Assim como você
Assim como você
 

Da noite para o dia...

Meu povo, começo a semana com um saudável soco no estômago de vocês. Um texto pra refletir sobre a existência, para pensar em valores, para chorar e para rir.

É a primeira contribuição em texto que posto aqui e é de muita, muita qualidade.

Ele foi escrito por meu amigo de última hora, Evandro Bonocchi, que ainda tá meio perdido na Matrix dos deficientes (sabe que nem cachorro que caiu do caminhão de mudança? ). Ele conta pra vocês o que é acordar pela manhã, de repente, sem ter plenos movimentos e domínio sobre o próprio corpo.

O cara que, preciso admitir, passa de ano na belezura (ai, que gay), também tem um blog onde narra suas peripécias: o tocando a vida sobrerodas. Não tenho muito mais o que acrescentar, somente a agradecer a ele por ter nos dado esse presente.

Apertem seus cintos, abaixem o fogo do feijão, dêem mamadeira pros meninos, “arteiem” o volume do som e deixem as palavras do Evandro mudarem o seu dia... E tenho quase certeza que elas hão de mudar o seu dia.

 

Evandro e Dolores... uma graça a "mina"

 

Dia 9 de agosto de 2005, 19hs, acordo num quarto branco e gelado com várias infiltrações nas paredes, cinco pessoas me cercando, todas de branco. Até perceber o que tinha acontecido, levou uns 15 longos segundos...estava numa unidade de terapia intensiva, __Fodeu!!

Um dos médicos que lá estavam me pergunta se estou sentindo as pernas. ­­__Nada! Um frio passa pela minha espinha, uma sensação de medo toma conta do meu corpo. Rapidamente tento mexer meus braços e mãos. __Graças a Deus estão funcionando! Passo a língua nos dentes e percebo que estão todos no lugar.

Um outro médico vem ao meu encontro e me informa que sofri um acidente de moto e suspeita que lesionei a coluna cervical.

__Não vou mais andar? Perguntei.__Pode ser que não, pode levar até 2 anos para a medula voltar a ter a conexão perdida, disse o médico.

Um filme começou a passar na minha cabeça. Minha vida toda estava sendo exibida em seção única e sem cortes.

E agora, o que vai ser? E a minha namorada, o amor da minha vida? Meu futvolei? Perdi tudo! Acabou?!?

Tudo aconteceu em Ubatuba-SP.

Pela primeira vez na vida estava ganhando bem. Cheio de expectativas em relação ao meu futuro. Morar na praia, correr oito quilômetros todas as manhãs. Morar com a namorada, sexo dia sim dia também...Vida perfeita para um homem de 28 anos.

E agora?????????

Sete dias depois da cirurgia, haste de titânio com oito parafusos dentro de mim, (projeto de ROBOCOP) esse era o meu novo corpo. A minha lesão foi alta, T4, então não tenho sensibilidade nem movimentos dos mamilos pra baixo.

Com a titia, ainda no Sarah, em Brasília

Nesse dia viriam para me colocar sentado na cama. Com toda a certeza do mundo, foi a pior coisa que me aconteceu. Naquela hora eu vi o tamanho da cagada que tinha feito. Que sensação horrível!! Imaginem tentar deixar uma folha de papel em pé. Balançava pra frente e pra trás, como se estivesse sentado de lado num caiaque.

Após 27 dias de hospital fui pra casa dos meus pais.

Como um cadeirante caga? E pra mijar, deixa essa borracha aí mesmo?

Infelizmente, saímos do hospital e não de uma loja de eletrodomésticos, não temos manual.

Tudo é uma descoberta. Graças a Deus tenho pais maravilhosos que me deram dois irmãos fantásticos, costumo dizer que um é minha perna esquerda e o outro a direita.

Os primeiros dias foram difíceis, tremia de meia em meia hora sem saber por que. De repente, minhas pernas começam a mexer espontaneamente. A alegria toma conta do quarto. Mais tarde saberíamos que isso acontece mesmo, são espasmos. Que bosta!

Como resolvi tudo isso dentro da minha cabeça? Encaro as coisas com humor, faço graça da própria “desgraça”.

Uma coisa que me ajudou muito foram as visitas. Uns chegam e acham que vão encontrar um resto de gente e se assustam ao ver que a única coisa que mudou é o fato de estar sentado. Outros achavam estranho eu estar assim, rindo, contando piada da própria cagada (literalmente). Achavam que tinha batido não só a coluna, mas a cabeça também.

Mas a pior coisa para uma pessoa que fica nesse estado da noite para o dia é a dependência. Depender dos outros pra tudo é foda! Pega pra mim...quero isso...quero tomar banho...escovar os dentes..

Mas a virada pra encarar de frente essa “nova vida”, foi estar no Sarah, em Brasília (aquele hospital que arruma a funilaria da gente, que já contei procês). Quando cheguei ao hospital, me foi perguntado sobre o que esperava deles? Disse que se eles conseguissem me melhorar uma virgula, sairia de lá feliz.

Tanto saí, que vim embora pra São Paulo sozinho. Liguei pra minha casa e pedi que me esperassem em Cumbica, e assim foi. Cheguei melhor, mais forte e verdadeiramente mais “homem cadeira” do que nunca, pronto para viver dessa maneira, mas sem nunca deixar de lutar para me levantar.

Dois meses após o Sarah me casei. Continuo aprendendo a lidar com o meu corpo, e sempre é uma vitória quando faço alguma coisa nova, como nadar sozinho, jogar basquete, tomar uns comprimidinhos azuis e fazer festinha de noite (mente diabólica a de vocês, ele ta falando de confetes, sabe aquele doce?).

Me falta alguma coisa? Claro! Quero andar novamente.

Não sou nenhum revoltado, aceito o que aconteceu, vivo feliz e principalmente, adoro estar vivo! Mas jamais deixarei de sonhar. Quem não sonha não tem alma.

Escrito por Jairo Marques às 22h01

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Um protesto!

Povo, hoje eu tô mais “brabo” do que cachorro de japonês. Já viram cachorro de japonês rosnando? Então... eu!

 

 

 

Vocês sabem que além de blogar e contar piada aqui eu trabalho, né? Pois bem, mas tenho um prazer imenso em fazer essa festa diária, de tentar trazer cada vez mais informações e histórias para dar um brilho diferente no dia de vocês (ou nas noites).

 

 Mas, pra ter “qualidadchi”, tenho que ralar um pouco. Pesquisar, entrevistar, fuçar, ligar, insistir, mas, é gostoso, bem gostoso! O retorno com o carinho de vocês e com os relatos de mudanças de atitude que recebo todos os dias, valem muito a pena.

 

Por isso, vou fazer um protesto no último post da semana. Logo quando o “Assim como Você” foi lançado, recebi um email com elogios e cumprimentos da assessoria de imprensa da Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, órgão que é uma grande conquista, “pá nóis”, né, não?

 

A assessoria também ofereceu uma entrevista com a secretária Linamara Rizzo Battistella para tratar dos temas que envolvem a pasta.

 

 

Maraviwonderfull*, né? Aceitei na hora, claro, e passei alguns dias planejando a entrevista e vendo as demandas que vocês tinham de questionamento para transmitir à doutora, a qual não conheço, mas que tenho profundo respeito.

 

Bem, as perguntas foram encaminhadas há mais de um mês e não obtive as respostas: “Olha, ela tá viajando, foi num congresso”. “Olha ela já começou a responder, mas tá com a agenda lotada”. "Olha, semana que vem". Ontem, tentem mais uma vez, de forma infrutífera, conseguir as respostas da entrevista que me foi sugerida. Nada.

 

Enfim, a secretária não tem nenhuma obrigação de falar a esse blog e muito menos com os milhares de deficientes e não-deficiente que o acessam semanalmente. Mas, a meu ver, seria uma oportunidade bacana para mostrar a que veio mais essa repartição pública gerida com o nosso dinheiro.

 

Em respeito a vocês, a mim, e como não obtive nenhuma perspectiva de que teria as respostas, então, publico as perguntas que enviei à assessoria de imprensa da secretária e confirmei o recebimento. Se um dia a doutora resolver responder, prometo publicar também.

 

Um ótimo final de semana pra vocês! E me aguardem. Na segunda, se eu não for fuzilado,  vai ser massa!

 

As perguntas:

 

1 - As ofertas de emprego para uma pessoa com algum tipo limitação costumam ser centrada em trabalhos de baixa qualificação. Como é possível mostrar ao mercado que deficiente não quer só trabalhar com telemarketing e apertador de botão?

 

2 - A sra. é médica fisiatra, altamente qualificada, mas não tem nenhuma deficiência física aparente. Isso não joga contra o trabalho de uma secretaria inédita para tentar sanar um pouco as dificuldades das pessoas com limitação? 

 

 

3 - Quando a senhora vai a um restaurante em que o banheiro não tem adaptação ou a um prédio público do governo do Estado que não esteja preparado para receber um deficiente, a senhor a reclama, mostra a carteirinha de secretária e exige providência?  

 

4 - Que tipo de avanço a senhora acredita que já conseguiu à frente da pasta e quais ainda pretende conseguir?

 

 

5 - Os governos estaduais ainda não abriram mão da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) para a compra de veículos por parte de pessoas não condutoras. Considerando que cegos, alguns tetraplégicos, deficientes mentais não podem dirigir, a secretaria tem essa causa como meta? O governador José Serra não pretende rever essa renúncia que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas?

 

6 - São Paulo tem centros de pesquisas de excelência mundial. Uma vez que o Supremo autorizou as pesquisas com células tronco, a senhora avalia que deverá haver investimentos do governo estadual para o fomento do avanço científico nessa área?

 

 

7 - Quais os canais de comunicação que a secretaria têm com o público?

 

8 - A Folha já publicou reportagens mostrando a falta de adaptações e de qualificação de professores da rede estadual para receber e ou atender alunos com alguma deficiência e que culmina sempre com dramas pessoais. Que tipo de ação a senhora prevê para esse caso em especial?

 

9 - A secretaria tem orçamento próprio ou é um órgão só representativo?

 

 

 

* Tanks, Mundo Canibal!

 


 

AS RESPOSTAS!!!

 

Pessoais, pelo bem da transparência, coloco aqui a resposta que a assessoria de imprensa gentilmente deu ao post. Está nos coments, mas vou publicar aqui também

 

Caro Jairo, parabéns pelo seu trabalho. Sou a Coordenadora da Comunicação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. A assessora de imprensa que esteve em contato com você para viabilizar a entrevista foi a Raquel. Estou escrevendo apenas para dizer que a Secretária irá responder sim suas perguntas, mas não o fez até o momento porque as viagens informadas foram mesmo reais. Ela esteve a trabalho na Turquia, Bélgica e várias vezes em Brasília articulando com muito empenho a aprovação da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência junto ao Senado. Temos muito respeito pela Imprensa e informo que suas perguntas, mais que pertinentes, serão respondidas o mais breve possível. A pasta foi recém-criada e estamos também criando um site bem legal, com blog e tudo. Assim que colocarmos no ar a gente informa o link para que você e todos possam acompanhar nosso trabalho, mas antes disso, você terá a sua entrevista, garanto. Abraços a você e todos os que nos lêem.

 

Escrito por Jairo Marques às 22h38

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Como é que ela faz?

Seguindo na série sobre como o povo da matrix faz para se virar e conseguir usar a  internet e outros instrumentos eletrônicos, hoje conto um pouco sobre a Vivi, a Viviane Garcia, que é cega, tem 29 anos, é uma das primeiras “seguidoras” do blog. Ah, sim, ela é uma gata!

 

A Vivi usa um software bastante avançado no computador de casa e do trabalho _ela rala em uma seguradora como monitora de qualidade_, o Jaws. O programa, que tem versão em português, faz a leitura das palavras escritas em sites, blogs, documentos e as converte em som. Se ligaram?

 

 

 

Claaaaro que o Jaws custa um pequeno saco de dinheiro, né, pessoal. Se fosse fácil de comprar, barato, não combinaria com a vida de alguém “assim como você”, que torra boa parte da grana para conseguir viver de forma mais plena (notaram que hoje eu tô revolts?)

 

“Nós deficientes visuais conseguimos fazer inúmeras coisas. No trabalho o computador tornou-se uma ferramenta indispensável. Sim, fazemos no computador todos os trabalhos com independência e qualidade”, me escreveu a Vivi.

 

Há outros softwares que também são capazes de fazer a leitura das palavras escritas e, com o tempo, vou mostrando pra vocês. O Jaws, porém, é um dos mais avançados.

 

O único limitante do programa é, obviamente, a interpretação das imagens: “fotas”, ilustrações, desenhos ficam sem leitura. Mas, ai, entra em cena quem??? Os amigos! Tem sempre alguém do lado que faz a leitura da imagem. O bom disso é que sempre rola uma interação, né, não?

 

“O Jaws é meu companheiro diário para o trabalho e para o lazer. Come ele eu navego na internet, converso com amigos no msn e utilizo o Orkut”

 

 

A associação Laramara pode intermediar a compra do software que, mais uma vez, não encontrei em lojas virtuais do Brasil (no vi da de!).

 

 

“Podem ter certeza de que os limites existem, sim, mas, só são barreiras para quem não tem forças de enfrentar os desafios. E nem precisa ter deficiências para passar por desafios, certo?”

 

Certo, Vivi, certo.. se bem que, o fato de você, além de trabalhar o dia todo, DAR AULAS DE PORTUGUÊS numa escola pública de São Paulo à noite, e fazer DANÇA DO VENTRE, me parece um pouco de falta de vontade, viu? Tô te achando  meio mole....

Escrito por Jairo Marques às 22h09

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

“Curiosidadchis”...

Qual é a sua praia?

 

 

 

Já faz uns dois ou três anos que inventaram esse veículo praiano “pá nóis”. Ele permite que cadeirantes, idosos ou uma pessoa com dificuldade temporária de locomoção consigam aproveitar melhor a praia.

 

As rodas infláveis do treco flutuam no mar e se deslocam tranqüilamente pela areia.

 

A cadeira de rodas tradicional empaca as "patas" da frente na areia e vira uma meleca. Nem eu que sou malhado, forte consigo desatolar .

 

Uma belezura, não acharam? Custa caro pra caramba.com.br e ocupa um espaço medonho no carro. Ainda bem que tenho aquela kombe véia que vocês conhecem .

 

Seria ótimo se prefeituras litorâneas, hotéis, pousadas comprassem e deixassem à disposição dos clientes e banhistas. A meu ver, é uma forma de garantir um direito fundamental de todos: o de ir e vir. Concordam?

 

Pra rua me levar

 

Uns “homi” doido aqui de São Paulo estão desenvolvendo uma espécie de prancha que promete ser capaz de se encaixar em qualquer cadeira de rodas e, num passe de mágica, tornar-na motorizada.

 

 

Pode ser uma solução interessante para brincar o Carnaval na Bahia, visitar museus, andar grandes distâncias. É que cansa um bocado tocar as rodas sozinho, às vezes. É esperar para ver se rola.

 

 

Veja bem, preste atenção

 

 

Este equipamento ajuda um bocado quem tem limitações de visão. Ele aumenta o tamanho das letras de um livro, de uma revista, por exemplo, diretamente na tela de uma espécie de monitor à medida que o usuário conduz o cursor.

 

Há várias versões do produto. Das mais simples até as mais tecnológicas que projetam as imagens na tela do computador. O lance é vendido pela empresa "Terra Eletrônica". Não achei barato, mas eu não sou parâmetro porque sou pobre . Se fizerem uma busca, uma "googada", vão achar.

 

 


 

Novo colega

 

Pra quem não conseguiu ver o JN (Jornal Nacional) de ontem, coloco aqui mais uma reportagem que eles fizeram de gente "Assim como Você". O "caboclo" tem paralisia cerebral e está concluindo o curso de jornalismo. Os portais também divulgaram a história que, me pegou de jeito... Bem-vindo, colega Eduardo!

 

 

Escrito por Jairo Marques às 22h54

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Rodas, talento e sex appeal!

Hoje vocês vão conhecer uma das representantes mais midiáticas da Matrix dos deficientes: a deslumbrante Tabata. (Prometo que vou trazer um “homi lindio e dilícia” para as gurias tietes do Assim Como Você, em breve. Por enquanto, vão beijando a minha foto ai do ladinho) 

 

Quando vi essa moça, de 27 anos, em uma apresentação artística pela TV tive um click instantâneo: Ser mulher e cadeirante, não inibe, de forma nenhuma, a vaidade, o poder de seduzir _seja com a beleza seja com a simpatia_, o sex appeal.

 

 

 

A loira, que é filha da Elaine e irmã da Bebel e da Tuka, já foi capa e editorial de revistas, dança hipnoticamente sobre as quatro rodas da cadeira, é modelo publicitária, consultora em inclusão e técnica em medidas de cadeiras de rodas para lesado medular.

 

Querem mais? Tabata é atriz e estuda interpretação em uma conceituada escola de São Paulo. Não tenho dúvida que fará muita gente rir, chorar e vibrar com suas rodas pelos palcos do mundo.

 

 A “Tabs” entrou para o grupo dos cadeirantes há sete anos, no último dia de 2000, após um acidente de carro em uma rodovia de São Paulo. Era a única que não usava cinto de segurança. Ela já passou na “faca” algumas vezes para se reabilitar, também teve aquela "pereba na bunda" que a doutora Natália teve. Usou colete para “soldar” a coluna, reaprendeu a viver e foi mais uma que o hospital Sarah deu o tapa final na funilaria, consertou tudinho , e consertou muito bem, falaí, meu povo?

 

 

A entrevista que fiz a com a bela talentosa traz informações que, garanto, vão tirar o fôlego e abrir a mente de muita gente. Então, com vocês, o brilho e a intensidade da estrela Tataba Contri:

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 07h44

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Assim como você: Você é vista em comerciais, revistas, dando entrevistas, fazendo apresentações teatrais, participando de manifestações do Movimento Superação. Quando vai fazer novela na “Grôbo”?

 

 Tabata: Hahahahaha, quem me dera. Eu não sei, tenho que estudar muito ainda!

 

 

 

 Assim como você: Falando em novelas, deficientes só aparecem nesse tipo de programa como alguém abatido pela guerra, né? Triste, desolado, sofredor. Há exceções, mas me parece quase uma regra. O que falta para mudar isso?

 

 Tabata: Putz, Jairo, nem me fale, cada vez que alguém fica cadeirante numa novela, volta a andar milagrosamente. Isso é ridículo porque não é real. Daí a avó de um amigo que é tetraplégico fala que ele não anda porque é preguiçoso!

 

Já imaginou, uma cena diferente? Um cara cadeirante, gato, estacionando o carro, sacando as rodas, montando a cadeira e encontrando a namorada? Ela senta no colo dele e ele tasca um beijo na boca dela!!!  Lindo, né, ninguém ia ficar com dó desse cara!  Mas aí a novela mostra o drama, a tiazinha fica chorando no sofá da sala vendo a novela e tudo que ela quer é que o cara volte a andar. E o autor por sua vez, faz o milagre acontecer! Isso é muito falso. A TV precisa de verdade! Quem sabe assim as pessoas parem de estranhar a gente nas ruas, né!

 

Outro dia eu tava lá na Liberdade (um bairro de Sampa cheio de japas) e veio um velhinho correndo atrás de mim, me mostrou um jornal e disse: “Olha fia, se você for nessa igreja vai se livrar desse carrinho aí!” Eu disse que eu gostava do meu “carrinho”! Poxa a cadeira de rodas não prende ninguém, pelo contrário ela liberta! Eu vou pra onde eu quero a hora que eu quero!

 

 

 

Assim como você: Li no seu blog que você vai estudar para se prepara melhor para botar “suas rodas” no palco. Dá pra ser uma atriz “normal”? Como fazer o público parar de olhar a cadeira de rodas e ver o talento?

 

Tabata: Hummmmm, faço teatro há cinco anos, sou de uma companhia que se chama Cia. Mix Menestréis, é um trabalho artístico animal, quem não conhece espera ver “deficientes mexendo os bracinhos”, mas sai de lá falando “Ca...ra...lho! que fera”. Tenho certeza que estas pessoas, em algum momento do espetáculo, deixam de ver as cadeiras e passam a ver as pessoas.

 

Agora, tô estudando na escola de atores do Wolf Maya. Sou a única cadeiruda de lá, é um desafio porque nem eles estão acostumados com isso, mas adoro desafios, sabe, quero estudar e aprender sempre mais, pra fazer bem feito.

 

 

 

Assim como você: Você se destaca muito nas mídias, também, por chamar atenção com a beleza. Quando a gente é deficiente, então, a gente não deixa de pentear o cabelo, tomar banho, ir à academia?

 

Tabata: Olha, de pentear o cabelo não deixo, mas, confesso que não vou a academia faz um tempão! Hehehe Mas é lógico que gente deficiente faz tudo isso, será que tem gente que acha mesmo que não? Vaidade todo mundo tem independente de ser cego, surdo, cadeirante. Eu não sou o ápice da vaidade, mas faço as unhas, vou ao cabeleireiro. Às vezes, faço dieta, mesmo que não dê certo! Gosto de me produzir pra ir à balada, como toda mulher de vinte e poucos anos, ué!

 

Tenho algumas amigas que são cadeirantes e colocaram silicone, não sou uma delas, mas é só pra ilustrar que a gente também é vaidosa tá! Quando eu fazia natação o dono da academia teve que fazer uma rampa na entrada porque só tinha escada. A gente pode transformar o mundo sabia? É só sair à rua com sorriso no rosto e contar pras pessoas que a gente quer uma porta mais larga, um banheiro maior, tem que ir pelo amor e não pela dor!

 

 

Assim como você: A deficiência, de alguma forma, afetou sua feminilidade? Se sente por acaso menos atrativa para os outros e se acham menos paquerada que as mulheres “rebolativas”?

 

Tabata: Magiiiiina, sou tão paquerada quanto antes, só que quem chega junto não ta interessado só na minha bunda, até porque não dá pra ver!

Sabe que eu nunca perdi minha feminilidade, nunquinha, sempre me achei gostosa e tenho uma amiga que me zoa, ela fala “que gostosa o quê! Maior perna fina!”, eu me acho mesmo assim.  Logo no começo da lesão li vários livros, sobre sexo tântrico, entre outros.

 

 

Assim como você: Também li que você tem momentos em que explode, parece sentir o impacto de sua vida ter mudado radicalmente ao agregar quatro rodas. É isso mesmo? Como você supera isso?

 

TabataMeu, eu não explodo porque sou cadeirante. Explodo por que explodo e pronto! Sou de carne e osso e sinto raiva, alegria, tristeza, tesão, medo, ansiedade como qualquer pessoa viva. Eu tô viva, graças a Deus, e não fico parada, não sou coitadinha e muito menos heroína, simplesmente não faço mais do que minha obrigação como ser humano, viver, trabalhar e ser feliz!

 

 

 

Assim como você: Quando vejo você dançando sinto que, realmente, a gente pode fazer tudo. Dançar é bom e você recomenda?

 

Tabata: Ai, Jairo, dançar é uma delícia!!! Esse fim de semana eu dancei horrores, fui a um show, viajei, e fui em festa junina!!! Eu também fazia academia de dança da Suzie Bianchi, é demais! Danço nos musicais da oficina, fiz teatro musical no Senac. E não precisa ser profissional, se sentir vontade dança e pronto.

 

 


Escrito por Jairo Marques às 07h44

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Na hora do aperto

Sabe aqueles dias que você sai de casa rumo ao boteco na sublime intenção de beber seis chopes e três “pastel”? Bom demais, né, povo?

 

E ai aquela delícia toda geladinha vai ocupando lugar na sua bexiga enquanto o papo com os amigos vai ficando mais divertido, afinal, já tá todo mundo “breaco” e a risada fica cada vez mais frouxa...

 

Frouxa também vai ficando a resistência de segurar a vontade de dar aquela urinaaaaada, né? Aquele xuuuuá gostoooso na privada... Aliviar os pensamentos para poder beber mais...

 

Agora, meu povo, pensa você seguindo em direção ao WC e ir percebendo, de longe, que a porta do paraíso não vai permitir que você entre motorizado com sua cadeira de rodas nele? Você faz o quê? Chora? Faz ali no cantinho, escondido? Chama o garçom?

 

 

“Eu te ajudo! Vamos empurrar a cadeira com mais força que passa na porta, sim”. “Ih, rapaz, não vai passar”. “Você ta muito apertado, mesmo, fio, não dá pra esperar mais”? “Então, me agarra aqui que te ajudo. Fica ‘tronquilo’ que te coloco ali na privada”, dizem sempre os garçons mais solícitos.

 

E quando junta um monte de gente para tentar resolver o meu problema do chope? “Vem aqui no banheiro dos fundos” (esse, geralmente, é ainda menor). “Tenta entrar no banheiro das ‘muleres’ que é maior (eu já tentei váaarias vezes)”. E eu ali, usando a meditação zen budista enquanto não desistem.

 

Pô, não rola inventar soluções exóticas, gente. Banheiro é um lugar de reflexão solitária ou, no máximo, para ter a companhia de alguém que a última coisa que você fará com ela é usar mesmo as dependências sanitárias .

 

Sempre vou embora do bar que não consigo entrar no banheiro sem me render ao charme dos garçons. Me recuso a abraçar o cidadão, por mais “gato” que ele seja  .

 

 

 

No máximo, quando estou com algum amigo de longa data, aceito que ele fique de “butuca” enquanto eu pratico tiro ao alvo da entrada da porta até a privada. (Construíram a cena na cabeça? Ridicoloman, eu, sei).  

 

Mas esta situação é totalmente precária e nem tem graça, não. Há pessoas que precisam entrar, mesmo, dentro da “casinha” porque usam sondas e não dá, de forma nenhuma, para fazer no improviso. Mas à frente, explico para vocês melhor esse processo.

 

Já vivi diversas histórias de blog por causa de banheiro ou por falta de um em condições de tráfego. Quem anda e consegue passar por portinhas estreitas só se lembra do WC quando precisa, não é? Quem é cadeirante já pensa no “como será o mictório” bem antes de sair de casa.

 

Adaptar um banheiro não é algo tão complexo para um bar ou um restaurante. É uma solução simples que pode manter os clientes por mais tempo no local. É uma ação de cidadania, de bom senso, de vontade, de respeito com as diferenças. 

 

Certa vez, o “portuga” de uma padaria que freqüento sempre abriu a mão e investiu na adaptação de um banheiro exclusivo para deficientes no estabelecimento dele, que recebe centenas de pessoas por dia.

 

Logo após a inauguração oficial da “casinha”, fui com um amigo almoçar na padoca e o portuga não me deixou em paz: “Vem ver!!!! Vem ver o banheiro que fiz PRA VOCÊ” (é cada coisa que a gente tem que escutar).

 

 

“Deixa só eu almoçar, ter uma vontadezinha de ‘xixizar’, que visito, viu, seu portuga”, disse eu para acalmar a emoção do homem.

 

Não demorou nem cinco minutos ele voltou: “E aí, já foi lá? Ficou bom??? Tá do jeito que VOCÊ queria? Ficou bonito?” Eu não tinha ido, ainda...

 

Passados mais quinze minutos o portuga não agüentou mais. “Deixa que eu te levo até lá”. Pessoal, eu ainda estava comendo, com o macarrão entalado na garganta, e o homem me tirou da mesa.

 

“Olha essa ardósia que mandei colocar aqui. Essa válvula é de primeira linha, viu?! O tamanho ta bom pra você? Todas as medidas foram conferidas por um arquiteto qualificadíssimo, viu?”

 

Sabe, povo, o banheiro da padaria do portuga realmente era perfeito (só faltou ter maçaneta na porta. Algum gênio disse a ele que não era permitido. Ai, ai...). A estrutura da padoca ainda precisa de alguns reparos, mas já tem um bom começo.

 

Apesar do agir afoito do dono da padaria, saí de lá contente. Dá pra tomar muitos chopes ali sem ficar pensando se vou ou não poder ir ao banheiro.

Escrito por Jairo Marques às 22h48

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para ver...

"Pessuar", o tio ontem foi pra farra e não conseguiu fechar o post do dia.  Pô, né, povo, "nóis" é gente também! E se eu não for pra rua acaba o "homi das histórias"!

Mas, como eu sou um menino "bão", deixo para vocês um videozinho de tirar o fôlego. Pra mim, ele apresenta uma profunda reflexão sobre solidariedade, sobre entender e aceitar o outro de uma forma verdadeira! 

Quiça todos nós tivéssemos a coragem de tomar sempre atitudes, como a que vocês poderão assistir aqui, simplesmente para nos sentirmos... iguais.

No começo, achei muito forte para postar no "Assim como Você". Porém, como pelo menos três pessoas me indicaram, analisei melhor e concluí que vale mesmo dividir com tudo mundo.

Bom final de semana. Segunda a gente brinca mais!

 

Em tempo: Os amigos das pessoas que não podem ver, vamos caprichar na tradução, heim? Juju, manda bem ai para a Vivi (leiam os últimos coments que vão entender! )

 

Escrito por Jairo Marques às 00h00

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Gol mil!!!

Nos últimos trinta dias virou rotina eu chegar pela manhã no jornal e encontrar um correio eletrônico de um de vocês dizendo assim: “Jairo, leio seu blog todos os dias e me emociono, dou boas risadas, aprendo”... O que chama muito a minha atenção é que boa parte desses leitores são pessoas de fora da matrix de quem tem alguma deficiência

 

E o pessoal me cumprimenta também sem parar na redação da Folha, na rua, me mandam recados por meio de gente que virou história no blog. Tem quem ria e chore, tudo junto, com os textos em frente ao monitor (jornalista é tudo abilolado, eu sei). Tem gente que vibra.... tem gente que me fala: “Jairoooo eu chego louca pra ler seu blog”. Pô... como não se emocionar?!

 

 

 

Bem, talvez o melhor nome para este texto fosse “lambendo a cria” ou post para se “amostrar”  . Mas, coloquei "Gol mil" para dizer que, em um mês, o “Assim como Você” já coleciona quase 700 comentários (pessoas que deixam recados, idéias, sugestões no corpo do blog) e algo perto de 500 emails recebidos. Ou seja, marcamos bem mais que mil gols!.

 

 

Acho que preciso dividir um pouco dessas respostas tão carinhosas e tão positivas com vocês que estão fazendo essa idéia ir cada vez mais para adiante. Ah, sim: e eu ganho o meu dia quando um cadeirante ou um cego, por exemplo, se manifesta dizendo que se identificou com as histórias, que se sentiu prestigiado, que se sentiu, mesmo, incluído!

 

O Daniel Bergamasco, correspondente da Folha em Nova York e que tem feito um trabalho de primeira linha nos EUA, me escreveu dizendo que tá no time dos “viciados” no blog e que eu tô virando o “Bruno Surfistão” da blogosfera...

 

Ele disse isso porque eu não sou mais chefe dele, né? (fui durante dois meses). Se fosse eu mandaria ele fazer a cobertura da Laura Bush entregando cestas básicas durante um mês como castigo! Mas confesso que tô pensando em fazer uma lipo antes de entrar no ramo dos “pograma”.

 

Povo, mas o que eu quero mesmo pontuar é que a pessoa com deficiência está na mídia e, agora, tem de ser pra valer. Depois do surgimento deste blog (ai que metido), tenho visto muito mais histórias de superação e coberturas que envolvam a deficiência pipocarem. Casualidade? Sei não, sei não.

 

Como trabalho em um jornal, tenho muito acesso a outros meios de comunicação e posso afirmar com propriedade que a presença de vocês aqui e de todos os fabulosos personagens que emprestam seu carisma a este espaço têm chamado a atenção e despertado o interesse para novas frentes de mostrar e abordar assuntos de gente “Assim como Você”.

 

 

 

Querem exemplos? O Estadão desta semana publicou em seu caderno Link, sobre tecnologia, reportagem de capa com vários programas que auxiliam quem tem algum tipo de limitação a se virar na internet e no computador.  O Jornal Nacional trouxe há duas semanas reportagem sobre cegos que degustam vinhos. Programas matinais da Rede TV! exibiram histórias de gente que vence suas barreiras diárias. E tem a Band, a Ana Maria Braga...

 

 

 

E a Folha? Posso garantir a vocês que o jornal também tem apoiado muito os nossos devaneios, sobretudo por meio da Folha Online, e está fomentando idéias para ampliar os serviços voltados ao deficiente físico.

 

Estou devendo um agradecimento especial ao cartunista Jean, que criou o topo deste blog, alvo de diversos comentários. Realmente, ficou de tirar o chapéu, não acharam?

 

Por fim, mais uma vez o tio abraça a vocês por fazerem deste espaço uma festa cada vez mais divertida e, como não dizer, um meio realmente capaz de dizer que ser diferente não quer dizer ser menos ou ser mais... é tudo igual...

Escrito por Jairo Marques às 22h12

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Curtinhas...

O que eu quero? Emprego!

 

Como ontem falei sobre o doutor Ricardo Tadeu, procurador do trabalho, hoje deixo uma dica que me parece ser bem legal e importante para quem está na luta por um “trampo”, um "job", um "ganha pão".  

 

O empresário Cláudio Tavares, 30, que é deficiente, criou um site que concentra vagas no mercado de trabalho voltadas exclusivamente para a pessoa com deficiência! Tuuudo “pa nóis”. Boa idéia, não?!

 

No portal também há dicas de qualificação profissional, sugestões de cursos, espaço para cadastro de currículos e muita informação sobre o mercado voltado a quem alguma limitação física. Empresários podem acessar o site para procurar por profissionais e deixar de reclamar que não há gente para ocupar as cotas de vagas especiais!

 

Ele teve a idéia porque "camelou" muito para conseguir seu próprio espaço e ganhar uns “reaus” para se sustentar. Sem trabalho, não tem realização, não tem cidadania, não tem conquistas, né, não?

 

Eu dei uma boa examinada no portal que o Cláudio demorou dois anos para concretizar. Me pareceu muito bem feito e de ótima qualidade. Pode ajudar muita gente!

 

 

 

Para irem direto ao site, dá um click aqui! Depois, me contem o que acharam!

 

Marca ai no seu “calendaro”

 

Em agosto, no Rio, vai acontecer no Riocentro, a Reintegra 2008. Os "pessoais" da organização esperam juntar 15 mil pessoas para tratar de temas que envolvam a deficiência.

 

Quando? De 15 a 17 de agosto, no Riocentro,  no Rio

 

Quem vai? Pessoas com deficiência, autoridades, instituições públicas e privadas, empresários, ONGs e profissionais especializados

 

O que vai rolar? Debates e trocas de experiências. Com o objetivo de promover a inclusão social, o regaste à cidadania e a questão da acessibilidade, abordando projetos e programas em prol de ações concretas.

 

Que mais? Vai haver workshops, painéis temáticos, fóruns, além de atividades culturais e esportivas.

 

E daí? Na ocasião, também haverá ainda a Feira Internacional de Reabilitação e Acessibilidade, onde serão apresentadas novidades, soluções e avanços tecnológicos nas áreas de equipamentos, produtos, serviços em comunicação, construção, arquitetura, design, lazer, esportes, recreação, sistemas de informáticas e automóveis especiais.

 www.reintegra.com.br

 

Bora dançaaaar!

 

 

No dia 21 de junho, o grupo "Dança e Arte", que tem a proposta de mexer os "corpichos" para promover a inclusão, vai se apresentar em nove terminais urbanos de São Paulo. É "di gratís" a partir das 11h, em São Paulo 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 23h25

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O homem que vê caleidoscópios

A história de hoje vai mostrar um elemento fundamental para que gente “Assim como Você” atinja o sucesso: bons amigos. Eu tive muita sorte de encontrar no meu caminho pessoas da melhor qualidade que me ajudaram em todos os momentos.

E foi assim na infância, quando meu melhor amigo da época, o Crô ou Crodô (Clodoaldo Aragão, para os menos íntimos) me carregava para jogar futebol na rua e quebrar vidraça dos vizinhos  .

Foi assim na juventude, quando meu melhor amigo, que é até hoje, o Heric Steinle, me enfiava dentro de um “bumba” fosse para ir às baladas, fosse para fazer um trabalho da faculdade.

É segue assim na vida adulta em diversas situações. Então, se você é amigo de uma pessoa com deficiência, saiba que poderá estar ajudando a construir um futuro promissor para ele com sua atenção e dedicação verdadeiras!

O doutor Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, 49, ficou cego em pleno tempo de faculdade, aos 23 anos. Para se tornar advogado, os colegas da turma de 1984 da Faculdade de Direito Largo de São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo) tida como a melhor do país, gravavam o conteúdo das aulas diariamente para que ele pudesse estudar.

Hoje, doutor Ricardo é procurador do trabalho atuando na Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região, em Curitiba (PR). Ele, que afirma ter ganhado um presente com a cegueira, pois passa o tempo todo vendo caleidoscópios, foi aprovado em 6º lugar em um concurso em que disputaram 5.000 candidatos.

O procurador, que tem mestrado e doutorado, chegou a ser reprovado em um concurso para juiz, no qual havia passado no exame escrito, em 1990, com a justificativa de que a Justiça não poderia aceitar uma pessoa cega. Ele aprendeu a linguagem Braile, mas devido à dinâmica do trabalho no Ministério Público, se utiliza mais da tecnologia e usa programas que lêem os documentos direto do computador.

Agora, abram bem os olhos ou aumentem o volume do seu som, e aproveitem a entrevista que fiz com o homem que vê caleidoscópios, o marido da Suzana e pai da Maíra e da Iara. 

 

Fotos: Fábio Pupo

Assim como você: Como o sr. foi reprovado num concurso de juiz por ser cego, quer dizer, então, que a máxima que Justiça é cega não é verdade?

Doutor Ricardo Tadeu: O Judiciário, à época do meu concurso, desconhecia as possibilidades reais de um deficiente visual. Preocupados com a segurança da Justiça e a minha própria segurança, acabaram me reprovando. O Poder não estava pronto para uma pessoa cega naquela ocasião. Hoje em dia, tudo mudou e tenho sido convidado para disputar uma vaga nos tribunais de segunda instância. Estou pensando no assunto. Gosto muito do Ministério Público. Entendo que atualmente as dúvidas já estão superadas sobre as minhas capacidades. Acredito que um dia uma pessoa cega vai conseguir ser juiz e pode ser breve.

Assim como você: Qual a cor da cegueira do sr.?

Doutor Ricardo Tadeu: Cada um vê sua cegueira de um jeito. Depende das referências que você tenha tido, se chegou a enxergar em algum momento da vida ou não. No meu caso, tenho uma visão muito bonita. Devo ter algum resíduo de funcionamento da retina, bem pequeno, menos de um 1%, e isso me proporciona uma visão muito interessante. Vejo formas geométricas se misturando a cores que vão se intercalando: amarelo, verde, vermelho, azul. É muito bonito. Me lembra muito um caleidoscópio. Acho que é a resposta do cérebro ao mínimo de luz que ele consegue captar, mas não tem nada a ver com a iluminação externa. Considero essa visão como um prêmio que ganhei ao ficar cego.

 Assim como você: Por que as empresas continuam oferecendo apenas trabalhos de baixa qualificação para as pessoas com deficiência?

Doutor Ricardo Tadeu: Você está colocando a questão de um ponto de vista bastante otimista. Nem estas vagas mais simples grande parte das empresas estão oferecendo. Elas sempre encontram obstáculos para contratar pessoas com deficiência. E existe uma corrente muito forte, principalmente aí em São Paulo, contra a lei de cotas no mercado de trabalho. Em relação ao progresso para vagas mais qualificadas, acho que falta uma sintonia fina, é uma questão muito complexa e estamos numa etapa muito inicial. Embora a lei de cotas seja de 1991, ela começou a ser aplicada em 2000, quando foi regulamentada. Na Europa, as leis de cotas têm 50 anos. Acho que vamos levar algumas décadas para amadurecer a legislação. O que não é possível é abdicar deste direito.

Assim como você: O sr é um grande craque no drible da deficiência. Conta um pouco os gols que o sr. marcou e os tombos que o sr. levou.

Doutor Ricardo Tadeu: Vejo nos outros os problemas que eu vivo e vivi. Há de ter consciência de que estamos transformando a sociedade brasileira e não somente em relação à visão sobre a pessoa com deficiência, mas em relação ao próprio processo democrático. Acho que a luta dos grupos mais vulneráveis é uma luta inerente ao amadurecimento da democracia. As mulheres lutam por suas questões, os negros no Brasil lutam por suas ações afirmativas, os homossexuais procuram seu espaço e seus diretos. Na minha trajetória pessoal, o mais difícil eu pontuo o meu desgaste e as minhas responsabilidades de representar bem os cegos. Sou o único membro do Ministério Público do país a ter essa condição. Meu trabalho é muito observado e sou rigoroso no que faço. Quanto às conquista, ressalto que sou fruto de um grupo que me cerca, dos meus colegas da turma de 1984, que sempre rendo homenagens, da minha família, da minha mulher. As pessoas não devem acreditar nas barreiras que são impostas a elas, mas, sim, em suas capacidades de vencê-las. Não fiz nada sozinho e tive muitos privilégios na vida.

Assim como você: O sr. acredita que há uma projeção de falta de capacidade intelectual na pessoa com deficiência?

Doutor Ricardo Tadeu: Não. Não avalio assim. Acho que muita gente olha a pessoa com deficiência com desconhecimento e tentam a superprotegê-las ou subestimá-las. É uma questão cultural. À medida que a gente é conhecido e se manifesta, passa a haver um respeito muito grande. É preciso romper a barreira do desconhecimento. Não que, necessariamente, as pessoas considerem a pessoa com deficiência incapaz. É que, necessariamente, não conhecem o assunto.

Escrito por Jairo Marques às 22h27

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Quer que eu te empurre?"

A frase “quer que eu te empurre?” foi seguramente uma das que mais ouvi na vida até hoje. Se somar a variante afirmativa “deixa que eu te empurre” e a versão mais agressiva, mais “pedreiro man” (ui), “tira a mão daí que eu empurro”, não me restam dúvidas, é a frase que mais escutei até hoje.

 

Confesso a vocês que quando estou subindo uma rampa íngreme ou uma rua com forte desnível, sabe quando a gente fica com a língua pra fora, com cara de cachorro em frente do açougue? Então, ai eu torço forte para que venha um “quer que eu te empurre?” para me dar aquela “mãozinha”.

 

Muita gente pensa que cadeirante é tudo revoltado. Que vai xingar a mãe, tacar pedra ou chamar a “puliça” ao se oferecer um apoio, um auxílio. Não é beeeem assim, não. Uma ajuda pode ser bem-vinda, é claro. Mas há casos e casos.

 

Imagine você andando pela rua e, de repente, alguém te toca o braço. Não é seu vizinho, não é seu parente, não é seu amigo nem é seu padeiro preferido. É bem provável que você não vá gostar disso.

 

 

A cadeira de rodas, para os seus usuários, é como se fosse parte do corpo. Por mais esquisito que possa parecer, é assim que funciona, é assim que sentimos.

 

Quando surge, então, alguém para ajudar, esse alguém precisa estar ciente que estará tocando no próprio corpo do cadeirante. O mesmo acontece ao tocar uma muleta, uma bengala ou mesmo os óculos. Eu posso estar afim dessa pegação ou não, oráite?

 

Outro aspecto que, às vezes, pode justificar uma negativa de ajuda é que a cadeira não é um carrinho de mão  . Por mais que pareça fácil manejá-la, uma pessoa sem a menor experiência pode esborrachar a cara do cadeirante no chão.

 

As rodinhas da frente da nossa “carriola”costumam emperrar nas centenas de buracos de nossas tão bem planejadas calçadas. Ai, gente, a pessoa nega porque rola um “meda”, “pegô”? Muitos deficientes têm problemas de equilíbrio e pra cair basta um descuido.

 

Por último, às vezes, o cadeirante não quer ajuda porque realmente ela não é necessária. Eu não posso exercitar meus braços? Não posso ter o direito de pensar sozinho com os meus botões?

 

E num museu ou numa feira, por exemplo? Isso acontece até com meus amigos mais chegado. Oras, eu quero ver as obras ou apreciar o produto ao meu tempo, não no tempo do outro....

 

Eu tô ali, admirando um Picasso (mente demoníaca a de vocês ) e o cabra me tira da frente da tela de supetão... é coito interrompido na certa, gente. Em locais bem planos, tranqüilos, não faz muito sentido a tal “ajudinha” a não ser que a pessoa peça ou que já esteja muito cansada ou que tenha dificuldades de tocar as rodas sem auxílio.

 

 

Eu, "inxibido", em Cartagena das Índias, num raro momento que pude apreciar uma obra de arte

(Botero) até quando quis, sem me arrastarem!

 

 

Mas o pior de tudo é quando a gente não tem como argumentar e nem tempo para isso. O sujeito te vê e vai te levando. Ele só avisa: “Tira a mão daí! Eu te levo! Descansa o braço”. Aí é emoção na certa. Pro cara fazer a boa ação dele do dia eu perco milhares de fio de cabelo de tensão.

 

E o sujeito anda depressa, tenso e vai empurrando a cadeira como se tivesse levando um carrinho de compras. E quando o “santo” diz: “vamos dar uma corridinha porque eu tô atrasado!”. Gente, só pode ser fetiche. Boa parte das pessoas adora correr com cadeirantes.

 

O jeito, então, é tentar ir direcionando a cadeira, mesmo a contragosto do “empurrador”, ir desviando dos buracos, ir se firmando do jeito que dá pra não conhecer o gosto de uma lambida da cara no chão.

 

Em tempo: A melhor situação para um cadeirante é quando a ajuda é oferecida assim: “Ola, você precisa de algum auxílio? Quer que eu te ajude? Como eu posso fazer”? Caso a ajuda seja negada, não insista. Procure pensar que quem está na situação desfavorável não é o andante.

 

 

Se a ajuda for aceita, procure conduzir a cadeira num ritmo normal de velocidade e tente desviar dos buracos. Procure não lutar contra a direção que o próprio cadeirante está dando para a “viagem”!

 

No caso dos cegos, é importante que, se você for oferecer ajuda, deixe que ele pegue em seu braço e não o contrário. É muito comum ver gente arrastando o cego pelas ruas. É desesperador!!!

Escrito por Jairo Marques às 21h42

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Tem que vacinar, não pode bobear"

Povo, hoje o tio tá cansado . Vou ser breve... Prometo que segunda-feira eu volto com tudo pra cima de vocês (tremeram, né?)

 

O meu recado, então, é para a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, amanhã, em todo o Brasil.  Crianças menores de cinco anos precisam tomar as três gotinhas!

 

Particularmente, acho a publicidade do tema sempre muito ruim. A deste ano tem com o mote: “Tem que vacinar, não pode bobear”. E traz um menino bem esperto saindo da “escuridão” e indo para a luz da vacina... (se ligaram no lance?)

 

Em anos anteriores, vi coisas piores como colocar a mãe no papel de vilã do próprio filho. Sei que essa minha opinião é polêmica, mas, o culpado de eu ter tido pólio não foi da minha querida mama, não.

 

Tomei duas doses da Sabin e cabulei a terceira . Há 33 anos, as campanhas não tinham o investimento, a divulgação e a dimensão que, ainda bem, têm hoje. E ressalto que a pólio foi erradicada no Brasil apenas em 1994, praticamente ontem.

 

Se as pessoas contraíram paralisia infantil, a meu ver, as entidades públicas têm a responsabilidade primeira por isso, uma vez que é dever do Estado promover a saúde e garantir o bem estar de TODOS. Falar que o mosquito da dengue é feio e mau, não resolve. Resolve investir no combate a ele.

 

Na campanha deste ano, o menininho que sai de uma cadeira escura, simbolizando as trevas, indo para a luz da vacina acentua na cabeça das pessoas a idéia de que um deficiente vitimado pela doença é um coitado que vive na escuridão eterna da doença.

 

 

 

Qual seria a solução? Não sei. Mal consigo dar conta do meu ofício de jornalista. Mas acho que a publicidade está ai para trabalhar no sentido de promover a conscientização sem propagar imagens distorcidas ou aprofundar preconceitos, lugares comuns.

 

Beijos nas crianças!

 

 

 

O quê? Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite

Quem? Todas as crianças menores de cinco anos de idade

Onde? Em postos de saúde do seu município

Quando? No sábado, 14/06, a partir das 8h

O que mais? As crianças poderão atualizar sua carteirinha de vacinação também para outras doenças como difteria, tétano, coqueluche e meningite, sarampo, rubéola e caxumba

Escrito por Jairo Marques às 21h52

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ninguém vive sem sexo!

Como é dia dos “namolados”, vou levar vocês para a cama hoje!  Êh dilícia, heim?! Os motéis lotados, beijos ardentes, e o “Assim como Você” no clima de amor, sexo, romance, flores e vinhos (e também algumas cadeiras de rodas, muletas, próteses, bengalas...)

 

 

É relativamente comum, pessoas que não tenham deficiência física acharem que alguém com algum tipo de limitação, sobretudo a paralisia, seja impotente (em português mais claro, sofrer de “paumolecência”) . As dúvidas também recaem sobre a fertilidade ou mesmo sobre a capacidade de ter uma vida sexual ativa (ou passiva, né? Ui).

 

Em partes, essas dúvidas têm razão de ser. Algumas pessoas que tiveram lesões medulares graves (devido a um acidente, por exemplo) podem perder a sensibilidade, sim, nos “países das maravilhas”, tanto mulheres, como homens.

 

Ter de mudar uma vida sexual convencional da noite para o dia é desafio árduo e pode ser longo, complicado, difícil, revoltante. Aí é preciso companheirismo, amizade, carinho e vontade. Porém, atualmente, a medicina inventou “pílulinhas” capazes de levantar até o meu salário!

 

Com os medicamentos, mesmo um homem que não tenha sensibilidade consegue driblar a tal... paumolecência e ter relações, tradicionais, digamos assim! Isso trouxe uma revolução para muitos casais e para muitos relacionamentos, de fato.

 

Porém, e nos casos em que o medicamento não resolve? E como fica o ato sexual em si? E os movimentos? E a tal sensibilidade?

 

Corro o sério risco de cair no lugar comum falando isso, mas, acreditem, transar e transar deliciosamente é algo muito, muito além de apenas juntar “aquilo” com “aquilo”.

 

Sexo bom, muito bom, pode ser aquele apenas falado, olhado, tocado, lambido, degustado.

 

Garanto a vocês que é possível ter e provocar um orgasmo inesquecível contando histórias que não são da carochinha, trocando olhares desconcertantes, botando a ponta da língua para fazer algo além de falar mal da vida dos outros.

 

É possível ter imenso prazer com um carinho no tocar de um mamilo, com unhas percorrendo as costas, com um carinho no rosto, com um perfume acertado, com um beijo bem beijado.

 

 

 

Um deficiente bem resolvido (óia eu) descobre que o corpo tem pontos que podem despertar emoções explosivas e que prazer é algo muito além do que se dependurar no ventilador de teto para experimentar uma posição exótica.

 

E vocês devem estar se perguntando: e as ‘muleres’??? Com é que fica? Uma grande amiga minha, cadeirante, me ajudou a responder para vocês e disse assim:

 

“O primeiro passo para a adaptação sexual está em nossa aceitação. Depois que a mulher passa a conhecer e aceitar seu corpo torna-se capaz de ser  envolvente, chamar atenção e atrair os homens. Elaborar a nova imagem corporal, recuperar a auto-estima e a identidade sexual são essenciais para reassumir um papel sexual e social.

 

Depois, é preciso ter certa intimidade verbal. Conversar, trocar informações e dar algumas dicas é muito importante, principalmente porque a sociedade desconhece as nossas capacidades e limitações na hora H”.

 

Vale dizer que as mulheres com deficiência física que perdem a sensibilidade lá no parque de diversões  continuam tento, em diversos casos, o aparelho reprodutor em perfeitas condições para poder engravidar normalmente. Já viram uma cadeirante grávida? E os homens não perdem a fertilidade ou seja, podem ser papais normalmente!

 

 

 

 

Povo, já tive namoradas que, até o último momento antes da felicidade, tinham dúvidas de como ia ser, como fazer. E é claro que a situação é mesmo diferente. Mas, perguntar nunca ofende, ofende?

 

Como eu não posso subir no guarda roupas ou mesmo na máquina de lavar para dar mais clima de aventura ao ato sexual, procuro ser bom naquilo que está ao meu alcance, seja deitado, sentado, cantando, recitando poema, explorando o corpo, explorando as sensações.

 

Leiam o que disse minha amiga:

 

"Uma experiência que tive com um outro cadeirante foi perfeita. Não havia a preocupação da penetração, dos finalmentes. E foi muuuuito melhor do que com muitos andantes. A arte de explorar o corpo e de satisfazer a mulher em vários outros aspectos é uma qualidade dos homens cadeirantes... Prova mais uma vez que o prazer é muito mais complexo e envolvente do que muitos pensam."

 

Então, para fechar, digo a vocês que, sim, é verdade: “Ninguém vive sem sexo!” seja o sexo feito como for. E tenho muita convicção que meu prazer não é nem um pouco menor do que o de homem que possua perfeitas formas físicas.  Volto a falar desse tema em breve, para contar a vocês a aventura que é ir a um motel .

 

 


Escrito por Jairo Marques às 22h24

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Um Outro Olhar"

Hoje é daqueles dias em que preciso escrever pouco! As imagens e os depoimentos que vocês poderão ver neste belíssimo documentário dispensam minhas palavrinhas e palavrões  

 

Conheci este trabalho faz alguns meses e me apaixonei por ele. “Um Outro Olhar” conta histórias de superação incríveis de gente pequena, os anões. Como falei aqui de um programa da TV fechada sobre eles, nada mais justo do que trazer algo livre para todos, não é?

 

O documentário foi realizado por alunos de jornalismo, formandos, da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo (SP), que oferece um dos melhores cursos do país. Vejam os créditos abaixo!

 

Vou dividir a postagem em blocos agora pela manhã, no começo e no final da tarde. Sei que muitos têm pouco tempo, mas peço que tentem ver, pelo menos um pedaço, tenho certeza que vai mudar o dia de muita gente, para melhor.

 

 

 

 

Créditos:

 

Direção: Bruna Lavoura

Assistentes de direção: Gisele Silva, Luciana Zacchi e Natália Carcavilla

Roteiro: Bruna Dal Moro, Bruna Lavoura, Gisele Silva, Luciana Zacchi e Natália Carcavilla

Produção: Luciana Zacchi e Natália Carcavilla

Assistente de produção: Bruna Dal Moro, Bruna Lavoura, Gisele Silva

Imagens: Adriano de Souza, Edson Harada, Gilberto Inácio e José Maurício Bittencourt

Assistente de câmera: Danilo Trombela, Fernando Hitoshi Uagyu e Fúlvio Mazzeto Camargo

Edição: Moacyr Neto

Orientador: Fernando Vilar

 


Povo, agora a segunda parte!


Partes finais (a última é curtinha!)

 

caboooô! Gostô?

Escrito por Jairo Marques às 00h55

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Como é que ele faz?

Alguns de vocês me perguntaram como os cegos ou pessoas com limitações muito severas (sem movimentos totais nos braços, nas mãos e nas pernas, por exemplo) fazem para navegar na internet e interagir com o blog.

 

Como eu sou um “homi bão”, vou apresentar aqui várias ferramentas tecnológicas que ajudam, e muito, pessoas “Assim como Você” a mergulhar nesse mundo de informações, de trocas, de conhecimento e conquistas de amizades que é a rede mundial de computadores.

 

Para que possam entender melhor, conto um pouco da história do meu grande e formidável amigo, Manuel Fernandes Neto, aqui “pá nóis”, o Netão. Ele é tetraplégico desde os 19 anos depois que deu um mergulho desengonçado numa piscina atrás da parte de cima do biquíni dele .

 

 

 

Netão e a feroz "pit bull" Núbia

 

O Neto, hoje com “30 + 14 anos”, teve uma lesão grave e, como ele mesmo admite, não se esforçou muito no começo para amenizá-la. O resultado é que ele tem movimentos bem limitados nos braços, nas mãos, nenhum abaixo do quadril, pouco no tronco e equilíbrio bastante comprometido. Um mamulengo, né, Netão?!

 

 

Há quatro anos, porém, o Neto começou a usar um programa de voz que, nas palavras dele mesmo “trouxe uma mudança absurda para a vida, muito grande mesmo”. Trata-se do Via Voice, da IBM.

 

O software funciona como um ditado de voz. Você fala e ele obedece aos comandos escrevendo a palavra na tela ou mesmo movimentando o cursor do mouse, abrindo e fechando janelas, anexando arquivos.

 

“No começo, você apanha bastante até aprender os comandos básicos para a navegação. Mas, depois que você aprende um pouco, sua vida passa por uma verdadeira revolução. Eu ouço música, baixo o que quero na internet , recebo emails sem precisar da ajuda de ninguém. O programa vai ficando mais versátil à medida que você usa”, diz o Netão.

 

Claro que nem tudo são flores, né, povo?! Muito barulho externo e alteração na voz por causa de um resfriado, por exemplo, podem comprometer o funcionamento correto. 

 

“Tenho uma relação de amor e ódio com esse software. Às vezes, ele interpreta uma palavra errada ou teima em fazer algo que não quero e ai eu xingo, mesmo. Mas, na maior parte do tempo, tudo funciona muito bem.”

 

O Neto é um cara muito carismático e vive rodeado de gente. Mas, com o programinha, ele pode acessar mundos distantes, aumentar sua capacidade intelectual, conhecer gente de toda parte.

 

Olha que homem másculo, peludo e 'interneteiro' 

 

 

“Saio pouco de casa, embora, eu tenha muitos amigos. Então, esse software me deu benefícios imensos. Aumentou a minha estima, melhorou demais o lado psicológico porque agora não me sinto sozinho, compartilho mais tudo o que acontece comigo e com os outros. Há sempre alguém online para conversar, para trocar experiências. Me sinto mais útil.”

 

O Neto era resistente à tecnologia, até encontrar o programa. “Tenho que admitir que o acesso à internet me abriu muitas portas. Achava que ia ser muito complicado, muito difícil. Mas deu muito certo.”

 

“Fico imaginando uma pessoa que tenha as mesmas limitações que eu, o quanto o acesso a um programa como esse pode ajudar. A pessoa vai poder trabalhar, vai poder namorar, vai poder ser ouvida e vai poder acessar esse nosso blog. Não digo que é seu blog. Digo que é nosso blog porque você tem falado da nossa vida, tem trazido histórias maravilhosas, exemplos de raça, de superação.”

 

Tem toda razão, Netão. O blog é nosso.

 

Agarradinho nos outros... ai, esses meus amigos!!!

 

Antes que alguém diga que eu estou fazendo propaganda de uma empresa multimilionária, vamos aos fatos:

 

Em nenhuma mega store que tenha sites na internet é possível localizar e comprar o Via Voice. Em sites estrangeiros o software custa, em torno de R$ 300. É lamentável que uma ferramenta tão útil para a vida das pessoas seja tão difícil de encontrar no Brasil ( O Neto uma versão em português 9.0).

 

O programa pode ser localizado em sites de downloads, mas, a prática de baixá-lo é ilegal, uma vez que não se trata de um software livre, e também corre-se o risco de puxar um vírus. 

 

Há programas mais simples e experimentais sendo testados. Porém, os que conheço, ainda não valem a pena indicar. Se alguém tiver sugestões mais certeiras, é só enviar!

 

Sugiro, para quem tem interesse, que entre em contato com a IBM (eles tem uma central de atendimento) e peça o caminho para adquirir o programa aqui no Brasil.

Escrito por Jairo Marques às 23h55

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Da difícil arte de viajar

Sai de casa aos 17 anos para poder estudar na “capitar”. Ninguém acreditava, nem mesmo o povo lá de casa, que eu fosse realmente encarar o mundo assim, sozinho. Mas eu fui! Como já disse para vocês, a minha alma sempre foi muito irrequieta e a força de viver plenamente me puxou bem mais do que o comodismo e as tais “dificulidades”.

 

De lá para cá, já viajei um bocado e colecionei diversos galos na cabeça (vocês vão entender). No começo, era de “bumba”, depois de avião, hoje eu viajo bem mais de carro: “Uma hora a gente sobe na vida e vira zelador, né, seu Jairo”, dizia pra mim o Zé, meu amigo porteiro da Alameda Nothmann, aqui de São Paulo. É verdade, Zé, é verdade!

 

Para um cadeirante encarar uma rodoviária não é das aventuras mais fáceis. Primeiro porque o olhar dos outros é sempre assim: “Ah, coitado, deve estar perdido”.... “Ah, senhor, abandonaram o rapaz aqui”... “Ôh dó, deve ter caído do caminhão de mudança”.

 

Como eu sempre digo, vencer o olhar e a limitação que os outros colocam em alguém deficiente pode ser, em vários momentos, muito mais difícil do que as próprias limitações.

 

No tempo de faculdade, eu viajava de ônibus uma vez por mês. Ia de Campo Grande (MS), para Três Lagoas (MS), num percurso de cerca de 330 quilômetros. E era sempre, sem exceções, uma aventura.

 

Você já viu um guichê de viação de ônibus? É alto, bem alto, e o atendente invariavelmente não te enxerga na cadeira de rodas. Quando, enfim, ele te enxerga, ele não acredita. “Vai sozinho? Cadê sua mãe? Tem medo não? Ta fugindo de casa?”

 

 

 

 

Na hora do embarque é quando as emoções aumentam. O cobrador coloca todas as malas e vai ignorando que você está ali, à espera de uma fundamental ajuda para entrar no “buzão”. Quando não tem mais jeito, ele te olha e solta: “Vai viajar?”

 

Eu sempre fico com a sensação de que sou a última mala a ser guardada.

 

E ai o cobrador vem: “Agarra firme no meu cangote...Tá gordo, heim? Tem que ‘dismagrece’. Fica tranqüilo que se cair a gente cai juntos... (essa é bem acolhedora) Você não quebra fácil, não, né? Ai, que pesado. Olha a cabeça... Opa, desculpa ai!!!”

 

E lá se foi mais uma parte do meu cérebro naquela porta estreitinha do ônibus. Invariavelmente, a cabeça bate no batente e crio um novo galo.

 

Mais tarde, quando eu vim trabalhar na Folha, comecei a viajar mais de avião. Isso porque as distâncias era maiores a serem percorridas para fazer reportagens e porque eu tinha um pouco mais de grana. Não era mais aquela realidade de vender o almoço para comprar a janta.

 

Ahhh, o aeroporto. Aquela organização. Aquela gente culta, bonita, né? É naaaaaada. Aeroporto é uma rodoviária que abriga ônibus que voa.

 

No Check in: “O senhor consegue mexer as perninhas e ir caminhando até a porta da aeronave? Não? Então o senhor fica quietinho aqui do lado esperando o nosso despachante para ajudar, ta? Não vai sumir, heim?”. Eu não fico nunca. Não sou pedra pra ficar parado.

 

No embarque: “Crianças, idosos e portadores de deficiência terão prioridade”. Obaaaa... prioridade! Em aeroportos grandes, o acesso é mais fácil. Tem um tal de “finger”, um acesso que elimina a escada e a cadeira entra até o corredor da aeronave. Em outros, há carros com elevadores que erguem até chegar à altura do avião...

 

Bem, mas nos aeroportos menores.... Lá vai eu abraçar macho (num tem coração que agüenta ). E segue a mesmas história do ônibus: "Segura firme. Fica tranquilo... é ruim, mas passa logo (ui)." Só de ver aquela escadaria toda dá tontura... Mas não tem outro jeito e tenho de abraçar aos caras. 

 

Nas conexões: Ai você vira ninguém mesmo. O funcionário da cia aérea te pega e sai correndo pelo saguão e nem pergunta seu email, seu endereço. Não abre brecha nenhuma para algo mais íntimo, para marcar um café (uuui ).

 

Certa vez, quando fui para Colômbia, o despachante não me deixou nem respirar ao sair do primeiro avião (eu estava em Bogotá e ia para Cartagena).

 

“Señor, estas retrasado, estas retrasado.. vás a perder el vuelo”. E o cabra saiu comigo em disparada. Seguuuuura! Sabe medo? Então... tive medo de esborrachar a cara no chão. Então... eu tranquei... não passava nem pensamento... e o despachante colombiano correndo, quase alçando vôo com a minha cadeira.

 

Desembarque: Ai não tem prioridade nenhuma. Você fica por último... e entra a equipe de limpeza do avião e você tá lá... “Já vamos estar retirando o senhor, viu? Estão procurando sua cadeirinha no porão”, me tranqüilizam as comissárias.

 

“Não tão achando? Será que extraviou? Ele não tá com pressa, não. Ele é quietinho. Procura direito”, anuncia a comissária pelo rádio, para meu deleite. Já cheguei a ficar 40 minutos esperando... quase o mesmo tempo que a viagem.

 

Conto para vocês depois as aventuras de viajar de carro.

 

Em tempo: Um deficiente não é um extraterrestre que aparece de vez em nunca na terra. Muitos têm vida ativa, plena e viajar faz parte desse contexto. Em situações como as que narrei, uma ajuda é sempre bem-vinda. Você pode ajudar a levar uma mala, uma bolsa ou mesmo, se tiver condições físicas, se dispor a auxiliar na entrada e saída de ônibus ou mesmo um avião.

 

Pergunte a melhor forma de auxiliar. Mostre que você sabe que ali tem um passageiro comum, mas com uma necessidade diferente. Isso ajuda muito! 


Escrito por Jairo Marques às 21h30

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A fantástica doutora Natália

 Pensei ontem o dia inteiro numa forma de fazer a introdução dessa história prender os “zóios” ou os  “zuvidos” de vocês, até o fim do post. Desculpem, mas não consegui dar em palavra a dimensão de grandeza que a trajetória da doutora Natália Sousa Gonçalves, de 23 anos, merecia.

 

Ela se formou há pouco em medicina em uma das melhores universidades do país, a UnB (Universidade de Brasília). Durante os DOIS primeiros ANOS da faculdade, aqueles melhores, onde a gente acha que a vida começou, ela assistia às aulas deitada em uma maca. Povo, vou repetir: deitada em uma maca (imaginem vocês entrando numa sala de aula assim. Imaginou?).

 

Como Natália havia ficado muito tempo sentada, estudando, se preparando para o vestibular, contraiu escaras (feridas imensas que dão na BUNDA, sobretudo). Então, ela não podia mais usar a cadeira de rodas até que se currassem os machucados.

 

Agora, formada, essa cearense deslumbrante de linda, começou a fazer residência médica. No futuro, estuda se especializar em REABILITAÇÃO.

 

Sabe, Natália, poucas vezes na vida eu tive desejo de ficar em pé. Mas confesso que, para gente “Assim como Você”, eu gostaria.... e gostaria para poder te aplaudir: clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap....

 

Meu povo, ajeitem a cadeira, peguem um copo de água, mandem os meninos calarem a boca e viagem nessa história. Aguardo vocês lá no final, nos “coments”, aplaudindo comigo.

 

 

 

 

Blog - Conta um pouco sobre sua deficiência 

 

Natália de Sousa Gonçalves: Tive uma lesão medular não traumática aos cinco anos. Estava em uma festa e subitamente parei de andar, sem sentir nada antes. Fui internada para investigação e recebi o diagnóstico de Mielite Transversa. A mielite é resultado de uma ativação do sistema imunológico contra a medula espinhal que ocorre geralmente quando existem infecções virais ou bacterianas. Pode também ocorrer após vacinações ou associada a doenças imunes (lúpus, por exemplo). Mas, na maioria das vezes, como em meu caso, o fator que causou a mielite não é identificado.

 

Blog: Já aconteceu de o paciente achar que havia entrado na sala errada quando viu você na cadeira? Algo do tipo: ‘ai gzuis, entrei na ortopedia’?

 

Natália: Já aconteceu do paciente ficar um pouco desconfiado, pergunta se sou a médica que vai atender. Mas, depois que começo a consulta, nunca tive problemas, as pessoas passam a confiar. Às vezes, muitas vezes, as pacientes mais velhinhas, querem saber tudo que aconteceu comigo, até esquecem que foram pra se consultar e parece que são médicas! Perguntam tudo sobre minha paralisia! Outras vezes não tem cadeira pra levar o paciente (hospital público neh...) e o acompanhante olha pra mim e fala "Ah, se a doutora emprestasse a cadeira dela só um pouquinho... "

 

Blog: Conta da sua família ‘pa nóis’?

 

Natália: Desde quando tive a lesão, minha família me deu todo o apoio, todo empenho, como todos os pais. Passei anos fazendo fisioterapia diariamente. Só tenho a agradecer por meus pais terem me dado a mesma educação e criação que minhas outras irmãs. Fui criada com meus cuidados peculiares, mas sem um tratamento diferenciado, sem muito mimo. Tenho três irmãs que também sempre foram compreensivas e prestativas.

 Minha mãe deixou de trabalhar e sempre me levou em tudo que precisei. Fisioterapia de manhã, colégio à tarde... Uma maratona! Andava de órtese e bengala. Quando vim morar em Brasília (ela era de Fortaleza, no CE), aos 12 anos, passei a consultar no Sarah e lá  comecei a usar a cadeira de rodas.

 Foi uma das minhas maiores felicidades!!! Como foi melhor usar a cadeira em vez dos aparelhos. A vida fica mais prática! Acho que sou uma das poucas pacientes que ficou feliz ao saber que poderia andar de cadeira de rodas! (eu também, eu também!!!)

Desde pequena, antes mesmo da lesão, dizia que ia ser médica. E as idas aos hospitais, às consultas constantes, e as cirurgias só aumentaram minha vontade de ser médica. Continuei com esse objetivo. Vim morar em Brasília e ao terminar o terceiro ano entrei na faculdade de medicina aqui na UnB (Universidade de Brasília).

Ai veio o momento mais difícil.... Quando passei no vestibular, estava com uma escara enorme... Afinal, passei muuuuito tempo sentada, estudando pra passar nas provas hehehehehe! Me foquei muito nos estudos e esqueci que não há traseiro que agüente muito tempo sentado!! Ai, me colocaram numa encruzilhada: ou trancar a faculdade e esperar a cicatrização ou ir pra faculdade e assistir as aulas deitadas!

Ansiosa pelos estudos, escolhi assistir às aulas deitadas. E foram dois anos assim, até a escara fechar! Parecia a aluna mais folgada assistindo às aulas deitada.... Mas deu tudo certo! Com a ajuda da minha mãe e o apoio dos amigos consegui fazer o curso direitinho. Depois, entrei pra parte prática do hospital e controlei bem o tempo sentada. Passei a usar as almofadas Roho (custa bem caro, vou contar para vocês depois) e nunca mais tive problemas com escaras (olha eu fazendo propaganda ahahahaha).

 

Blog: Fico imaginando você numa situação de ter de operar alguém ou um procedimento numa maca. Você anda com capangas para te suspender e ficar na altura da mesa de cirurgia?

 

Natália: Não faço cirurgias, ainda bem!!! Não gostei nada da área da cirurgia, por isso mesmo resolvi fazer clínica médica. Mas procedimentos a gente da um jeitinho, sempre tem alguma maca mais baixa que da pra fazer! Tudo é uma questão de costume e adaptação. Quando a gente entra no curso de medicina não sabe fazer nada disso, aprendemos do nosso modo. Eu aprendi a fazer tudo sentada, e não acho muito estranho. Agora, pra quem já aprendeu de outro modo, pode ser mais complicado. Nada de capangas! Hahahahaa! Mas, se precisasse, seriam escolhidos a dedo!

 

Blog: Você escuta muito a frase: ‘Doutora, deixa que eu te empurro’? Como reage?

 

Natália: Acho que ninguém resiste a uma cadeira de rodas! Sempre tem alguém querendo nos empurrar. Mas geralmente nego a ajuda! Gosto muito de tocar a cadeira sozinha, me viro muito bem. Falo que prefiro ir sozinha para fazer um exercício e as pessoas compreendem.

 

 Blog: Muitos vêem no médico a perfeição, o cara que tudo sabe, que tudo resolve. Isso te abala de alguma maneira diante da sua realidade?

 

 

Natália: A sociedade "endeusa a medicina". Esperam que os atos sejam sempre corretos, que temos a obrigação de sempre curar e resolver todos os problemas. Acho que a deficiência e a cadeira de rodas de certa forma ajudam a quebrar um pouco dessa expectativa excessiva e dessa perfeição esperada. O paciente vê que o médico é uma pessoa como todas as outras e que pode sim ter algum problema.

Escrito por Jairo Marques às 08h13

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

 

Blog: Você ainda avalia se vai se dedicar à reabilitação. Eu quando vejo bebezinho dando os primeiros passos me acabo de chorar. Você vai mesmo se expor a ver bebezões levantando e caminhando de novo?

 

Natália: Me formei no início do ano e comecei a fazer residência em Medicina Física e Reabilitação. É uma área contagiante porque você fica envolvido com tudo que aprende, que se encaixa com você. Mas delicada também.... os pacientes queriam saber tudo sobre o que aconteceu comigo, como eu dirigia, como guardava a cadeira e por ai vai. Um dia, ao sair da enfermaria, os pacientes foram lá fora da internação pra me ver entrando no carro.

Foi uma experiência boa porque eles viam que qualquer pessoa poderia ter uma deficiência assim como eles, inclusive sua médica. Além disso, eu mostrava que isso não seria uma barreira para que eles continuassem lutando e alcançando seus objetivos. Mas também fui uma frustração para eles, quando me perguntavam há quanto tempo eu não andava. Quando eu respondia que já tinha 18 anos eles ficavam preocupados, pois os pacientes com lesão recente sempre esperam que seja algo temporário.

Mas por vários motivos acabei deixando essa residência. Estava morando fora e passei em outra prova aqui em Brasília. Resolvi voltar pra casar e fazer Clínica Médica. Depois dos dois anos de residência em clínica vou fazer outra especialização. Quem sabe eu volte pra área da reabilitação.... ainda não sei!!


Blog: Me diz o que é mais difícil pra você: andar com o pneu da cadeira furado ou decidir que remédio indicar para o paciente.

 

Natália: Pergunta difícil! Andar com o pneu furado em ambientes planos, sem obstáculos dá até pra agüentar. Mas em alguns terrenos irregulares se torna uma missão difícil. Do mesmo jeito é a medicina. Prescrever um remédio algumas vezes é fácil e tranqüilo. Mas tem paciente que nem sempre tem coisas comuns, que a investigação é difícil. Ai sim é um desafio pra nós!

 

 

 

 

Blog: Como é sua rotina?

 

Natália: Estou fazendo residência médica. A vida de residente não é nada tranqüila. Então vou pro hospital cedinho e passo o dia todo lá. Vou de carro, guardo e tiro minha cadeira sozinha (depois de muito treino e muita musculação!!). Em casa, à noite, tenho de estudar e descansar. Além dos dias que a gente tem plantão à noite ou no final de semana.

Fazia basquete, adoro! Mas tive que parar por falta de tempo mesmo! Atualmente parei com as atividades físicas.

E no meio disso tudo, arrumo um tempinho pra sair. Adooooro uma festa, show, boate. Qualquer coisa com muita gente. A gente sai, se diverte e agüenta o sono no outro dia se tiver que ir trabalhar! Adoro viajar também. Fui ao Carnaval de Salvador com outra amiga cadeirante no ano passado e foi perfeito! Fomo nos trios, no meio da galera mesmo. Ta certo que não é a coisa mais fácil andar no meio daquele povo todo, mas é bom demais, vale muito à pena! Ano que vem tem mais se Deus quiser! (Tô quase me convencendo em ir também!)

Trecho de uma música que gosto muito:  “É claro que a vida ensina a gente a ser feliz!”

 

 


VIAGENZINHA!

"Pessuar" (começaram as festas juninas, nem adiata reclamar ), vou descansar o esqueleto no final de semana e sumir de "Sum Paulo" e do "computadô". Me aguardem na segunda-feira! Abraço nas crianças!

 

 

Escrito por Jairo Marques às 08h07

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Curtinhas

Livros para escutar

 

A Ilustrada de ontem, na Folha, trouxe uma notícia boa “pa nóis”: vão ser lançados, até o próximo mês, 17 títulos de best sellers em audiolivros. Uma beleza pra quem tem deficiência visual ou mesmo dificuldade de manuseio. Tá, ta bom... vai ser ‘otemo’ para os bicho preguiça da vida também.

 Vai ser possível comprar os CD (de 24,90 e R$ 29,90) ou baixar os livros pela internet (R$ 14,90 e R$ 19,90) em http://www.plugme.com.br 

  Entre os títulos, que tem duração de cerca de cinco horas, vão estar “Marley e Eu” (chorei uma semana depois de ler), narrado pelo Humberto Martins; "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia”, com o autor Nelson Motta fazendo a leitura e fazendo imitações do cantor (é bão, é bão) e "Alô, Chics!", lido por Gloria Kalil. Para quem é assinante do UOL ou da Folha, pode ler a reportagem completa aqui.

Quer ‘escuitar’ uns trechim? O que seria de vocês sem mim, heim? Clica no bozo e escuta vai .

 


Essas incríveis “bailalinas”

 

 

Na próxima quarta-feira, quem mora em São Paulo (ai, ai... eu moro) vai poder curtir a apresentação “I Dance & Aqueça”, com ‘bailalinas’  que quando eu era cliança eu quelia ser bombelo) com deficiência visual.

Vai ser no Memorial da América Latina, às 18h. Sabe quanto morre? Dois agasalhos. Pensa, você dá dois agasalhos em bom estado e pode ver a mulherada saltitando? Bom demais.

As meninas fazem parte da Cia. Fernanda Bianchini. Quer saber mais? (0xx11) 3291-6969 www.ciafernandabianchini.org.br

  


Camisetas fashion

 

Povo, o pessoal que mantém a Associação para a Integração Esportiva do Deficiente Físico e ajuda a formar atletas paraolímpicos está fazendo uma promoção para levantar alguns “roiaus” (sacaram? $$$) e garantir a realização dos trabalhos.

 Eles estão vendendo por R$ 35 (uma pizza e meia) aquelas camisetas dry fit, sabe qualé? Aquelas com tecido inteligente que joga a umidade do corpo para fora da camiseta, um luxo. Povo, na boa, tá barato www.ciedef.org.br

 

 


      Pessoais, não percam a leitura de amanhã (to ficando bão de 'marketis'). Garanto a vocês mais um ponto alto de emoção, de superação, de coisa maravilhosa de 'Gzuis' e de jairão lindão!

 

Escrito por Jairo Marques às 22h44

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A Turma da Febeca

          Estou sempre escrevendo pra vocês que esse blog tem virado minhas emoções do avesso, não é? E essa história de hoje não deixa para menos.

 

         Como diz a minha colega Cíntia Acayaba, repórter com excelente visão social, “é uma das coisas mais legais de todo o mundo, de todo o universo” (Explicando: ela diz isso em várias, várias situações e nem sempre é tão legal assim, mas, neste caso, é sim!) .

 

         Há cerca de dois anos, o roteirista e cartunista Victor Klier, 37, criou o projeto “Turma da Febeca”, uma revista em quadrinhos em que todos os personagens têm algum tipo de deficiência ou enfrenta uma situação adversa de saúde.

 

         É uma verdadeira “coididoido”! Tem cadeirante, gente pequena, cego, usuários de prótese, tetraplégicos, gente que batalha contra o câncer, gente com paralisia cerebral. Olha o povo ai!

 

 

 

         “A deficiência e limitações dos personagens não são o foco das histórias. A turma vive suas aventuras, toca sua vida como todo mundo. Em vez de serem super-heróis, mutantes, os personagens são pessoas comuns que, por causa de suas deficiências, irão desenvolver uma série de outras habilidades”, disse Victor.

 

       ‘Tenderam’, pessoal? Tudo gente “Assim como Você”.

 

Quando o cartunista ainda estava se inspirando para criar os personagens (povo, olha que coisa linda), ele conheceu a Camila, de 19 anos, que tem paralisia cerebral e está na turma da Febeca. Eles se apaixonaram e namoram há oito meses .

 

As personagens principais das aventuras são treze adolescentes: “As superpoderosas”. Leiam abaixo um dos capítulos!!!

 

 

  

Tuuudo perfeito, não é? Nem tanto, claaaaro. Tá faltando patrocínio para tocar o projeto e ele decolar de vez. Será que estou pirado e essa iniciativa nem é tão legal assim?

 

Não sei... acho que mostrar à criança sem deficiência, de uma forma atrativa, que existem pessoas com realidades físicas ou mentais diferentes da dela, mas que estão no mundo também para serem felizes, me parece uma chance  única para uma mudança profunda de mentalidade.

 

Quando conheci a “Turma da Febeca” fiquei muito mais ansioso do que já sou naturalmente para mostrá-la para vocês, que tem tornado esse blog um sucesso! Isso porque este gibi é tudo o que a gente vive discutindo por aqui: É todo mundo igual, mas com pequenas diferenças.

 

 

Na foto, do alto, da esquerda para a direita, as “superpoderosas”

que inspiraram a revistinha!

 

Larissa (RN) , que tem amiotrofia espinhal

Janayna Alcântara, de Ribeirão Preto (SP), que enfrentou um câncer ósseo até ano passado, quando não mais resistiu. Antes, ela escreveu o livro: “A Janynha Estrela”.

 Letícia (RS) e Fernanda (MG), que usam prótese nas pernas

 Bruna, que batalha firme contra o câncer

 Thaíse (AL), que usa próteses nos dois braços e nas duas pernas

 Rebeca (PR) e Fernanda Souza (MS), cadeirantes

 Vanessa (PR), tetraplégica

 Marina (DF) e Daiane (PR), que têm paralisia cerebral

 Paula (RJ), que tem nanismo

 Camila (SP), que tem paralisia cerebral

 

O email do Victor: victor.klier@gmail.com

 

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 21h13

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Reunião de condomínio

Semana passada rolou reunião de condomínio no meu prédio. Ao contrário de quase toda a civilização, eu adooooro esse “evento social”. É uma verdadeira usina de piadas e uma exibição vistosa da fauna brasileira. Tem de tudo: anta, burro, cisne, leão, pavão... ah, pavão tem muito.

 

Meu condomínio já é bem civilizado no sentido de adaptações. Tem rampas em todos os locais, acessos facilitados, botão dos elevadores em braile e vaga na garagem demarcada exclusivamente para quem tem algum tipo de limitação.

 

 

 

Bem, na tal “ronião” estava na pauta justamente fazer o sorteio das vagas da garagem. Por isso, o quorum foi altíssimo e houve muita, muita animação.

 

O meu espaço para estacionamento é bem amplo. Posso deixar o carro deliciosamente torto e ninguém me enche a paciência. A vaga fica num lugar estratégico, próximo ao acesso do hall do prédio. Consigo abrir bem a porta para sair com a cadeira sem arranhar o carro do lado . Tão avançado, né? Nem tanto.

 

Nesse tipo de congregação as pessoas querem discutir tudo: o passarinho que canta muito cedo, o cachorro do vizinho que abana o rabo com muita força, o entregador de pizza que usa roupas muito démodé.

 

Uma das primeiras polêmicas da acalorada reunião foram as buzinadinhas que os condôminos dão antes de entrar no prédio para abrir o portão, que é automatizado e funciona com um controle remoto. Ou seja, hipoteticamente, não é preciso buzinar, certo?

 

Mas eu buzino . Acontece que levo a minha cadeira no porta malas do carro e, quando chego do trabalho, preciso da ajuda do Josiel ou do Manuel, os porteiros, os quais chamo de presidente por viverem de terno preto.

 

Por mais que, quando o controle remoto seja acionado um bip soe na cabine dos presidentes, eles nunca prestam atenção, é óbvio. Ai eu estaciono, tenho de esperar por hooooras, até o Josiel ou o Manuel virem me ajudar. (Eu ligo na portaria e eles vêm correndo, preciso ser justo)

 

“Ôh seu Jaro (é Jaro, mesmo) eu tava falando no ‘intelfone’ e nem vi o senhor entrando, viu?!; “Êh, rapaz, essa portaria é um agito só”; “Seu Jaro, eu tava acendendo as luizes do prédio”; “Seu Jaro, o senhor entrou tão rápido que nem percebi. Eta homi ligeiro”, mentem, com classe, os meus porteiros que são boa gente, de verdade.

 

Entenderam, então, a buzinadinha?  Pra eles acordarem!

 

 

Depois de muito debate, ficou decidido que, no meu caso, não haverá pagamento me multa depois do flagrante! Povo ‘bão’, né? Mas os cachorros que abanam o rabo com muita força vão ter de ser controlados.

 

Bem, mas ai começou o sorteio das vagas, tão esperado. Aquela emoção... e, para mim, momentos de tensão. Sempre pode haver um sujeito querendo mostrar argumentos para derrubar o meu direito à vaga especial.

 

“Alguém se opõe ao Jairo e ao seu Joaquim (um senhor bem velhinho que não tem limitações físicas, mas anda devagarzinho) não participarem do sorteio e continuarem com suas vagas especiais?”, bradou o síndico.

 

“Nãaaaaao”, respondeu o povão....

 

Fiquei feliz um bocado. Deve ta todo mundo lendo o “Assim como Você”, pensei humildemente.

 

Em tempo: Calma que ainda vou falar mais de espaços reservados, de como comprar um carro, de porteiros amigos e outros. Algumas pessoas disseram que tenho uma realidade privilegiada e que não tenho “problemas” na vida. Vou responder com uma frase que só pode ter sido criada por shakespeare : “Todo mundo já viu as pingas que bebi, mas ninguém viu os tombos que levei”.

 

Agora sério. As prefeituras estão bem mais rigorosas atualmente com as construtoras de prédios e exigindo que haja vagas especiais, mais amplas, e acessos universais nos condomínios. É um avanço.

 

Em construções mais antigas, geralmente, esse direito não é respeitado. Mas, acho que, com bom senso, é possível criar soluções que facilitem a vida de quem precisa de algum tipo de adaptação. Você já pensou se nem o lugar onde você mora tem condições ideais para te receber? Aí é broca. É possível criar exceções às regras para atender quem tem peculiaridades físicas sem desrespeitar ninguém.

Escrito por Jairo Marques às 22h08

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Essa gente pequena

           Cadeirantes em geral adoram anões. Afinal, eles são os únicos que, ficando em pé, a gente consegue olhar cara a cara .  Uma colega minha tem pânico de gente pequena. Nem ela sabe ao certo o porquê, talvez porque imagine que sejam pessoas que vivam na floresta planejando uma invasão às cidades.

 

            Brincadeiras à parte, os anões também são gente que compõe o “Assim como Você”. Há diversos tipos de nanismos que afetam o desenvolvimento do corpo de maneiras distintas e os desafios dessa gente pequena vão muito além do que encontrar uma vaga para trabalhar em circo ou em programas de humor, o que é também digno, evidentemente.

 

            O mundo para quem tem nanismo impõe barreiras que passam desapercebidas, mas que precisam ser derrubadas como em qualquer outro tipo de limitação. Quando você é menor do que o outro, se impor e mostrar suas idéias, seus anseios é naturalmente mais complicado. Quando você é muito menor, é mais complicado ainda.  

 

            Os caixas eletrônicos dos bancos são altos, as gôndolas de supermercados são altas, os balcões dos bares são altos. Você já viu móveis adaptados para gente pequena? E roupas específicas? E o que acha do fato de levar safanão na cabeça, motivados por um programa humorístico, dizendo: “Pedaaaala Robinho”?     

 

O Casal Hélio Potts, publicitário, e Kênia Hubner, enfermeira, em seu carro adaptado. Tudo igual, 

com pequenas diferenças

 

            Até pouco tempo, os anões não tinham nem direitos estabelecidos em lei para garantir isenções de impostos para aquisição de automóveis ou mesmo vagas especiais no mercado de trabalho.

 

            Algo comumente ignorado pelas pessoas é que um casal de anões pode ter filhos com estatura normal (a genética explica). Esta questão, por si só, já apresenta um desafio profundo. A sociedade desacredita que possam criar uma criança de forma satisfatória e a criança vai ficar maior que os pais em pouco tempo. Já pensaram nisso?

 

            Estou contando isso tudo para vocês porque, para quem tem TV por assinatura, vai poder curtir a repetição de uma série, a partir de julho, que me comoveu e me fez aprender um bocado: “A Pequena Grande Família” (Little People, Big World em inglês).

 

            Trata-se de um reality show produzido nos Estados Unidos com uma família composta por Matt, o pai, Amy, a mãe, ambos anões, e os quatro filhos: Jeremy, Zachary (que tem nanismo), Molly e Jacob. As histórias são surpreendentes, tocantes e muito divertidas.

 

            Um dos capítulos da primeira temporada que me chamou muito a atenção foi quando a filha, Molly, uma adolescente com estatura normal, fala sobre os pais, que são alvos de olhares curiosos o tempo todo.

 

            “Não me incomoda mais que todo mundo olhe para eles. É normal que o que é diferente chame a atenção das pessoas”.

 

É de uma sinceridade e simplicidade cortantes a frase da garota, mas achei perfeita. As diferenças realmente existem e se impõem, como sempre digo. O que devemos fazer é mostrar que apesar de formas distintas e limitações, no fundo, somos todos muito parecidos.

 

            A série começou a ser transmitida pelo People+Arts, mas, agora, vai “migrar” para o Discovery Home & Health porque, segundo a assessoria de imprensa dos canais, tem um perfil “mais família e saúde”.

 

            Acho que a exibição do programa é um avanço e tanto para portadores de necessidades especiais, mas, essa “migração” me deixou um tanto indignado.

 

As histórias de gente pequena em um canal voltado mais ao entretenimento contribuía, ao meu ver, mais para diminuir distâncias do que em um canal sobre “saúde” simplesmente.

 

Isso porque a série estava sendo exibida lado a lado com motociclistas, tatuadores, pessoas bonitas, descoladas e bem sucedidas. Agora, os novos vizinhos da “pequena família” serão doenças exóticas, mães grávidas e inseguras e pessoas neuróticas. Confiram a aparência e diferença dos sites.

 

            Talvez eu esteja sendo ranzinza , mas senti um toque ligeiro de preconceito com essa mudança. Será que não deu audiência? Será que alguém reclamou da presença daqueles “estranhos” no canal? Enfim...

 

            Abaixo, vocês podem ver uma chamadinha do “A Pequena Grande Família”.

Escrito por Jairo Marques às 20h21

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"En tus Brazos"

Já que durante a semana eu falei de "retomada de sonhos", hoje eu divido com vocês um presente maravilhoso que recebi da Fernanda Pereira, de Campo Grande (MS), uma das colaboradoras e incentivadoras mais ativas do blog. Trata-se de uma animação chamada "En tus Brazos" (Em seus Braços")! Como é domingo, tem música, claro. Vejam até o final, é curtinho...boa emoção!

 

 

Escrito por Jairo Marques às 10h46

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.