Jairo Marques

Assim como você

 

Um protesto!

Povo, hoje eu tô mais “brabo” do que cachorro de japonês. Já viram cachorro de japonês rosnando? Então... eu!

 

 

 

Vocês sabem que além de blogar e contar piada aqui eu trabalho, né? Pois bem, mas tenho um prazer imenso em fazer essa festa diária, de tentar trazer cada vez mais informações e histórias para dar um brilho diferente no dia de vocês (ou nas noites).

 

 Mas, pra ter “qualidadchi”, tenho que ralar um pouco. Pesquisar, entrevistar, fuçar, ligar, insistir, mas, é gostoso, bem gostoso! O retorno com o carinho de vocês e com os relatos de mudanças de atitude que recebo todos os dias, valem muito a pena.

 

Por isso, vou fazer um protesto no último post da semana. Logo quando o “Assim como Você” foi lançado, recebi um email com elogios e cumprimentos da assessoria de imprensa da Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, órgão que é uma grande conquista, “pá nóis”, né, não?

 

A assessoria também ofereceu uma entrevista com a secretária Linamara Rizzo Battistella para tratar dos temas que envolvem a pasta.

 

 

Maraviwonderfull*, né? Aceitei na hora, claro, e passei alguns dias planejando a entrevista e vendo as demandas que vocês tinham de questionamento para transmitir à doutora, a qual não conheço, mas que tenho profundo respeito.

 

Bem, as perguntas foram encaminhadas há mais de um mês e não obtive as respostas: “Olha, ela tá viajando, foi num congresso”. “Olha ela já começou a responder, mas tá com a agenda lotada”. "Olha, semana que vem". Ontem, tentem mais uma vez, de forma infrutífera, conseguir as respostas da entrevista que me foi sugerida. Nada.

 

Enfim, a secretária não tem nenhuma obrigação de falar a esse blog e muito menos com os milhares de deficientes e não-deficiente que o acessam semanalmente. Mas, a meu ver, seria uma oportunidade bacana para mostrar a que veio mais essa repartição pública gerida com o nosso dinheiro.

 

Em respeito a vocês, a mim, e como não obtive nenhuma perspectiva de que teria as respostas, então, publico as perguntas que enviei à assessoria de imprensa da secretária e confirmei o recebimento. Se um dia a doutora resolver responder, prometo publicar também.

 

Um ótimo final de semana pra vocês! E me aguardem. Na segunda, se eu não for fuzilado,  vai ser massa!

 

As perguntas:

 

1 - As ofertas de emprego para uma pessoa com algum tipo limitação costumam ser centrada em trabalhos de baixa qualificação. Como é possível mostrar ao mercado que deficiente não quer só trabalhar com telemarketing e apertador de botão?

 

2 - A sra. é médica fisiatra, altamente qualificada, mas não tem nenhuma deficiência física aparente. Isso não joga contra o trabalho de uma secretaria inédita para tentar sanar um pouco as dificuldades das pessoas com limitação? 

 

 

3 - Quando a senhora vai a um restaurante em que o banheiro não tem adaptação ou a um prédio público do governo do Estado que não esteja preparado para receber um deficiente, a senhor a reclama, mostra a carteirinha de secretária e exige providência?  

 

4 - Que tipo de avanço a senhora acredita que já conseguiu à frente da pasta e quais ainda pretende conseguir?

 

 

5 - Os governos estaduais ainda não abriram mão da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) para a compra de veículos por parte de pessoas não condutoras. Considerando que cegos, alguns tetraplégicos, deficientes mentais não podem dirigir, a secretaria tem essa causa como meta? O governador José Serra não pretende rever essa renúncia que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas?

 

6 - São Paulo tem centros de pesquisas de excelência mundial. Uma vez que o Supremo autorizou as pesquisas com células tronco, a senhora avalia que deverá haver investimentos do governo estadual para o fomento do avanço científico nessa área?

 

 

7 - Quais os canais de comunicação que a secretaria têm com o público?

 

8 - A Folha já publicou reportagens mostrando a falta de adaptações e de qualificação de professores da rede estadual para receber e ou atender alunos com alguma deficiência e que culmina sempre com dramas pessoais. Que tipo de ação a senhora prevê para esse caso em especial?

 

9 - A secretaria tem orçamento próprio ou é um órgão só representativo?

 

 

 

* Tanks, Mundo Canibal!

 


 

AS RESPOSTAS!!!

 

Pessoais, pelo bem da transparência, coloco aqui a resposta que a assessoria de imprensa gentilmente deu ao post. Está nos coments, mas vou publicar aqui também

 

Caro Jairo, parabéns pelo seu trabalho. Sou a Coordenadora da Comunicação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A assessora de imprensa que esteve em contato com você para viabilizar a entrevista foi a Raquel. Estou escrevendo apenas para dizer que a Secretária irá responder sim suas perguntas, mas não o fez até o momento porque as viagens informadas foram mesmo reais. Ela esteve a trabalho na Turquia, Bélgica e várias vezes em Brasília articulando com muito empenho a aprovação da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência junto ao Senado. Temos muito respeito pela Imprensa e informo que suas perguntas, mais que pertinentes, serão respondidas o mais breve possível. A pasta foi recém-criada e estamos também criando um site bem legal, com blog e tudo. Assim que colocarmos no ar a gente informa o link para que você e todos possam acompanhar nosso trabalho, mas antes disso, você terá a sua entrevista, garanto. Abraços a você e todos os que nos lêem.

 

Escrito por Jairo Marques às 22h38

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Como é que ela faz?

Seguindo na série sobre como o povo da matrix faz para se virar e conseguir usar a  internet e outros instrumentos eletrônicos, hoje conto um pouco sobre a Vivi, a Viviane Garcia, que é cega, tem 29 anos, é uma das primeiras “seguidoras” do blog. Ah, sim, ela é uma gata!

 

A Vivi usa um software bastante avançado no computador de casa e do trabalho _ela rala em uma seguradora como monitora de qualidade_, o Jaws. O programa, que tem versão em português, faz a leitura das palavras escritas em sites, blogs, documentos e as converte em som. Se ligaram?

 

 

 

Claaaaro que o Jaws custa um pequeno saco de dinheiro, né, pessoal. Se fosse fácil de comprar, barato, não combinaria com a vida de alguém “assim como você”, que torra boa parte da grana para conseguir viver de forma mais plena (notaram que hoje eu tô revolts?)

 

“Nós deficientes visuais conseguimos fazer inúmeras coisas. No trabalho o computador tornou-se uma ferramenta indispensável. Sim, fazemos no computador todos os trabalhos com independência e qualidade”, me escreveu a Vivi.

 

Há outros softwares que também são capazes de fazer a leitura das palavras escritas e, com o tempo, vou mostrando pra vocês. O Jaws, porém, é um dos mais avançados.

 

O único limitante do programa é, obviamente, a interpretação das imagens: “fotas”, ilustrações, desenhos ficam sem leitura. Mas, ai, entra em cena quem??? Os amigos! Tem sempre alguém do lado que faz a leitura da imagem. O bom disso é que sempre rola uma interação, né, não?

 

“O Jaws é meu companheiro diário para o trabalho e para o lazer. Come ele eu navego na internet, converso com amigos no msn e utilizo o Orkut”

 

 

A associação Laramara pode intermediar a compra do software que, mais uma vez, não encontrei em lojas virtuais do Brasil (no vi da de!).

 

 

“Podem ter certeza de que os limites existem, sim, mas, só são barreiras para quem não tem forças de enfrentar os desafios. E nem precisa ter deficiências para passar por desafios, certo?”

 

Certo, Vivi, certo.. se bem que, o fato de você, além de trabalhar o dia todo, DAR AULAS DE PORTUGUÊS numa escola pública de São Paulo à noite, e fazer DANÇA DO VENTRE, me parece um pouco de falta de vontade, viu? Tô te achando  meio mole....

Escrito por Jairo Marques às 22h09

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“Curiosidadchis”...

Qual é a sua praia?

 

 

 

Já faz uns dois ou três anos que inventaram esse veículo praiano “pá nóis”. Ele permite que cadeirantes, idosos ou uma pessoa com dificuldade temporária de locomoção consigam aproveitar melhor a praia.

 

As rodas infláveis do treco flutuam no mar e se deslocam tranqüilamente pela areia.

 

A cadeira de rodas tradicional empaca as "patas" da frente na areia e vira uma meleca. Nem eu que sou malhado, forte consigo desatolar .

 

Uma belezura, não acharam? Custa caro pra caramba.com.br e ocupa um espaço medonho no carro. Ainda bem que tenho aquela kombe véia que vocês conhecem .

 

Seria ótimo se prefeituras litorâneas, hotéis, pousadas comprassem e deixassem à disposição dos clientes e banhistas. A meu ver, é uma forma de garantir um direito fundamental de todos: o de ir e vir. Concordam?

 

Pra rua me levar

 

Uns “homi” doido aqui de São Paulo estão desenvolvendo uma espécie de prancha que promete ser capaz de se encaixar em qualquer cadeira de rodas e, num passe de mágica, tornar-na motorizada.

 

 

Pode ser uma solução interessante para brincar o Carnaval na Bahia, visitar museus, andar grandes distâncias. É que cansa um bocado tocar as rodas sozinho, às vezes. É esperar para ver se rola.

 

 

Veja bem, preste atenção

 

 

Este equipamento ajuda um bocado quem tem limitações de visão. Ele aumenta o tamanho das letras de um livro, de uma revista, por exemplo, diretamente na tela de uma espécie de monitor à medida que o usuário conduz o cursor.

 

Há várias versões do produto. Das mais simples até as mais tecnológicas que projetam as imagens na tela do computador. O lance é vendido pela empresa "Terra Eletrônica". Não achei barato, mas eu não sou parâmetro porque sou pobre . Se fizerem uma busca, uma "googada", vão achar.

 

 


 

Novo colega

 

Pra quem não conseguiu ver o JN (Jornal Nacional) de ontem, coloco aqui mais uma reportagem que eles fizeram de gente "Assim como Você". O "caboclo" tem paralisia cerebral e está concluindo o curso de jornalismo. Os portais também divulgaram a história que, me pegou de jeito... Bem-vindo, colega Eduardo!

 

 

Escrito por Jairo Marques às 22h54

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Rodas, talento e sex appeal!

Hoje vocês vão conhecer uma das representantes mais midiáticas da Matrix dos deficientes: a deslumbrante Tabata. (Prometo que vou trazer um “homi lindio e dilícia” para as gurias tietes do Assim Como Você, em breve. Por enquanto, vão beijando a minha foto ai do ladinho) 

 

Quando vi essa moça, de 27 anos, em uma apresentação artística pela TV tive um click instantâneo: Ser mulher e cadeirante, não inibe, de forma nenhuma, a vaidade, o poder de seduzir _seja com a beleza seja com a simpatia_, o sex appeal.

 

 

 

A loira, que é filha da Elaine e irmã da Bebel e da Tuka, já foi capa e editorial de revistas, dança hipnoticamente sobre as quatro rodas da cadeira, é modelo publicitária, consultora em inclusão e técnica em medidas de cadeiras de rodas para lesado medular.

 

Querem mais? Tabata é atriz e estuda interpretação em uma conceituada escola de São Paulo. Não tenho dúvida que fará muita gente rir, chorar e vibrar com suas rodas pelos palcos do mundo.

 

 A “Tabs” entrou para o grupo dos cadeirantes há sete anos, no último dia de 2000, após um acidente de carro em uma rodovia de São Paulo. Era a única que não usava cinto de segurança. Ela já passou na “faca” algumas vezes para se reabilitar, também teve aquela "pereba na bunda" que a doutora Natália teve. Usou colete para “soldar” a coluna, reaprendeu a viver e foi mais uma que o hospital Sarah deu o tapa final na funilaria, consertou tudinho , e consertou muito bem, falaí, meu povo?

 

 

A entrevista que fiz a com a bela talentosa traz informações que, garanto, vão tirar o fôlego e abrir a mente de muita gente. Então, com vocês, o brilho e a intensidade da estrela Tataba Contri:

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 07h44

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Assim como você: Você é vista em comerciais, revistas, dando entrevistas, fazendo apresentações teatrais, participando de manifestações do Movimento Superação. Quando vai fazer novela na “Grôbo”?

 

 Tabata: Hahahahaha, quem me dera. Eu não sei, tenho que estudar muito ainda!

 

 

 

 Assim como você: Falando em novelas, deficientes só aparecem nesse tipo de programa como alguém abatido pela guerra, né? Triste, desolado, sofredor. Há exceções, mas me parece quase uma regra. O que falta para mudar isso?

 

 Tabata: Putz, Jairo, nem me fale, cada vez que alguém fica cadeirante numa novela, volta a andar milagrosamente. Isso é ridículo porque não é real. Daí a avó de um amigo que é tetraplégico fala que ele não anda porque é preguiçoso!

 

Já imaginou, uma cena diferente? Um cara cadeirante, gato, estacionando o carro, sacando as rodas, montando a cadeira e encontrando a namorada? Ela senta no colo dele e ele tasca um beijo na boca dela!!!  Lindo, né, ninguém ia ficar com dó desse cara!  Mas aí a novela mostra o drama, a tiazinha fica chorando no sofá da sala vendo a novela e tudo que ela quer é que o cara volte a andar. E o autor por sua vez, faz o milagre acontecer! Isso é muito falso. A TV precisa de verdade! Quem sabe assim as pessoas parem de estranhar a gente nas ruas, né!

 

Outro dia eu tava lá na Liberdade (um bairro de Sampa cheio de japas) e veio um velhinho correndo atrás de mim, me mostrou um jornal e disse: “Olha fia, se você for nessa igreja vai se livrar desse carrinho aí!” Eu disse que eu gostava do meu “carrinho”! Poxa a cadeira de rodas não prende ninguém, pelo contrário ela liberta! Eu vou pra onde eu quero a hora que eu quero!

 

 

 

Assim como você: Li no seu blog que você vai estudar para se prepara melhor para botar “suas rodas” no palco. Dá pra ser uma atriz “normal”? Como fazer o público parar de olhar a cadeira de rodas e ver o talento?

 

Tabata: Hummmmm, faço teatro há cinco anos, sou de uma companhia que se chama Cia. Mix Menestréis, é um trabalho artístico animal, quem não conhece espera ver “deficientes mexendo os bracinhos”, mas sai de lá falando “Ca...ra...lho! que fera”. Tenho certeza que estas pessoas, em algum momento do espetáculo, deixam de ver as cadeiras e passam a ver as pessoas.

 

Agora, tô estudando na escola de atores do Wolf Maya. Sou a única cadeiruda de lá, é um desafio porque nem eles estão acostumados com isso, mas adoro desafios, sabe, quero estudar e aprender sempre mais, pra fazer bem feito.

 

 

 

Assim como você: Você se destaca muito nas mídias, também, por chamar atenção com a beleza. Quando a gente é deficiente, então, a gente não deixa de pentear o cabelo, tomar banho, ir à academia?

 

Tabata: Olha, de pentear o cabelo não deixo, mas, confesso que não vou a academia faz um tempão! Hehehe Mas é lógico que gente deficiente faz tudo isso, será que tem gente que acha mesmo que não? Vaidade todo mundo tem independente de ser cego, surdo, cadeirante. Eu não sou o ápice da vaidade, mas faço as unhas, vou ao cabeleireiro. Às vezes, faço dieta, mesmo que não dê certo! Gosto de me produzir pra ir à balada, como toda mulher de vinte e poucos anos, ué!

 

Tenho algumas amigas que são cadeirantes e colocaram silicone, não sou uma delas, mas é só pra ilustrar que a gente também é vaidosa tá! Quando eu fazia natação o dono da academia teve que fazer uma rampa na entrada porque só tinha escada. A gente pode transformar o mundo sabia? É só sair à rua com sorriso no rosto e contar pras pessoas que a gente quer uma porta mais larga, um banheiro maior, tem que ir pelo amor e não pela dor!

 

 

Assim como você: A deficiência, de alguma forma, afetou sua feminilidade? Se sente por acaso menos atrativa para os outros e se acham menos paquerada que as mulheres “rebolativas”?

 

Tabata: Magiiiiina, sou tão paquerada quanto antes, só que quem chega junto não ta interessado só na minha bunda, até porque não dá pra ver!

Sabe que eu nunca perdi minha feminilidade, nunquinha, sempre me achei gostosa e tenho uma amiga que me zoa, ela fala “que gostosa o quê! Maior perna fina!”, eu me acho mesmo assim.  Logo no começo da lesão li vários livros, sobre sexo tântrico, entre outros.

 

 

Assim como você: Também li que você tem momentos em que explode, parece sentir o impacto de sua vida ter mudado radicalmente ao agregar quatro rodas. É isso mesmo? Como você supera isso?

 

TabataMeu, eu não explodo porque sou cadeirante. Explodo por que explodo e pronto! Sou de carne e osso e sinto raiva, alegria, tristeza, tesão, medo, ansiedade como qualquer pessoa viva. Eu tô viva, graças a Deus, e não fico parada, não sou coitadinha e muito menos heroína, simplesmente não faço mais do que minha obrigação como ser humano, viver, trabalhar e ser feliz!

 

 

 

Assim como você: Quando vejo você dançando sinto que, realmente, a gente pode fazer tudo. Dançar é bom e você recomenda?

 

Tabata: Ai, Jairo, dançar é uma delícia!!! Esse fim de semana eu dancei horrores, fui a um show, viajei, e fui em festa junina!!! Eu também fazia academia de dança da Suzie Bianchi, é demais! Danço nos musicais da oficina, fiz teatro musical no Senac. E não precisa ser profissional, se sentir vontade dança e pronto.

 

 


Escrito por Jairo Marques às 07h44

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Na hora do aperto

Sabe aqueles dias que você sai de casa rumo ao boteco na sublime intenção de beber seis chopes e três “pastel”? Bom demais, né, povo?

 

E ai aquela delícia toda geladinha vai ocupando lugar na sua bexiga enquanto o papo com os amigos vai ficando mais divertido, afinal, já tá todo mundo “breaco” e a risada fica cada vez mais frouxa...

 

Frouxa também vai ficando a resistência de segurar a vontade de dar aquela urinaaaaada, né? Aquele xuuuuá gostoooso na privada... Aliviar os pensamentos para poder beber mais...

 

Agora, meu povo, pensa você seguindo em direção ao WC e ir percebendo, de longe, que a porta do paraíso não vai permitir que você entre motorizado com sua cadeira de rodas nele? Você faz o quê? Chora? Faz ali no cantinho, escondido? Chama o garçom?

 

 

“Eu te ajudo! Vamos empurrar a cadeira com mais força que passa na porta, sim”. “Ih, rapaz, não vai passar”. “Você ta muito apertado, mesmo, fio, não dá pra esperar mais”? “Então, me agarra aqui que te ajudo. Fica ‘tronquilo’ que te coloco ali na privada”, dizem sempre os garçons mais solícitos.

 

E quando junta um monte de gente para tentar resolver o meu problema do chope? “Vem aqui no banheiro dos fundos” (esse, geralmente, é ainda menor). “Tenta entrar no banheiro das ‘muleres’ que é maior (eu já tentei váaarias vezes)”. E eu ali, usando a meditação zen budista enquanto não desistem.

 

Pô, não rola inventar soluções exóticas, gente. Banheiro é um lugar de reflexão solitária ou, no máximo, para ter a companhia de alguém que a última coisa que você fará com ela é usar mesmo as dependências sanitárias .

 

Sempre vou embora do bar que não consigo entrar no banheiro sem me render ao charme dos garçons. Me recuso a abraçar o cidadão, por mais “gato” que ele seja  .

 

 

 

No máximo, quando estou com algum amigo de longa data, aceito que ele fique de “butuca” enquanto eu pratico tiro ao alvo da entrada da porta até a privada. (Construíram a cena na cabeça? Ridicoloman, eu, sei).  

 

Mas esta situação é totalmente precária e nem tem graça, não. Há pessoas que precisam entrar, mesmo, dentro da “casinha” porque usam sondas e não dá, de forma nenhuma, para fazer no improviso. Mas à frente, explico para vocês melhor esse processo.

 

Já vivi diversas histórias de blog por causa de banheiro ou por falta de um em condições de tráfego. Quem anda e consegue passar por portinhas estreitas só se lembra do WC quando precisa, não é? Quem é cadeirante já pensa no “como será o mictório” bem antes de sair de casa.

 

Adaptar um banheiro não é algo tão complexo para um bar ou um restaurante. É uma solução simples que pode manter os clientes por mais tempo no local. É uma ação de cidadania, de bom senso, de vontade, de respeito com as diferenças. 

 

Certa vez, o “portuga” de uma padaria que freqüento sempre abriu a mão e investiu na adaptação de um banheiro exclusivo para deficientes no estabelecimento dele, que recebe centenas de pessoas por dia.

 

Logo após a inauguração oficial da “casinha”, fui com um amigo almoçar na padoca e o portuga não me deixou em paz: “Vem ver!!!! Vem ver o banheiro que fiz PRA VOCÊ” (é cada coisa que a gente tem que escutar).

 

 

“Deixa só eu almoçar, ter uma vontadezinha de ‘xixizar’, que visito, viu, seu portuga”, disse eu para acalmar a emoção do homem.

 

Não demorou nem cinco minutos ele voltou: “E aí, já foi lá? Ficou bom??? Tá do jeito que VOCÊ queria? Ficou bonito?” Eu não tinha ido, ainda...

 

Passados mais quinze minutos o portuga não agüentou mais. “Deixa que eu te levo até lá”. Pessoal, eu ainda estava comendo, com o macarrão entalado na garganta, e o homem me tirou da mesa.

 

“Olha essa ardósia que mandei colocar aqui. Essa válvula é de primeira linha, viu?! O tamanho ta bom pra você? Todas as medidas foram conferidas por um arquiteto qualificadíssimo, viu?”

 

Sabe, povo, o banheiro da padaria do portuga realmente era perfeito (só faltou ter maçaneta na porta. Algum gênio disse a ele que não era permitido. Ai, ai...). A estrutura da padoca ainda precisa de alguns reparos, mas já tem um bom começo.

 

Apesar do agir afoito do dono da padaria, saí de lá contente. Dá pra tomar muitos chopes ali sem ficar pensando se vou ou não poder ir ao banheiro.

Escrito por Jairo Marques às 22h48

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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