Um show inesquecível
Meu povo, começo a semana com um relato que me deixou radiante todo o final de semana. Fiquei ansioso (como acontece invariavelmente
) pra contar a vocês esse fato que foge um bocado das histórias de perrengue que relato por aqui...
Geralmente, quando um “malacabado” se “atreve” a encarar uma casa de show para, como qualquer ‘serumano’, ver um espetáculo, é um verdadeiro parto de "minino" atravessado:
Os lugares reservados no estacionamento estão sempre ocupados, as pessoas não abrem passagem na entrada, chegar até a mesa comprada é uma maratona de apertos e a turma mais animada tapa a frente do palco e te impede de ver... aff.. ![]()
Contudo, a experiência vivida pela advogada Andréa Pontes, 26, na última sexta-feira foge de todos os perrengues e nos faz dar um sorriso gostoooso!
Calma, calma, já vou parar de enrolar e falar logo...
. Não acho e nem defendo que “defientchi” tenha de ter privilégios. Mas, para que a gente consiga ter tanto prazer em uma apresentação como os outros mortais, a gente precisa de alguns detalhes “diferençados”, né, não?”
Mas ‘bora’ voltar para o causo da Andrea. Ela foi assistir a um show da cantora Simone, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre (RS). Já na entrada, ela sentiu que viveria uma grande noite.
“A produção do show - Branco produções- foi muito boa. O pessoal se esforçou para me colocar em um local agradável, foram gentis e incansáveis. Enquanto eles me posicionavam no local indicado, perguntei se, ao termino do show, poderia conhecer a Simone.”
Todo mundo quer chegar perto de seus ídolos, falai?! Mesmo que seja para tocar na mão, falar o quanto admira, dar um beijo... sabe assim que nem vocês fazem comigo? “Inzibiiiiido” ![]()
...
Para esse povo que não anda, que não enxerga, que tem o escutador de novela prejudicado
, chegar pertinho de um artista é um baita desafio. Imagina vencer as multidão tudo? E camarim que seja fácil de chegar, existe?
“Logo que o show acabou o pessoal da produção foi ali me retirar do local e me levar para o camarim da cantora. Na hora de ir embora, o problema foi que eles não esperavam uma fila enorme e um tumulto de fãs em volta. Eu não tinha como sair dali. Era um corredor lotado de fãs, aquele empurra-empurra típico.”
Agora, “Zimininos”, se ajeitem ai na cadeira porque é legalpracaramba.com.br!
“A Simone, quando viu a cena, logo veio correndo me ajudar. Pegou a minha cadeira de rodas, perguntou para onde eu queria ir e disse para deixar com ela que ela resolveria.”
Ahhh, gente... eu acho isso o máximo. A Simone não simplesmente deu uma “carona” para a Andréa, ela demonstrou para todos os que estavam ali presentes que é a favor de um mundo mais digno para todos... “Di certeza” que quem viu a cena nunca mais vai esquecer e vai entrar na turma de ajudar a gente a dominar no mundo... 
“Ela foi lá na frente da multidão, já me empurrando na cadeira, e disse que não queria ninguém a volta dela, que queria espaço para passar comigo e o respeito dos fãs. Que me levaria até o meu carro no estacionamento, pois ela queria ter certeza da acessibilidade do local e pediu para não ser seguida por ninguém.”
Eu me “arrupiei” fui recriando todinha essa cena na minha cachola. Pode não parecer nada, mas só quem é ‘matrixiano’ sabe o quanto uma atitude dessa nos enche de energia, de vontade de conquistar novos “adeptos”...
“O pessoal foi abrindo passagem, os seguranças foram ajudando na volta e ela realmente me levou até o estacionamento, me ajudou a entrar no carro e a guardar a cadeira de rodas.”
A Simone é um das maiores cantoras brasileiras e, com diz a minha tia Filinha, “difinitivamente” NÃO precisa de atitudes promocionais. Ela já um sucesso com sua voz, com sua presença de palco... Ela fez, a meu ver, porque sabe o quando aquele gesto fez a diferença para Andréa e para todos que estavam ali!
“Em todos os shows que fui, nunca tive um atendimento tão especial, tão digno.”
Adorei demais essa história! E vocês? Alguém já viveu algo parecido? Ah, e gostaram do meu novo retrato ali do ladinho que vocês usam pra matar a "xodades"
? Quem tirou foi o meu brother Rapha Bathe. Tô ou num tô todo formozurento? 
* Imagens do arquivo pessoal de Andréa Pontes
Escrito por Jairo Marques às 22h13
É pura emoção
Tem gente que não leva muito a sério que o meu projeto é mesmo dominar o mundo É com muita satisfação e orgulho que informo a vocês que um grande aliado desse blog, parceirão, mesmo, o fotógrafo Arthur Calasans, teve um de seus trabalhos sobre esse universo paralelo em que vivem os deficientes escolhido pelas Nações Unidas para uma exposição mundial! Para quem não se lembra, o Calasans fez aquele ensaio comigo dentro de um cinema pornô Uma imagem flagrada por ele foi selecionada para compor a mostra da Campanha Mundial de Fotografia “Humanizando o Desenvolvimento”. Os trabalhos escolhidos irão rodar dezenas de países ao redor do mundo e poderam ser vistas em exposições públicas. E nós, os matrixianos, estaremos belamente representado por uma florzinha cor-de-rosa, a encantadora ‘malacabadinha’, Ana Laura Cotrim Rebouças, clicada pelas lentes do Calasans. Que orgulho! Esta imagem foi registrada na escola Doce Começo, onde a deusinha ensaia seus primeiros.... passos.... do balé cadeirante! ( Foto selecionada para a exposição) Baile para o mundo, Aninha... que todos se inspirem no seu sorriso contido e na sua forma sublime de inteirar... Concentre-se, pequena bailarina. Que sua arte seja admirada, respeitada e entendida cada vez mais Que a cada Pliê e Demipliê, realizados a seu modo, mais pessoas entendam que todos precisam ter o direito de viver plenamente Sorrria, mesmo, Aninha... Você é orgulho de todos nós. E vamos contigo e com o talento do Arthur Calasans desbravar o universo! Para saber mais sobre a campanha das Nações Unidas e ver outras fotos selecionadas, clique aqui! * Ensaio cedido pelo fotógrafo Arthur Calasans com exclusividade para o "Assim como Você"
. E digo a vocês que os tentáculos desse humilde objetivo estão estirados e já mostram resultados concretos.
. Tá duro pra saber qualé? Clica no bozo! ![]()


Escrito por Jairo Marques às 01h02
Falta um mês ou nada mais?
“Zimininos”, é hora de começar a mexer a farofa, preparar a leitoa, arrumar as panelas da “malmita”. Daqui a exatos 30 dias, mais conhecido como um mês
, será a hora dessa gente “malacabada” e seus aliados mostrarem seu valor aqui em São Paulo!
No dia 5 de dezembro, vai rolar a passeata/bagunceira do Movimento Superação! Aêêêêê. O local onde irá acontecer o fuzuê ainda está igual ao sexo do meu amigo Amauri: indefinido... ![]()
Talvez seja mesmo na avenida Paulista, talvez no Vale do Anhangabaú.... Assim que baterem o martelo, eu aviso todo mundo.
Insisto com vocês que esse momento é a grande ocasião para que mostremos a cara. É quando a gente firma para sociedade que não queremos mais viver num mundo paralelo em que nos jogaram.
Seja de maca, de bengala, arrastando um cachorro, puxando as sandálias, tropicando, mancando, é preciso ir à rua, pessoal. É preciso gritar que queremos ir e vir com dignidade, que queremos acesso pleno à vida cultural e social, que queremos reconhecido o nosso direito de sermos protagonistas, atuantes, e não mais expectadores.
Para dar mais um fôlego e inspiração a vocês, minha adorável amiga e colaboradora maior deste blog Silvetz Dutra arranjou as impactantes fotos da Lara Miranda, feitas na passeata do Rio, em um vídeo de encher o zóio e o coração de emoção! Se preparem para dar aquela choradinha básica! ![]()
Ah, sim, e não falta nada mais pra eu ficar mais velho... Hoje, dia 5, os numerozinhos que ficam abaixo dessa foto do tio ali do ladinho direito da tela, e que vocês tanto beijam quando tão com “xodades”
, precisam mudar para 35.... Num é lindo?!
Escrito por Jairo Marques às 00h35
‘Tenditudo’
Um trampo num flash!
Eu vivo martelando na cabeça desse povo “matrixiano” que sem estudar, sem se qualificar, sem botar banca de sabichão
, a dominação do mundo não rola.
Quando a gente se prepara, a gente consegue emprego e com emprego consegue dinheiro e com dinheiro muita gente que nem olha pra nossa cara vai estender tapete vermelho pra gente sujar com as rodas das cadeiras de rodas tudo... ![]()
O CPqD, de Campinas, que é uma instituição independente, com foco na inovação em tecnologias da informação e comunicação, abriu novas vagas para o seu programa de capacitação “Qualificar para Incluir”, que tem o objetivo de treinar os ‘matrixianos’ em Tecnologias da Informação e Comunicação. Tudos os negócios de futuro, de avanço, de gente "inteligentechi"!

O barato e totalmente de graça e tem cerca de um ano de duração. Só pode se inscrever quem tem, pelo menos, até o segundo ano do ensino médio, que no meu tempo era o colegial. ![]()
“Uai, tio, mais causo de quê isso ai é bom?” Porque boa parte dos cabras que participaram da primeira turma já tão tuuudo empregado em grandes empresas, ganhando bufunfa e rumando pras próprias diretoria...
.
São 80 vagas e as pessoas serão divididas em quatro turmas. O CPqD também vai, prestem atenção, dar o material didático e transporte do centro de Campinas até as instalações onde vão rolar as aulas. Mais moleza só sentando no colo do Jô Soares... ![]()
Para se candidatar www.cpqd.com.br. Tem de fazer até o dia 15 de dezembro. Qualquer estropiado (dos zóios, dos zovidos, das pernas, de tudo EMOTION) pode se candidatar!
Sua, sua, sua... feia!
Essa quem me mandou foi a minha amiga linda/ linda amiga Tabata Contri. A loira “pescou” nos próprio Twitter esse “desabafo” mimoso de uma atriz que, como diz o Zeca Pagodinho, e com todo o respeito, eu repito: “Nunca vi, nem comi eu só ouço falar”
. É uma tal de Thaila Ayala.
Saque o que a nega declarou: “Como e ruim sentar na primeira cadeira do avião... Todo mundo fica te olhando como se fosse paraplégico! 3:25 AM Nov”.
http://twitter.com/Thailaayala

Juro que não conheço essa moça e nem sei qual foi a intenção dela em escrever algo que nem em roda de botequim de terceira eu já ouvi.
Mas eu mando um recado: Se preocupa, não, mona. Não vão te olhar com cara de “malacabada”, porque o seu estrago não é nos cambitos nem nas canelas na finas... seu estrago é no “célebro”, se é que você me entende....
(Gzuis, tô ruim, né?)!
Mais, mais cinema!
Meu povo, termina no dia 8 deste mês (domingão) a Mostra Cinema Nacional Legendado & Audiodescrito, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Os filmes vão ser exibidos em com closed caption (legenda oculta), a partir das 11h e é tuuudo na faixa... uma beleza de se ver! 
E bota reparo que legalpracaramba.com.br: uma Van faz o transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifícos Zarvos) e na Rua 15 de novembro, esquina com a Rua da Quitanda, a vinte metros da entrada do CCBB.

Os “pessoais” que é cego ou tenha os “zóios” meio descompensados
, além dos surdos tem uma oportunidade “maraviwonderfull” de apreciar a sétima arte com independência total! Bora lá, “zimininos”?
Para mais informations: Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo R. Álvares Penteado, 112, Centro Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
(11) 3113 3651 www.bb.com.br/cultura e www.twitter.com/CCBB_SP
* Imagens de divulgação e do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 23h32
A viagem da Fabi
Conto por aqui diversas histórias de desafios que esse povo sem braço, sem perna, que não enxerga, que não escuta direito enfrenta para desbravar o mundo. A de hoje tem um sabor especial: é a de uma menina que, pela primeira vez, resolveu viajar sozinha, montada em sua cadeira de rodas.
Pode parecer algo corriqueiro para a maioria dos “mortais” fazer uma viagem, né, não? Para um cadeirante, porém, o lance é mais punk, afinal, para dar “as caras” ao mundo é preciso passar bastante óleo de peroba... ![]()
A fórmula, contudo, para que sejamos notados de fato e para que as transformações que precisamos para ter mais dignidade no aproveitamento dos espaços, a meu ver, é justamente a de enfrentamento.
É saindo à rua que ela, a rua, irá nos notar. É indo aos bares que vamos poder beber, é indo aos centros de lazer que eles vão acreditar que a gente “não quer só comida”, é viajando que as estradas irão acreditar que queremos ir a qualquer lugar.
A Fabíola Pedroso, minha leitora desde os tempos das cavernas
, tem essa cartilha do projeto da dominação do mundo na ponta da língua. Passou sebo nas canelas finas e vou se aventurar, como qualquer jovem, em um passeio de férias, lá pras Minas Gerais.

“Minha saga começou na compra das passagens, pois me aventurei a andar de ônibus e como todos sabem não é adaptado em nada. Comprei pela internet sem problemas e também não havia nenhuma indicação para eu falar que era deficiente. Já lá na rodoviária, cheguei ao ônibus e fui a ultima a entrar. Não havia nenhuma adaptação e tive de ser carregada para cima. A cadeira foi no bagageiro junto com as malas.
Como meu santo é forte e quem tem boca vai a Roma, sempre arrumo alguém que me ajude e haja homem forte ...
. Uma dica é comprar a passagem com algumas semanas de antecedência para pegas as primeiras poltronas e não a última como eu fiz.”
Atualmente, eu já tenho visto alguns ônibus interestaduais com elevador. Essa situação que a Fabi narrou, eu já vivi muuitas vezes. Só que nem sempre eu era “agarrado” nos braços com muito carinho, não...
. Quem quiser saber como era, é só clicar no bozo!
“Depois de oito horas de viagem, cheguei a ‘Belzonte’ louca de vontade de fazer xix
, mas para minha surpresa o banheiro acessível da rodoviária ficava no andar de cima e para chegar lá.... tchanaammmm... era preciso subir escadas porque o elevador tava quebrado. Não teve jeito tive que esperar e ir fazer em um bar lá próximo...”
Tá ai uma situação que os “mortais” poucas vezes se dão conta: os ‘malacabados’ precisam dar as suas urinaaaaadas...
Uma ‘radoviária’ precisa ter vários banheiros acessíveis, assim como aeroportos, estações de trem. A gente chega das viagens tudo muito avexados para ir à casinha...
“Durante meus quatro dias em BH, andei de ônibus e taxi já que metrô lá não nos leva para muitos lugares. Ônibus, em sua maioria, como eu fiquei bem no centro da city, eram adaptados e os taxistas bonzinhos e as corridas não muito caras. Gastava o máximo 15 reais por corrida. Fiquei hospedada no bairro de Santa Ifigênia , perto do centro (praça da Liberdade), sem muitos problemas cheguei fácil ao Mineirão e ao Mineirinho onde aos domingos tem uma feira e comidas típicas.”
A Fabi teve um pouco de sorte porque taxista "bonzinho" com malacabado é peça rara!
Mas, sem dúvidas, esse tipo de transporte é uma opção para que possamos conhecer alguns pontos das cidades. Será que BH já tem táxi acessível?
“As ruas de BH não são nada acessíveis e se você não tiver domínio ou campainha fica bem difícil de se locomover. Como eu não queria gastar muito com hospedagem, resolvi procurar um Albergue da Juventude (WWW.hostel.com.br), onde muitos estudantes, jovens e até adultos e aventureiros se hospedam. Para minha surpresa o albergue tinha acabado de fazer um quarto adaptado e estava começando a adaptar o hostel na entrada é uma rampa a porta é bem pequena mais passa.

Já o quarto tem lugar para duas pessoas e banheiros dentro, o banheiro é bem espaçoso e acabei colocando uma cadeira de plástico para tomar banho (quando fui embora, iam colocar barras de apoio no vaso e chuveiro, lá ainda conta com cozinha , lavanderia , lan house e piscina."
Achei legalpracaramba.com.br o fato de ela ter ficado em um albergue da juventude. Eu nunca tive essa coragem, apesar de viajar um bocado. Os albergues socializam, são mega animados e baratos. Atualmentchi, acho que já vários acessíveis.
"Fui a muitos bares, a especialidade da cidade , parque ao estádio, fiz tudo que eu queria dando um jeitinho e ajuda dos amigos. Consegui me divertir e andar por todos os lugares. Mas como em qualquer cidade brasileira você enfrentará dificuldades com calçadas, banheiros, etc. Mas planeje e divirta-se sempre ! Uma boa viagem é umas das melhores experiências e sentimento de liberdade e independência .... Próxima parada Rio de Janeiro...” 

É isso, gente! Com um pouco de planejamento e tendo clara noção de que haverá perrengues, mas que se divertir vale muito a pena e todo mundo pode viajar!
* Imagens de arquivo pessoal
Escrito por Jairo Marques às 08h42
Acontece, presidente!
Naquele dia eu botei roupa de ir para batizado, passei “clostora” nos heróis da resistência que insistem em ficar na minha cabeça, e até banho tomei, juro
. Era uma situação especial, ia comprar uma charanga nova!
Quando eu botei as quatro rodas dentro da concessionária, estava me achando o último gomo da mexerica
, mas mal sabia eu que seria um sufoco para um cadeirante com cara de pobre comprar sua kombi.
Esperei que alguém me atendesse por alguns minutos..... tá, admito, por vários minutos. Com um “malacabado” que se “atreve” a fazer tudo sozinho, que nem o tio, essa situação é sempre comum: acham que você tá perdido, acham que você fugiu da casa de repouso, acham que você tá ali para vender rifa... nunca, para comprar.
“Moço, eu queria olhar essas ximbicas”....
“Fique à vontade...pode olhar”, rebateu o vendedor.

O mais curioso é que os outros potenciais compradores eram acompanhados por “representantes” sorridentes que contavam as vantagens dos carros: “esse tem até freio”... ![]()
Mas eu vou dizer uma coisa “pro6”: eu sou carudo. “Essa concessionária tá falindo? Num tem quem venda carro pra gente?” Aí, enfim, alguém se dignifica a te atender.
“Esse modelo que o senhor gostou não tem um valor tão ‘aquicessível’, viu?!”.... Naquele momento eu abri a minha carteira na frente daquela múmia e mostrei que eu tinha, sim, três ou quatro ‘roiais’ na carteira e mais umas moedinhas... ![]()
“Zente”, ressalto que durante esse atendimento vip o caboclo também atendia ao telefone celular, ao ramal na mesa, que não parava de tocar, e ele ainda dava tchauzinho para quem entrasse na loja.
Por que eu não fui embora? Porque era questão de honra para mim mostrar praquele ‘logozento’ que eu podia, como qualquer outro ‘serumano’ comprar a minha ‘condução’.
“Eu vou estar avaliando o seu carro velho (uma Brasília abacate
... mentira, é mentira), tá senhor”?
Como os vendedores sabem que compramos carros com desconto de impostos (IPI e ICMS), como determina a lei, na hora de vender, eles jogam o valor do nosso veículo antigo no subsolo, como se fossemos toupeiras, na cara dura.

Minha sugestão é que vocês ofereçam seus carros antigos nas “internets” ou tentem vender por conta própria. Na concessionária, apesar de ser muito mais prático, ainda mais para quem evita ter de ficar circulando muito, rola uma exploração básica.
“O senhor pretende pagar o carro como”...
“Pagar como? Geralmente a gente paga com dinheiro, né, não, seu vendedor?”
“Vai financiar? Aí tem de ter renda, emprego fixo...”. Eu não perco uma trucada sem gritar SEIS
.
“Ah, eu tenho uma renda de mesa muito bonita que comprei lá na Paraíba antes de virar retirante da seca, viu”....
Caso uma situação semelhante seja vivida por vocês, ‘matrixianos’, chamem o gerente, reclamem. Constranja os caras. Faça uma queixa na montadora. Garanto que o tratamento melhora. Não é um terno ou uma aparência física que vai determinar a condição social de uma pessoal.
Enfim, escolhido o modelo, o cidadão, me dá o “fatalit”: “O senhor já tem a papelada toda das isenções?”
“Papelada como assim você fala?”
Aqui no Brasil, algo que funciona muito bem são as Receitas Federal e estadual, que garfam os nossos “ricursos”. O monte de documento que exigem para que você PROVE que é “prejudicado pela guerra” e tem uma deficiência física é ultrajante.
Para quem mora numa cidade grande, o jeito é comer na mão de um despachante... saca aquele povo que põe galinha preta nas esquinas?
... Aqui, eles cobram uma verdadeira fábula para “resolver” o que você precisa: exercer seu direito legítimo de ter isenções de impostos na compra de um carro, haja vista o transporte público não nos dar condições de acesso.
Com um mundo informatizado, porque não facilitam pra gente, “gzuis”? Porque cobrar imposto é uma delícia, abrir mão deles é um parto de menino de “revestréis” na barriga da mãe. ![]()
Aqui em “Sum Paulo”, a concorrência para vender carros para “malacabos” (depois que você convence o vendedor que não é um pedinte) é tão grande que as concessionárias costumam “pagar” o despachante para você. Vale lembrar que o desconto, de cerca de 25% no valor do carro, só vale para veículos zero bala!

Tudo resolvido???? Nãaaao.... a gente que é meio torto, precisa esperar meeeses até que a liberação do desconto seja realizada e o carro, enfim, chegue. Pode demorar seis meses, isso mesmo... seis.
Chegou, nego? Agora espera mais um pouco. Vão colocar as adaptações para quem precisa deles. Pra isso, prepare novamente as “carças” porque os equipamentos são caros, o pagamento é à vista e a exploração é fatal. Dois ou três ferrinhos que colocam lá é mil conto, mil e quinhentos contos...
Eu não quero de graça, não. Quero pagar algo que seja justo. E eu sempre saio dessas com uma sensação de que fui muito golpeado, saqueado.
Depois desse périplo todo, digo que vale a pena. O carro dá outra vida pra gente que tem dificuldade de locomoção. Você passa a ter mais condições de viajar, de conseguir interagir em sociedade, de trabalhar com mais dignidade.
A lei das isenções é um tanto distorcida. Há Estados que não concedem o desconto do ICMS para pessoas que não dirigem. É de dar nó na guela de vontade de “gumitar”. Oras, a gente faz o quê com os ‘pessoais’ com deficiências mais agudas? Bota num saco e enterra?
O presidente Lula vive dizendo que estamos entrando no primeiro mundo, que tudo é uma beleza por aqui... ele poderia, a meu ver, dar uma canetada lá no Planalto, como tantas que ele dá, criando uma lei federal abrindo mão de uma migalha de arrecadação que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas, acabando com a burocracia e fazendo algo concreto pela “Matrix”.
Tenho muita esperança de que um dia, até o final do mandato, ele vai “comparecer” de tomará ciência de que um grupo social, o dos malacabados, quer ouvir dele um daqueles chavões “nunca antes na história desse país”, se fez algo tão importante...
Beijo nas crianças, bom final de semana e bom feriado!
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h15
Compre a sua 'kombi'!
Todos os dias, pela manhã, tomando o meu cafezinho com um seboso pão na chapa
, escuto o meu amigo Valdeci, que manda prender e manda soltar aqui no setor em que trabalho, reclamando da viagem de metrô que fez da zona lost até o centro, onde fica o jornal:
“Jairão, quase perdi a minha dignidade hoje de tão cheio que tava o metrô. Tava mais cheio do que caixa d´gua de pobre quando chove... Fico pensando como é que uma cadeira de rodas entraria no vagão agora pela manhã. Só por gzuis, né?.”
E nesses momentos eu fico aliviado pensando no conforto que tenho dentro da minha kombi, que tem ventilador à pilha, motorzão a óleo de cozinha e espaço suficiente pra abrigar a família buscapé tudo... 

Para um ‘malacabado’ que vive, ou tenta
, numa grande cidade, onde os transportes públicos são indigentes até para andantes e as calçadas um convite para um traumatismo craniano, ter um carro é questão de urgência, de necessidade urgente. Claro que eu sei que as ximbicas poluem, aumentam o trânsito e são uma forma “egoísta” de ir e vir, mas, pra esse povo todo lascado, comprado na loja de R$ 1,99*
, os carros libertam, ajudam a incluir, a interagir em sociedade, a dar condições para acessar a pouco acessível vida cultura, social e laboral (falei bonito, admitam..).
O post de hoje, então, mostra várias opções, entre ela uma bem fresquinha (ui), para cadeirantes e 'deficientchis' quebrados (de grana também
) possam sonhar em ter um “tomóvel”. Pra quem não sabe, a gente precisa de carros automáticos ou atomatizados porque eles facilitam muuuito na direção. Imagem vocês que, com a adaptação de freio e acelerador manual, somos obrigados a dirigir com uma mão só, o tempo todo... se tiver que ficar trocando a marcha, tamo na roça...
Vale lembrar que tetrões, pessoas sem os braços, gente pequena podem, perfeitamente, dirigir e tirar carteira de habilitação. Há adaptações pra todos esses "zimininos" dirigir com toda segurança!
Quem produziu o texto foi o meu brother Fabiano Severo, que trabalha no caderno Veículos da Folha, e manja tudo sobre ximbicas... Quebrem os cofrinhos, façam rifas, trabalhem mais porque as kombis aumentam a nossa autonomia e dão mais liberdade. Aí, quando tivermos uma cidade acessível, a gente monta um ‘ferro véio’...
Amanhã (ou depois), eu conto a minha aventura para comprar a kombi com os cerca de 25% de descontos a que todo matrixiano tem direito por lei, com as isenções de impostos!
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A Volkswagen lançará no início de novembro os carros automáticos mais baratos do Brasil. Sem isenções de IPI, ICMS e IPVA, o Gol I-Motion com motor 1.6 "flex" custará a bagatela de R$ 34.605; o sedã Voyage, R$ 37.090. (Com o desconto, os preços pode ficar em cerca de R$ 26.000 e 27.800)
O câmbio I-Motion, porém, não é um automático convencional, e sim automatizado. Usa a mesma mecânica do câmbio manual, mas com sensores que acionam a embreagem e trocam as marchas sem a intervenção do motorista. Só há dois pedais (acelerador e freio). Basta colocar em "D" ("drive", dirigir) e acelerar.

A vantagem? Além da praticidade, custa cerca de R$ 2.500, a metade do valor das transmissões tradicionais com conversores de torque. O senão é que, no automatizado, as trocas entre as primeiras marchas são desconfortáveis. O sistema dá trancos e faz o ocupante balançar demais (entenda como funciona o carro automatizado clicando no bozo!
)

O mesmo ocorre com o câmbio Dualogic, da Fiat _o Palio 1.8 "flex" (114 cv) custa R$ 37.230_, e com o Easytronic, da Chevrolet. A Meriva 1.8 flexível (114 cv) sai por R$ 46.292, mas, no jargão dos lojistas, ganhou o apelido de "Easytranco"...
(Todos os valores citados até o fim do post são “cheios”, sem o desconto que os “malacabados” tem direito)
Por R$ 40 mil, há a opção do Kia Picanto. Sim, o nome é esquisito, mas o carro é simpático. Pequeno para manobrar e bem equipado. Só há um problema (quer dizer, dois): o porta-malas é tão pequeno que dificilmente caberá a cadeira de rodas recolhida. O outro problema é que a Kia fabrica seus carros na Coreia do Sul. Por lei, o governo daqui só concede a isenção de impostos para carros fabricados no Brasil.

Por R$ 47.000, é possível comprar o Peugeot 207 XS automático, já com direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico (vidros, travas e espelhos elétricos).
Se você puder pagar esses R$ 47 mil, vale mais a pena investir na família Livina, da Nissan. A marca ainda tem poucas revendas no Brasil, e as minivans não são exatamente bonitas, mas são racionais, espaçosas e econômicas. Enfim, têm a melhor relação custo-benefício do mercado de automáticos.
A Livina vem com motor 1.8 de 124 cv e câmbio automático _convencional e sem trancos. Já a Grand Livina custa cerca de R$ 7.000 a mais e pode carregar até sete pessoas. Uma verdadeira lotação! (Kombi, kombi..
)

Na "irmã" maior, o interessante mesmo é que os dois banquinhos da terceira fileira podem ser rebatidos facilmente e deixam um espaço enorme para, por exemplo, acomodar a cadeira de rodas.

O assoalho plano e o teto alto permitem levar a cadeira inteira, sem desmontá-la. É algo que só vemos nas minivans mais caras, como a Citroën Picasso (R$ 63,2 mil) e a Chevrolet Zafira, de R$ 70 mil (preço máximo permitido para malacabados comprarem carro com isenção de impostos).
O Honda Fit, por exemplo, até tem o teto alto, mas leva bem menos bagagem e tem motores 1.4 ou 1.5 _dependendo do tamanho da família, são fracos para ultrapassagens ou subidas íngremes. Ah, e custa a partir de R$ 57 mil, com câmbio automático. Não vale!
A família Livina tem volante com regulagem de altura, o que permite adaptar alavancas do tipo "push-pull" (empurre e puxe) sem risco de a barra longitudinal raspar na perna.
* Valeu, Paty!!!
** Imagens de divulgação
Escrito por Jairo Marques às 00h02
Como é que faz?
Muita gente me pergunta como é que faço para botar a cadeira dentro da kombi. Não é algo muito "complicoso", não. Só requer um pouquinho de paciência, alguma prática e ser sarado com é, lógico... ![]()
Na real, mesmo os tetrões, aqueles pessoal bem prejudicado pela guerra
, conseguem criar a autonomia e jogar o cavalo na caçamba amarrando umas cordas nele.
Já falei uma vez que existe uma “máquina” que joga a cadeira pra riba do carro, mas custa tão caro e é tão pouco prática que nunca vi alguém usando. Mas, como eu tenho vários leitores barões (ui), deixo a dica.
Para exemplificar melhor como faz o lance, coloquei esse videozinho de um malacabado se aprumando no carro e desmontando a cadeira. A diferença para o que o tio faz é somente uma: eu coloco o quadro da bicha no banco dianteiro, mesmo.
É melhor fazer como o carinha do vídeo e jogar no traseiro, por questões de segurança, mas cada um conhece suas possibilidades e se ajeita como pode (frase de pobre essa, né?
). O que importa é criar autonomia.
Ah, sim, quando há alguém para me ajudar ou a patroa (uuuia) tá comigo na ximbica, a cadeira vai no porta-malas, bem mais prático (ai eu num ajudo em nada..
). Amanhã eu continuo falando de carros..
Em tempo: Tem um textinho meu no caderno Cotidiano da Folha de hoje falando sobre o metrô
. Quem for assinante do Uol ou do jornal pode acessar clicando no bozo!
Escrito por Jairo Marques às 08h28
Crônica de uma festa “malacabada”
“Nossa, será que tá tendo encontro dos pacientes do Hospital das Clínicas aqui no xopim? É uma cadeiranda de rodas, um povo tudo sem perna, com aparelho no ouvido, estropiado, né, menina?”...
E no pé sujo chique ali pertinho da loja onde se espantava a moça, o forró comia solto. E era mesmo gente de todo tipo por ali celebrando numa balada cujo ritmo da música vinha dos corações arretados de emoção, das risadonas da mesa do “sarado” e de um “muquirana” e também do tilintar dos copos que comemoravam.... a vida.


Os garçons do boteco não sabiam se riam, se expressavam espanto ou se serviam aquela gente que, só nossa senhora da bicicletinha pra explicar de onde havia saído: de Goiânia? De Arujá? Da Praia Grande? De Brasília? De Ribeirão? De Jundiaí? Da zona Lost? De um mundo paralelo chamado “Matrix”?
E “di certeza” que por ali havia artistas porque os flashs não paravam. E tinha também gente “inzibida” com o nome pendurado no pescoço, tinha uma molecada derramada por todo canto, tinha um monte de lindas, tinha até uns “pessoal” se declarando, de mentirinha, que não eram legalpracaramba.com.br .



Rapidinho, rapidinho, o encontro já teve carta: “Acho revolucionário você ter conseguido, em tão pouco tempo, mobilizar tantas pessoas, pessoas com religiões, posições políticas, times de futebol, status e classe sociais diferentes. Nenhum movimento em prol dos deficientes conseguiu essa proeza. Continue sendo simplesmente você, conte-nos suas histórias ou a de algum leitor. Promova discussões do seu jeito bem humorado, descontraído. Não nos abandone.”


Quando o fervo já tava “xiqui no úrtimo”, eis que adentra por ali uma família inteira trazendo... é... trazendo um choro incontido ao “Jairo do blog”. Veio pai, mãe, cachorro, papagaio, “cadeira elétrica” e um vulcão de emoções que explodiu em todo mundo após, vejam só que coisa, um DISCURSO!!!!



O bailão seguiu com sua gente que leva a causa da dominação do mundo nas garras, seguiu com uma mesa “excrusiva”, vejam só, para o pessoal que nem foi!!!! Seguiu com a perplexidade de quem passava e via aquele mundaréu de gente torta: “Gzuis amado, jogaram uma bomba aqui?”

Um encontro cravado na minha história, na história da moça do cerrado de vestido florido, da moça que distribuía sorrisos e fotos, do japonês doido, doido, doido, de quem até ganhou presente, de quem levou presente, de todos, todos que se abraçaram.



Se engana quem pensa que esse texto é o relato isolado de uma festa bacana e meio capenga. Pra quem foi, pra quem torceu de longe, para quem planejou, para quem fez, para quem viajou, para quem se arriscou, para quem conheceu, para quem chorou... foi um momento daqueles que a gente crava na memória: “É bonita, é bonita, e é bonita”!
Escrito por Jairo Marques às 17h25
Uma sereia
Fazia tempo que eu não publicava um post focando em algo que dá um baita ibope: mulher “matrixiana” bonita
... Então, hoje eu caprichei e escolhi logo uma sereia para fechar a semana. Como todas da “espécie”, tenho certeza que ela irá encantar, hipnotizar e fazer vocês olharem bem fundo nos próprios mares.
A personagem de hoje é a carismática nutricionista e nadadora mineira de Três Marias Letícia Ferreira, 27, que acaba de se classificar para o campeonato mundial de natação em piscina curta, que será realizado em novembro e dezembro, no Rio. Agora que somos um país "Paraolímpico" (Aêêêê), nada mais justo do que eu abrir mais espaço para essa negada que garimpa o nosso ouro, que rala para defender o país e que também "se encontra" na prática desportiva!
Bem, mas “campeões” temos aos montes nesse mundo paralelo, não é mesmo? Contudo, a trajetória dessa moça de sorriso inebriante vai fisgá-los pela emoção, pelo bom humor e pela intensidade.

Esta deusa das águas subverteu a lógica da realidade que foi imposta a ela após ficar paraplégica num acidente de carro, aos dez anos: abandono e perdas familiares, falta de acesso para tudo na vida, complicações diversas na saúde, dificuldade de aceitação de si mesma, vida louca, louca vida.

Em 2000, ela mudou-se do interior para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde foi experimentar morar sozinha, foi experimentar grandes paixões. Em 2005, é provido o encontro de Letícia com as águas. A sereia ganhou o mundo e o mundo a ganhou. Não posso contar mais nada. Aconselho os mais sensíveis a pegar aquela guardanapo que sobrou do pão na chapa da manhã
e deixar bem próximo para conter o aguaceiro.

Respirem fundo, e naveguem comigo, junto com essa sereia, num mar de emoções, conquistas e marés rumo a realizações e vitórias.
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Escrito por Jairo Marques às 00h34
Blog - Como é que você, de sereia das Minas Gerais, desembocou nos mares do mundo?!
Letícia - Primeiro acho interessante esclarecer que eu era uma pessoa totalmente avessa a regras. Nunca gostei de ter que cumprir horário e ter que me disciplinar para que pudesse obter resultados. Quando entrei para a natação, o intuito inicial era me cuidar, cuidar da minha saúde após um tratamento para me recuperar de uma trombose na perna esquerda, mas acabei descobrindo que ali estava uma grande oportunidade de me tornar uma pessoa melhor, conviver num ambiente e com pessoas muito distintas das quais eu convivia.

Comecei nadando alguns dias na semana até o técnico achar que eu já tinha ritmo para treinar com o resto da turma. Eu ainda não tinha parado pra pensar se queria isso ou não, só deixei as coisas acontecerem. Treinei durante três meses até ser levada para a primeira competição, em São Caetano do Sul (SP), em maio de 2006. Lá conquistei uma medalha de bronze e uma de prata, o que me fez querer e acreditar que se eu treinasse mais, poderia conquistar muito mais.
E foi o que aconteceu! Com um ano de treino, eu fui convocada para os jogos parapanamericanos, no Rio de Janeiro em 2007, em 2008 voltei à Seleção Brasileira para participar de competições na Europa e agora, em 2009, a convocação para o primeiro Mundial de natação em piscina curta, que será realizado também no Rio de Janeiro, no complexo aquático Maria Lenk. Ah...sou a única atleta de Minas Gerais na lista dos convocados!

Blog - O Rio será a sede paraolímpica, em 2016. Para os atletas de ponta, qual o impacto disso? Avalia que haverá incentivo para que esse povo "malacabado" mexer mais as cadeiras, as bengalas, as próteses, as muletas...?
Letícia - Te digo que desde já, coisas boas visando 2016 estão acontecendo! Menos de uma semana depois do anúncio da cidade sede dos jogos eu recebi a notícia do interesse da ORTOBRAS, empresa fabricante de cadeiras de rodas e equipamentos para acessibilidade, em me patrocinar já pensando nos resultados que posso obter até lá. Estou super feliz e confiante de que sendo a primeira atleta a ser patrocinada pela empresa, estou abrindo portas para outros atletas; além disso, poder contar com um patrocínio anual me deixa tranquila em saber que posso me dedicar com maior exclusividade aos treinos, sem a preocupação se vai ser possível ou não o custeio de viagens, suplementação alimentar, material para treinamento e competição, etc. Quando uma empresa deste porte e com a credibilidade que tem mostra que acredita no meu trabalho, a sensação é de que vale a pena todo o esforço dia após dia.

Além de nós, atletas em atividade, sermos beneficiados pela mídia, acredito que muitos “malacabados” que não sabem o que fazer da vida (como era o meu caso) vão se interessar pelo esporte adaptado e, também, os profissionais da área de educação física vão se atentar para o potencial enorme que têm as pessoas com algum tipo de deficiência.
Muitas vezes, até entrar em contato com o esporte de alto rendimento, uma pessoa não tem noção da força (física e psicológica) que guarda dentro de si.
Blog - Se para um atleta "certinho" conseguir arrumar uns "reaus" para conseguir competir já é uma peleja, é de se esperar que para os meios tortinhos a labuta seja ainda maior. É assim mesmo? Esporte paraolímpico é bacana, mas falta grana? Como você sevira.com.br?
Letícia - É de se esperar sim. Isso se deve ao fato de que o espaço disponível em mídias para o esporte paraolímpico é muito restrito, algo compreensível quando se pensa no investimento feito por federações (como a de futebol, por exemplo) para que os jogos sejam transmitidos em horários nobres da TV. Mas como prefiro sempre ver o lado bom das coisas, percebo que, desde que entrei para este mundo 'paraolímpico' a divulgação das modalidades cresceu substancialmente principalmente após o Parapanamericano e ainda mais após as Paraolimpíadas de Pequim com nossos recordistas mundiais em várias modalidades.

Mas acredito que muito disso tem que partir de nós mesmos, divulgando nossos resultados onde for possível (inclusive no blog do JAIRO), convidando amigos para assistirem as competições, incentivando a iniciação esportiva entre jovens e até mesmo entre adultos visto que no esporte paraolímpico não existe uma regra ou limite de idade para um atleta apresentar bons resultados; o ponto determinante é a dedicação aos treinos e saber avaliar, com a ajuda de um profissional, em que modalidade você poderá render mais.
Blog - Sereia também se afoga de vez em quando?
Letícia - A sereia aqui já se afogou algumas vezes dentro e fora d' água, em lágrimas inclusive...
. O fato mais marcante na minha vida foi quando, aos dez anos de idade, após um acidente de carro eu me vi num hospital, rodeada por pessoas da família, recebendo a notícia de que minha mãe e minha irmã de 15 anos haviam morrido no acidente e que meu pai estava mal na UTI; além disso, que eu não conseguia me virar na cama pra dormir de barriga para baixo porque eu havia perdido o movimento das pernas, que por isso eu me sentia tão pesada.
Pra piorar um pouco mais, alguns dias depois, meu pai não conseguiu resistir aos ferimentos e também se foi. Eu só conseguia pensar que não havia nada de pior pra acontecer, que não dava pra piorar aquela situação. Mas eu estava enganada, pois pior que perder meus pais e entrar pra Matrix, foi perder a referência familiar, não ser aceita naquela condição pelo meu irmão mais velho que tinha vergonha de mim por eu estar na cadeira de rodas. Mas enfim, como diz Almir Sater: “ hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe/ só levo a certeza de que muito pouco eu sei/ eu nada sei”.
Blog - Além de ser uma nadadora reconhecida, você chama muito atenção pela sua beleza e sensualidade. Cada vez mais, me parece que a mulher cadeirante está rompendo aquele estigma de que a deficiencia leva, além dos movimentos, a feminilidade, não é?
Letícia - Concordo com você, estamos rompendo sim com aquela imagem da cadeirante que se escondia, jogava um lençol nas pernas e ficava na porta da casa vendo a vida passar sem se dar conta de que o mundo espera por nós.

A geração de mulheres com algum tipo de deficiência que hoje ‘beira’ os 30 anos tem valorizado mais suas formas porque aceitam melhor a mudança que a deficiência causa no seu corpo e, com isso, ousam no seu modo de vestir e abusam de seus predicados femininos (modéstia à parte, acho que faço isso muito bem!!!
)...
Acredito que precisamos mesmo mostrar que mulher é mulher independente de como se locomove, se falta ou sobra um pedaço, se enxerga ou não, etc. A vaidade é algo que me acompanha desde criança e isso para mim se tornou uma arma importante para, inclusive, obter espaço na mídia e conseguir assim divulgar o meu trabalho e resultados na natação. Temos que tirar proveito do que temos de bom, saber usar a beleza é algo importante e que pode nos render bons frutos.
Blog - A única coisa que tenho sido campeão ultimamente é de partidas do videogame Wii. O que é ser uma campeã? Ser a melhor? Vencer quando todas as águas te empurram de volta para a margem?
Letícia - Para mim, ‘ser a melhor’ está muito relacionado a minha evolução como ser humano. Eu tento sempre ser O MELHOR que posso, luto constantemente para aceitar que posso e devo ser melhor comigo, com meus amigos e com as pessoas com as quais me relaciono. Ser uma campeã é superar as limitações que impomos a nós mesmos, é deixar a preguiça de lado e ir trabalhar ou treinar (como é o meu caso) todos os dias enfrentando cada pensamento de que hoje não é um bom dia porque está frio, porque está chovendo ou porque o sol está muito forte, a água está muito fria...
Bom final de semana, beijo nas crianças e até amanhã para dois ou três de vocês, lá na baladinha!
* Imagens de arquivo pessoal e de Kica de Castro
Escrito por Jairo Marques às 00h32
Pezinho de anjo
Se tem uma piadinha sem graça e que me deixa “nelvoso” é uma assim: “Ah, o bom de estar nessa sua situação (de malacabado, oficorsi) é que seu sapato num gasta, né?”
Eu respondo o que pra um ‘serumano’ sem assunto desses? “É... se ocê quiser emprestado um dia pra não passar vergonha com esse mulambo que você usa, tamo ai”.
Mas tá certo, admito que nossos sapatinhos demoooram pra acabar. Mas eles se sujam, ficam encardidos porque esbarram nas rodas, porque a gente arrasta de vez em quando no chão, enfim...

O lance mais “complicoso”, contudo, nem é a pergunta infame, mas sim o fato de achar sapato pra esse povo dos cambitos finos. “Uai, tio, mais causo de quê? Vocês só usam sapatilhas de cristal?”
.
O problema, meu povo, é que cadeirantes em geral, sobretudo aqueles que se lascaram logo na infância, que nem eu
, tem o pezinho de anjo, mesmo sendo já marmanjo.. num é um luxo? Um guti guti? 
O meu pé, “perexempi”, é do tamanho 33, 34. Quem pensou “pé de moça tá ferrado comigo na saída”
. A minha “tioria” de botequim é que, como a gente não pressiona a sola no chão, o desenvolvimento fica prejudicado. O pé num atarraxa (eu não sei o que quis dizer com isso
).
Mesmo os “pessoais” que entraram para a matrix mais tarde, noto que os pés têm uma leve retração de tamanho (isso pode ser bobagem, mas é uma impressão que tenho).

Bem, ai vai a gente nas lojas tudo tentar comprar um coturno para usar com as calças pula-brejo, comprar um tênis pra ir no baile ou mesmo uma sandália pra ir à missa:
“Moça, eu queria aquele tênis ali, que tem os próprio leopardo bordado em vermelho (marca chique porque se eu foi pobre algum dia eu não lembro
)”
Depois de me olhar com aquela má vontaaaade danada, a vendedora, que fica escorada na vitrine para não cair de preguiça, dispara: “O senhor usa que número, no caso?” “Ah, mas aqui a numeração desse tênis começa no 38..... num serve um chinelo?”
Pô, chinelo, “zente”? Imaginem eu nas reuniões aqui do jornal com aqueles chinelinhos de vô, cor de burro quando foge?! É de chorar pelado. Sapato social, então, pode esquecer. Homens com compromissos executivos, necessariamente, são tudo pezudos, tudo usuário de sapatão! ![]()
Quando eu era mais jovem (na década de 60, por ai,
) nem ligava e entrava menos nas lojas de sapatos pra criança mas, depois de véio, é de lascar a goiabeira fazer isso. Contudo, não tem muita solução não, e tenho de optar pelas “tico tico”, “lambe lambe” “pezinho de açúcar” da vida.
As fábricas de sapato do Brasil, que tão tudo em crise porque a China manda bala na sapatada
, alegam que a demanda é muito pequena para números menores e, por isso, the life is hard (para quem não é manja, o vulgo “a vida é dura”).
Para as meninas, a situação é tão ou mais complicada do que a dos meninos. Sabem aquelas sandálias que a mulherada usa pra dizer: “Te piso e te faço meu tapete”
, então, dificilmente existem números pequenos. As anãs e as mulheres cadeirantes, então, tem de usar o quê? Saco plástico de supermercado?
Eu gosto do meu pezinho de anjo
e queria poder comprar os sapatos que mais acho bonito para ornamentá-lo. Será que tô errado? Tá certo que vira e mexe, quando a gente se transfere da cadeira para o carro, para a cama (ui) ou seja lá pra onde for, é quase regra o calçado se enganchar e ficar pelo caminho... mas tá valendo! ![]()
Ah, sim, só pra fechar essa história de sapato, lembro a vocês que, nos casos de pessoas que não possuem sensibilidade sensorial nas pernas, é muito comum os pés ficarem inchaaaaados porque o “esgualepado” esquece dele ali pendurado. Quando você, infiltrado, vir essa situação, pode dar um aviso, de boa!
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Pra quem vem lá de longe
Meu povo, as própria organização do nosso sarandeio de sábado... Para tudo, vão me dizer que não sabem o que é “sarandiar”? Saca rela-bucho? Furdúncio? Quizumba? Dançar um vanerão? Nadinha disso?... aff... povo antigo, credo ...
... A balada, "zente", a balada do blog que vai rolar no sábado!!!! (Mais detalhes, clica no bozo
) Então, me informaram que já tem gente confirmada suficiente para lotar uma van e ainda vamos precisar de um ‘fuca’ bege pra rebocar o resto dos cachorros, das bengalas, das muletas, dos cavalos...
Pra mim, isso é motivo de muita alegria, de muita satisfação por saber que meu humilde e fácil projeto de dominar o mundo
tem conquistado lá seus dois ou três adeptos. E o mais “doido” pra mim, é saber que vem um pessoal lááááá de longe, que já tá preparando as “malmita” tudo pra aguentar tantas léguas de viagem dentro de uma marinete, um jegue ou mesmo de um desses ônibus que “avuam”.
Penso demais nas razões de tanta demonstração de carinho, de aceitação de uma ideia, de abraçar um espírito tão inusitado como o que eu imponho aqui no blog (de porco
).
Nunca chego a nenhuma conclusão... Pra me ajudar, então, hoje eu publico a carta da Adriana Moraes, uma das leitoras que travo longos debates intelectuais por trás de alguns posts... Ela, “zimininos”, vai vir lá do Goiás (sim, o Rogério também!!!!) pra prestigiar a festa programada pelo povo das “comunidadchi” dos Orkut. Confesso que meu “zóio de véio” sensível (ui) num aguentaram a pressão das palavras da Dri... Emoção demais, pensamentos demais. Ainda dá tempo de avisar a Bibi, pelo email arquiteta_bia@yahoo.com.br , que você também quer ir na “Fuzarca”
... Boa leitura!
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Há mais de um ano frequento o Assim como Você. Não por acaso, desde então minha vida muda um pouquinho a cada dia. Cheguei aqui fisgada por uma chamada inocente do UOL. Nunca mais fui embora. Mil vezes me perguntei sobre o porquê desse vínculo. A mesma pergunta eu ouvi dos filhos, do meu marido e dos amigos com os quais divido minhas alegrias e descobertas. Dificuldade nunca tive para responder. Motivos nunca me faltaram, mas vejo que eles se multiplicam, conforme o tempo passa e a vida acontece.
Sim! Tenho uma relação direta com o tema central do blog! Casada há 20 anos com o pai da Isadora, que tem paralisia cerebral, a questão da deficiência nunca me foi indiferente. Pelo contrário. Mas os motivos do meu apego não se resumem a isso:
1º Aqui eu aprendo: Aprendo não só sobre o universo da Matrix. Aprendo a beleza e o mistério da diversidade humana. Observo a sabedoria dos que sabem ouvir, me maravilho com o exercício diário e cotidiano daqueles que não se permitem a acomodação, descubro a força dos afetos, o poder da superação, os enigmas e os encantos do mundo virtual.
2º Aqui eu me divirto: Quem é que nunca rolou de rir, logo de manhã, ainda na madrugada ou bem cedinho, com as travessuras, as molecagens, o jeito manso e debochado do Jairo? Quem é que numa segunda-feira cinzenta, num dia de azedume não desanuviou o espírito com o humor, com a irreverência e com a crítica aguçada do nosso malacabado mais ilustre?
3º Aqui eu desabafo: Inúmeras vezes me angustio quando vejo a malacaba daqui de casa sendo ignorada ou ameaçada em seus direitos. Nessas ocasiões, aqui busco e encontro abrigo. Aqui declaro minha indignação e sinto que meu desabafo, diferentemente de outros ambientes, ecoa. Um eco muitas vezes silencioso, mas reconfortante. Aqui vejo que minha família não está só.
4º Aqui eu partilho experiências: No blog nunca senti que estivesse falando sozinha, como já senti tantas outras vezes ao tratar do tema da deficiência. Não por falta de interesse dos meus interlocutores, mas o fato é que alguns diálogos, para acontecerem de verdade, exigem vivência mútua. Nunca me esqueço do dia em que, quase numa brincadeira, sugeri que a exemplo de outros posts, o Jairo fizesse um dedicado para quem não quisesse “pagar mico com um PC”. Qual não foi minha surpresa ao ver que ele topou. A Denise Crispim abraçou a idéia, e sem nunca termos nos visto, dividimos nossas angústias, partilhamos experiências e numa parceria inusitada, ainda que de lugares diferentes e distantes, soubemos falar a mesma língua.

5º Aqui eu perdi parte dos meus medos: Estou aprendendo a enfrentar meus medos. O de me mostrar e de me aproximar das pessoas. Ensaiei muito para deixar o primeiro comentário. Com a receptividade do Jairo - que sempre reserva pelo menos uma piscadinha matreira para cada um de seus leitores – isso se transformou num hábito diário. Depois, fui me permitindo visitar outras “casas”, cujos endereços encontrei aqui. Vou assiduamente à varanda da Sinhá e ao cafofo do Negão, visito a Lak, já estive em São José dos Campos com a Marly e o Fábio Cassiano, ando lendo a Thais Naldoni no Portal da Imprensa, passeando no blog da Gisele e me deliciando com seus comentários que, invariavelmente, envolvem uma bunda seca ou a frieira de um pé. Tem coisa mais gostosa?
Já pensei em visitar a Denise e a Sofia em São Paulo e, apesar disso não ter acontecido, ainda não perdi a esperança. Com o Rogério, o encontro das famílias já está agendado e em breve vai rolar. Estou até pensando em contratá-lo como empresário do meu filho. Afinal, o “Assim...” também é um portal de negócios.
O talento da Tabata, a beleza do Leandro Kdeira, as camisetas do Evandro, a delicadeza da Glória, os projetos de acessibilidade da Bia, o trio Dulce e suas princesas, a gentileza da Naty, o trabalho inovador da Kica de Castro e do Leonardo Feder, enfim, esse povo todo já faz parte da minha história.
Infelizmente, o tempo é curto e alguma timidez ainda persiste. Do contrário, já teria ido atrás da Maysa, da Elisabete, da Su, do Amaury, do Thiago, da minha xará que é mãe do João Lucas, da Paulinha Pavan e de tantos outros que, silente, acompanho quase todos os dias. Mas dia 24 de outubro está chegando. Tem encontro marcado e a galera está se organizando lá no orkut (até nessa maluquice estou me aventurando, só pra ficar mais perto dessa turma!). Seguindo o exemplo de outra leitora do blog, pedi meu alvará de soltura e ele já foi concedido. Vou me aventurar na cidade grande. Dessa vez eu estarei lá!
Enfim, eu poderia passar horas listando os motivos da minha paixão pelo “Assim como você”. Se um dia essa paixão foi pelo Jairo – Não! Não me entendam mal, nem fiquem com ciúmes, afinal até o meu “diretor” já assimilou esse fato - hoje declaro o meu “amor” por todos os leitores do blog. Não que eu seja santa ou leviana que ama a todos indistintamente. É que mesmo os “nádios” da vida têm algo a me dizer: eles reforçam minha certeza de que há muito por fazer, dentro e fora de mim. É aqui que eu encontro o caminho.
Escrito por Jairo Marques às 22h16
Devotees
“Zente”, talvez o post de hoje seja o mais polêmico já divulgado neste blog. Ele tem potencial de provocar e também causar uma “reivinha” em certas pessoas, ligeiramente mais conservadoras. Acontece que o tema faz parte dos assuntos desse universo paralelo em que vivem os “matrixianos”, então, tem de aparecer!
Há tempos tenho tentado fazer um texto sobre os devotees, os “pessoais” que sentem atração (uiiia) pelo povo “malacabado”. Eles, em geral, são muito, muito hostilizados socialmente. Particularmente, repito, particularmente, sou contra isso. A grande crítica que já li sobre os devotees é que eles fazem os “malacabos” se apaixonarem por eles, mas, só querem mesmo sexo e sentem os “tezão tudo” apenas pelo lance físico (gostam de cambitos finos, a falta de uma perna, de um braço
).
Também já vi manifestações de um certo “horror” pelo fato de haver pessoas que se atraem por alguém numa cadeira de rodas, como se fosse um pecado, algo feio. Penso, com tranqüilidade, que o ser humano pode ter seus fetiches numa boa, desde que não prejudique ninguém. Não estamos falando de um pedófilo que, ai sim, tem um distúrbio, fomenta uma anomalia. Estamos falando de alguém que sente atração por um determinado aspecto físico.

O deficiente, claro, pode ser mais fragilizado emocionalmente (conseqüência da exclusão social) e pode se entregar a alguém com intenções apenas sexuais, tudo bem, isso é fato. Mas daí a achar que o devotee é um mostro, eu não concordo, não. Como diz minha mãe, quando um não quer, dois não brigam...
Qualquer pessoa pode ser seduzida por um bonitão, uma bonitona, com objetivo apenas de “fazer coisinha”, independentemente da condição física, então, porque com os mamulengos tem de ser diferente?
Não me lembro ou nunca percebi que alguma devotee jogou seu charme sobre mim, que sou um “minino bão e inocente”
, mas, desde que não faça algo que me agrida, que respeite se eu não tiver afim, ta valendo. Bem, o Leonardo Feder fez um trabalho jornalístico brilhante para o “Assim como Você” revelando muita coisa sensacional sobre os devotees. Vale a pena a leitura e, lá em baixo, o coments com sua opinião sobre o assunto!!!
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Kronos, 50, lembra que, desde os seis anos, interessava-se, sem conotação sexual, por pessoas com deficiência. “Eu as incorporava em minhas brincadeiras. Sempre havia uma princesa cadeirante para salvar...” Aos dez anos, ao se apaixonar por uma “defi”, apanhou dos pais. “Diziam: ‘O que você quer com essa moça?, ela não pode casar!’”. Depois, teve sua primeira experiência sexual com uma professora com deficiência.
Fernanda Visintin, 25, acha que tinha preconceito quando via um homem com deficiência. “Talvez por medo de não ser um homem que pudesse me satisfazer. Dizia: ‘Que rapaz lindo... pena que é deficiente’”. Mas, aos 22 anos, mudou-se para Vitória (ES), passou a trabalhar em uma instituição filantrópica e ter contato com as dificuldades e discriminação que as pessoas “especiais” enfrentam. Mudou sua visão. Até que... “Através da Internet, conheci um rapaz paraplégico por quem me apaixonei perdidamente, e, através dele, conheci o termo ‘devotee’. Então me descobri uma... Ele não aceitou, tampouco entendeu esse meu sentimento, e terminou o namoro comigo”
.
Fernanda diz que sua atração por homens com deficiência é tanto sexual quanto espiritual: “Pois são pessoas de uma força tremenda, que, mesmo entre tantas dificuldades, não se deixam abalar, e estão sempre em busca da superação”. Por um rapaz tetraplégico que conheceu em Americana (SP), fez, segundo ela, sua maior loucura de amor: saiu de Vitória e mudou-se para a cidade paulista. Mas o caso não foi para frente.

Kronos conta que, uma vez, ficou admirando uma mulher, que percebeu e comentou à amiga, mas esta não acreditou: “Imagine! Você, na cadeira de rodas, ele nem vê”. A mulher aproximou-se e pediu um cigarro; ele, que nunca fumara, ofereceu um drops . Saíram por um tempo, mas perderam o contato, e ele se casou com uma mulher sem deficiência. Anos depois, separado, reencontrou a antiga paixão e passaram a sair toda semana.
"Recebi muita agressão e hostilidade, afinal, deixara uma andante para me unir a uma cadeirante”. Tiveram três filhos e ficaram juntos por dezoito anos, mas se separaram. “Meus familiares até brincam com o fato de eu ser devoto [termo em português para devotee], apostam se estarei com uma cadeirante. Os amigos de meus filhos também sabem; no inicio, ficam perturbados. Ele afirma ser o primeiro brasileiro a se assumir publicamente devotee na Internet, onde publicou um manifesto em 1997. Era chamado por algumas pessoas com deficiência de “doente, pervertido, anormal”.
“Muitas ‘defis’ não aceitam a idéia de que possamos ter atração por ela toda, inclusive com as sequelas da deficiência. Outras adoram os jogos e brincadeiras, mas até a relação acabar, aí voltamos a ser psicopatas.” “Às vezes nos comparam a aproveitadores, mas é fruto de preconceito, pois os ‘defis’ têm discernimento para optar por fazer sexo”. Segundo ele, foi demitido do trabalho quando uma mulher com deficiência de um antigo caso seu, “que dizia odiar devotos”, ligou para seu chefe e disse que ele a perseguia. Desde então, adota o apelido Kronos.
Fernanda diz que também foi discriminada por homens com deficiência que “não se conformam que alguém se atraia por eles”, caso de seu primeiro namorado, que terminou com ela. “Ele disse: ‘não quero que gostem de mim por minha deficiência, mas pela pessoa que sou’”. Ao contar à mãe que namorava um homem cadeirante, ouviu: “Filha, pelo amor de Deus, não mexe com isso, não, você vai carregar uma cruz pelo resto da vida!”. Ela, então, contou das superações dele, das atividades que exercia, como se portava diante da vida, e a mãe virou fã doo rapaz.
Jacqueline Huber, 28, tricampeã brasileira de natação, descobriu o devoteísmo aos 20 anos em sala de bate-papo em que iam pessoas com deficiência. Tem o membro inferior esquerdo amputado, após um acidente de moto aos 16, e parou de nadar devido a uma lesão no joelho. “Conversei com um homem que confessou ser devotee. Minha primeira reação foi dar muita risada e pensar: meu Deus!!! Que mundo louco! Mas resolvi conhecer melhor o assunto”. Ela decidiu encontrá-lo. “Ele é muito bonito, inteligente, simpático, e me senti atraída por ele”. Começaram a namorar, mas não deu certo. Acha indiferente que o homem que esteja conhecendo diga de antemão que é devotee. “O que importa é o que sinto por ele”.
A SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana) classifica o devoteísmo como um fetiche não-patológico. O devotee é chamado de pretender, quando finge ser deficiente e utiliza equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas ou órteses. Ou de wannabe, quando deseja tornar-se deficiente e chega a se mutilar. A antropóloga Alison Kafer (2000) reitera: “Se classificamos os devotees como ‘doentes’, o que estamos dizendo a respeito da ‘desejabilidade’ de mulheres deficientes? É patológico achar atraente uma?” Assim, constata que há uma construção cultural das mulheres com deficiência como assexuadas e sem atrativos – o que as impele a disfarçar e a se envergonhar de sua condição -, mas os devotees, parecendo ignorar os ideais dominantes de beleza, valoriza-as e aumenta-lhes a auto-estima.
A jornalista Lia Crespo (2000) explica que o devoteísmo ficou mais visível quando veio a internet, mas, segundo artigo de Richard L. Bruno, doutor do Instituto de Pós-pólio do hospital de Englewood, de Nova Jersey (EUA), está documentado na literatura médica desde 1800. Ela percebeu que, geralmente, a descoberta do devoteísmo pelas pessoas com deficiência é seguida por cinco fases:
“Primeiro, a incredulidade: ‘Não é possível. Isto não existe’. Depois, vem o medo do desconhecido: ‘O que é isso? O que significa? Deve ser perigoso’. Em seguida, a perplexidade: ‘Então é isto o que me resta? Todas as pessoas que já se interessaram ou vão se interessar por mim foram ou são devotees?’ Posteriormente, é a vez da raiva: ‘Como eles se atrevem a sentir tesão por uma condição que, em algum momento da vida das pessoas deficientes, representou, representa ou representará perda, dano, dor, sofrimento, discriminação, exclusão?’ Por fim, advém a fase da aceitação/ fascinação: ‘Isto existe. É inusitado e muito interessante! Preciso saber mais’”.
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Juju vai à praia
“Zente”, coisa boa demais da conta é tomar a fresca na praia, né, não? Atolar as rodinhas da cadeira tudo naquela areia fofinha... ai vem a onda, o cabra ali afundado e dá-lhe água salgada na lomba! Êh, delícia... que "dêli"! ![]()
Quem foi recentemente se “desbundar” no mar (rimou, olha que luxo!) foi a Juju, a Juliana Carvalho, que faturou o prêmio do concurso mais “belezera” das internets tudo, o “A minha viagem dos Sonhos”. Num tá se lembrando de como foi? Clica no bozo que eu dou um refresco pra sua cuca! ![]()
Então, ninguém melhor do que a própria moça praiana, que é lá dos Rio Grande do Sul, das Porto Alegre, contar como foi o final de semana que ela faturou criando o slogan da Accessible Tour. Vamos ver se agora a agência dá uma viagem pra gente ir pras “Zoropa”, pros “Estadusunidos”, pras lonjuras, né, não?
Antes do texto, aviso que amanhã, vou estar todo pimpão, todo glamuroso, na Câmara Municipal de São Paulo que, a partir das 14h, vai abrigar um evento todo voltado à educação de malacabados. “Vamo nóis tudo”? ![]()
Beijo nas crianças e bom final de semana!
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Quem me acompanhou na viagem à cidade maravilhosa foi minha mana chamada Luciana, a Lu. Ela recém se formou em Agronomia e achei que era um presente legal ir para o Rio com tudo pago, oba! E pelo visto foi! Ela não conhecia ainda a cidade e adorou. Perdeu o medo e o preconceito que tinha e se rendeu aos encantos da beleza natural, bem descritos por Tim Maia: “do Leme ao Pontal, não há nada igual... sem contar com Calabouço, Flamengo, Botafogo, Urca, Praia Vermelha...”
Chegamos à antiga capital do Brasil (ou atual, na cabeça da maioria dos gringos) sexta no final da tarde. Um táxi específico para transportar cadeirantes, já nos aguardava. Nunca tinha utilizado um parecido, mas foi tranqüilo entrar pela plataforma elevatória. Só não gostei muito do negócio porque fiquei muito alta, e assim perdia a vista. Pedi para utilizar um carro comum no dia seguinte, o que foi feito.
O “motora” gente fina nos deixou no belo Royal Rio Palace Hotel, na rua Duvivier, a três quadras da Av. Atlântica. Quando fomos faze o check-in o hômi da recepção informou que todos os quartos adaptados (dois pelo que entendi) estavam ocupados. Pediram mil desculpas e nos colocaram numa suíte gigante até que o imprevisto fosse resolvido. A Lu e eu largamos nossas tralhas na suitona e saímos para jantar.

Ai, misericórdia, nenhum cadeirante merece calçamento com pedra portuguesa, aquela miudinha que fez o desenho ondulado da orla de Copacabana, sabe? A maioria das calçadas da Zona Sul do Rio por onde circulamos são feitas de pedra portuguesa. Toda hora tenho que dar uma paradinha pra conferir se não perdi um é no caminho.
A passito, chegamos no clássico Manuel e Juaquim (assim com U mesmo) que o pessoal do hotel havia nos indicado. Caipirinha, camarão com alho. Delícia! Falando em alho, sempre que como alho acabo beijando na boca de algum sortudo, parece ímã, nada que um chicletinho não resolva! Mas, a profecia não funcionou desta vez... ![]()
Voltamos de táxi comum para o Royal e o quarto adaptado já estava liberado. Trocamos nossas tralhas de lugar e fomos para o terraço, curtir a vista e tomar uma coca cola. Quando a porta do elevador abriu no último andar, me surpreendi ao dar de rodas numa escadaria. Que mania de por degraus em tudo meu Deus! Com o auxilio de um funcionário chamado Guaraná, muito gente boa, mais uma hérnia de disco de brinde pra Lu, consegui chegar na área da piscina.
Ficamos ali pitando e conversando com o Guaraná e ele provou que a tchurma da matrix está em todos os lugares. Ele tem um filho com mielo e paralisia cerebral. O pequeno Artur já fez consulta no Sarah Rio. Deve ser bom fazer AVP (atividades da vida prática) em Copacabana!
No outro dia, o guia Emílio nos levou pro Pão de Açúcar, cuja acessibilidade é impecável no quesito arquitetônico. Plataformas elevatórias para todos os ambientes, banheiro adequado, show de bola mesmo! E a vista, espetacular.

De lá, fizemos um city tour pelo centro velho da cidade, sempre escutando atentas as histórias e peculiaridades que Emílio ia narrando, até chegarmos na base do morro que abriga o Cristo Redentor. Ali pegamos o trem do corcovado que tem uma rampinha amiga, novamente o Rio impressiona com sua riqueza natural. O trem corta a floresta da Tijuca e é possível sentir aquele frescor de mata. Conforme avançamos, novamente uma vista exuberante enche os olhos. Acesso para cadeirante também tranqüilo no Corcovado, que tem elevadores e escada rolante. Falta banheiro acessível e acesso à lancheria.

Depois de curtir o visual incrível, visita às praias: São Conrado, Leblon, Ipanema e pitstop em Copa. Já eram cinco da tarde quando nos despedimos do Emílio. Água de coco e mais camarão. Quero mais prêmios como este! Passeamos pela feirinha, fomos a pé para o hotel, brigando com as pedras portuguesas
. Chegando no nosso apê, a Lu tomou um banho e desmaiou. Eu fiz o tipo 2, e tomei uma ducha na privada mesmo. Aí fica uma dica e um pedido aos hoteis: vocês têm que disponibilizar cadeiras higiênicas, aquelas que parecem uma privada com rodinhas! Pô, o cara vem de outro país, de outro estado, muitas vezes não tem como trazer a casa junto, né?
Depois de uma epopeia
para achar um banco, já com dindin no bolso, fomos pra orla de Copacabana onde encontrei minha querida amiga Denise Menchen (Neca, pros íntimos). Jornalista gaúcha, que trabalha na Folha de S.Paulo, no Rio, foi ela que me apresentou o "Assim como Você"
. Mais tarde, a Lu e eu pegamos um táxi para Ipanema. Um rapaz gente boa que alugava guarda-sóis e cadeiras por ali, mais um maluco que estava passando e a hérnia de brinde da Lu me carregaram na cadeira até bem pertinho do mar. Faz falta acesso na praia! Mamulengo também gosta de se bronzear e tomar banho de mar!

Sentei numa cadeirinha de praia e fiz uma das coisas que mais me dá prazer nessa vida: sentir a brisa do mar e observar a paisagem tomando uma caipirinha. Encontrei outra amiga querida, a Talita Werneck. Botamos as fofocas em dia, fiz uma sondagem na camufla usando uma canga. Estava sem saco coletor, fui obrigada a calibrar o coco que a Lu tinha tomado! Logo já estava mais que na hora de voltarmos para o hotel, arrumar as tralhas e deixar a vida de bacana. Quero mais!![]()

Chegamos no aeroporto em cima da hora e não pude fazer um mix antes de embarcar. Acreditem, eu fiz xixi no banheiro do avião. Sim... aliás, não sei porquê tem o símbolo da acessibilidade na porta. Mal cabe um par de rodas de uma cadeira! A aeromoça veio com uma cadeirinha que fica no avião. Uma poltroninha com rodinhas minúsculas. Ela me levou até o ‘banheiro’ e óbvio que não entrou toda a cadeira.
Também não tinha espaço para eu fazer uma transferência para o vaso. Expliquei que eu ia me sondar e que por isso não precisava sentar no vaso. O desfecho da história foi a aeromoça segurando aquela cortina, que eles fecham para preparar nosso lanche, tentando tapar a cena grotesca: eu fazendo pipi, me equilibrando na nádega que cabia na cadeira, com metade do corpo no banheiro e a outra metade obstruindo a cabine do ‘only crew’. Sobrevivi.
Foi isso! A viagem foi mara, o atendimento da Fátima Accessible Tour foi ótimo, tenho certeza que eles fizeram o melhor que podiam e sabiam. Cabe a crítica construtiva, que na verdade não é para agência, mas para toda a engrenagem do turismo. Porque apenas dois quartos adaptados? Se houver uma excursão de cadeirantes, a turma vai ficar separada! Sugiro que os próximos empreendimentos hoteleiros tenham não só uma cota de ambientes acessíveis, mas todos seus quartos e áreas de lazer contemplados com o desenho universal, que não é exclusivo às pessoas com deficiência e sim pensado para todos. E, aos fabricantes de aeronaves, pelo amor de Deus, obesos e cadeirantes também tem o direito de mijar no vôo!![]()
Beijos em todos e aguardo o próximo concurso!
Escrito por Jairo Marques às 00h14

