Jairo Marques

Assim como você

 

"Tem que vacinar, não pode bobear"

Povo, hoje o tio tá cansado . Vou ser breve... Prometo que segunda-feira eu volto com tudo pra cima de vocês (tremeram, né?)

 

O meu recado, então, é para a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, amanhã, em todo o Brasil.  Crianças menores de cinco anos precisam tomar as três gotinhas!

 

Particularmente, acho a publicidade do tema sempre muito ruim. A deste ano tem com o mote: “Tem que vacinar, não pode bobear”. E traz um menino bem esperto saindo da “escuridão” e indo para a luz da vacina... (se ligaram no lance?)

 

Em anos anteriores, vi coisas piores como colocar a mãe no papel de vilã do próprio filho. Sei que essa minha opinião é polêmica, mas, o culpado de eu ter tido pólio não foi da minha querida mama, não.

 

Tomei duas doses da Sabin e cabulei a terceira . Há 33 anos, as campanhas não tinham o investimento, a divulgação e a dimensão que, ainda bem, têm hoje. E ressalto que a pólio foi erradicada no Brasil apenas em 1994, praticamente ontem.

 

Se as pessoas contraíram paralisia infantil, a meu ver, as entidades públicas têm a responsabilidade primeira por isso, uma vez que é dever do Estado promover a saúde e garantir o bem estar de TODOS. Falar que o mosquito da dengue é feio e mau, não resolve. Resolve investir no combate a ele.

 

Na campanha deste ano, o menininho que sai de uma cadeira escura, simbolizando as trevas, indo para a luz da vacina acentua na cabeça das pessoas a idéia de que um deficiente vitimado pela doença é um coitado que vive na escuridão eterna da doença.

 

 

 

Qual seria a solução? Não sei. Mal consigo dar conta do meu ofício de jornalista. Mas acho que a publicidade está ai para trabalhar no sentido de promover a conscientização sem propagar imagens distorcidas ou aprofundar preconceitos, lugares comuns.

 

Beijos nas crianças!

 

 

 

O quê? Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite

Quem? Todas as crianças menores de cinco anos de idade

Onde? Em postos de saúde do seu município

Quando? No sábado, 14/06, a partir das 8h

O que mais? As crianças poderão atualizar sua carteirinha de vacinação também para outras doenças como difteria, tétano, coqueluche e meningite, sarampo, rubéola e caxumba

Escrito por Jairo Marques às 21h52

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ninguém vive sem sexo!

Como é dia dos “namolados”, vou levar vocês para a cama hoje!  Êh dilícia, heim?! Os motéis lotados, beijos ardentes, e o “Assim como Você” no clima de amor, sexo, romance, flores e vinhos (e também algumas cadeiras de rodas, muletas, próteses, bengalas...)

 

 

É relativamente comum, pessoas que não tenham deficiência física acharem que alguém com algum tipo de limitação, sobretudo a paralisia, seja impotente (em português mais claro, sofrer de “paumolecência”) . As dúvidas também recaem sobre a fertilidade ou mesmo sobre a capacidade de ter uma vida sexual ativa (ou passiva, né? Ui).

 

Em partes, essas dúvidas têm razão de ser. Algumas pessoas que tiveram lesões medulares graves (devido a um acidente, por exemplo) podem perder a sensibilidade, sim, nos “países das maravilhas”, tanto mulheres, como homens.

 

Ter de mudar uma vida sexual convencional da noite para o dia é desafio árduo e pode ser longo, complicado, difícil, revoltante. Aí é preciso companheirismo, amizade, carinho e vontade. Porém, atualmente, a medicina inventou “pílulinhas” capazes de levantar até o meu salário!

 

Com os medicamentos, mesmo um homem que não tenha sensibilidade consegue driblar a tal... paumolecência e ter relações, tradicionais, digamos assim! Isso trouxe uma revolução para muitos casais e para muitos relacionamentos, de fato.

 

Porém, e nos casos em que o medicamento não resolve? E como fica o ato sexual em si? E os movimentos? E a tal sensibilidade?

 

Corro o sério risco de cair no lugar comum falando isso, mas, acreditem, transar e transar deliciosamente é algo muito, muito além de apenas juntar “aquilo” com “aquilo”.

 

Sexo bom, muito bom, pode ser aquele apenas falado, olhado, tocado, lambido, degustado.

 

Garanto a vocês que é possível ter e provocar um orgasmo inesquecível contando histórias que não são da carochinha, trocando olhares desconcertantes, botando a ponta da língua para fazer algo além de falar mal da vida dos outros.

 

É possível ter imenso prazer com um carinho no tocar de um mamilo, com unhas percorrendo as costas, com um carinho no rosto, com um perfume acertado, com um beijo bem beijado.

 

 

 

Um deficiente bem resolvido (óia eu) descobre que o corpo tem pontos que podem despertar emoções explosivas e que prazer é algo muito além do que se dependurar no ventilador de teto para experimentar uma posição exótica.

 

E vocês devem estar se perguntando: e as ‘muleres’??? Com é que fica? Uma grande amiga minha, cadeirante, me ajudou a responder para vocês e disse assim:

 

“O primeiro passo para a adaptação sexual está em nossa aceitação. Depois que a mulher passa a conhecer e aceitar seu corpo torna-se capaz de ser  envolvente, chamar atenção e atrair os homens. Elaborar a nova imagem corporal, recuperar a auto-estima e a identidade sexual são essenciais para reassumir um papel sexual e social.

 

Depois, é preciso ter certa intimidade verbal. Conversar, trocar informações e dar algumas dicas é muito importante, principalmente porque a sociedade desconhece as nossas capacidades e limitações na hora H”.

 

Vale dizer que as mulheres com deficiência física que perdem a sensibilidade lá no parque de diversões  continuam tento, em diversos casos, o aparelho reprodutor em perfeitas condições para poder engravidar normalmente. Já viram uma cadeirante grávida? E os homens não perdem a fertilidade ou seja, podem ser papais normalmente!

 

 

 

 

Povo, já tive namoradas que, até o último momento antes da felicidade, tinham dúvidas de como ia ser, como fazer. E é claro que a situação é mesmo diferente. Mas, perguntar nunca ofende, ofende?

 

Como eu não posso subir no guarda roupas ou mesmo na máquina de lavar para dar mais clima de aventura ao ato sexual, procuro ser bom naquilo que está ao meu alcance, seja deitado, sentado, cantando, recitando poema, explorando o corpo, explorando as sensações.

 

Leiam o que disse minha amiga:

 

"Uma experiência que tive com um outro cadeirante foi perfeita. Não havia a preocupação da penetração, dos finalmentes. E foi muuuuito melhor do que com muitos andantes. A arte de explorar o corpo e de satisfazer a mulher em vários outros aspectos é uma qualidade dos homens cadeirantes... Prova mais uma vez que o prazer é muito mais complexo e envolvente do que muitos pensam."

 

Então, para fechar, digo a vocês que, sim, é verdade: “Ninguém vive sem sexo!” seja o sexo feito como for. E tenho muita convicção que meu prazer não é nem um pouco menor do que o de homem que possua perfeitas formas físicas.  Volto a falar desse tema em breve, para contar a vocês a aventura que é ir a um motel .

 

 


Escrito por Jairo Marques às 22h24

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Um Outro Olhar"

Hoje é daqueles dias em que preciso escrever pouco! As imagens e os depoimentos que vocês poderão ver neste belíssimo documentário dispensam minhas palavrinhas e palavrões  

 

Conheci este trabalho faz alguns meses e me apaixonei por ele. “Um Outro Olhar” conta histórias de superação incríveis de gente pequena, os anões. Como falei aqui de um programa da TV fechada sobre eles, nada mais justo do que trazer algo livre para todos, não é?

 

O documentário foi realizado por alunos de jornalismo, formandos, da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo (SP), que oferece um dos melhores cursos do país. Vejam os créditos abaixo!

 

Vou dividir a postagem em blocos agora pela manhã, no começo e no final da tarde. Sei que muitos têm pouco tempo, mas peço que tentem ver, pelo menos um pedaço, tenho certeza que vai mudar o dia de muita gente, para melhor.

 

 

 

 

Créditos:

 

Direção: Bruna Lavoura

Assistentes de direção: Gisele Silva, Luciana Zacchi e Natália Carcavilla

Roteiro: Bruna Dal Moro, Bruna Lavoura, Gisele Silva, Luciana Zacchi e Natália Carcavilla

Produção: Luciana Zacchi e Natália Carcavilla

Assistente de produção: Bruna Dal Moro, Bruna Lavoura, Gisele Silva

Imagens: Adriano de Souza, Edson Harada, Gilberto Inácio e José Maurício Bittencourt

Assistente de câmera: Danilo Trombela, Fernando Hitoshi Uagyu e Fúlvio Mazzeto Camargo

Edição: Moacyr Neto

Orientador: Fernando Vilar

 


Povo, agora a segunda parte!


Partes finais (a última é curtinha!)

 

caboooô! Gostô?

Escrito por Jairo Marques às 00h55

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Como é que ele faz?

Alguns de vocês me perguntaram como os cegos ou pessoas com limitações muito severas (sem movimentos totais nos braços, nas mãos e nas pernas, por exemplo) fazem para navegar na internet e interagir com o blog.

 

Como eu sou um “homi bão”, vou apresentar aqui várias ferramentas tecnológicas que ajudam, e muito, pessoas “Assim como Você” a mergulhar nesse mundo de informações, de trocas, de conhecimento e conquistas de amizades que é a rede mundial de computadores.

 

Para que possam entender melhor, conto um pouco da história do meu grande e formidável amigo, Manuel Fernandes Neto, aqui “pá nóis”, o Netão. Ele é tetraplégico desde os 19 anos depois que deu um mergulho desengonçado numa piscina atrás da parte de cima do biquíni dele .

 

 

 

Netão e a feroz "pit bull" Núbia

 

O Neto, hoje com “30 + 14 anos”, teve uma lesão grave e, como ele mesmo admite, não se esforçou muito no começo para amenizá-la. O resultado é que ele tem movimentos bem limitados nos braços, nas mãos, nenhum abaixo do quadril, pouco no tronco e equilíbrio bastante comprometido. Um mamulengo, né, Netão?!

 

 

Há quatro anos, porém, o Neto começou a usar um programa de voz que, nas palavras dele mesmo “trouxe uma mudança absurda para a vida, muito grande mesmo”. Trata-se do Via Voice, da IBM.

 

O software funciona como um ditado de voz. Você fala e ele obedece aos comandos escrevendo a palavra na tela ou mesmo movimentando o cursor do mouse, abrindo e fechando janelas, anexando arquivos.

 

“No começo, você apanha bastante até aprender os comandos básicos para a navegação. Mas, depois que você aprende um pouco, sua vida passa por uma verdadeira revolução. Eu ouço música, baixo o que quero na internet , recebo emails sem precisar da ajuda de ninguém. O programa vai ficando mais versátil à medida que você usa”, diz o Netão.

 

Claro que nem tudo são flores, né, povo?! Muito barulho externo e alteração na voz por causa de um resfriado, por exemplo, podem comprometer o funcionamento correto. 

 

“Tenho uma relação de amor e ódio com esse software. Às vezes, ele interpreta uma palavra errada ou teima em fazer algo que não quero e ai eu xingo, mesmo. Mas, na maior parte do tempo, tudo funciona muito bem.”

 

O Neto é um cara muito carismático e vive rodeado de gente. Mas, com o programinha, ele pode acessar mundos distantes, aumentar sua capacidade intelectual, conhecer gente de toda parte.

 

Olha que homem másculo, peludo e 'interneteiro' 

 

 

“Saio pouco de casa, embora, eu tenha muitos amigos. Então, esse software me deu benefícios imensos. Aumentou a minha estima, melhorou demais o lado psicológico porque agora não me sinto sozinho, compartilho mais tudo o que acontece comigo e com os outros. Há sempre alguém online para conversar, para trocar experiências. Me sinto mais útil.”

 

O Neto era resistente à tecnologia, até encontrar o programa. “Tenho que admitir que o acesso à internet me abriu muitas portas. Achava que ia ser muito complicado, muito difícil. Mas deu muito certo.”

 

“Fico imaginando uma pessoa que tenha as mesmas limitações que eu, o quanto o acesso a um programa como esse pode ajudar. A pessoa vai poder trabalhar, vai poder namorar, vai poder ser ouvida e vai poder acessar esse nosso blog. Não digo que é seu blog. Digo que é nosso blog porque você tem falado da nossa vida, tem trazido histórias maravilhosas, exemplos de raça, de superação.”

 

Tem toda razão, Netão. O blog é nosso.

 

Agarradinho nos outros... ai, esses meus amigos!!!

 

Antes que alguém diga que eu estou fazendo propaganda de uma empresa multimilionária, vamos aos fatos:

 

Em nenhuma mega store que tenha sites na internet é possível localizar e comprar o Via Voice. Em sites estrangeiros o software custa, em torno de R$ 300. É lamentável que uma ferramenta tão útil para a vida das pessoas seja tão difícil de encontrar no Brasil ( O Neto uma versão em português 9.0).

 

O programa pode ser localizado em sites de downloads, mas, a prática de baixá-lo é ilegal, uma vez que não se trata de um software livre, e também corre-se o risco de puxar um vírus. 

 

Há programas mais simples e experimentais sendo testados. Porém, os que conheço, ainda não valem a pena indicar. Se alguém tiver sugestões mais certeiras, é só enviar!

 

Sugiro, para quem tem interesse, que entre em contato com a IBM (eles tem uma central de atendimento) e peça o caminho para adquirir o programa aqui no Brasil.

Escrito por Jairo Marques às 23h55

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Da difícil arte de viajar

Sai de casa aos 17 anos para poder estudar na “capitar”. Ninguém acreditava, nem mesmo o povo lá de casa, que eu fosse realmente encarar o mundo assim, sozinho. Mas eu fui! Como já disse para vocês, a minha alma sempre foi muito irrequieta e a força de viver plenamente me puxou bem mais do que o comodismo e as tais “dificulidades”.

 

De lá para cá, já viajei um bocado e colecionei diversos galos na cabeça (vocês vão entender). No começo, era de “bumba”, depois de avião, hoje eu viajo bem mais de carro: “Uma hora a gente sobe na vida e vira zelador, né, seu Jairo”, dizia pra mim o Zé, meu amigo porteiro da Alameda Nothmann, aqui de São Paulo. É verdade, Zé, é verdade!

 

Para um cadeirante encarar uma rodoviária não é das aventuras mais fáceis. Primeiro porque o olhar dos outros é sempre assim: “Ah, coitado, deve estar perdido”.... “Ah, senhor, abandonaram o rapaz aqui”... “Ôh dó, deve ter caído do caminhão de mudança”.

 

Como eu sempre digo, vencer o olhar e a limitação que os outros colocam em alguém deficiente pode ser, em vários momentos, muito mais difícil do que as próprias limitações.

 

No tempo de faculdade, eu viajava de ônibus uma vez por mês. Ia de Campo Grande (MS), para Três Lagoas (MS), num percurso de cerca de 330 quilômetros. E era sempre, sem exceções, uma aventura.

 

Você já viu um guichê de viação de ônibus? É alto, bem alto, e o atendente invariavelmente não te enxerga na cadeira de rodas. Quando, enfim, ele te enxerga, ele não acredita. “Vai sozinho? Cadê sua mãe? Tem medo não? Ta fugindo de casa?”

 

 

 

 

Na hora do embarque é quando as emoções aumentam. O cobrador coloca todas as malas e vai ignorando que você está ali, à espera de uma fundamental ajuda para entrar no “buzão”. Quando não tem mais jeito, ele te olha e solta: “Vai viajar?”

 

Eu sempre fico com a sensação de que sou a última mala a ser guardada.

 

E ai o cobrador vem: “Agarra firme no meu cangote...Tá gordo, heim? Tem que ‘dismagrece’. Fica tranqüilo que se cair a gente cai juntos... (essa é bem acolhedora) Você não quebra fácil, não, né? Ai, que pesado. Olha a cabeça... Opa, desculpa ai!!!”

 

E lá se foi mais uma parte do meu cérebro naquela porta estreitinha do ônibus. Invariavelmente, a cabeça bate no batente e crio um novo galo.

 

Mais tarde, quando eu vim trabalhar na Folha, comecei a viajar mais de avião. Isso porque as distâncias era maiores a serem percorridas para fazer reportagens e porque eu tinha um pouco mais de grana. Não era mais aquela realidade de vender o almoço para comprar a janta.

 

Ahhh, o aeroporto. Aquela organização. Aquela gente culta, bonita, né? É naaaaaada. Aeroporto é uma rodoviária que abriga ônibus que voa.

 

No Check in: “O senhor consegue mexer as perninhas e ir caminhando até a porta da aeronave? Não? Então o senhor fica quietinho aqui do lado esperando o nosso despachante para ajudar, ta? Não vai sumir, heim?”. Eu não fico nunca. Não sou pedra pra ficar parado.

 

No embarque: “Crianças, idosos e portadores de deficiência terão prioridade”. Obaaaa... prioridade! Em aeroportos grandes, o acesso é mais fácil. Tem um tal de “finger”, um acesso que elimina a escada e a cadeira entra até o corredor da aeronave. Em outros, há carros com elevadores que erguem até chegar à altura do avião...

 

Bem, mas nos aeroportos menores.... Lá vai eu abraçar macho (num tem coração que agüenta ). E segue a mesmas história do ônibus: "Segura firme. Fica tranquilo... é ruim, mas passa logo (ui)." Só de ver aquela escadaria toda dá tontura... Mas não tem outro jeito e tenho de abraçar aos caras. 

 

Nas conexões: Ai você vira ninguém mesmo. O funcionário da cia aérea te pega e sai correndo pelo saguão e nem pergunta seu email, seu endereço. Não abre brecha nenhuma para algo mais íntimo, para marcar um café (uuui ).

 

Certa vez, quando fui para Colômbia, o despachante não me deixou nem respirar ao sair do primeiro avião (eu estava em Bogotá e ia para Cartagena).

 

“Señor, estas retrasado, estas retrasado.. vás a perder el vuelo”. E o cabra saiu comigo em disparada. Seguuuuura! Sabe medo? Então... tive medo de esborrachar a cara no chão. Então... eu tranquei... não passava nem pensamento... e o despachante colombiano correndo, quase alçando vôo com a minha cadeira.

 

Desembarque: Ai não tem prioridade nenhuma. Você fica por último... e entra a equipe de limpeza do avião e você tá lá... “Já vamos estar retirando o senhor, viu? Estão procurando sua cadeirinha no porão”, me tranqüilizam as comissárias.

 

“Não tão achando? Será que extraviou? Ele não tá com pressa, não. Ele é quietinho. Procura direito”, anuncia a comissária pelo rádio, para meu deleite. Já cheguei a ficar 40 minutos esperando... quase o mesmo tempo que a viagem.

 

Conto para vocês depois as aventuras de viajar de carro.

 

Em tempo: Um deficiente não é um extraterrestre que aparece de vez em nunca na terra. Muitos têm vida ativa, plena e viajar faz parte desse contexto. Em situações como as que narrei, uma ajuda é sempre bem-vinda. Você pode ajudar a levar uma mala, uma bolsa ou mesmo, se tiver condições físicas, se dispor a auxiliar na entrada e saída de ônibus ou mesmo um avião.

 

Pergunte a melhor forma de auxiliar. Mostre que você sabe que ali tem um passageiro comum, mas com uma necessidade diferente. Isso ajuda muito! 


Escrito por Jairo Marques às 21h30

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.