Assim como você
Assim como você
 

Determinação

Eu não acho que, necessariamente, a vida seja que nem aquela musiquinha que tocava no desenho da She-ha, muito linda Beijo, que dizia assim: “O bem vence o mal; espanta o temporal. O azul, o amarelo, tudo é muito belo....” E tinha uma versão criada pela molecada da minha rua que era assim: “A Sheha e o He-man, fizeram um neném”... Muito triste

Tô doido, né, gente?! Tonto Acho que é porque ontem voltaram as aulas na “facul” e retomei aquele ritmo frenético de viver.  

Mas, voltando ao assunto:  não é porque um fulano é prejudicado pela guerra, que ficou todo lascado, que a vida, em seguida, vai dar a ele um monte de presentões e ele será o bom da boca em tudo o que fizer. Ser deficiência não tem nada a ver com, sempre, angariar grandes conquistas, realizar grandes feitos. 

Porém, o que não dá pra negar em um “malacabado” legítimo, daquele bem tortinho, bem surdinho, bem ceguinho Legal, é uma enorme gana de querer fazer melhor, isso, é inegável.

O vídeo de hoje, dica do queridão Léo Feder e produção/legendação Muito feliz da Silvetz Dutra, mostra um pouco disso, de determinação. Acho que vão gostar!

Ah, botem reparo que, pela primeira vez, a Silvia testa fazer áudio descrição, pra ajudar os “pessoais” com os ouvidos prejudicados... Eu achei “mara”!!!

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Esquenta

Êh, meu povo, tá quase na hora de rasgar a fantasia, heim? Aquele monte de cadeira de rodas no salão passando em cima dos pés do “zoto”! Inocente

 

Já contei que eu fui um folião daqueles de ir todas as noites pra folia, né?! Era uma “deli”. O duro era aguentar os bêbados caindo em cima de mim ou me rodopiando pelo salão... Para saber como foram meus carnavais passados, clica no bozo! Brincalhão

 

Neste ano, o tio vai de mala, cuia, patroa e serpentina pro Nordeste. Vou experimentar um pouco da folia de rua. O bom é que é na rua porque calçada nesse país todo mundo sabe, é uma buraqueria sem fim.. Carente

 

Bem, mas eu pedi para a minha querida baiana e loirona gata Carina Queiroz, que já é escolada de sambar nas ruas soteropolitanas, dar umas dicas e falar um pouco pra “nóis tudo” como é carnavalizar a bordo de uma cadeira de rodas. Ficou mara!  Neste ano, quero ver esse povo torto tomando conta das ruas e soltando a franga nas avenidas, heim?! Beijo Este post, pode ajudar a dar coragem e aprender como fazer boniiito nas passarelas do samba!

 

Sorte

 

Sempre fui fã do Carnaval, desde que me entendo por gente saio às ruas para curtir a festa. Como uma boa soteropolitana eu não podia deixar de brincar o carnaval de Salvador. A cidade se transforma, os foliões aguardam ansiosamente por esta época do ano. Vocês podem estar se perguntando, mas como uma cadeirante sai às ruas numa multidão de mais de dois milhões de pessoas? surpreso Pois então, contarei um pouco das minhas “andanças” por aqui.

 

Me tornei cadeirante aos 18 anos, portanto já experimentei ir ao carnaval antes e depois da cadeira de rodas. Aqui existeM algumas formas de curtir a festa, na rua, o que chamamos de folião PIPOCA, dentro dos blocos, ou em camarotes, este último o considerado mais seguro, principalmente pra gente da “Matrix”.

 

 

Particularmente gosto da bagunça, de sair em blocos, no meio da multidão, acho mais gostoso de se divertir. Sair pela primeira vez com a cadeira de rodas demorou um pouco a acontecer. A primeira vez que decidi sair no Carnaval após me tornar uma matrixiana foi com um grupo de amigos, cerca de dez pessoas.

 

A chegada foi tranqüila, fomos de carro particular e chegamos cedo pra evitar tanta gente no trajeto até a concentração do bloco. Procurei um lugar mais calmo dentro do bloco que, geralmente, fica entre o carro principal e o carro de apoio ou o final do bloco para que pudesse ficar o percurso inteiro, cerca de 4h30min.

 

É interessante que o matrixiano que tenha dificuldade para se locomover escolher o melhor percurso pra sair. Existem dois aqui em Salvador, o Circuito da Avenida ou Campo Grande, mais longo, com duração em média de 6h  e o circuito Barra-Ondina, o que eu mais prefiro.

 

A energia dentro do bloco é uma delícia. As pessoas olham com admiração, muita gente quer te cumprimentar, parabenizar por ter tido a coragem e alegria de quere sair no carnaval também. Querem também “cuidar” de você, oferecendo bebida, comida, abrindo espaço pra passar. Já saí em blocos, camarote e em cima do trio elétrico. Em 2009, foi o ano que mais experimentei novidades. Fui às três opções.

 

Já existe uma preocupação em construírem camarotes acessíveis, mas nem sempre totalmente adaptados. Eles se preocupam, em sua maioria, com rampas, mas esquecem dos banheiros. Particularmente em um que fui existia banheiro químico, mas o adaptado não é confortável pra um cadeirante, pois existe um batente pra entrar e é bem apertado.

 

Em cima do trio foi muito bom! A subida e descida nele não são muito confortáveis, mas todo o resto compensa. A escada é estreita, por isso o trajeto é mais complicado. Saí no circuito da Avenida, cheguei com tranqüilidade, mas na hora de ir embora tive que ter auxílio dos seguranças do trio pra chegar ao carro. Não tenho experiência em sair na pipoca, por isso não posso dar dicas da melhor estratégia a adotar. Pelas ruas existem banheiros químicos e dentre eles adaptados.

 

Dicas para quem vai à folia:

 

* Para os cadeirantes, não esqueçam de calibrar os pneus, principalmente se sair em blocos ou na Pipoca. Eu já dei trabalho aos amigos, com pneus murchos;

 

* Cuidar da saúde, beber bastante líquido, alimentar-se antes de sair de casa, uma alimentação leve. Cuidado ao ingerir alimentos na rua;

 

* Para quem faz xixi de canudinho, em hipótese alguma esquecer o material, pois fica difícil programar a saída e chegada no intervalo entre um cateterismo e outro. Além de não saber exatamente o local e horário que irá encontrar banheiro acessível e adaptado.

 

 

* Dê preferência para sair de táxi ou ônibus. Além de poder curtir mais à vontade, estacionamento é complicado em relação à acessibilidade e o início do percurso é diferente do final e não recomendo voltar pela rua do circuito, pois irá enfrentar uma grande multidão;

 

* Procurar chegar cedo ao local para evitar muita gente e muitos trios elétricos no caminho até chegar no seu destino;

 

* Se escolher ficar na rua, como folião Pipoca procurar um local mais tranqüilo e de fácil acesso;

 

 

* Saindo em bloco, escolher o melhor percurso dentre os dois disponíveis (Barra-Ondina ou Avenida) lembrando que possuem durações diferentes;

 

* Escolhendo camarote, recomendo certificar-se que existe rampa de acesso, banhiero especial para matrixinao. Se possível escolher um de fácil acesso quando chegar nos circuitos. Existe alguns que o acesso é feito por ruas paralelas ao circuito, portanto de acesso mais tranqüilo.

 

* Imagens do arquivo pessoal de Carina Queiroz e do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h06

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A fazenda

Calma, povo, calma que esse post não é sobre aquela gente que fica andando de tanga na roça tirando leite das vacas e alisando os cavalos na televisão.....Beijo. Mas, não deixa de ser um texto sobre roça, campo, boi, mato.... Uuuuia

Como eu nasci numa cidade muito pequena, sei bem o que é a vida “rurar”. Certa vez um tio meu me levou numa fazenda e queria porque queria que eu me equilibrasse no lombo de um cavalo. 'Mai' que nada que eu parava em cima daquele trem... Rindo a toa

Sem dúvidas, o campo é um dos maiores desafios pra um ‘malacabado’. Se nem na cidade existe condição digna de acesso, imagem no meio dos matos tudo? Aí, como diz a minha tia Filinha, 'difinitivamente' é dureza. Até a semana passada, eu achava que “dificienti” seguir alguma carreira que envolvesse atividades rurais seria algo que beirava o impossível...

Aí, aí... mas ai, o poder desse diário, lido por três ou quatro pessoas ao redor do mundo, me prova que eu estava 'completamentchi' enganado. “Zimininos”, pensa, pensa numa dessas.... hoje, eu trago pra vocês conhecerem e dar aquele sorrisão gostoooso, um .... médico veterinário matrixiano!!! Muito triste

Não, povo, fala sério: conseguem imaginar um veterinário de campo (não vale aqueles que cuidam dos lulus e dos gatinhos apenas, né?! Abismado) encarando currais, bosta de vaca, matagal, cavalo bravo sendo mamulengão? Tetrão que usa ‘cadeira elétrica'?

 Pois, aqui está ele, apresento a vocês, Adriano Garcia, 39, que, por coincidência, “ingual que nem” o tio, nasceu em “Trelagoa”!!!! Aêêê

“Em agosto de 2003, aos 33 anos, no auge profissional, fui vítima de um acidente automobilístico, onde um sujeito embriagado, dirigindo um caminhão sem condições alguma de trafegar, atravessou a rodovia sem mais nem menos. Eu vinha no sentido contrário, retornando do trabalho, colidi com o caminhão.

No acidente, minha memória se apagou para o episódio, não me lembro de nada que envolva o momento do acidente. Lesionei as vértebras cervicais (C6 e C7), me deixando numa condição de tetraplegia.”

Na boa, né, gente, mas importante parcela dos abatidos da “Matrix” foram em conseqüência de acidentes que envolvendo caminhoneiros. Os cabras trabalham 20 horas seguidas, sem dormir, e quem paga essa conta, muitas vezes, não é o patrão, é um inocente.... aff..

Bem, o Adriano foi lá pra funilaria do Sarah, de Brasília, antes de voltar à realidade dos estercos...Muito triste 

“Desde o início, pós-acidente, minha grande e única preocupação, era a de descobrir como eu faria para voltar a trabalhar, pois, minha esposa estava com meu filho no colo, o Luis Eduardo, com apenas 56 dias de nascido. Isso me deu forças que jamais imaginei ter, minha família e a família da Angeliana (esposa) foram fundamentais. E graças a Deus, tive o carinho de muitos amigos. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, empresa em que trabalho até hoje, acreditou em minha reabilitação e recuperação, ponto fundamental pra mim, principalmente, no aspecto psicológico.”

E muita gente carrega o estigma que esse pessoal que mexe com boi é tudo rústico, mais grosso do que o calcanhar do véio do saco... surpreso. Nesse caso, eu tiro o chapéu e até abro a porteira...

“Tenho uma esposa maravilhosa e, um filho “especial”, ele convive maravilhosamente bem com minha deficiência física, não tem vergonha em relação a outros pais dos coleguinhas de escola e tem o maior orgulho do mundo ao falar que eu sou seu pai. Ele vive pendurado ou escalando minha cadeira de rodas para conseguir um lugarzinho em meu colo.”

Ahhh, “zimininos”, que amoooor, né?! Apaixonado

“Conquistei a chefia da Associação aqui em Mato Grosso do Sul. Hoje, além de conduzir o escritório, faço serviços de campo também. Isso mesmo, em minha “cadeirinha” vou em fazendas, trabalho nos currais, faço julgamento de animais em exposições, procuro da melhor maneira possível, realizar o meu trabalho como veterinário.

Duvidoooo, se não deu um “arrupio” agora. É muito sensacional saber que É POSSÍVEL! Sou fascinado, vocês sabem, por casos inéditos de malacabados em situações adversas, provando que a gente tem condições, sim, de estar em todos os setores sociais!

“É bem verdade que, já tomei trombadas de vacas e bois, tenho que me locomover em superfícies embarreadas, subo nas plataformas dos currais, às quais eu sempre sou ajudado pelos peões das fazendas ou improvisamos tábuas, para que eu faça uma “rampa” e tenha acesso às plataformas.

Tenho uma moça (Jackeline) que trabalha comigo, ela dirige, me ajuda em tudo e é minha companheira do dia a dia, no trabalho, e, é ela a pessoa que marca a fogo os animais nas fazendas, eu faço as avaliações e classificação, o restante é com ela, tenho muito respeito e gratidão pela Jack.”

Se lembram que eu já contei um pouco pra vocês sobre cuidadores? Não, então clica no bozo. Brincalhão Ter um bom parceiro ou boa parceira é fundamental para que um tetrão, sobretudo, consiga ter uma vida pessoal e profissional super “diboa”.

“Esta é minha vida: trabalho, sou independente financeiramente, tenho uma família maravilhosa, procuro ajudar outras pessoas e sou feliz, independentemente da forma e/ou limitações físicas. Nossa maior limitação é psicológica, nossa maior barreira, somos nós mesmos.”

Poxa, adorei conhecer o Adriano. As únicas terras que eu tenho são debaixo das unhas Sem jeito, mas, com certeza, a fazenda que esse caboclo atua, há de ter muito e muito progresso...

Beijos nas crianças e bom final de semana

* Fotos do arquivo pessoal de Adriano Garcia

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Visitantes na Matrix

 

Sempre quis colocar aqui no blog uma história de gente que ficou “malacabada” temporariamente ou seja, que tá dando uma visitadinha nesse mundo paralelo onde vive esse pessoal rascunhado... Rindo a toa. Vai lá, sem braço, sem perna, cadeirante, muletante, com escutador de novela queimado, que arrasta cachorro-guia...

 

E esse povo que ta experimentando o sabor delicioso de não passar por portas estreitas de banheiro, que não consegue vaga reservada para a charanga (ocupada por gente imprestável, muitas vezes Indeciso), que não consegue ir e vir livremente são milhares, afinal, todo dia tem gente que leva canelada no futebol, que cai no buraco da rua, que escorrega no quiabo...

 

Acessibilidade, então, não é algo que atende só aqueles baleados e ferrados permanentemente pela guerra. Qualquer um, uma hora, pode precisar de facilidades para conseguir tocar o dia a dia.

 

Pra ficar mais claro e divertido (afinal, tem que ter sempre alguém pra passar vexame pra gente dar risada Tonto), a minha conterrânea, parceira de profissão e boniiiita Aline Rocha, conta pra “nóis tudo” como foi a experiência dela de ficar prejudicadinha por alguns meses...

 


 

Tá bem “interresantchi”, divertido e “didatchico”. Bora ler “nóis tudo”? Legal

 

Sorte

 

Foi mais ou menos assim: de um dia pro outro tudo começou a ficar difícil. Não foi gradativo. Eu simplesmente fiquei limitada de meus movimentos da perna esquerda. Aquelas ações que nunca parei pra pensar sobre começaram a me fazer franzir a testa. Andar simplesmente, subir ou descer escadas, dirigir ou cruzar as pernas (coisa da impiedosa vaidade feminina Carente) eram tarefas incômodas.

 

O mais inquietante eram os olhares. Tanto dos que me conheciam, quanto daqueles que me observavam pela primeira vez. Eles eram mais perfurantes na fase aguda de meu problema. E o mais conflitante em mim era que me incomodava com as inúmeras vezes em que ouvi “precisava de ajuda para subir a escada”? Mas o que perturbava mais ainda era quando simplesmente desprezavam que eu precisava de um pequeno apoio. Isso foi confuso pra mim. Mas acho que a confusão era dos outros também.

 

Os “x” no meu calendário iam aumentando. Significava que, aos poucos, minha recuperação me traria ao “normal”. Foi quando passei a me questionar a respeito do que era ser “normal”. Opa! Eu era a mesma. Mesmas piadas, mesmas vontades, mesmas necessidades e mesma carência também. Afinal, quem tinha mudado? Durante vários dias fiquei com raiva, especialmente das pessoas que não estavam mais por perto. Em outros, quando a serenidade divina e santíssima baixava em mim, achava que todos estavam certos.

 

Ei, não é o mundo que tem que mudar pra mim, eu que tenho que acompanhar o mundo. A regra é: se vira! Se vira porque ninguém vai se compadecer, se vira porque as coisas não param para te esperar e se vira porque ninguém precisa ter paciência porque você reduziu sua velocidade. Pois bem, minha velocidade estava menor, minha energia também, mas minha vontade das coisas não. Os registros mentais deste período já estão guardados em minha pasta pessoal, aquela que fica bem escondida das mãos, olhares e análises dos outros.

 


 

A idéia de que as coisas não estavam 100% e de que um degrau de dez centímetros já era quase uma muralha pra minha caminhada começaram a crescer. Opa! A luz acendeu, percebi que poderia observar então, por todos os lugares onde passava, o que as pessoas com reais dificuldades de locomoção precisariam. Foi quando vi que, no meu trabalho, por exemplo, isso era um problema. Mudar alguns pontos, talvez, fosse um estorvo. Pra quê? Se ninguém aqui está precisando, se isso vai dar trabalho. É. Todos têm outras coisas a pensar.

 

Aliás, pensar é algo que mais fiz desde novembro. Já que, neste período, fiquei sem poder dirigir e o jeito foi a boa e velha carona. Pai, marido, colega de trabalho. A carona é legal. Você conversa, o ruim é quando você se sente atrapalhando alguém. Quando, sem querer, demonstram que você ta mudando a rotina deles. Dias chatos. 

 

No dia seguinte a minha operação foi mais chato ainda, longo e pesado. Sentia meu joelho muito inchado e dolorido, não podia colocar a perna no chão. Não dava pra andar, aliás, mal conseguia ficar com o tronco erguido. Tive então minha primeira experiência com a cadeira de rodas. Natural, ela que me ajudaria a ir ao banheiro e a tomar banho. Tirando a dor, não cheguei a ficar constrangida com a ajuda da enfermeira e de minha mãe no banho. A anestesia ainda tinha seus efeitos e não dava para erguer os braços.

 


 

Minha mãe penteou meus cabelos também, essa é uma das boas recordações. O dia em que me dei conta de como eu precisava olhar pra mim foi quando queria pegar um livro e um copo de água que estavam a três passos da cama. Naquele momento não havia ninguém no quarto. Afff! Respirava fundo. Não tinha estratégia que me ajudasse a pegá-los. A tal força do pensamento que move objetos também não. aborrecido Ok. A paciência tinha que estar mais presente. Foi nela que me segurei e me seguro por todos esses dias. Os livros que li, as músicas que ouvi também me ajudaram, mas se não tivesse a “interatividade” da Internet, a boa e velha tristeza teria se instalado com vigor. 

 

Pois bem, é a interatividade que buscamos, não é? No trabalho, em casa, com amigos. Então, nem sempre temos e para isso é melhor respirar fundo e exercitar a paciência. Acho que olhar para outros lados, para outros passos em outras direções. Um passo de cada vez, quando já for possível dar. Hoje faz 75 dias que rompi ligamentos do meu joelho esquerdo. Estava em meu treino de vôo livre. Sou piloto iniciante de parapente, quase um paraquedas que voa como asa delta.

 

Meus movimentos estão muito limitados da perna esquerda, já ando sem as muletas, mas manco muito. Não ando como antes. Sou jornalista, tenho 27 anos, sou vaidosa e neste período de limitação provisória, me vi como nunca tinha visto antes. A mim e ao entorno.

 

Sou realmente uma aprendiz a vida. As ruidosas certezas e verdades estão aqui comigo agora, vamos dialogar. Ficarei seis meses sem voar, mais um mês, no mínimo, sem dirigir e volto a trabalhar, em breve.

 

Ainda não sei quando volto a andar como antes. Os degraus da escada? É terei que encará-los de novo.

 

Escrito por Jairo Marques às 07h12

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Um gosto de injustiça

Pessoal, hoje, seguramente, escrevo um dos textos mais difíceis dessa minha curta jornada de blogueiro.

 

 

Difícil porque sinto como se um ácido tivesse descendo pela minha “guela” enquanto penso em como dividir com vocês mais esse capítulo da saga de quem vive num mundo paralelo, empurrado para ele pela indiferença, pela falta de condições de acessibilidade, por uma visão ainda existente de que quem é deficiente é menos do que os outros seres humanos comuns.  

 

Há cinco meses, contei aqui a história da Ana Carolina, advogada de Poços de Caldas (MG) que foi impedida de entrar em uma loja para comprar cadeiras. Para quem não leu ou não se lembra dos detalhes, clique no bozo que eu conto tudo... Talvez, seja fundamental bater o olho no post antigo para entender mais certo a minha angústia... Brincalhão

 

Enfim, a Aninha (que é uma florzinha miudinha, mesmo Indeciso) não foi apenas impedida de entrar na espelunca, ela foi humilhada, ela foi tratada como um ser humano menor de uma forma flagrante e desavergonhada. Ela sofreu preconceito direto e claro.

 

A moça não titubeou e entrou na Justiça com um pedido de ressarcimento por danos morais. E não era a grana que ela estava atrás. Ela queria, sim, era um instrumento legal para empunhar ao mundo que temos direito à dignidade, ao acesso amplo à interação com o local que bem desejarmos, ao respeito...

 

Não conseguir entrar em um local acontece com todo os deficientes montados ou que puxam cachorro guia a todo momento. Mas, sentir na pele que não querem que você entre num recinto por causa da sua condição física, é outro departamento...

 

Na audiência de reconciliação, o dono da loja, reconhecendo a meleca que fez e propôs um acordo. A Ana, que tomou uma atitude coletiva e não individual, negou receber lá umas migalhas. Queria saber o que, de fato, a Justiça achava daquela situação. Eu dou os meus aplausos por essa atitude.

 

Pois bem, em sua sentença, que não serve para ser discutida e sim para ser cumprida, o juiz Maurício Ferreira Cunha deu uma rasteira que só não derrubou a Aninha porque a cadeira de rodas tava lá pra ampará-la. Agora, degustem um pouco do sabor amargo da "interpretação" feita da situação

 

“O ônus da prova é a conduta que se esperava da parte para que a verdade dos fatos alegados seja admitida (...) não se viu satisfatoriamente desincumbido pela requerente (...) este juízo julga improcedente o pedido.”

 

Como jornalista, como cidadão tenho de engolir a seco e baixar a cabeça pra autoridade, mas, como deficiente, igualzinho a Ana (um pouco menos tortinho que ela Muito feliz), digo que fiquei numa vontade de chorar sem tamanho lendo isso e de achar que não houve nada de justiça, de amparo, de conserto da ordem social.

 

Todo o fato foi acompanhado pela mãe da Aninha. E me digam uma coisa, queridos leitores: que preconceito, que humilhação deixa testemunhas? Sinceramente, senhor juiz, não deixa não, só deixa uma mácula na nossa trajetória “malacabada”, isso deixa sim. Em todas as situações em que me senti o cocô do cavalo do bandido por ser paraplégico só estavam eu e o meu algoz e, em vários momentos, lá estava também a minha mãe.

 

A decisão judicial, tem outros pontos de arrepiar os cabelos de quem tem (não é meu caso, infelizmente Carente).

 

“Há de ponderar, assim, que ainda que tenha havido um certo desconforto do contato da requerente com funcionários da empresa requerida (ressalvando que a requerente e sua genitora lá já haviam estado anteriormente (...) fato é que não se vislumbrou nos autos qualquer mácula ou constrangimento à pessoa (...).”

 

Como assim, “um certo desconforto”? Sempre cito o caso dos negros. Quem é negro não sente um “desconforto” quando o humilham por sua cor, tanto é que, agora, ele pode acionar a policia e firmar um ato de preconceito, mas, com deficiente que é impedido de entrar em um lugar, é um “certo desconforto”? Eu te digo, senhor, juiz, não é desconforto, é se sentir rebaixado, é se sentir excluído, desamparado. É se sentir aflito diante de um flagrante de crime contra a raça humana.

 

Claro que ela havia estado na loja! A porta de acesso, que estava aberta das outras vezes, estava trancada na última e os donos SE NEGARAM a abrir!!!! Se negaram a facilitar o acesso. Não queriam uma cadeirante no local, naquele momento.

 

Vai lá... despejem a ira no vazo do banheiro que tem mais:

 

“Não se trata de um serviço mantido pelo Poder Público. Trata-se, sim, de uma empresa voltada ao comércio varejista de móveis que como tantos outros (milhares) não tem sua estrutura totalmente adaptada seja pela dificuldade financeira, econômica ou qualquer outro pressuposto.”

 

Esse dizer do magistrado, coloca por terra tudo o que eu entendo por igualdade de oportunidades, de direito pleno de ir e vir, rasga a convenção da ONU pelos direitos da pessoa com deficiência. Não pode entrar no restaurante? A vida é dura. O bar não tem banheiro pra você, cadeirante? Lamento. O shopping tem escadas? Sorry, fio, fique em casa, desista, se enterre na Matrix.

 

Essa sentença, seu juiz, com todo respeito que lhe devo, é uma paulada certeira na fuça de milhares de pessoas com deficiência que se mobilizam, pressionam e se atrevem a conviver nesse mundo que o senhor, certamente, pode caminhar livremente. Tenho por certo que o Poder Judiciário trabalha com fatos, com os mandamentos da lei, mas também tenho ciência de que quando se batem nas palavras, quando se espancam as interpretações, elas hão de promover aquilo que bem entendemos...

 

A Aninha ainda não decidiu se irá recorrer da decisão. Caso ela perca em outra instância, terá de arcar com as custas do processo e com os honorários do advogado da outra parte...

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Me dá um dinheiro aí!

Já recebi dezenas de mensagens pedindo “apoio” para divulgar causas de “malacabados” que pretendem viajar a outros países para buscar melhorias ou mesmo curas milagrosas para seus “estropiamentos”... Tonto

O lugar onde o povo mais sonha em ir é pra China, injetar uma celulazinha tronco na veia em qualquer biboca e de quebra comer uma carninha de cachorro, uns escorpiões, umas cobras.. (ui).  Bem, sei que vou desagradar muita gente, mas não vou deixar de botar meu ponto de vista: é pura bobagem, pura ilusão, puro efeito placebo.

Gente, afora aquelas picaretagens de pastores em programa de televisão, alguém já viu um tetrão, um PCzão Rindo a toa ou um paraplégico voltar a andar de uma forma autônoma e perfeita após um tratamento alternativo? Tenho 35 anos e nunca, nunca vi, nem comi e mal ouço falar Muito triste. Nem nunca li nada sério que me fizesse acreditar em tratamentos a la olhos rasgados.

O que conheço são as extraordinárias reformas que os grandes hospitais de reabilitação promovem. Esses são gratuitos, são de excelente qualidade e até ajudo a fazer a rifa para comprar a passagem de marinete para quem mora longa desses centros....

Uma vez eu levei um pito de uma amiga que me disse: “Jairo, a gente tem que respeitar a vontade e o sonho dos outros. Se a pessoa acha que ficar dentro do bucho da vaca pode fazê-la andar, então...Cada um tem seu direito de buscar o que acha ser o melhor pra si.”

Sim, concordo que eu tenha de respeitar, mas, como comunicador, como blogueiro lido por duas ou três pessoas com vários parafusos a menos Rindo a toa, não posso dar apoio a iniciativas individuais em busca de algo que a ciência diz que não há nenhuma comprovação.

Meu povo, vivemos em um país que, infelizmente, os números de acidentes de trânsito são recorde e, consequentemente, o número de pessoas que ficam “mamulengas” também é alto. Por isso, estão no Brasil alguns dos melhores ortopedistas, neurologistas e fisiologistas do mundo para tentar melhorar a funilaria desse pessoal.

“Ahhh, tio, mas eu conheço um ziminino que foi pra China e não mexia nadinha e, quando voltou, tava mexendo um pouquinho do braço!!”

É bem capaz de isso acontecer, mesmo. Mas... é preciso um pouco de racionalidade, gente. Com fisioterapia intensiva, com tratamentos existentes aqui mesmo no Brasil, com a evolução natural da recuperação das pessoas, é possível que os mesmos movimentos tivessem se recuperado...

Outro aspecto importante a ser avaliado, a meu ver é o seguinte: imagem vocês que um japa doido consegue uma maneira revolucionária de recuperar movimentos de um lesadinho medular. Bem, porque raios esse tratamento, tão importante, ficaria isolado em uma parte do mundo apenas?

A história mostra que tudo o que muda a qualidade de vida de milhares de pessoas se espalha pelo universo muito rapidamente. Não dá pra imaginar que uma clínica, um centro de reabilitação específico deteria uma técnica exclusiva que fosse capaz de salvar milhares de pessoas.

Campanhas que visam o bem coletivo, que vão trazer benefícios para várias pessoas, eu tô dentro, mas não me solidarizo (sorry Carente) com campanhas individuais atrás de milagres.

Por que a gente faria uma corrente para levantar grana pra loirinha linda que quer ir pra Europa atrás de um tratamento que vai engrossar seus cambitos e deixariamos um negão sem assistência básica de reabilitação num dessas favelas da vida? (Tô brabo, né? aborrecido)

“Creeeedo, tio, a gente tem que ter esperanças!” É claro que sim, mas por mais difícil que seja, é preciso botar à frente da nossa ansiedade de querer voltar a ter uma vida mais normal possível,  um pouco de razão, um pouco de conhecimento, um pouco de racionalidade para não ter, além de uma frustração, um prejuízo financeiro.

Ir pra China fazer supostos tratamentos com células tronco custa caro financeiramente e emocionalmente.  Há alguns meses, o Fantástico, da Grobo, “disque” ia acompanhar par e passo a evolução de uma garota que ficou tetrona e ia se tratar lá no oriente.... A série só teve um capítulo, não sei a razão..  Também divulgaram um aparelho robocope que faria um malacabado andar "de boa" usando uma geringonça metálica. Sumiu, evaporou, não rolou.

Podem estar certo, no momento em que alguém recuperar de fato um novo movimento inédito e inesperado, tiver uma evolução profunda e verdadeira em seu quadro físico ou sensorial, a notícia irá se espalhar aos quatro ventos! Legal

* Imagens retiradas do Google Imagens 

Escrito por Jairo Marques às 00h06

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Sensações

Fui pego de surpresa dia desses com uma pergunta inusitada: “Jairo, como é não sentir uma parte do corpo?”. Fiquei sem saber o que dizer de pronto, afinal, o meu prejuízo da guerra, causado pela paralisia infantil, dá uma detonada boa no caboclo, mas mantém a sensibilidade intacta.

Contudo, sou desse mundo paralelo em que vivem os deficientes e tenho francas noções do que é essa ausência do tato pelo corpo, daí a tal pergunta direcionada a mim. Depois de ficar em silêncio um bocadinho, respondi: “Isso é um post para o blog. Aguarda um pouquinho que vou dar um jeito de explicar.

Em geral, as pessoas que perdem a sensibilidade física foram acometidas por lesões medulares seja por traumas (bater a espinhela com tudo no poste, ‘perexempi’ Rindo a toa, ou por alguma doença, uma síndrome... Para que esta resposta seja bem legítima, convidei uma das “lesadinhas” mais amadas do Brasil, mais gata e mais genteboadetudo, para explicar. Quem é? Tabata Coooontri! Aêêêê. O texto dela é um primor. Convido vocês a degustá-los. De quebra, umas fotinhas da deusa, porque afinal de contas, amanhã é sábado! 

Vamos lá, dá a mamadeira deste menino que não para de chorar, diz pro chefe que tá lendo algo importantíssimo, abaixe o fogo da panela, e viagem nas sensações da Tabs...

Bom final de semana e beijo nas crianças!

Sorte

A primeira vez que não senti, foi quando fui fazer uma obturação no dentista, mordi meu lábio, inchou, mas sabia que ia passar o efeito.

Algum tempo depois quebrei a coluna, o carro capotou e na hora já não sentia mais as minhas pernas, eu colocava a mão nelas e parecia que eu estava segurando a perna de outra pessoa, porque minha mão sentia minha perna, mas minha perna não sentia minha mão. Sensação estranha...Carente

Já no hospital percebi que não era só a perna que eu não sentia. Pra fazer xixi ,colocaram uma sonda em mim. Eu os vi fazendo isso, mas não senti absolutamente nada. Fizeram a mesma coisa com minha amiga do meu lado e ela gritava de dor.

No quarto dia após o acidente, depois de ficar deitada na mesma posição, sem conseguir me mexer, me viraram pra eu fazer a cirurgia da coluna, e adivinha, por não sentir desenvolvi uma escara sacral que quando foi desbridada cabiam duas mãos fechadas dentro. Como não percebi aquilo??? Foram mais de quatro meses para fechá-la e ainda tive que fazer uma cirurgia.

Não sentir é muito, muito estranho, mas a gente acostuma e tem que tomar certos cuidados pra não se machucar. Eu sempre fui estabanada, a vida toda, quando eu era andante e desde o último dia do ano 2000, como cadeirante. É... dessa vez a anestesia não passou, embora eu achasse que ia passar.

Outro dia calcei uma bota, e fiquei o dia todo com ela, estava gravando um áudio livro no estúdio, então passei mais de doze horas com aquilo no pé. Chegando em casa, a primeira coisa que eu fiz foi tirá-la, embora eu não sinta, dá um certo alívio em ficar descalça! Quando vi, todos os meus dedos tinham bolhas e havia uma ferida no meu calcanhar, tudo isso porque me esqueci de ver se tinha algo dentro da bota antes de calçá-la e tinha uma meia embolada que machucou meu pé!! Depois de dois meses meu calcanhar ainda está sarando. Menos mal vai, poderia ter sido uma barata!! surpreso

Também rompi um músculo da coxa fazendo uma coreografia no chão há alguns anos atrás. Minha perna ficou gigante e demorou meses pra sarar. Tenho oito marcas de queimadura na perna, eu via as bolhas e não sabia por que elas estavam lá, quebrei a cabeça pra descobrir, minha mãe que matou a charada, eu secava o cabelo e colocava o secador na perna, nem percebi que me queimava...

Uma vez, lá no Sarah, meu pé caiu da cadeira e a roda dianteira passou por cima, chegou um amigo e falou pra eu ficar calma, daí pensei “Calma por quê?”, ele abaixou, levantou a frente da minha cadeira e salvou meu pé! A meia que eu mais gostava estava rasgada, mas meu pé intacto! Nem tinha percebido...

Lendo posts antigos do meu blog encontrei este aqui ó:

Ai!  Hoje meu pé caiu na hora do banho, até aí nenhuma novidade, só que de repente vi sangue no chão, daí fui procurar de onde vinha, afinal de contas eu não sinto, quando fui ver tinha rasgado, entre o dedo mindinho e o outro tinha uma cratera!  Perdi as contas de quantos amigos já me cutucaram na perna pra chamar minha atenção. E quantas vezes meu pé caiu do pedal da cadeira e eu nem tchum! E quantas vezes eu já gritei fingindo que tinha doído quando a manicure fazia meu pé!

Por isso, quando me tocam onde não sinto gosto que avisem e que falem. Quando tenho o contato visual de uma massagem no pé, de um carinho na coxa, de um beijo no joelho é como se eu estivesse sentindo, como é importante essa troca, esse contato visual, não é porque não sinto que não gosto que mexa, muito pelo contrário, adoro desde que eu saiba o que está acontecendo e veja o que ta rolando.

 

 

Gosto de me olhar, e é importante, pra isso uso um espelho, a gente tem que conhecer nosso corpo. Falta de sensibilidade, isso é o que não tenho! Tá bom, apenas a física, a vontade de fazer xixi por isso passo a sondinha em média de cinco em cinco horas e pra fazer cocô tenho que fazer massagens abdominais e o toque todos os dias, de preferência no mesmo horário, assim que nosso corpo se reeduca e a gente deixa de passar apuros indesejáveis.

 

Depois de um tempo, a gente corre cada vez menos o risco de uma coisa dessas acontecer, é só ser responsável por essas coisinhas chatas, mas que devem ser feitas, nos horários certos, antes de fazer amor, antes de entrar na piscina e quando sair dela, antes de ficar em pé com as órteses e todos os dias. A gente tem que ter uma atenção redobrada, principalmente quando se é estabanada como eu.

Agora, sensibilidade é o que não me falta, ah isso não...Como é bom sentir... Como é bom fazer outra pessoa sentir! Como é lindo nesse nosso mundo paralelo, ver o cuidado que uma mãe tem com um filho, um marido com uma esposa, um profissional com um paciente, uma mulher por um homem, uma amiga pela outra, as parcerias se fortalecem, se fortificam, as pessoas se tornam mais humanas, elas se doam mais, a gente deixa um pouco o orgulho de lado e se entrega, e confia, porque é bom demais cuidar e ser cuidado, sem exageros, porque nada demais é bom, mas se permitir, sim.

 

Por mais que a gente seja independente e a gente seja capaz de fazer muitas coisas sozinhos, é tão bom ter uma companhia, não alguém que faça algo por você, mas sim com você, junto é tão mais gostoso. Sem jeito  Não sentir é estranho, mas aos poucos a gente de tanto não sentir, sente. Tem certas coisas que a gente sente sim, de um jeito diferente. A gente se redescobre.

 

Sei que até os 20 anos eu sentia igual e que agora eu sinto diferente. E sei também que cada vez mais descubro jeitos de lidar com a falta de sensibilidade em meu corpo e a falta de sensibilidade do ser humano em algumas situações. Conheço muita gente que definitivamente não tem sensibilidade nenhuma, apesar de ter o corpo 100 %. Eu prefiro a minha falta de sensibilidade a deles...  Afinal de contas o que é não sentir? Não sentir o que mesmo?

* Fotos de Rapha Bathe

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Na mídia

Meu povo,  sem querer ser “inzibido”, mas sendo bastante Beijo, este blog foi pioneiro, ligado a um grande veículo de comunicação, a abordar questões envolvendo gente sem braço, sem perna, com cadeira de rodas, com o escutador de novela prejudicado, que puxa cachorro. A iniciativa, abraçada pelo Grupo Folha, também não guardava, quando tomada, similares ao redor do mundo.

Hoje, menos de dois anos de “Assim como Você” entrar no ar, eu tenho muito orgulho de dizer que outros diversos grupos de comunicação importantes no Brasil tomaram a mesma iniciativa e emprestam seu prestígio para falar sobre “malacabados”! Aêêêê

Uma vez, em uma entrevista, o repórter perguntou se eu me achava (me acho, me acho Muito triste) responsável por um certo sacolejo na imprensa para que a deficiência física, tão negligenciada, ganhasse mais visibilidade. Quem me acompanha há muito tempo, sabe que a minha vaidade não vai muito além de passar uma base básica no rosto, né? surpreso

Mas, acho que são fatos alguns pontos: a Folha Online botou cadeirantes em sua página principal por diversas vezes. Deu chamadas e mais chamadas para temas que em pouquíssimos momentos tiveram espaço  na pauta jornalística. Sinceramente, eu acho que o nosso trabalho de empurrar uma kombi véia rumo a um mundo mais acessível a todos, mexeu o doce da mídia no Brasil, sim!

Um dos primeiros portais de grande porte a seguir a Folha, foi o Vanguarda News, ligado à Globo, atuando na região de São José dos Campos (SP), que encampou o blog do meu leitor querido, o Luis Daniel, que edita o “Reflexão sobre Rodas”.

Em seguida, foi o grupo RBS, o mais forte da região Sul do país e um dos maiores do Brasil, que passou a abrigar, no portal do jornal Zero Hora, o blog “Sem Barreiras”, tocado pela Juliana Carvalho e pelo casal Tânia e Milton Speroni, que passam por aqui às vezes!

Nesta semana, mais um importante portal, atuando na região de Campinas, passa a dar espaço exclusivo para os malacabados! O Cosmo vai a manter o blog “Tô dentro”, sob responsabilidade da jornalista Kátia Fonseca.

Puxa, é um salto grande para um grupo social que só aparecia em matérias assistencialistas ou naquele xororô sem fim que, ao meu ver, não ganha guerra.

Ah, sim, “disque” agora, na novela Viver a Vida, a irmão da tal da Luciana, que ficou tetrona, vai manter um blog... ui... Quero só ver... na verdade, nunca consigo ver, o pessoal é que me conta... Muito triste. E claro que temos também, centenas de iniciativas próprias com conteúdo inédito e de ótima qualidade dos quais acompanho vários!

E tem mais, gente! O Grupo Estado, principal concorrente aqui da Folha, ainda não tem espaço para debater questões sobre esse pessoal que dá um trabaaaaalho danado, mas tomou uma medida que, ao meu ver, é “maraviwonderfull” plus: contratou um jovem jornalista cego, com cão guia e tudo, para ser repórter em sua editoria mais importante, política. Convencido

Pra gente que tá acostumando a levar tanta chibatada dos espaços públicos que nos expulsa, essa notícia abre um campo de vitória. O profissional, chamado Lucas de Abreu Maia, vai estar, na próxima segunda-feira, a partir das 11h, no programa Imprensa na TV, comandado pela Thaís Naldoni, moça bonita, inteligente, sorridente, bacanuda, atenciosa, mega profissional e.... que mais? Muito triste Quem quiser acompanhar o bate-papo dela com o Lucas, é só sintonar na AllTv, pela net.

   

Por fim, já recebi emails de pessoas cobrando que a Folha, o jornal, desse também mais espaço para os temas da deficiência. Bem, eu não respondo por isso, mas, quem me segue com frequencia, sabe bem que, a olhos vistos, a presença dos malacabados no matutino deu um grande salto, né, não?! Foi todo um caderno de Turismo, o Equilibrio, o Cotidiano, Veículos, Empregos, Folhateen...

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Só diversão!

Tô há dias querendo tirar um retrato meu jogando “vidogame”, um novo que eu trouxe de muamba lá dos “Estadusunidos”.... Muito triste. Como eu não tirei ainda, resolvi falar do barato assim mesmo...

Eu não conseguia jogar direito aquele “tarzinho” de “praystation”. O controle é pequeno e exige muito da mão esquerda e a minha é meio abobada, num consegue fazer movimentos precisos.

Então, resolvi ver “qualera” a vibe (tô meio teen nesta semana, né? Legal) do Nintendo Wii, cujo controle imita o movimento de mãos e braços e é mega ultra fácil de usar. O resultado? Viciei, “oficorsi”... Rindo a toa. Minha mãe vive perguntando se eu não tive infância!

É legalpracaramba.com.br e permite a um “malacabado” ter a sensação de estar jogando de verdade uma partida de tênis, uma corrida de bicicleta, basquete, baseball, lutando boxe e o melhor, sem ter de ficar apertando botõezinhos, é só saracotear o corpo, a mão, com o controle, que o bonequinho (Mii) imita os movimentos... é doido, meu povo, é doido. Nas primeiras vezes que usei, até dor nos braços senti, de tanto que a gente entra no esquema!

Olha, apesar de algumas pessoas disputarem alguns jogos fazendo movimentos com o corpo todo (pulando, se movimento de um lado para o outro, mexendo o quadril), posso garantir que jogando sentadinho, paradinho na cadeira ou na cama, no sofá, o efeito é quase mesmo. surpreso

Às vezes, fico hoooras do meu final de semana jogando o trem, me achando um esportista... Muito feliz. E qual não foi a minha surpresa, ao ler  no blog “Viva as Diferenças”, que os cabras lançaram agora um jogo do Wii exclusivo para “matrixianos”! É mesmo o domínio do mundo chegando!

Vejam abaixo o vídeo e percebam que o game é mega ultra baster inclusivo porque permite que um jogador com perfil "normal" jogue no mesmo time que um cadeirudo! Ah, num tô fazendo propagando da Nintendo, não, mas que é uma diversão legal, é!

 

 

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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Enche o tanque!

“Zente”, quem diria que encher a barriguinha da minha kombi veia de “digolina” iria virar história de blog, né, não? Mas virou. Botem reparo que até em posto, em posto, meu povo, a gente se lasca.com.br!

Bem, ante de jogar o molho, bora fazer a massa... Beijo. Hoje em dia a gente não usa mais dinheiro de 'verdadchi' pra pagar os trens tudo. Todo mundo leva os próprio cartão de débito. Eles passam na maquina e pronto! Tá lá sua conta no vermelho  e você nem viu! Aêêêê Rindo a toa

Por confiar nessas ‘tenicologias’ já entrei em várias frias. Encosto a kombi no posto e, todo ‘garburoso’ (até hoje não sei ao certo o que quero dizer com é isso Muito triste), vou falando pro tiozinho que segura as mangueira, vulgo frentista... surpreso: “Enche o tanque!”

Depois de poucos minutos, porque aquelas bombas são ágeis, vem o frentista, sem fazer um carinho, sem perguntar meu telefone, sem limpar meu para-brisa Apaixonado: “Deu noventa cruzeiro, vai pagar como?”

“Traz o ‘ricurso’ de pagar com o cartão de débito, por favor”.

E novamente sem o menor carinho, ele manda: “Ah, mas ela não chega até aqui, não. Tem que dar um jeito de ir lá dentro.”

Êh, mas na hora a gente desacursoa numa situação dessas. Imagem ter de montar a cadeira, descer, caçar um jeito de entrar naquelas casinhas de posto e pagar o consumo da “digolina”?

Como eu sou prevenido, sempre tenho um cartão de crédito (furado), que não precisa de digitar a senha e nem precisa que eu vá até a casinha, para fazer o pagamento. Caso contrário, eu já teria conhecido o xilindró. Embaraçado

Mas ai alguém pode pensar: “Ahhh, tio, mas e lá nos Estadusunidos que nem frentista tem? Como que é fazem os malacabados?”

Para quem não é motorista de condução, ou seja, viajado, eu explico...Rindo a toa. Em vários países, encher a barriguinha do carro de combustível é uma tarefa do próprio dono do carro. Você para no posto, marca quanto quer , abastece e depois passa o cartão e paga, tudo assim, sem interferência humana.

“Uai, tio, porque isso não tem aqui no Brasil?” Bem, aqui... é... aqui... aqui a gente adooora frentista! Aêêêêêê!!!

Bem, mas e como é que faz o infeliz do abatido pela guerra que vai ter um trabalho danado para sair do carro e fazer tudo isso?? É faaaácil!!! Aperta um botãozinho e.... tchanannnnn.... um frentista surge das cinzas!!! Entorpecido

É verdade, juro. Vejam ai o apertador, que fica na altura do vidro do carro. Para quem é “analfalbético”, eu traduzo a frase: “Aperte para chamar ajuda.”

Aqui a gente ainda tá padecendo pra os “nádios” deixarem de usar as vagas reservadas, padecendo pra ter ônibus acessível, banheiros... lá eles têm botãozinho para pedir ajuda. Vai, pai amado, me leva, me leva que eu tô pronto ! Carente

Mas olha, tem uma ‘situation’ que parece inusitada, e não sei se acontece com outros ‘matrixianos’ ou se eu sou mesmo benzido com pena de urubu... Muito triste

Como diz o ditado, o olho do dono é o que engorda o porco, né? Quando o dono não olha, o porco “dismagrece” e a feijoada não sai. “Tio, o post é sobre gasolina, mas você tá usando é álcool, né?” Muito triste

Bem, mas botem reparo. Eu chego no posto e falo: “Enche o tanque!”. E ai, meu povo, é batata, já aconteceu umas dez vezes comigo, o cabra em vez de prestar atenção, deixa o trem comendo e toca a gasolina veia derramar tuuudo após o tanque cheio.

“Ahhh, mas tem travamento, é tudo automático”... Hunrum, vai nessa.... vai nessa que aquilo funciona direito...

Como eu não saio do carro, não vejo que a viola está em caco e não tenho como acudir o leite derramando, ou melhor, a gasolina evaporando. O que tenho mesmo é de pagar gasolina a mais, né? A derramada... é ou não é de chorar de tanga chupando manga? aborrecido

Para os motoristas ‘esgualepados’ e novatos, recomendo que peçam valores exatos na hora de abastecer. Assim, você corre menos risco de se lascar como eu!

Também não custa nada aos donos de postos orientarem os funcionários que clientes “matrixianos” precisam de uma atençãozinha um bocadinho ‘deferençada’, como se diz lá no Goiás, num é?!

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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Perebinhas e perebonas

“Zimininos”, quem é lascado pela guerra e fica “malacabado” das pernas ou mesmo quem contrai um “dodói” (tô mona hoje, né? Beijo) e precisa ficar acamado por muito tempo tá sujeito a uma perebinha danada comumente chamada de “escara”, mas cujo nome de “verdadchi” é úlcera de pressão.

 

O lance funciona assim: como o sujeito fica mais parado do que “zóio de santo” Tonto o bumbum (oia que chique), sobretudo, fica exposto, devido à ausência de movimento, a criar uma perebinha que, sem cuidados imediatos, pode se transformar numa perebona, num transtorno sem fim.

 

Quem vai explicar pra tudo mundo isso é Gisele Azevedo, que é mais conhecida neste blog do que nota de R$ 1... Muito triste. Para quem não sabe, ela é especialista justamente em terapias para sarar os problemas fisiológicos que os lesados normalmente adquirem. A Gi também é professora universitária, com doutorado, ou seja, num sabe de quase nada... Carente

 

Faço questão que todo mundo conheça mais sobre as tais “úlceras” porque o tema é muito desconhecido, apesar de ser bem comum. Com mais informações para todo mundo, acho que menos os cadeirantes vão sofrer com os machucados, porque poderão ser alertados dos riscos, e mais gente vai conseguir se livrar do problema, se cuidando direitinho!

  

Sorte

A coisa começa assim: quando a gente tem a sensibilidade normal, mudamos de posição constantemente, sem que nos demos conta. Fazemos isso no piloto automático, descruzando pernas, levantando uma banda da bunda da cadeira, chacoalhando as pernas, e por aí vai.

 

Com a sensibilidade tátil alterada, como acontece em várias deficiências, essa percepção para mudar de posição não acontece, e a pessoa fica horas/dias/meses do mesmo jeito, se alguém não auxiliar na mudança, para aqueles que também têm a mobilidade prejudicada. Se isso acontecer, os pequenos vasos (artérias e veias) ficam comprimidos entre as saliências ósseas e a cama, deixando de levar sangue aos tecidos. Isso ocasiona a morte das células.

 Tecido morto para o nosso corpo é coisa estranha, ele só reconhece coisas vivas e daí o negócio é botar para fora. Está iniciada a úlcera por pressão, que recebe esse nome justamente para que se lembre a sua origem. Antigamente chamava-se escara, hoje o nome mudou.

 

Começa sempre com uma vermelhidão que não desaparece quando se comprime levemente a pele, esse é o estágio 1. Pode botar fé que aí a pele já morreu, abrir tudo é só uma questão de tempo.

 

Estágio 2 é quando tem perda de tecido de pequena profundidade, atingindo somente as camadas superiores da pele. No estágio 3 há o comprometimento de toda a pele e, no 4 há perda de músculos e pode chegar aos ossos.

 

Ou seja, o cabra chega ao pronto socorro todo estropiado, a equipe vai cuidando de fazer diagnóstico, radiografias, tomografia, imobilização, cirurgia, curativos, medicamentos, estabilizar o caboclo e todo mundo deixa ele bem quietinho, sem mexer. Quando passa o furacão, se aparecer uma alma sensível e competente, vão começar a mudar de posição na cama e... surpresa!!! Tem uma baita feridona na bunda do cidadão. Simples assim.

 

Vamos tratar? Prá começar, mudar de posição a cada duas horas, religiosamente. Isso quer dizer virar para um lado e ficar duas horas. Depois, virar para o outro, mais duas. Depois, de bruços, outras duas horas. E de costas, mais duas horas.

 

 

Ou seja, somente a cada 8 horas vai haver pressão na mesma área novamente. Se estiver sentado na cadeira de rodas, tem que fazer a “descompressão isquiática”, ou push-up: a cada 30 minutos, levantar o corpo sustentando-o nos braços, pelo máximo tempo que conseguir.

 

Sem isso, pode baixar “gzuis” que a ferida num fecha, pois faltará o principal: estradas livres para chegar nutrientes nas células. Segunda coisa: alimentação rica em proteínas e vitaminas, com suporte profissional. Caso contrário, não haverá nutrientes suficientes para criar pele onde precisa ser cicatrizado. E pode comer de tudo, nenhum alimento é proibido por causar feridas, pelamordedeus!!!!!

 

Prá finalizar, sugiro a contribuição de um profissional enfermeiro com conhecimento especializado em feridas, o estomaterapeuta (uma lesada que nem eu, craro surpreso), para avaliar o cidadão e a lesão e indicar a melhor cobertura a ser colocada ali, além da limpeza adequada.

 

Não dá prá chutar nem botar qualquer coisa, pois isso pode atrapalhar tudo. E jamais deixar aberto, botar prá tomar sol, utilizar produtos caseiros, ervas e “quetais”. Ah, e o sujeito tem que estar sempre sequinho, limpo, sem “totô” ou “xixi”, senão vira um caos.

 

 

Esse é o grande nó da coisa, pois sempre que começamos um tratamento, temos que tirar fraldas sujas de caca, tudo colado na ferida.... retrocesso geral. Bem, é tudo isso. Espero, de verdade, ter esclarecido um tico. E fico a disposição prá quem quiser saber mais, caso eu possa ajudar. Um super beijo pro tantão de amigos que tenho aqui, nesse cantinho querido.

 

Em tempo: "Zente", no domingo, no caderno Veículos, da Folha, vai ter uma reportagem minha sobre uma "ximbica" que fiz os próprio test drive. Falai, tô abalaaaaando!!! Rindo a toa 

Em tempo, de novo: Na segunda-feira, o caderno Folhateen, da Folha, vai trazer um material especial sobre adolescentes "matrixianos". Tá bem interessantchi e, claro, vai ter uma pitada minha!

 

Bom final de semana e beijos nas crianças!

Escrito por Jairo Marques às 06h32

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De pernas pro ar

A menina parada num cruzamento, perto de casa, voltando da faculdade com uma amiga, à noite, é abordada por um bandido.  Ela acelera o carro, com medo, muito medo. O bandido atira... páfh...  “Senti que meu corpo, do peito pra baixo amorteceu na hora”.

O veículo ficou desgovernado, a amiga conseguiu pisar no freio, o bandido fugiu, e Aline Medeiros, 29, que sonhava voar bem alto, ficou paraplégica. “Tive parada cardíaca, respiratória. Foi um ‘furduncio’. Fiquei três meses no hospital, dois de UTI, tive perfuração nos pulmões, quebrei a clavícula, costela, tive lesão na minha vértebra na altura T1. A bala ficou alojada em mim.”

Acho que qualquer pessoal “normal” poderia pensar: “tadinha, acabaram-se os sonhos”. Mas a nossa essência, de “matrixiano”, nos empurra para a frente. Aline se formou em Administração de empresas, trabalha numa companhia de saneamento, e faz sua vida girar, a bola rolar, se dá novas oportunidades, reiventou a vida...

E se lembram daquele sonho de voar bem alto (que aliás é frequente entre cadeirantes, né, não?) que ela TINHA?  Realizou faz um bocadinho, saiu de Sumaré (SP), onde mora, e foir saltar de parapente, na pedra da gávea, no Rio...

“Nossa, na hora, minha vontade de saltar era tão grande que misturou várias sensações e sentimentos: medo ansiedade tudo o que se pode imaginar, mas meu desejo de provar que eu conseguiria era maior que tudo”.

Já mostrei algumas pessoas se ‘encontrando com os céus’ aqui no blog, mas adoro postar mais e mais exemplos. Para quem nos vê como símbolo maior de imobilidade, de limitação, talvez, nos ver “voando” faça com que as ideias mudem, os conceitos se reformem, o mundo mude (e a gentte domine tudo, oficorsi! Rindo a toa)

 

 

“Me colocaram sentada na cadeirinha própria do parapente, me amarraram e o instrutor na sua cadeirinha atrás, e dois caras um em cada lado meu segurando minha perna pra poder dar a corridinha para o equipamento abrir.”

 

E nessa aventura da Aline estavam primos, sobrinhos, irmãos, amigos e um pessoal bem ‘de boa’ quando os filhos se metem a fazer pequenas loucuras: o pai e a mãe. surpreso

 

“Nem sei te explicar o que eu senti na hora que o parapente abriu. Só ouvi uma gritaria e aplausos, foi super emocionante, pois as pessoas que estavam lá, não esperavam uma ‘malacabada’ saltar da pedra, né... Foi maravilhoso o voo durou uns 15 minutos de pura emoção

 

Um dia, quem sabe, eu tomo uns três litros de maracujina, fico zen e salto de um trem desses! Muito tristeMas, ôh, tio, o quem que tem a ver o título, pernas pro alto, heim?” Ah, tá, a Aline explica  ‘procês’...

 

“O nosso único medo era na hora do pouso, o que nós faríamos com minhas pernas, sem movimentos, mas nas alturas treinamos um pouco.  Como o instrutor estava atrás de mim, com as suas pernas ele empurrou as minhas pra frente, para o alto e eu dei uma ajudinha com as mãos levantando, e o pouso foi um espetáculo. Foi uma aventura maravilhosa, inesquecível.”

 

 

Meu povo, estou um pouco relapso nesta semana com o blog. Mas garanto a vocês que estou trabalhando forte nos próprio bastidores para trazer informações e histórias bem inéditas e 'maraviwonderfulls plus' pra 'nóis tudo'! Convencido

 

* Fotos do arquivo pessoal de Aline Medeiros

Escrito por Jairo Marques às 22h09

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O sonhador...

Meu povo, foi um sucesso o espaço que abri aqui, na semana passada, de “achados e perdidos”, ops... de “reclames e pedidos”... Rindo a toa Até ontem, foram quase 70 sugestões. Tô na roça pra atender tudo... surpreso

 

Dentro os diversos comentários “maraviwonderfulls” e “inteligentchis”, um me chamou muito a atenção, o da minha parceira argentina Pilar Nieva, que coordena o Movimento Superação na Argentina e é linda que chega faltar o “foigo”... fôlego, para os menos esclarecidos no caipirês... Beijo

 

A Pilar me pediu para contar se sonho como andante ou como ‘malacabado’. Interessante demais da conta, né, não? Desde então, eu tenho botado mais reparo no meu soninho... Inocente

 

 

Uma vez li numa revista de cultura inútil, acho que daquele mestre do zodíaco, o João Bidu, sem lembram? Muito triste Então, li que é muito raro ver a nós mesmos em sonhos, nos dar conta da própria imagem durante o desenrolar das tramas noturnas. Não sei se funciona com todo mundo, mas comigo é fato: não me vejo, não.

 

De qualquer forma, os meus momentos oníricos mesclam o andar e o não andar. Noite passada, por exemplo, eu sonhei que o falecido Tim Maia foi até a minha casa pra gente ter um dedo de prosa. Apaga a "luiz gzuis", sonhar com o Tim Maia é o ó do borogodó... Muito feliz 

 

Me lembro claramente que eu dizia pra ele que, na hora dos shows, ele falasse pro público que era preciso promover a acessibilidade para todos e que era pra todo mundo respeitar os direitos dos “matrixianos”...

 

Por outro lado, eu já sonhei que estava dependurado em árvores chupando manga, já sonhei que estava jogando futebol e marcando gol, já sonhei que estava correndo no mato (ai que delícia... Embaraçado).

 

Nessas noites, acho que eu não usava cadeira de rodas, não. Pelo menos imagino que seria muito surreal trepar numa árvore montado... Contudo, eu jamais acordei feliz da vida pensando: puxa, andei no sonhos! E nem nunca pirei com essa ideia.

 

 Mas percebam que coisa ‘interessantchi’: quando eu tô nas necessidades de dar aquela urinaaaaaada, de aliviar a pressão nas bexiga, eu rotineiramente sonho que não estou encontrando um banheiro acessível e tenho de segurar o aguaceiro. Ou seja, nem no sonho eu consigo consertar o mundo... Triste

 

Como vocês sabem, eu nunca andei, nunca tive o gostinho de pegar bicho de pé pisando onde não deveria, talvez isso justifique o fato de eu misturar tudo.

 

Já ouvi relatos de ex-andantes, que se estropiaram ao longo da vida, dando conta de que sempre têm sonhos como pessoas “normais”, fazendo as coisas que rotineiramente faziam andando.

 

Como um ‘rapaizim bão demais da conta’ chamado Freud defendia, os sonhos podem ser a representação das vontades do inconsciente. Logo, é bom tomar cuidado com aquilo que tão sonhando, heim? Rindo a toa  Apesar que querer andar, querer ver, querer ouvir, para quem não pode, é um desejo beeeem consciente, acredito eu!

 

 

Essa história toda de sonhos me deu um sooono... Mas, contem ai, como são seus sonhos, heim? Alguém já sonhou que ficou malacabado? Qual a sensação? E os matrixianos? Como são seus sonhos?

Escrito por Jairo Marques às 00h15

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Agora dominamos os mares!

Sempre me falaram que viajar em um navio era algo super “diboa” para uma “malacabado” como eu. As grandes embarcações possuem cabines acessíveis e saracotear de um lado para outro a bordo da cadeira de rodas é “tranquis”.

Ainda não experimentar essa aventura. O único barco que entrei até hoje foi canoa furada, mesmo... Muito feliz.  Não, pera, pera... teve uma vez, eu estava em Bombinhas, nas Santa Catarina, e fui visitar uma ilha (ui), ai andei num barquinho ruim da gota serena... Não era nada daqueles bonitões, que a gente dá tchauzinho com lencinho na mão, sacam?

Contudo, os meus leitores são mega, ultra, blaster viajandões surpreso e não é que a queridíssima Ludmila Pedrosa pegou o “namo” dela, o André, que é prejudicado das pernas também Rindo a toa e foi com o homi por um cruzeiro “maraviwonderfull”?!

“Me garantiram que as instalações eram boas.  Vi a planta no site, pesquisei fotos, enfim...Me pareceu a opção mais descomplicada. Escolher o destino foi a parte mais fácil (Rio, Angra dos Reis e Ilha Bela). Fechamos por telefone, depois de eu me certificar inúmeras vezes de que a cabine era mesmo a adaptada. Foi até engraçado, porque a primeira opção de navio já não tinha mais a cabine adaptada disponível... Fomos no Grand Celebration, da Ibero.”

Tá ai uma boa dica pra quem não quer ter uma surpresa daquelas do peru. Tem que pesquisar, meu povo, fuçar, se informar se, realmente, há condições de acesso. Porque pra quem é “deficientchi”, uma viagem pode azedar logo na chegada ao hotel, quando o cabra encontra a ex.. ops, a escadaria.... Muito triste

“Uma vez decidida a viagem, preocupei-me com a parte prática...a ida até Santos (onde fica o porto). O André decidiu que iríamos de ônibus mesmo e pronto, pois as outras alternativas eram muito caras e inviáveis! Preocupada com o que poderia ser na rodoviária, entrei em contato com a Secretaria da Pessoa com Deficiência, que não ajudou muito e encaminhou para a Secretaria de Trânsito?!?!?. Fiquei indignada e escrevi para o nosso excelentíssimo presidente J.Marques (olha que fino!!!) contando a saga que seria, mas ele solucionou meus problemas me pasando o contato de uma empresa mega atenciosa que tem uma equipe cuidadosa e simpática...Eles tem um esquemão que leva os cadeirantes da Rodoviária de Santos até o Porto!!!”

Viiiiiram como o tio é um “minino bão?!  Para saber qualé a empresa, clica no bozo que eu digo! Brincalhão

 “No Porto, me surpreendi: tinha elevador, rampas e  banheiro acessível!!! (O mundo num tá de cabeça pra baixo? O que deveria ser regra, surpreende! Tonto) Despachamos a mala, fomos ao mirante e ficamos no saguão...O Porto estava lotado, muita gente mesmo! O lugar é bem mais bonito do que eu imaginei . O grande problema por lá é a precariedade nas rampas da van que nos levou para o navio. Apesar de o motorista ser prestativo, aquela rampinha é bem tosca...graças a Deus também deu certo!

Uma coisa é certa para quem é lascado pela guerra Beijo e resolve viajar, meu povo: haverá sempre pequenos ou grandes desafios arquitetônicos, sobretudo, a serem enfrentados. Isso está no pacote. Não existe uma viagem 100% acessível porque em toda parte existe uma raça chamada “serumano”, que nem sempre colabora.  

“Gente, tudo era muuuuuuuuuito legal. A parte do navio que escolhemos era três estrelas, categoria considerada confortável. De cara fomos para a cabine. Acolhedora, limpa e dava para o André circular tranquilamente. O banheiro me preocupou um pouco. Tinha um degrauzão para entrar. E apesar de ter um banquinho maneiro na ducha, tinha uma divisória no chão entre o box e o espaço da pia. Para sair, o André conseguia sozinho, mas para entrar, eu dava uma ajudinha.”

Tá ai um ponto importante. Se o “malacabado” for sozinho, então, ele tá na roça. Será que naqueles cruzeiros de solteiros é mais fácil pra entrar no banheiro? Porque, se não for, tem que se arrumar rapinho ou vai ficar na mão do marujo... Muito triste

“Havia mais dois cadeirantes no navio. O primeiro embarcou em Santos. E o outro, no Rio de Janeiro, que foi nossa parada no segundo dia. Íamos de elevador para todos os lugares, menos para o deck com cabines externas, que só era acessível de escada. O único ponto planejado errada foi que no restaurante em jantávamos (têm vários no navio!), a mesa que nos era reservada tinham sofás em vez de cadeirsa. Mas contornaram a situação e nos colocaram numa mesa muito animada com piracicabanos adoráveis e engraçados.”

Pra morar em Piracicaba, com aquele mundo de ladeira, tem mesmo de ser muuuito animado, né, não? Carente

“Fomos aos bares, ao cassino, e o teatro também era acessível. As festas eram boas pra caramba (incluindo uma à fantasia)! O André não quis entrar nas piscinas, mas os outros dois cadeirantes subiram nas jacuzzis sentados. As piscinas e jacuzzis têm degraus.”

Ahhh, mais eu gosto dessa ‘tali’ de jacuzzi, viu?! Botaria a mulher pra me carregar, mas eu ia fazer um escalda pé nesse trem... Rindo a toa Como eu já contei, tô numa fase meio aquática (baleiudo aborrecido) e não perderia por naaaada!

“Foi uma viagem maravilhosa, esqueci do mundo. No primeiro anoitecer, ficamos no deck e me emocionei com aquela imensidão de mar, me fez para pra pensar o quanto realmente somos pequenos diante desse mundão de Deus! Foram cinco dias e quatro noites inesquecíveis! Foi romântico, divertido, foi tudebom.com.br. Recomendo, queria mais e não vejo a hora de voltar!!!”

Duviiiiido se todo mundo num lembrou da cena do Leonardo “Ticapo” e da “Kaiti Wuiskeis” nos Titanic, com aquela música breeeega, dando um beijão gostooooso!!! Convencido...

Bem, agora não tenho mais dúvida, quero andar num naviozão desses..... Bora ‘nóis tudo’?? Ótimo final de semana e beijo nas crianças!

* Imagens do arquivo pessoal de Ludmila  Pedroso

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Acende a luz!

“Zimininos”, há quase um ano abri o espaço para que vocês dissessem que tipo de assuntos gostariam de encontrar  aqui no blog pra gente discutir, discordar, concordar, quebrar o pau surpreso, aprender, relaxar.

 Foram 47 comentários naquela ocasião dos quais: vinte eu consegui atender integralmente as sugestões e pedidos de post.. aêêê!!! Convencido... Em nove casos, eu fui “meia sola” Carente, rolou de atender parcialmente a dica deixada.

 Em catorze casos, o povo escreveu, escreveu, escreveu e não deixou sugestão nenhuma.. Rindo a toa... E em quatro casos, eu não consegui postar nada sobre o assunto sugerido.

Queria hoje, então, abrir uma nova rodada de ideias vindas de vocês. Quem quiser também pode deixar críticas sobre assuntos que não foram bem abordados e que precisam ser retomados ou mesmo escrever que me ama, que eu 'gostcho muicho'.... Muito triste

Vamos lá, meu povo, bota a cachola pra rodar e me dá uma ‘hand’ para avançarmos rumo à dominação do mundo neste ano! Acende a ‘luiz, gzuis’ Inocente... Conto com tudomundo.com.br!

Escrito por Jairo Marques às 23h00

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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