Jairo Marques

Assim como você

 

Qualé a sua parada?

            Sou um pouco avesso a multidões. Talvez herança do meu lado caipira láááá de Três Lagoas (ta, confesso, agora só existem duas), onde nasci.

 

       Primeiro que em eventos com muita gente meu pescoço fica sempre doendo de olhar pra cima. , segundo é que fico com receio de a boiada estourar e eu ser o vaqueiro escolhido para ela festejar a liberdade. E terceiro: fica aquele rela-rela na minha cadeira que quase perco a virgindade. 

 

Um grande amigo meu, o Heric, vive dizendo que sou bobo (ele usa uma palavra um pouco mais feia), que tudo é super seguro, que não tem problema nenhum em ir a esses festivais de música, por exemplo, nos estádios. Sei não.

 

Sou mais uma mesinha de boteco tranqüila ou uma baladinha onde eu tenha algum espaço para respirar. Respirar é tão bom. Em diversas ocasiões eu admito que fico com vontade de encarar, mas, quem sabe no futuro?

 

Bom, mas tô dizendo isso porque amanhã vai haver em São Paulo a “12 ª Parada do Orgulho Gay”, quer reunião maior de gente? Me convidaram para sair em um bloco: “O Trio do Acesso Universal”. Achei a idéia fantástica. No meio de tanta diversidade de gênero, vão defender também a diversidade de limites!

 

Mas fica ai a sugestão para aqueles que forem mais macho que eu! O trio vai usar o slogan , “Incluindo diferenças... em defesa dos direitos humanos!”. Muito bom o tema. O carro terá tradutor de Libras e será totalmente acessível para quem é cadeirantes ou tenha dificuldades de locomoção. Pô, quem for pode me enviar uma fotas depois?

 

O que? Trio do Acesso Universal

Onde? Na avenida Paulista, a partir das 12h, em frente ao Masp, em São Paulo. Será o sexto carro a entrar

Quando? Amanhã, domingo, 25 de maio

Quem faz? O A Mais Diferenças - Educação e Inclusão Social - e a 3IN - Inclusão, Integridade e Independência

Quem apóia? O Movimento Superação, a Dá Pra Ir e o Centro de Vida Independente Araci

Nallin e LeBomi

Como assim? Vai haver Djs, gente de todo canto do país e do mundo, dança, clima de festa

Ainda ta com dúvida? Mais Diferenças (11) 3881-4610 com Andréa ou pela caixa de mensagens md@md.org.br

 

Escrito por Jairo Marques às 11h45

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Prefira o térreo

            Feriadão prolongado, todo mundo na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê e eu aqui, na labuta, de plantão... aff.. Também, como diz um dos meus grandes amigos: “não estudei”! Mas vamos lá, só de raiva vou falar de trabalho pra vocês.

 

            Sou jornalista desde menino, quando escrevia cartas imensas fossem de amor, fossem de amigo, fossem para aqueles concursos de frases que nunca vi ninguém ganhando. E disso pra a faculdade foi um pulo.

 

Poucos meses depois que me formei, já estava na Folha. Saí láááá do “Mato Grosso” (Mato Grosso do Sul, para nós, nativos) para morar em Sum Paulo. Eu, uma mala gigante, uma cadeira de rodas vermelha e na cabeça o choro de uma mãe desesperada: “Menino, assim eu não agüento, você me mata”. O que não havia e nunca há na minha bagagem é medo de desafio, receio de não dar conta.

 

            Fui selecionado por meio do Programa de Treinamento do jornal. Eram uns 2.600 concorrentes para dez vagas. E passei, gente... Nunca fui um gênio, um cara que sabia de tudo. Acho que sempre fui curioso, li bons livros e sou viciado em notícia, em buscar um mundo ligeiramente melhor.

 

Até cheguei a perguntar para Ana Estela, editora de treinamento da Folha e a madrinha deste blog, se eu havia sido beneficiado por algum sistema de cota, sorteio de bingo ou pagamento de promessa de alguém. Lembro perfeitamente que ela olhou pra mim como me fuzilando com os olhos: “Não, passou porque passou, como todo mundo”.

 

E a carreira começou como repórter. Em princípio trabalhando de dentro da redação, mesmo, mas logo para todo canto do Brasil. Gelei no dia que meu editor à época olhou pra mim e lançou: “Você vai para o Maranhão”. E fui. De lá eu segui em outras dezenas de reportagens para quase todos os Estados do país, montado na minha cadeira, com uma vontade imensa de fazer bem feito.

 

Muita gente me pergunta se o jornal não tinha receio de eu não conseguir cumprir as missões que eu me propunha ou que me eram dadas. Bem, as respostas que eu tive eram sempre iguais: “você é um profissional como outro qualquer”. Êh, laiá.

 

Agora, o que repetidas vezes me acontecia era a incredulidade dos outros de que eu era “repórti” do maior jornal do país. “Da Folha, né?... sei... deixa eu ver o crachá, filho... hum... Veio lá de São Paulo? Hum... e você trabalha assim, sozinho? Hum... Tem medo, não? E você faz como? Hum... tem medo não, né? Hum... Mas... vai sair no jornal?”

 

Mais pra frente eu conto pra vocês uma dessas experiências com mais detalhe. E eu nem ligava. Ria, claro. Rir é tão bom.

 

Porém já passei perrengues de botar a mão na cabeça e pensar: “Agora a casa caiu”. Um desses casos aconteceu em outubro de 2003, em Florianópolis (SC). Aquela ilha linda, fantástica, cheia de gente bonita iria viver um blecaute histórico (acesso para assinantes do Uol e da Folha, quer moleza?). Todo o fornecimento de energia foi rompido por mais de 53 horas. Eu estava por lá, fazendo a cobertura de uma feira de telecomunicações. Cobertura tranquila. Claro, fui deslocado para quebrar pedra e relatar aquele drama que parecia que não ia terminar nunca.

 

Aqui dá pra ver a parte continental, iluminada, e a ilha, tooooda apagada

 

Em resumo, o que aconteceu foi uma explosão dentro do túnel que leva os cabos de energia do continente para a ilha. Tiveram de promover uma solução de emergência, criando um sistema externo, bastante vulnerável, mas, era a única saída. A cidade ficou sem semáforos, sem água (porque o sistema de bombeamento parou), a comida estava estragando em supermercados e geladeiras, funcionário de hospitais estavam em pânico para manter equipamentos ativos.

 

E trabalhei muito, muito naqueles dias. Mal tinha tempo de tomar banho. Havia uma capital quase inteira padecendo por todos os lados. Sem dúvida foi uma grande experiência de vida e de profissão. Em diversos momentos achei que meus "limites" iam me impedir de seguir bem na cobertura, mas, jornalistas tem de ter sorte e consegui cumprir meu papel.

 

Quando aquele pesadelo acabou e, enfim, a luz voltou. Era momento de relaxar... ôh, delícia! Missão cumprida, né?! Saí do hotel em que estava, no continente e onde o fornecimento não havia sido interrompido e fui para a casa da minha namorada naquela ocasião, que coincidentemente, eu disse coincidentemente, morava em Floripa, quase no último andar de um prédio do centro da cidade. Ninguém é de ferro, né?

 

Eu lá no maior relax depois de ter trabalhado como um cavalo que arrasta carroça quando começa uma chuva, um vento sem fim que, aos poucos, virou tempestade e....? A estrutura de emergência que fizeram para sanar o problema flopou. Em um estalo, a escuridão voltou a dar o dar da graça (ou o da desgraça, como preferirem). Meu povo, imaginem: estava no 11º andar de um prédio com o elevador parado e tinha de sair dali urgentemente para voltar a trabalhar. Já haviam me ligado do jornal, de São Paulo, pedindo matéria, pedindo informações do que havia acontecido. Sim, minha casa havia caído.

 

Aqui os técnicos estão criando a estrutura de emergência,

minha vilã

 

Liguei para o Corpo de Bombeiros pedindo pra me resgatarem de lá. "Senhor, há uns quatrocentos pedidos na sua frente. Dentro de cinco ou seis horas poderemos atendê-los". Gelei. Eu e a guria naquele breu atrás de uma solução para eu poder trabalhar. Liguei, então, para o assessor do governador do Estado. Oras, eles garantiram que aquilo ia funcionar. Não funcionou, então, que resolvessem a minha situação. E não era um caso particular. Entendo que o meu trabalho era necessário para informar milhares de pessoas. Sinceramente, não vi problema ético nenhum. Não matei, não roubei e não cobicei a mulher do próximo.  Como vocês agiriam?

 

Em poucos minutos, os homens da segurança particular do governador estavam na prédio. Saí dos braços de uma gatinha para cair no colo de dois marmanjos gigante (não rolou sentimento) que firmemente me levaram até o térreo, onde eu voltei a funcionar normalmente e pude trabalhar, seguir meu ofício de relatar o cotidiano. Enfim, a história já ficou bem longa.

 

Vou contar mais de trabalho, depois. Mas, este caso mostra um pouco que há, sim, obstáculos inesperados para uma pessoa com limitação. Eles podem ser simples para uns, mas dramáticos para outros. Ter bom senso e uma boa agenda ajuda a resolver. Morar em andares mais baixos, para quem tem dificuldades de locomoção, também!! 

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 11h24

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Raíssa vai à escola

Raíssa é uma preta paulistana, mas que se mudou para Niterói, no Rio, faz pouco. E foi para lá menos por causa da beleza das praias e dos monumentos de Oscar Niemeyer do que pelo forró.

 

Sim, pessoal, Raíssa é meiga, companheira, linda, fofa e forrozeira. Ela segue com afinco o grupo “Charme do forró”, seja para boates, bares, casamentos, “enterro de sogra”. Louca, louca pelo ritmo.

 

Raíssa também acorda cedo porque freqüenta o ensino médio em uma escola estadual e chama muita atenção pelas ruas por onde passa com seu rebolado maroto e um ar de convencimento. Mas, acima de qualquer qualidade, Raíssa veio parar aqui no blog porque ela fez um cidadão. É, um cidadão. Desses em sua plenitude, assim como você.

 

Raíssa é um cadela da raça labrador de dois anos e cinco meses e cão guia de Antonio Marcio da Silva, um boa pinta. Um sujeito fantástico. Pernambucano, de 19 anos, mas com a malemolência típica de quem mora no Rio.

 

            Há cinco meses Márcio recebeu Raíssa do treinador George Thomaz Harrison, com quem foi adestrada por um ano e sete meses, dentro de um projeto desenvolvido pela AFAC (Associação Fluminense de Amparo aos Cegos de Niterói). Eu não sabia que o processo de formar um cão era tão caro. O Márcio me disse que pode custar R$ 20 mil. Ele conseguiu a Raíssa com patrocínio. Puxa, da-lhe patrocínios para estas associações.

“A Raíssa me trouxe proximidade com outras pessoas. Ela me integrou à sociedade. Quando você usa uma bengala, você fica um pouco limitado e é alvo de diversos obstáculos na rua. Os outros só falam contigo gritando: ‘Ei, olha o buraco! Ei,vai bater no poste! Oh ceguinho, muda de direção!’

Agora, elas se aproximam de mim de um modo mais carinhoso, claro, pela atenção que a Raíssa chama. Ela me dita o caminho com perfeição, me desvia de qualquer problema. Ela me fez mais cidadão. Tem um amor incondicional por mim e eu tenho por ela”

            Quando Raíssa começou a ir à escola estadual Pinto Lima com Márcio, causou espanto e indignação. “Um cachorro na sala de aula?”. É, um cachorro. “Ela deita embaixo da carteira e fica ali, quietinha, o tempo todo. Não late, não lambe ninguém. Teve gente que já confundiu ela com um casaco de pele preta”, diz o Márcio, que teve retina prematura e é cego desde que nasceu.

            Tecladista da banda de forró que Raíssa é fã número um, Márcio é desses caras que a gente cria gosto em cinco minutos de conversa. Ele não vê, mas sente como ninguém, ouve como ninguém e cativa como ninguém.

 “Esses dias eu tava andando na rua com a Raíssa e uma senhora me perguntou se eu tinha não tinha medo de ser assaltado, ser atropelado. Eu disse pra ela que é um risco que todo mundo corre, que todo mundo ta exposto. Não posso ficar em casa trancado esperando a minha vida passar.”

            Por mim, Márcio, quero mais é que você e essa coisa maravilhosa que é a Raíssa andem mais do que o Tom Hanks em Forest Gump. Muito mais...

 

 

 

Em tempo: Muita gente tem me escrito para dizer que se emociona e chora demais lendo os breves depoimentos que vocês me presenteiam nos comentários ou mesmo com trechos dos post que mal começaram. Uma amiga chegou a dizer que eu era um “animal”.... tomara que eu seja pelo menos igual a Raíssa,  . Bom, mas o que eu queria dizer é que falando com o Márcio para colocar a história dele aqui eu vibrava e sentia uma emoção danada. Queria muito entrar pelo fio do telefone e dar um abraço apertado neste cara genial. Viva o Márcio, viva a Raíssa.

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Se ela dança... claro, eu danço!

Sempre, desde molequinho, tive um jeito irrequieto, uma alma voadora, uma vontade de fazer tudo o que eu supostamente não “podia” fazer. Afinal, eu contraí pólio logo quando bebê e perdi o movimento das duas pernas, não ando, nem um passinho, uia! (falo mais para vocês do que houve, em breve).

 

Porém, sempre criava uma maneira minha e dos meus amigos para jogar futebol (eu era goleiro, imaginem, goleiro), para brincar de pique-esconde (alguém sempre me escondia junto), para empinar pipa (ai era fácil, vento tem em todo lugar) e para dançar. É, dançar.

 

E eu abusava nesta última modalidade de entretenimento. Adorava e ainda gosto de mexer o corpo de forma ritmada. Ah, e adoro o Carnaval. Hoje em dia eu trabalho em quase todos (jornalista, gente, jornalista), e só fico mesmo cantando de longe as marchinhas. Mas já fui bom folião, acreditem.

 

 

Agora, imaginem vocês um salão lotado (no interior, onde nasci, o legal são bailes em clubes), e eu ali, com a camiseta de bloco, uma cadeira de rodas bem grande passando por cima dos pés de todo mundo, girando e brindado a folia? Era uma festa, uma alegria incontida. Dançar é muito bom, muito bom.

 

Mas algo que me chama muito a atenção em festas são as pessoas que aparentam um certo desconforto diante de um cadeirante que dança ou mesmo de alguém com um par de muletas que viram asas ou de alguém que não enxerga e faz movimentos descompassados ou alguém que não ouve, mas sente as vibrações do som. Todo mundo ali, se esbaldando de rir ao sacolejar do corpo e o sujeito incomodado com a alegria alheia.  Parecem que não acreditam que é possível aquele sentimento de satisfação. Digo a vocês que é bem possível e é delicioso. Dançar nos faz mais leve, seja como for.

 

Agora, não posso falar de dançar sem também lembrar daqueles tipos onipresentes nas baladas e que querem, invariavelmente, “levantar o nosso moral”. E eles fazem assim:

 

 “Opaaaa, deixa eu levar ele para a pista. Vamos dançar. Segura ai.. oooopa”...

 

E o sujeito vai pegando na cadeira e saindo em disparada, em rodopios, em chacoalhões. Tudo em nome da inclusão. Ele nunca pergunta se quero, se estou achando gostoso, se o meu coração ainda está no lugar, se meu cérebro está funcionando direitinho. Invariavelmente, a inclusão que ficamos é a de um susto, de uma esperança de aquilo acabar logo ou, em casos extremos, de um hematoma na cara.

 

 

Caro amigo leitor, se você é um desses que puxam sem pedir alguém com alguma limitação para festejar, por favor, faz isso mais não. Vamos dançar cada um da sua maneira, com suas possibilidades! Somente em casos de muita intimidade ou de amigos do peito isso funciona. E não é porque somos xaropes, ranzinzas. A cadeira pode virar, a muleta pode bater em alguém, o ritmo de alguém com limitação é diferente dos convencionais.

 

Bom, mas falando em dança, vejam que dica bacana. Para quem mora em São Paulo. Vão até o dia 4 de junho as inscrições da oficina de dança “Danceability”, técnica que junta deficientes e pessoas sem limitações físicas no mesmo baile!

É tudo de graça em um lugar totalmente adpatado, mas há um processo de seleção, quer moleza? As fotos usadas aqui do post é de um espetáculo em que a técnica é colocada em prática e foram cedidas pela assessoria do evento. Achei bem bonito. Vocês gostaram?

 

 

O que? Oficina de Danceability

 

Onde? Na sala Crisantempo (R. Fidalga, nº 521, Vila Madalena,  São Paulo/SP)

 

Como faço? Pessoas, com ou sem deficiência, podem se inscrever pelo contato@nucleodancaaberta.com ou por carta: Núcleo Dança Aberta, A/C Neca Zarvos (R. Iucatan, 184, Jardim América, São Paulo/SP CEP 01439- 040)

 

            Quando? As inscrições abriram no dia 19 de maio e vão até 4 de junho. A oficina acontece de 24 de junho a 14 de agosto, com aulas às terças e quintas, das 15 às 18 horas

 

Quanto? Nadinha de nada

 

Vagas? Para 15 felizardos

 

 

 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 20h32

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Uma mulher, uma beleza...

    Um dos casos de superação que chamam muito a minha atenção, e também deve ter chamado a de vocês, é o da miss Ceará deste ano, Vanessa Vidal, que ficou em segundo lugar no concurso da mulher mais bonita do Brasil.

 

    Como boa parte das pessoas já sabe, a beldade tem limitação auditiva, não ouve, nadinha, desde que nasceu. Uma amiga comentou comigo que, sem demérito, é claro, ninguém se lembra ao certo quem foi a vencedora do concurso, mas a Vanessa ficou na história.

 

    Que coragem daquela jovem deslumbrante, diante de centenas de pessoas que assistiam ao evento, de “falar” com expressões das mãos, dos dedos. Foi de tirar o fôlego. (veja um dos vídeos aqui)

 

    E a Vanessa sorria, bailava com suas Libras (a língua de sinais) de forma a dominar aquele espaço e de mostrar às concorrentes: sou assim como vocês: bonita, simpática, miss, mas não escuto.

 

     É muito natural que alguém fora do padrão tenha dificuldades de se afirmar diante de suas próprias limitações, de exibir uma perna mecânica, um aparelho de correção de postura, um óculos. E, por isso, a Vanessa é história a ser aplaudida e seguida.

 

Leiam uma entrevista que fiz com ela, por e-mail. Boa Leitura!

 

 

 Blog: Sem falar nenhuma palavra você calou muita gente e se tornou a segunda mulher mais bonita do Brasil. Nem sempre se ganha no grito?

 

Vanessa Vidal: Nasci com uma perda auditiva bilateral profunda, mas, graças a minha mãe e com a ajuda de uma fonoaudióloga, desenvolvi a fala. Até os 13 anos, não sabia a língua de sinais: "Libras". Dai em diante, descobri minha língua própria, pois os surdos têm identidade, tem sua cultura, são pessoas extremamente inteligentes.

 

Como sempre digo, a falta de um dos sentidos nunca me impediu de crescer, de evoluir, de sonhar. de amar e de ser feliz. Faço duas faculdades, ciências contábeis e letras libras. Trabalho em um órgão da Prefeitura de Fortaleza (CE). Sou voluntária na causa dos deficientes. Amo trabalhar com pessoas especiais.

 

Blog: Você abriu um caminho importante mostrando que perfeição e limitação podem caminhar juntas. Mas, certamente, dificuldades foram e são presentes na sua carreira.

 

Vanessa: É verdade, perfeição e limitação podem e devem caminhar juntas mostrando sempre que é possível vencer obstáculos, ultrapassar barreiras. Dificuldades já enfrentei muitas na minha carreira, na minha vida pessoal, pois bem sabemos que a vida já não é fácil, para os ditos "normais" imagina para aqueles com limitações?  Mas sempre lutei com coragem, sempre fui guerreira, não desisto nunca  do que quero. Aprendi que a vida é uma batalha e vou lutar sempre, cada dia procuro novos desafios.

 

Blog: E como você supera o fato de ter uma limitação auditiva no seu dia-a-dia, por exemplo, em namoros, nas atividades de estudo? Deve ser comum te perguntarem "será que você é surda", não é?

 

Vanessa: A minha vida é bem agitada, sempre tive um dia-a-dia bem corrido. Já namorei rapazes surdos, namorei rapazes ouvintes. No primeiro momento, sempre falo que sou surda, mais que tenho uma boa leitura labial, e que sou oralizada, tento ensinar minha língua, as "Libras. No começo é tudo novidade mais depois acostuma. Muitas vezes já me fizeram essa pergunta: "você é surda mesmo"? Ou é brincadeira?

 

Blog: Como você adquiriu a sua limitação?

 

Vanessa: Segundo minha querida mãe, os médicos falaram que foi rubéola na gravidez, mas ela nunca teve a doença, Na verdade são só suposições, nós não sabemos ao certo a causa.

 

Blog: Você ficou em segundo lugar no concurso, mas ficou mais famosa que a ganhadora, a gaúcha Natália Anderle. Tem tirado proveito disso? O que você pretende fazer daqui para a frente e como as pessoas reagem a sua conquista?

 

 Vanessa: O segundo lugar foi muito gratificante. Estou colhendo os frutos desta conquista. Como já trabalhava como modelo, agora os trabalhos se intensificaram. Muitas entrevistas, tv, jornais, revistas, campanhas publicitárias.  Está sendo maravilhoso. As pessoas me apóiam muito, me parabenizam. Estou bastante feliz

 

Blog: Graças a você, um evento tão visto como o Miss Brasil teve apresentação com a linguagem de sinais. Como fazer as pessoas terem mais contato com esse tipo de comunicação e torná-la mais comum e menos exótica, aos olhos de quem não tem essa limitação?

    

Vanessa: Tenho feitos muitos projetos no sentido de tentar divulgar mais as Libras, que já é uma língua oficializada, como qualquer outra.  Estou tentando capacitar pessoas que ouvem para fazer o curso de Libras para facilitar mais a vida dos surdos. Libras é uma língua fascinante, e muito fácil de aprender. Basta começar e se apaixonar.

Escrito por Jairo Marques às 21h29

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Um explosão de gente assim como você

Pessoal, estou recebendo centenas de emails e não estou conseguindo abrir e liberar todos os preciosos comentários. Vou me esforçar para botar tudo em dia, mas vocês me pegaram de surpresa com tamanha repercussão. A minha logística ficou pequena! Obrigado e sigam acompanhando. Vai haver novidades em breve!

 

Escrito por Jairo Marques às 16h16

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Igual... mas diferente!

Este diário nasce com um objetivo bem claro: mostrar que viver pode ser uma constante aventura de superação, de reinvenção de caminhos, de fazer valer um desejo incontido de mostrar ao mundo que, cada um, a sua maneira, faz acontecer.

 

Para isso, neste espaço vão estar sempre histórias de gente que, "Assim como você", mesmo com pequenas ou grandes adaptações, pode jogar futebol, dançar balé, saltar de pára-quedas, namorar, aprender, ensinar, mergulhar, vencer.

 

Diversas das situações que vão estar aqui relatadas foram experimentadas por mim mesmo! Sou cadeirante (usuário de cadeira de rodas) desde a infância (vou falar disso depois), então, tenho uma certa coleção de assuntos para tratar e rir junto com vocês (sim, várias das minhas histórias são bem engraçadas).

 

O blog também trará serviços, debates e novidades para pessoas que estão “fora do padrão”, seja por uma limitação física ou mental, pela idade ou por um aspecto do corpo.

 

Mas o público do diário, não se restringe a grupos. Afinal, quem não conhece alguém portador de alguma necessidade especial ou convive com situações em que essas pessoas estão inseridas? A minha proposta é abordar o diferente para revelar que no fundo, realmente, somos bem iguais.

 

Agradeço aos meus amigos e colegas que me deram a coragem de encarar esse desafio (mais um) de fazer mais plural um universo que, para muitos, parece bem restrito e cheio de “dificuldades”. Agradeço também ao Grupo Folha que acreditou e apoiou a idéia de criar um espaço inédito nas mídias mais importantes do país para falar de um público que, sem dúvidas, pouco aparece, mas que ganhou fôlego novo com o avento da internet, do mundo digital.

 

Espero que gostem deste ponto de encontro e me ajudem a jogar luz em trajetórias de pessoas que transformam suas limitações em simples detalhes diante de vitórias, de exemplos, de vontade de ir sempre além do que suas realidades supostamente permitiriam.

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Escrito por Jairo Marques às 19h17

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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