador ao se deparar com um professor que possui uma deficiência física e usuário de cadeira de rodas. O impacto é muito grande e fico calado até chegar minha hora de falar e contar um pouco da minha historia de vida e esportiva. Aos poucos, vamos interagindo e quebrando os paradigmas de que educação física é apenas para um "corpo perfeito", aliás, educação física é para o corpo humano e não importa sua condição física.
Assim como você: O físico do deficiente é geralmente um tabu para os outros. No seu caso, mudaram os limites, mas não mudou a disposição, é isso?
Rodrigo: Realmente tudo aquilo que é desconhecido se torna um tabu, inclusive as deficiências seja ela física ou não, o que gera diversos preconceitos. Mas há a possibilidade de diminuir ou acabar com esses preconceitos dando oportunidade para que as pessoas conheçam e tenham contato buscando informações e passando a conhecer a pessoa, a deficiência, as limitações e as potencialidades. Minha vida ficou um pouco mais limitada do ponto de vista físico. Mas também, estas limitações impõem situações para nos adaptarmos e superar obstáculos. Jamais imaginei ter de reaprender a nadar, nunca, antes do acidente, pensei em pegar uma raquete de tênis que hoje é uma das minhas atividades esportivas.
Também tirei habilitação que foi outra conquista. A necessidade de me movimentar e recuperação que tive com a complementação da reabilitação por meio da atividade física me fez seguir na profissão enxergando o quanto é importante na vida de qualquer pessoa e em qualquer condição que ela se encontre. E um pouco de sorte também de ter pessoas ao meu lado que sempre me incentivaram e não deixaram que eu me afastasse da área.

Assim como você: A gente acha que quem ensina atividade física precisa fazer junto para o aluno ver e fazer direitinho. E ai?
Rodrigo: Nossas aulas na faculdade e especificamente nas disciplinas que atuo (manifestações gíminicas e ginástica artística) são teóricas, práticas e práticas de ensino. As aulas teóricas, sou eu quem as elaboro e aplico. Elas irão preparar e complementar para as aulas práticas e práticas de ensino.
As aulas práticas, que são de execução para que o aluno possa experimentar e vivenciar o movimento ajudando na fixação do aprendizado, são aplicadas por outro professor e eu faço o acompanhamento com orientações verbais da forma mais didática e pedagógica possível para que o aluno entenda sem que eu precise de demonstrar os exercícios.
No começo era um pouco difícil por não haver a chance de mostrar fazendo, mas, depois, fui me adaptando e conseguindo me expressar melhor verbalmente e aprimorando a capacidade de comunicação com resultados bem positivos como está sendo até hoje.
Assim como você: Deficiente físico tem de fazer atividade física? Eu aperto os botões do controle remoto, levanto copo de chope e brinco "cas meninas", serve?
Rodrigo: A atividade física, movimentar o corpo é necessidade de todo ser vivo, animais e humanos. Desde a pré-historia até os dias de hoje o movimento humano sempre se fez presente e quando se fala da pessoa com deficiência, principalmente o usuário de cadeira de rodas, é de extrema importância. E não é porque a cadeira de rodas traz uma falsa imagem de inatividade que a atividade física é dispensável. Muito pelo contrário, pois, a atividade física é manter a qualidade de vida e, quem sabe, até aumentar.
Ficar sem andar, sem caminhar não é o mais difícil. Difícil é evitar todos os problemas e doenças possíveis que acompanham a lesão, como aquelas escaras, calcificações, problemas respiratórios, renais, etc. Quem vê a gente na cadeira de rodas todo arrumadinho, bonito seja num shopping ou numa balada não tem idéia do quanto é uma batalha diária.
Recomendo atividade física para todas as pessoas e falo por experiência própria e como profissional da área. Gosto de praticar atividade física, mas não sou nenhum viciado ou compulsivo. Não deixo de tomar um choppinho, sair pra balada, curto raves e viajo ao som da música eletrônica.

Assim como você: Tem gente que tem preguiça até de subir escada, quanto mais ir a uma academia. Você avalia que o fato de ter tanta vitalidade incentiva às pessoas ao seu redor a se mexerem mais?
Rodrigo: Sem duvida que sim porque muitas vezes aprendemos e ensinamos pelo exemplo. Nada mais impactante que o olhar e a vontade de fazer igual ou pensar igual. ‘Se ele que é usa cadeira de rodas faz eu também posso’. Fico feliz quando me tomam como exemplo. Na faculdade mesmo onde trabalho e pratico natação há outros deficientes. Pra mim é um exemplo ver pessoas cegas nadando, algo que não consigo me imaginar nos dias de hoje. Pra mim é normal nadar só com os braços, mas das vezes que fechei os olhos para imaginar e comparar, achei difícil. Ou seja: isso também me incentiva a não parar de me movimentar com aquilo que tenho como potencial.
Assim como você: Você já era formado quando teve a lesão. É possível um cadeirante encarar a carreira de educação física?
Rodrigo: Sim, tive a sorte de me formar antes de sofrer o acidente e ficar paraplégico. Entrei na faculdade de Educação Física quando ainda o vestibular era composto de prova teórica e provas praticas eliminatórias. Seria algo impensável e altamente seletivo. De uns anos para cá, as provas práticas no vestibular foram abolidas e assim se deu oportunidade para que qualquer pessoa possa escolher como carreira a Educação Física. Já tive dois alunos com deficiência, sendo um amputado de braço e outro de perna. Tenho um amigo que era meu companheiro de equipe de natação que está se formando esse ano e outro amigo que foi meu companheiro de seleção brasileira que iniciou a faculdade esse ano.
Tomar consciência de que o deficiente físico tem potencial para ser educador físico e poder ser um bom profissional no mercado é praticar a verdadeira inclusão. A vida na cadeira de rodas não é fácil, mas também não é o fim do mundo e cada um saberá o que fazer para enfrentar os desafios que irão surgir durante o curso e na profissão. Cadeirante que é cadeirante é guerreiro, é desafio vencido a cada minuto, a cada dia.

Assim como você: Um atleta sempre nos passa a impressão da "perfeição". Pra você, o que é ser um atleta e o que é perfeição?
Rodrigo: Antigamente eu só tinha uma referência que era a de não ter um olhar como pessoa deficiente. Enxergava tudo como normal. Nunca me passou pela cabeça ser usuário de cadeira de rodas e enfrentar mais desafios que qualquer pessoa enfrenta no seu dia a dia. Hojen meu conceito de perfeição é fazer aquilo que traga satisfação, felicidade, bem estar físico e emocional.
Acredito que ser atleta vai além das atividades esportivas com conquistas e vitórias passageiras. Existe algo muito mais importante que um pedaço de metal que são vitórias do dia a dia. Vejo por aí pessoas com diversas limitações que jamais irão participar de uma competição esportiva, mas que buscam para sua vida a perfeição. Eu nado, jogo tênis e já fui pra fora do Brasil, mas pintar um quadro com os pés ou com a boca, pra mim, é algo de extrema perfeição, de beleza, de superação e longe das minhas habilidades. Cada um deve ser como é, aceitar e buscar sempre o melhor como pessoa.
Escrito por Jairo Marques às 23h53
Noturnos
Povo, hoje é só uma agenda bacana para quem mora em São Paulo. Eu sei, eu sei que muita gente não é. Num fiquem com 'reiva' do tio! ![]()
Como sempre falo do trabalho artístico da Oficina dos Menestréis com os cadeirantes, nada mais justo eu anunciar que o espetáculo "Noturnos Cadeirante" volta a ser exibido a partir de hoje até 03 de agosto!
Dá tempo pra quem mora longe pegar uma kombi e vir pra ‘capitar’! Eu, é claro, vou, na semana que vem!
As ‘menina’ vão poder me agarrar, tirar foto, dizer que sou lindo. Os ‘menino’? Bem, os ‘menino’ vão poder ficar bem longe de mim...![]()
Quem já foi afirma que é emoção, diversão e um clima totalmente “Assim como você” no ar. É bom comprar o ingresso antecipado!
O teatro fica na rua Domingos de Moraes, nº 348, na Vila Mariana (próximo a estação Ana Rosa do metrô). Se comprar na hora é mais caro. Antes, é 'baratim'. O fone é (11) 5575-7472
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Segunda-feira a gente brinca mais e vai ser de arrebentar. Vou trazer pra vocês mais um lance daqueles que nos fazem ficar horas refletindo sobre nós mesmos (tô ficando bom nesse negócio de ‘brog’), sobre o que é, na realidade, um limite, o que é o corpo, o que é a vida.
A gente se fala! Bom findi! ![]()
Escrito por Jairo Marques às 01h17
Pelas estradas da vida
Tão achando que este post é pra falar de música caipira, né? Num tem uma “musga” assim? ‘Pela looonga estraaaaada da viiiidaaaa...’ virgi santíssima. Nada disso, povo.
Como vocês sabem, fui visitar as terras da minha família (que ficam embaixo das unhas
) na semana passada. Retornei no sábado junto com meu amigo “Rudrigu”.
Eu vim “guiando” (palavra de véio, né?) e fomos parando em vários postos ao longo das rodovias para necessidades diversas, “escrusive” a de descansar a barriga que doía de tanto rir com piadas impossíveis de colocar num blog sério como esse.
A primeira parada foi num posto da rede Graal, em Bauru, na rodovia Marechal Rondon. Almoçamos um “jatevi” básico que havia no restaurante e tomamos café com um nome ligeiramente exótico: café Kuhl (na xícara, juro pra vocês, está escrito: “diga kil”).

Enquanto a gente apreciava o Kuhl, víamos uma garçonete preparando um suco de melancia. Uma delícia. Ela apertava a fruta dentro do liquidificador com um copo... o mesmo do suco de laranja, de abacaxi...
Rodrigo disse que era proposital pra deixar um gostinho de tuti fruti. Ah, sim, ela tapava o liquidificador com a mão porque não tinha tampa, o treco.
Depois de tanta emoção, como todo mortal, eu quis fazer xixi (tô melhorando, né? Antes eu escrevia, urinar, mijar).
Povo, olhem o banheiro mega adaptado dessa rede que ganha dinheiro de todo mundo viajandão deste país.
Captaram? Apesar de adaptado com porta ampla e barras de apoio é usado como depósito de lixo e outros objetos, até uma cadeira de rodas de emergência! Era impossível pra eu entrar com meu automóvel. ![]()
Mas, eis que veio um senhor careca, gente finíssima, e tirou tudo lá de dentro. “É um absuuuuurdo! Vou falar com o Toninho (não sei quem é) para dar jeito nisso. Como é que pode?”
Depois, reencontrei o senhor careca fora do banheiro espinafrando o gerente, que ficou vermelho de vergonha. Me esqueci de perguntar se ele lia o “Assim como você”.
A outra parada foi pra tomar mais um café. Rodrigo queria tomar suco de milho, mas não tinha, só a propaganda. Logo na entrada do Auto Posto Quadra, na Castelo Branco, que fica pertinho de Sorocabacity, olha o que encontramos:

Eu explico ‘procês’ porque eu sou um ‘homi bão’. Para entrar no restaurante, há essa cancela estilosa, com o símbolo de acesso de deficientes, né? Pois bem, logo em seguida tem DOIS DEGRAUS... sem rampa, sem nada.
Depois de rir cinco minutos seguidos, Rodrigo me ajudou e vencemos os obstáculos que????? Não levavam a lugar nenhum!!! Era só pra fazer charme!!!! Faz-se uma curvinha e é preciso descer outros dois degraus. Aí, vai a gente rir de novo. ![]()
Tudo bem, tenho de dar um desconto porque o gerente do local logo se entregou: “Difícil aquele acesso ali, né? Não dá pra entender”.
O banheiro, porém, era bem certinho, bem preparado para um cadeirante. Havia uma pia exclusiva dentro da “casinha” e uma fora, rebaixada.... um luxo!
Tá certo que o papel de enxugar as mãos e o sabão ficavam bem no alto, mas, nem tudo é perfeito, né, não?!
Escrito por Jairo Marques às 23h40
Hoje é dia de cartuns!
Já falei pra vocês do cartunista Jean, né, não? Foi ele quem deu a cara do “Assim como você”: o cadeirante de dreds saltando de pára-quedas, a ‘balalina’ fofinha e cega dançando balé, o vovô de bengala jogando bola e a menina espevitada, de muletas, brincando de amarelinha.
Todo mundo super ‘de boa’ vivendo e se divertindo a sua maneira, como qualquer um!
Eu ‘tavo’ pensando que o trabalho do Jean, de certa forma, ditou o ritmo deste blog com humor, com atitude, com mudança de mentalidade. Eu tracei algumas idéias do que queria para o topo e ele matou no peito, acertando direitinho.
Bem, hoje, eu trago novos momentos fantásticos do estilo “Assim como você” que este brilhante cartunista criou e mandou de presente pra vocês!
Quando eu vi, claro, sou sensível que nem pele de galinha
, me ‘arrupiei’! Ele acertou em cheio o modo de vida de muita gente que freqüenta o diário. Gente que contorna os obstáculos e leva a vida sorrindo. Espero que gostem também!

A cada dia, mais gente tem colaborado para o blog estar sempre ‘bombando’ com novas visões sobre a deficiência, novos personagens, novas abordagens e serviços. Continuem mandando sugestões!

Escrito por Jairo Marques às 21h45
E a secretária respondeu!
“Pessoais”, a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, Linamara Rizzo Battistella, gentilmente respondeu às perguntas da entrevista que a assessoria de comunicação do órgão ofereceu ao blog há quase 50 dias
. Se não acompanhou o "causo", clica aqui que eu te explico.
Apesar de eu ter pedido, não me enviaram fotos da doutora, então, vai ficar difícil ilustrar pra vocês e dar mais “chalme” ao post. Coloco apenas duas imagens que consegui. Não vão ter desculpa: se encontrarem a doutora na rua, falem bom dia
.
As respostas foram encaminhadas na última quinta-feira, dia 10, no final da manhã. Como eu tenho uma organização semanal para o diário, só agora publico.
Boa leitura!
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Assim como você: As ofertas de emprego para uma pessoa com algum tipo limitação costumam ser centrada em trabalhos de baixa qualificação. Como é possível mostrar ao mercado que deficiente não quer só trabalhar com telemarketing e apertador de botão?
Dra Linamara Rizzo Battistella: Caro Jairo, agradeço a oportunidade desta importante entrevista e desculpo-me por não tê-la concedido antes, por absoluto e pleno comprometimento de agenda. A oferta de emprego para pessoas com deficiência, creio que acompanha a evolução dos conceitos e valores vigentes na sociedade. Se culturalmente, a sociedade não acredita nas potencialidades e reais capacidades de uma pessoa com deficiência, este conceito, errôneo diga-se de passagem, será reproduzido também no campo do trabalho e do emprego. Felizmente, muito embora paulatinamente, vemos essa realidade se modificando e, inclusive a seu próprio exemplo, nos deparamos cada vez mais com pessoas que apresentam algum tipo de restrição física ou sensorial ocupando postos de destaque. Como exemplo, posso citar a Serasa, uma empresa privada que conta com pessoas com deficiência atuando em postos de coordenação e supervisão, entre outras.
Assim como você: A sra. é médica fisiatra, altamente qualificada, mas não tem nenhuma deficiência física aparente. Isso não joga contra o trabalho de uma secretaria inédita para tentar sanar um pouco as dificuldades das pessoas com limitação?
Dra Linamara: Aqui cabe uma reflexão sobre o que idealizamos como sociedade perfeita. Seria uma sociedade ideal aquela em que estão separadas as pessoas segundo as suas crenças, opções e condições físicas, intelectuais ou sensoriais? Obviamente que a sociedade que idealizamos é aquela em que todos são respeitados, em que a diversidade é componente enriquecedor e não segregador. Nesta sociedade ideal todas as pessoas, independentemente de suas condições físicas, auditivas, visuais ou intelectuais, convivem, trabalham e compartilham experiências. Desta forma, não há muito sentido em se defender que o titular de determinada pasta deva ter as características do trabalho que assumiu. Se assim fosse, todos os trabalhos desenvolvidos em prol das crianças e jovens deveriam ser coordenados por uma criança ou adolescente. A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência reproduz exatamente o que pensamos como sociedade ideal, como sociedade inclusiva: pessoas com e sem deficiência juntas, no mesmo ambiente, desenvolvendo com diversidade e respeito um grande trabalho em prol de uma mesma causa: a cidadania das pessoas com deficiência. Você mencionou que sou médica fisiatra, é verdade, e também há mais de 30 anos sou militante na área da deficiência, tendo participado da fundação do primeiro Ceappd (Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência), um organismo com representação mista, da sociedade e do governo. Também coordenei grupos de estudos no período de construção da Constituição Federal, em 1988, para definição dos itens relacionados às pessoas com deficiência. Creio que esses tópicos, entre outros, justificam a escolha do governador para que defendesse os direitos das pessoas com deficiência.

Assim como você: Quando a senhora vai a um restaurante em que o banheiro não tem adaptação ou a um prédio público do governo do Estado que não esteja preparado para receber um deficiente, a senhor reclama, mostra a carteirinha de secretária e exige providência?
Dra Linamara: Antes de ser secretária sou cidadã. E é nessa condição de cidadã que chamo o gerente ou responsável do lugar e exijo acessibilidade. Da mesma forma, todos deveriam se manifestar, exigindo que a acessibilidade plena e irrestrita dê lugar às irregularidades e falta de desenho universal.
Assim como você: Que tipo de avanço a senhora acredita que já conseguiu à frente da pasta e quais ainda pretende conseguir?
Dra Linamara: Embora seja cedo para falarmos em avanços, uma vez que nossa Secretaria foi instalada há apenas três meses, contamos com uma equipe de técnicos e coordenadores qualificados e voltados ao desenvolvimento de projetos que irão abalar as estruturas vigentes. Mesmo parecendo "força de expressão", em breve vamos mostrar quem somos e a que viemos e que não estamos brincando de "ocupar um cargo público". Neste primeiro momento estamos levantando um diagnóstico geral das principais áreas ocupadas pelas pessoas com deficiência: trabalho, educação, saúde, moradia... Aliás, neste campo específico da habitação já comemoramos um avanço muito significativo: em uma parceria inédita com a Secretaria de Estado da Habitação, por meio da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), conseguimos que todas as residências sejam construídas, a partir deste momento, em formato acessível, para usufruto de pessoas com e sem deficiência. Até então, apenas um percentual das edificações populares era destinado às pessoas com deficiência. Com a iniciativa, todas as construções serão acessíveis. Também avançamos em outras áreas, como a da Empregabilidade, envolvendo outros parceiros como os Ministérios da Previdência Social e Trabalho e Emprego e o INSS.
Assim como você: Os governadores estaduais ainda não abriram mão da arrecadação do ICMS para a compra de veículos por parte de pessoas não condutoras. Considerando que cegos, alguns tetraplégicos, deficientes mentais não podem dirigir, a secretaria tem essa causa como meta? O governador José Serra não pretende rever essa renúncia que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas?
Dra Linamara: Neste primeiro momento temos que priorizar questões que envolvam a maioria das pessoas com deficiência. E neste campo, estamos priorizando o transporte coletivo. Apenas com transporte coletivo acessível e em quantidade suficiente, será possível garantir o direito de ir e vir, com autonomia.

Assim como você: São Paulo tem centros de pesquisas de excelência mundial. Uma vez que o Supremo autorizou as pesquisas com células-tronco, a senhora avalia que deverá haver investimentos do governo estadual para o fomento do avanço científico nessa área?
Dra Linamara: É importante ressaltar que o Estado já oferece incentivo e apoio às pesquisas, por meio da Fapesp (Fundação de Amparo às Pesquisas do Estado de São Paulo), inclusive contando com tecnologia de ponta. Como as experiências com células-tronco não possuem aplicação exclusiva em pessoas com deficiência, creio que devam receber atenção da área da saúde, para potencializar os resultados.
Assim como você: Quais os canais de comunicação que a secretaria têm com o público?
Dra Linamara: Concretamente, o mais importante canal de comunicação da Secretaria é o Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência, que atualmente conta com núcleos regionais em todo o Estado de São Paulo coordenados por representantes locais das próprias pessoas com deficiência. É este canal que queremos sedimentar e focar a nossa comunicação. Além disso, estamos em processo de conclusão de dois sites: o institucional, que se configura em um canal dinâmico e constantemente atualizado de comunicação e notícias, e um Centro de Informações que representará uma biblioteca virtual de assuntos sobre e para as pessoas com deficiência.
Assim como você: A Folha já publicou reportagens mostrando a falta de adaptações e de qualificação de professores da rede estadual para receber e ou atender alunos com alguma deficiência e que culmina sempre com dramas pessoais. Que tipo de ação a sra prevê para esse caso em especial?
Dra Linamara: A educação e o sistema de ensino em geral é uma preocupação constante e só deixará essa condição preocupante quando enfim pudermos contar com toda a rede de ensino plenamente adaptada e adequada, com profissionais capacitados. Como essa realidade é ainda algo a alcançarmos, estamos em constante contato com a Secretaria da Educação e desenvolvendo projetos que pretendem, em um espaço muito curto de tempo, atender a esta importante demanda.
Assim como você: A secretaria tem orçamento próprio ou é um órgão só representativo?
Dra Linamara: A secretaria conta com orçamento próprio, com expressivo impacto no orçamento do Estado.
Escrito por Jairo Marques às 23h57
Minha história com um Gaudério
Vivi com o repórter-fotográfico Antônio Gaudério, um dos mais renomados do país e um tipo daqueles que é impossível ficar cinco minutos ao lado sem dar uma boa gargalhada, uma das minhas histórias de blog mais engraçadas.
Coloco hoje aqui está aventura que trilhei com o ele, como uma homenagem, e para pegar um pouco da energia desse povo todo que vem diariamente visitar o “Assim como você” e emaná-la ao Gaudério, que sofreu um grave acidente doméstico, ficou em coma por quase um mês, e está na luta firme para se recuperar e voltar a tirar seus “retratos”.
As fotos que ilustram o post são todas desse admirável profissional do jornalismo!
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A reportagem foi em Manaus. Íamos flagrar crianças e adolescentes se prostituindo em bares e boates da capital Amazonense. Assunto difícil e delicado, mas que foi temperado com o humor grandioso do Gaudério.
“Rapaz, que bom que viemos a Manaus. Vou comprar uma mesa de bilhar pra jogar com a minha filha”, disse meu companheiro de viagem.
“Cê ta brincando, né, Gaudério? Como vamos levar um treco desses pra São Paulo?”, tentei argumentar. Gente, por que raios ele quis comprar aquele trambolho lá no Amazonas????
“É mais barato, aqui, Gaudério?”. “Nem é, não, mas eu prometi pra minha filha. Ela joga muito bem”.

Quando dei por mim. Lá estava, no hall do hotel, uma caixa imensa, pensa, imensa, chamando a atenção de todo mundo e enfeiando o local, metido a chique. Foi impossível colocar no apartamento dele, pois não cabia no elevador. Vocês devem estar pensando como eu entro nisso, né? ‘Carma’, aí, gente.
Cumprimos a matéria e, era hora de voltar a São Paulo. Quando o taxista chegou, se negou, evidentemente, a levar a minha cadeira de rodas e o trambolho do Gaudério.
“O senhor não pode se recusar a levar um rapaz numa cadeira de rodas. É crime, sabia?”, sentenciou meu companheiro que entendia “absolutamente tudo a respeito dos direitos de deficientes físicos”, fato que eu desconhecia. Se bem que eu acho que ele esbravejou mesmo foi pelo presente da filha
.
E lá foi o Gaudério e o taxista, que se rendeu à lei, arrumarem as malas, cadeira de rodas e pacotão dentro do Monsa caramelo. E “coube”, digamos que “coube”, como o porta malas aberto e a mesa de bilhar sobre o carro, amarrada. Coisa linda de se ver. Detalhe: chovia torrencialmente.

Já no aeroporto, as emoções aumentaram. Nosso vôo havia sido remanejado e tivemos de dormir horas sentados naqueles bancos que parecem rocha esperando a hora do embarque.
E lá fomos nós para o check in. O Gaudério tentava equilibrar, com pouco sucesso, a mesa de bilhar que, segundo ele, era “semi profissional”, no carrinho de bagagens.
“Senhor, sua bagagem está com um amplo excesso. Vai ter de pagar a diferença de ‘tantos’ dinheiros”, disse a atendente. Meu povo, num me ‘alembro’qual era a cifra, mas era uma quantidade de ‘roiaus’ que dava para comprar outra passagem, quase.
Mas, quem conhece o Gaudério, sabe que ele não perde viagem. “Nãaaaaaaao, senhora. Esse pacote ai é isento. É aparelho ortopédico dele aqui.”
A mulher olhou pra mim, como se dissesse: “Ah é???”...
Eu fiz cara do gatinho do Sherk nesta hora. “É seu mesmo, moço?”. Povo, eu não sabia nem como reagir. “É, sim. Uso essa armadura do robocope para dar uns passinhos, às vezes” (amigo tem que ser amigo até o fim, mesmo indo preso junto, né?).
Fomos liberados de pagar o excesso e seguimos viagem para São Paulo. A aventura estava quase no fim. Eu disse, quase.
Já na esteira, em Guarulhos, diversas bagagens não chegavam, inclusive a minha e, adivinhem? Sim, o pacotão revestido em papel pardo do Gaudério.
E ele reagiu rapidinho. “Não podem perder! Tem que achar. O Jairo não vive sem o aparelho ortopédico dele.”
E os despachantes se mobilizaram na busca. Depois de meia hora, veio a resposta da demora da chegada das malas.
“Pedimos desculpas, mas uma das bagagens ficou enroscada nos tubos que conduzem as malas”. Sim, era a mesa de bilhar semi profissional que pode ser comprada na 25 de março, em São Paulo, mesmo.
Depois de mais ou menos meia hora, conseguimos todos liberarmos nossas bagagens, inclusive meu inesquecível “aparelho ortopédico” inventado pelo grande Antônio Gaudério.

Em tempo: Os coments de vocês serão todos encaminhados ao blog criado por amigos do Gaudério, que tem acesso restrito, por enquanto!
Escrito por Jairo Marques às 23h34
A convenção da ONU e eu
Falei brevemente para vocês na semana passada que estava rolando no Brasil um processo de ratificação de uma convenção da ONU que prevê uma série de compromissos dos governos de diversos paises com as pessoas com deficiência, né, não?
Pois ontem, sem a presença do presidente Lula, que tá viajando, o Brasil ratificou o documento que tem 50 artigos e dita, entre outros, que os deficientes terão de ter melhores condições de educação, saúde, emprego e acessibilidade. Para quem quiser ler na íntegra, basta clicar aqui.
Evidentemente que não posso ser contrário a um acordo mundial que pretende dar mais qualidade de vida ao povo da Matrix a qual pertenço, claro, porém, de lei e regras meu saco de Papai Noel já está cheio.

Pra mim, que me perdoem as pessoas que tanto trabalharam por essa conquista, aqui no Brasil ela vai servir como mais uma muleta para políticos picaretas darem respostas assim durante as eleições:
“O que o sr. pretende fazer para tornar a cidade mais plena para pessoas com deficiência?
“Avançamos muito no que diz respeito aos deficientes físicos assinando a convenção da ONU. Agora vai, meu povo, agora vai!”
Concordo que foram longas e longas reuniões em Genebra discutindo o tratado à base de muito cafezinho e debates acalorados. Mas, para mim, seria mais útil fomentar ações aqui no Brasil, mesmo.
Está na Constituição Federal o direito ao trabalho, o direito de ir e vir, o acesso universal à saúde e à educação. Tá tudo escrito. Vou trazer para vocês, em detalhes, cada uma das legislações.
Mesmo assim, a Folha está sempre relatando o drama de mães que têm de carregar os filhos no colo para vencerem os degraus das escolas públicas de São Paulo; alguns donos de bares e restaurantes não estão nem aí para fazer um banheiro decente onde eu possa mijar como qualquer outra pessoa; os empresários seguem descaradamente afirmando que não há deficientes para preencher as vagas nas cotas reservadas e os governos não abrem mão de impostos sobre produtos que podem facilitar a vida de quem necessita de alguma adaptação para viver mais plenamente.
E a gente vai ter, agora, mais regras? Mais compromissos? O tio hoje dormiu com a cueca apertada
. Me desculpem o tom raivoso, mas o que muita gente precisa ter não são regras, não, é vergonha, mesmo.

A gente precisa é de políticos que cumpram o que já está escrito. A gente precisa de uma sociedade mais consciente da nossa existência e das nossas necessidades. A gente precisa que a Justiça aja com rigor diante da discriminação, dos desvios de conduta diante dos desrespeitos ao meu direito.
Tomara que eu esteja completamente errado e, a partir de hoje, muitas ações estejam sendo tomadas em prol de um mundo mais acessível. “Esbravejar aqui é fácil”, devem estar pensando alguns. Concordo. Por isso, eu sou tão chato e sempre reclamo de tudo, até mudar. Neste ano, também, vou participar do protesto do Superação, na Paulista. É tudo um bando de reclamão, como eu
.
Escrito por Jairo Marques às 12h46
Curtinhas...
Pelos bares da vida
“Pessoais”, o Portal Veja São Paulo fez uma reportagem bastante completa sobre acessibilidade dos principais bares da metrópole.
A repórter Érika Caprotti mostra em arte gráfica como é o bar ideal para pessoas com deficiência, ouve depoimentos de freqüentadores da boemia (adivinhem quem está lá, lindo e elegante?) e arremata ouvindo alguns donos de bares que não estão nem ai para essas tais “adaptações”.
Vale a pena vocês lerem o que dizem (ou não dizem) os proprietários de requintados botecos de São Paulo. Para alguns, cadeirantes não existem, uma vez que não freqüentam suas espeluncas, para outros, é difícil demais fazer um banheiro decente para todos.
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Vou ver com o povo do Movimento Superação, que tem alguns membros mais “sangue no zóio” do que eu, se topam ir comigo, em massa, nesses lugares que dizem que deficiente não sai para noitadas. Vai ser massa! Alguém mais se dispõe a ir?
Leiam a reportagem completa clicando aqui.
Não deixem de ver!
Sexta-feira passada, antes de vir aqui para a minha propriedade “rurar” na parte mais ao sul do planeta
, fui ao cinema conferir a obra “O escafandro e a borboleta”.
O filme é baseado no livro homônimo de Jean-Dominique Bauby (1952-1997), que era editor da revista "Elle" francesa e, aos 43 anos, sofreu um derrame que o deixou quase completamente paralisado, mas plenamente consciente.
Tendo apenas controle de seu olho esquerdo, Jean-Dominique aprende um método de se comunicar com piscadelas e passa, com a ajuda de uma paciente escrevente, a ditar o livro de sua vida e de sua experiência.

Como vivo falando aqui no blog de histórias que desanuviam supostos limites e revelam formas de ser feliz e interagir com o mundo diferentes do que o senso comum conhece, tenho certeza que vocês que seguem este trabalho irão gostar e se emocionar um bocado.
Escrito por Jairo Marques às 12h01
Cadeira elétrica
“Ei, ‘minino’, por que você não compra uma cadeira elétrica?”. Desde que me entendo por gente, e olha que nem faz tanto tempo assim, eu ouço esta pitoresca pergunta. A última vez foi na semana passada enquanto eu tentava almoçar no sofisticado “shopping dos motocas”, que fica pertinho do jornal.
Geralmente, respondo assim: “Ah, tio, não tô pensando em me matar, não, viu?! Muito menos torrado numa cadeira elétrica”. Mas os interlocutores são incansáveis conselheiros dos cadeirantes:
“Mas rapaz vai ser bom demais pra você. Vai descansar os bracinhos, andar mais ligeiro. Coloca, então, um motor de ‘dois tempos’ (não faço idéia do seja isso) nessa aí mesmo que você usa. Sua vida vai melhorar muuuuito. Tem um doido lá perto de casa que tem.”
Quando você ta andando de bicicleta no parque alguém pede pra você colocar um motorzinho para facilitar sua vida? Acho que não, né, não? Mas, a cadeira de rodas sem ser “elétrica” perturba muita gente.
Claro que entendo que as pessoas estão pensando em algo mais cômodo para mim, não é mesmo? Porém, não são todos os deficientes que necessitam e devem usar cadeiras motorizadas. Há situações em que a cadeira manual é a mais indicada e mais propícia.
No meu caso, por exemplo, que tenho paraplegia (sem movimento nos membros inferiores), se eu usasse a cadeira “elétrica”, além de não tá vivo para poder escrever esse blog
, eu já teria virado um tonel de chope ambulante de tão gordinho, teria retraído os movimentos dos meus bíceps de rambo e diminuído meu senso de equilíbrio, de independência.

A cadeira motoriza é mais indicada para pessoas com deficiência motora mais severa, que tenha dificuldade total de tocar os arcos que dão movimento ao nosso “cavalo”. Mesmo alguns tetraplégicos conseguem se virar sem a cadeira que dá choques
.
Eu já tive duas cadeiras “com motorzinho” ao longo da vida, todas foram doadas. A primeira delas, ganhei de uma mulher que apareceu na porta de casa, eu era um menino ainda, lindo, como sempre, e desceu aquela espaçonave azul de uma caminhonete.
Povo, pena que naquele tempo não havia máquina fotográfica
e não tenho como ilustrar para vocês. Mas era um triciclo azul, imenso, que mais parecia uma charrete. O banco era feito com aquelas cordas de plásticos que revestem o que, no interior, a gente chama de “cadeira de área”, sabem o que é?
E lá ia eu todo faceiro para escola com a minha cadeira que não cabia em lugar nenhum e vez sim, vez sim, me deixava na mão porque a bateria não resistia aos meus enduros e safáris de moleque.
Mas, pelo menos, as pessoas que me viam na rua da pacata Três Lagoas ficavam mais contentes. “Agora vai, heim, Jairinho?! Nooooossa, que benção mais sagrada esse carrinho. Num vai ‘avuá’, heim? Dá uma carona?”.
Aquela alegria toda durou menos de um ano. A charrete mais dava problemas a mim e a meus irmãos e amigos, que tinham de me rebocar ao longo da rua porque o motorzinho dava problema, do que emoção com a velocidade.
Mais tarde, já às vésperas de entrar para a faculdade, o pai de um amigo rico, bem rico, mesmo, me presenteou com uma cadeira motorizada de “última linha”.
Ela era realmente bonitinha. Vermelha. Uma Ferrari, praticamente, para quem vive na Matrix. Não fazia barulho, não tinha dimensões tão grandes, era confortável e de autonomia razoável.

O problema, dessa vez, não era o veículo, mas, sim, o condutor. Eu metia a cadeira chique no meio do mato, na areia, nas quiçaças, brincava de bate-bate quando eu tava ‘bebido’, testava os “limites” do possante motor que não ultrapassava os 10km/h em situações adversas.
Mas ela durou até bastante. Meus colegas de faculdade me ajudaram muito a acomodar a bicha na sala de aula e também me resgatar quando a bateria já não agüentava mais minha rotina de Schumacher.
Enfim, as cadeiras motorizadas podem trazer algum comodismo, mas não são indispensáveis para um deficiente. Ah, sim, ia me esquecendo, elas custam sacos e mais sacos de dinheiro. Sem exageros, um modelo mais sofisticado é de valor suficiente para comprar um carro popular ligeiramente baqueado.
Escrito por Jairo Marques às 12h05
Aos pés de Verônica
Você usa seus pés para quê? Para botar sandália de salto? Para criar calos? Para ficar sacudindo quando está impaciente? Pra levar à pedicure? É incrível como não temos noção das possibilidades do próprio corpo, né, não?
Apresento hoje a história da artista plástica Verônica dos Santos Teles de Góis, brasiliense de 25 anos, que aprendeu a fazer tudo, mas tudo mesmo, com os pés, desde criança, após ela ter nascido sem os dois braços.

Sou tão desastrado para fazer atividades manuais que meu quadrado sai redondo e meu redondo é triangular
. A bela Verônica, porém, não aceitou os velhos rótulos do “difícil”, do “complicado” e foi fazer o curso de Artes da UnB (Universidade de Brasília), carreira em que as habilidades com as mãos são vistas como fundamentais.
A jovem, filha do seu Dionízio e da dona Glória e irmã caçula de Eliana e Eliene, concluiu a faculdade, que escolheu por prazer e por ter senso de criatividade, até hoje desenvolve pinturas e gosta das artes. Mas, já no tempo da graduação, outros talentos vieram à tona: ela passa em sucessivos concursos públicos e curte aprender línguas. É fluente em francês, arranha o inglês e fez “algumas aulas” de italiano e de alemão (o tio arranha o português, só)
. Cansô? Ela também manja de história e de filosofia.

Povo, a linda Verônica, trabalha na parte administrativa da POLÍCIA FEDERAL, no Distrito Federal, mas num é “puliça”, não. Como toda pessoa “Assim como Você”, ela só precisa de algumas adaptações para ter uma rotina normal.
Ah, sim, sem as mãos, apenas como os pés, ela foi fazendo provas e passando em outros concursos. Coleciona a aprovação no Tribunal de Justiça do DF e na CGU (Controladoria Geral da União). Pensar que tem gente que não passa nos testes nem da primeira comunhão (eu, eu!!)
Fiz a entrevista que segue abaixo com a Verônica por meio do MSN. Ela digitava quase na mesma velocidade que eu, que trabalho diariamente com o teclado.

Quer saber um pouco mais sobre essa espetacular história? Peça para os “menino” pararem com o barulho do vídeo game, fale pro seu chefe que chegou um email urgente, sacode essa preguiça sem fim de segunda-feira e bote o pé, o corpo e a alma na entrevista que vem a seguir:
Escrito por Jairo Marques às 02h35
Assim como você: Você já deu muito pé na bunda de pessoas que te vêem como alguém que tem uma vida cheia de dificuldades, limitações?
Verônica: Já, geralmente eu provo a elas que é possível viver bem com as limitações que tenho. Afinal, todo mundo tem problemas, mas os nossos são visíveis, né? Me deparo com isso quase que diariamente. As pessoas, ao me verem, não acreditam que eu me vire tão bem, algumas acham que eu dependo em tudo de alguém, mas, com o convívio, elas percebem que são poucas as coisas que preciso de ajuda para fazer.
Assim como você: Só uso meus pés para calçar sapato, para as meninas fazerem “maxagi” e para criar calos. O que é possível fazer, de fato, com os pés?
Verônica: Em casa eu tenho um pouco mais de liberdade, consigo trocar de roupa, ir ao banheiro, tomar banho, comer, tudo sozinha, usando os pés. Na rua, é mais complicado. Em restaurantes, por exemplo, eu prefiro que me dêem a comida na boca é mais rápido porque preciso que o prato fique à altura da cadeira para poder comer sozinha. Uso os meus para fazer TUDO. Escovar os dentes, pentear os cabelos, comer, escrever, digitar...... até para fazer a sobrancelha. Não uso nada nos pés, tenho flexibilidade nos dedos, nos pés e nas pernas. Gosto dos meus pés livres.

Assim como você: Você se formou em artes plásticas. Por que não optou por algo mais tranqüilo do tipo amassar uva
Verônica: Muitas pessoas me perguntaram isso: Por que não fazer algo menos "manual"? Mas eu me senti apta e quis o desafio mesmo que fosse para tirar a dúvida se conseguiria ou não. Foi um desafio legal. Percebi que poderia ir além das minhas próprias expectativas. Consegui fazer todas as atividades que os outros alunos fizeram.
Assim como você: Adquiriu suas habilidades ao longo da vida ou desde muleca suas lembranças são de "se virol"?
Verônica: Quando eu era bebê, minha mãe percebeu que eu usava os pés para tocar objetos. Então, ela e minhas irmãs começaram a incentivar o desenvolvimento colocando coisas entre os dedos dos pés para que eu segurasse. E fui evoluindo mais tarde com comida para levar à boca, caneta para rabiscar papel. Logo tomei gosto e parti para o desenho.
Assim como você: Qual o verbo que substitui para você o “abraçar”?
Verônica: Nenhum substitui. Eu abraço. Mas com os braços da pessoa que quero abraçar.

Assim como você: A falta de um membro costuma causar estranhamento nas pessoas. O bom é que a ciência já provou que o cérebro é capaz de substituir qualquer disfunção, não é isso?
Verônica: O corpo se adapta à falta, procura novos caminhos para conseguir realizar as atividades. Comigo foi natural. Desde bebe, quando era para eu estar desenvolvendo os braços, desenvolvi as pernas e os pés. Quanto ao estranhamento, é engraçado perceber as mais diversas reações das pessoas ao me verem desde o estranhamento, passando pela curiosidade, até pela compaixão cada um reage de uma forma eu não ligo, não. ao andar na rua, todo mundo olha. alguns disfarçam, mas todos têm curiosidade. alguns perguntam, outros param e olham. mas eu entendo que é algo que eles não estão acostumados a ver. Eu sei que sou diferente
Assim como você: Como é pra você o processo de vencer o olhar do outro, de vencer os limites que os outros te impõem e não os reais?

Verônica: Não procuro vencer os olhares, busco modificá-los, fazer com que as pessoas não rotulem ou sentenciem alguém que tem limites a ser sempre alguém atrás dos limites. Eu já ultrapassei muitos e sei que muitos virão, mas isso faz parte da vida de quem não se contenta em ficar olhando a vida passar. Não me contento em olhar, quero participar dela e de forma a mudar não só a minha, mas tentar transformar as outras vidas que eu encontrar nesse caminho.
Escrito por Jairo Marques às 01h37
Veja o que fazem os menestréis
Vou fechar a semana com dois vídeos que me deixaram de queixo caído. Ambos tem participação da belezura da Tabata, que já contei a história aqui, e são espetáculos promovidos pela Oficina dos Menestréis.
Ainda vou fazer um post exclusivo com os organizadores desse projeto que, a meu ver, é revolucionário e prova em definitivo que deficientes e não deficientes podem interagir em diversos seguimentos, inclusive na arte.
O tio nunca coloca vocês em roubada, né, não? Então, acho que vão gostar. São curtinhos, são “arrupiantes”, são bonitos, são originais, são inéditos para muita gente, são sopros de alegria e emoção nos corações mais duros (o meu é mole
). Boa viagem!
Em tempo: Meu povo, na semana que vem, o “véio” vai estar fora de São Paulo. Vou visitar minhas propriedades em “Taubatexas"
. Talvez, eu mude um pouquinho o horário de colocar "novidadchis" no blog, mas vou fazer possível para manter a rotina. Na segunda-feira, agendem ai, vou trazer ‘procês’ algo bem surpreendente e motivador. Bom final de semana!
Escrito por Jairo Marques às 22h00
Termos, palavras e estilo
Termos
Vou me esforçar para não contar piada, usar boas palavras e escrever tudo “sertinho” neste texto
. Estou postergando (falai, bonita essa, heim?!) há alguns dias para expor essas idéias meio chatas para vocês (mais chatas do que lavar cueca suja). Mas, são considerações importantes, de verdachi, opa, de verdade.
Algumas pessoas me alertam ou me mesmo me reprimem por eu usar termos inadequados ao me referir aos deficientes físicos, esse povo todo que digo que vive na Matrix.
Segundo Convenção da ONU (Organização das Nações Unidas), que ainda precisa ser ratificada no Brasil, o termo correto para tratar a “nóis”, opa, a nós, é “pessoa com deficiência”. Surdos e cegos pode-se usar essas palavras, mesmo, que não dói
.
O documento já foi firmado por diversos países do mundo e vai obrigar governos a adotar medidas específicas a favor dos deficientes visando melhorar o acesso à educação, emprego, lazer entre outros.
Evidentemente que sou favorável a qualquer medida que traga benefícios ao clube de gente ao qual pertenço e tenho profundo respeito às instituições estabelecidas, porém, avalio que não vou ganhar a guerra usando uma palavra que alguém escolheu como a mais apropriada para designar a mim.
A lógica é mais ou menos assim: Não pode dizer portador, porque ninguém porta deficiência (mas “óia” que a minha vive comigo e num sai nem pra passear), não pode pessoa com limitação porque limite é algo relativo (sei), não pode dizer pessoa com necessidade especial porque isso não quer dizer nada (hummmm).
A minha intenção não é agredir ninguém, mas vou deixar o termo politicamente correto ser usado pelo jornal, pelos livros, pelos órgãos públicos. Aqui, no meu diário de histórias, é gente, mesmo, é povo, mesmo, é ‘nóis”, mesmo.
Palavras
Há também quem reclame de eu não usar o padrão culto da língua portuguesa, escrever palavras de forma errada. Esses leitores defendem que, agindo assim, eu posso passar a impressão de que deficiente é tudo burro. Minha mãe sempre me diz que eu sou “integetchi”.
Novamente, eu acolho os argumentos, mas não pretendo mudar (sabe cabeçudo? Então, sou cabeçudo). Avalio que parte da aceitação deste blog é justamente temperar um assunto sério, difícil, algumas vezes dramático, com pitadas de irreverência, de brincadeira, de humor.

Tenho certeza que há outros fóruns de discussão sobre deficiência que se esmeram pra falar tudo certinho, não usam palavrão, muito menos escrevem “menas” e “pra mim fazer”.
Erros de português e de digitação que cometo e que podem fugir ao sentido da piada, sou sempre alertado por leitores atentos e procuro fazer os reparos o mais rápido possível. E, não são poucos! Afinal, eu sou o editor, o redator, o entrevistador, o maquiador, o motorista, o animador e o carregador de piano do “Assim como Você”!. ![]()
Estilo
Por fim, também existem algumas reclamações sobre o meu estilo bozo de escrever. Os críticos defendem que eu seja mais “sério”, mais “arroz com feijão”, mais “papai e mamãe”
no texto.

Gente, “deuzulivre”, né? Aí, eu fecho o boteco e vou viver na “Fenda do Biquíni” com o Bob Esponja, o Lula Molusco, o seu Sirigueijo e ao glorioso Patrick.
Volto a dizer que a minha intenção é tocar o terror na cabeça de vocês para que reflitam, para que mudem de atitudes, para que vejam a vida com outros olhos e se estimulem diante do exemplo de superação e garra de pessoas que conquistam seus espaços mesmo convivendo com alguns limites.
E, claro, é fazer uma homenagem e um reconhecimento para quem constrói essas belíssimas histórias que me empenho em narrar da melhor forma possível aqui.
O meu melhor termômetro para não mudar tem sido a redação da Folha de S.Paulo e suas centenas de jornalistas e funcionários que juram se divertir, aprender e pensar com o blog.
Dia desses, o colunista Gilberto Dimenstein, prestigiado por diversos setores sociais, me parou no elevador do jornal com um sorriso e disse “Jairoooo, tô lendo seu blog todo dia e estou adorando!”.
Dito isso, ‘bora’ dar risada, né, meu povo?!
Escrito por Jairo Marques às 22h23
Vanguarda e retrocesso
Decisão de Vanguarda...
Meu, povo, olha que notícia importante: cada um dos cursos da UFPR (Universidade Federal do Paraná) terá uma vaga reservada para pessoas com deficiência já no próximo concurso vestibular, o de 2009. A iniciativa é inédita em instituições públicas do país.
O lance funcionará assim: os deficientes inscritos em uma carreira, jornalismo, por exemplo, concorrerão entre si. O mais bem colocado fica automaticamente aprovado.

Porém, independentemente da deficiência, o candidato terá de ser aprovado normalmente na primeira fase do concurso, como os outros candidatos sem deficiência. As regras mais específicas vocês poderão ler no edital do vestibular ou procurando o Núcleo de Apoio ao Portador de Necessidade Especial, ligado à Pró-Reitoria de Graduação.
Mais do que esse “programa de cotas”, que podemos debater futuramente se é ou não uma solução, a UFPR está anunciando que a pessoa com deficiência passa a ser uma prioridade de gestão.
Além de procurar facilitar o acesso ao ensino superior, serão tomadas medidas para manter as pessoas que precisam de adaptações específicas para estudar dentro da instituição. E mais: vários seminários internos serão realizados para debater o tema.
Não sei vocês, mas ver uma ação de cidadania tão forte assim, me “arrupia” e me faz achar que as coisas começam a melhorar, né, não? ![]()
Já a UFBA (Universidade Federal da Bahia) também adotará uma medida inclusiva: Durante as provas do vestibular, haverá um intérprete de libras para passar as instruções do exame aos surdos. É um começo, também.

Decisão retrógrada...

Olhem que cena mais.... pitoresca, digamos assim. Quem flagrou foi o leitor Mauro Rechtand, do Rio, que é cadeirante. Ele estava no Largo do Machado e precisava usar a rampa que aparece na foto sendo “ocupada” por esse “fuca”.
“Encontrando o motorista, ele me disse ‘fui só comer uma pizza”, relatou o Maurão em email enviado ao blog. Ahhhhhhhhhhh bom, né, ‘pessoais’.
Sempre que alguém tiver algum flagrante assim, pode me mandar que ‘nóis” bota aqui ‘pra mode’ alguém passar vergonha (se tiver vergonha, claro)

Escrito por Jairo Marques às 21h37
"Põe ele aqui no cantinho"
Em um sábado qualquer do ano passado, depois que consegui vencer a preguiça da “veiera” que me abate aos finais de semana, fui com amigos num bar famoso aqui de São Paulo que toca rockabilly.
Já contei pra vocês que meus parceiros adoram me colocar em roubada, né? Se eu resisto em ir às baladas mais fortes por questões meramente logísticas, os elogios se avolumam na minha orelha: “florzinha”, xarope, menina, besta, biba”.
Pô, pensem na dor no pescoço no dia seguinte de ficar olhando o tempo todo pra cima e a quantidade de gente bêbada que tenho de retirar do meu colo? Ai eu resisto mesmo em ir a lugares com muita gente.
Mas, nem sempre eu sou difícil assim
e lá fomos pro boteco sacudir os esqueletos.
A aventura de um cadeirante na balada começa na fila. Geralmente, não demora muito para vir aqueles seguranças enormes (ui!) e nos arrastar para dentro do bar. Neste momento, a gente não tem muito poder de argumentação, não.
“Fica tranqüilo aí que ‘vomus’ te colocar lá dentro. Fica calminho”. E os caras pegam a cadeira e me arrastam pra dentro do bar, assim mesmo, sem carinho, sem um diálogo mais tet-a-tet, sem trocar telefone
.
Povo, é incrível, mas muita gente acha que deficiente não tem vontade própria. Evidente que eu gostaria de furar a fila e entrar primeiro no bar. Mas, eu fui com meus amiguinhos e queria entrar com eles, ué?!
É muito patético, mas isso sempre acontece. Queria saber quem inventou essas instruções! Seguranças, em diversos momentos, são os melhores amigos do cadeirante, mas, que eles arrastam a gente sem pedir, arrastam.
Já dentro do bar e ao lado dos amigos, o segurança investe novamente em mim: “Leva ele ali pra conhecer o banheiro. É totalmente adaptado.” (leiam aqui o texto em que escrevo que as pessoas acham que deficiente é tudo mudo).
Claro que não fui, né?! Eu nem havia chegado direito e já tinha de ir ao banheiro?
Mas a festa estava bem divertida. O som era gostoso, as ‘muleres’ lindas, a pinga boa e o papo de ‘qualidadchi’.
Para coroar a noite, a fila do caixa para pagar a conta! Neste momento, eu já estava mais bêbado do que peru em véspera de Natal, mas aguardava a minha vez ali para quitar o débito da noitada, como todos os outros mortais.
Eis que a moça do caixa sai da cadeira onde está sentada e vem em minha direção. Pega em minha cadeira e vai me puxando para um cantinho me retirando da fila e dizendo assim: “Vamos ‘trazê’ ele pra cááááaáááá´. Pronto, fica aqui quietinho”.
Os meus amigos numa hora dessas já riam mais do que hiena em noite de núpcias. Ai eu não me agüentei e não parei mais de falar: “Vamos fazê ele pagáááááaáá... agora a senha do cartão ele vai digitááááááaá... vamos cuidar para ele não babáááááá”.
Eu não sei o que acontece na cabeça de algumas pessoas de achar que deficiente não pode ficar numa situação convencional. Eu estava na fila, com amigos e ia pagar a conta, ué?! Se quisesse me dar prioridade, ótimo, mas me tirar da fila e me colocar num cantinho?
Esse negócio de ficar no cantinho acontece comigo em diversas situações. Em bares e restaurantes é direto. “Olha, eu vou estar colocando você aqui no cantinho enquanto não arrumo uma mesa”. Sabe botijão de gás? Então, me sinto um botijão de gás nestas horas.
Claro que a cadeira ocupa um pouco mais de espaço em um corredor, por exemplo, mas aí o problema não é meu, ué! Procuro não atrapalhar o espaço dos outros com meu “automóvel”, mas ser colocado no cantinho é broca.
E quando a mesa enfim desocupa?! “Oh Tião (o garçom), traz ele aqui pra mim e bota direitinho na mesa”. Ai eu me sinto o verdadeiro barril de chope.
Em Tempo: Gente, deficiente físico é um cliente como outro qualquer, mas que precisa de uma condição diferenciada seja uma rampa, uma adaptação no banheiro, mesas mais estratégicas de fácil circulação. De resto, “nóis é ingual”.
Não é preciso tratar uma cadeirante ou um cego como criança ou como um objeto inanimado, sem vontade própria. A melhor solução, a meu ver, é conversar e deixar as coisas claras. “Você quer que eu te leve para dentro do bar?”. “Você não precisa ficar na fila, passe à frente”. “Posso te acomodar em outro lugar?”.
Procure não ir tocando na cadeira de rodas e movendo-a sem que haja consentimento do cadeirante. É o mesmo que alguém puxar o seu cabelo e ir te levando pela rua, qual homem das cavernas!
Escrito por Jairo Marques às 23h01

