Uma paradinha
“Zimininos”, vou dar uma sumidinha por uns dias (uuuia). Saio em férias a partir de amanhã e vou deitar o cabelo nas estradas! ![]()
A minha intenção é que, a partir do dia 15 de julho, faça um diário de viagem contando um pouquinho da minha nova aventura pra vocês. Qualé que é?
O tio vai lá pros “Estadosunidos” (“inzibiiiido!). Vamos agitar um pouco aquela terra, né?! Comprar uns “Aipode” pros primos, umas perfumes pras primas... ![]()

Por lá, o mundo já é bem dominado por parte dos “matrixianos”. Cadeirantes, cegos, surdos e estropiados geral possuem seus direitos garantidos e respeitados. Há acessos para todo lado e a pessoa com deficiência já garantiu um espaço importante na “civilização”.
Tentarei relatar os detalhes dos “furdúncios” que aprontarei lá pelas Nova York, pelos Miami da vida. Contar pra vocês como é ser "malacabado" na terra do tio San!
Enquanto isso, não percam a chance de participar do concurso! Vai haver novas viagens e, quem sabe, a próxima num será pros “exterior”?!
Um beijo nas crianças, se comportem e até a volta!
Escrito por Jairo Marques às 08h18
Noveleiros
Pessoais, eu tava segurando esta informação pra divulgar mais para a frente, porém, a "concorrência" tá braba vou antecipar! ![]()
A nova novela da "Grobo", de Manoel Carlos, vai se chamar "Viver a Vida" e vai contar histórias de superação (uuuuia) e uma atriz boniiita interpretando uma cadeirante. Até ai, muita gente sá sabe. Mas... tchanannnn... há meses a produção do homem entrou em contato com o tio para pedir contato desse povo que virou personagem aqui no blog!
A ideia é que ao fim dos capítulos tenha sempre alguém contanto como conseguiu reinventar a vida, não necessariamente por causa da “malacabação”, mas também pela deficiência. Não sei dizer ao certo como será o formato, mas é mais ou menos, acredito eu, como em "Mulheres Apaixonadas".
Então, é bem possível que vocês vejam na telinha alguém que contou um pouco da sua vida aqui no “Assim como você”! Num é legalpracaramba.com.br?
Se o tio vai gravar? Ai eu num conto.
... Vão ter de aguardar o trem começar!
* Imagem retirada do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 08h25
E esse verão que não chega nunca?
Povão, o post de hoje é inspirado em um texto do meu colega blogueiro e namoradeiro Luis Daniel
, do “Reflexão Sobre Rodas”.
Vou contar uma verdade de graça pra vo6: eu num “guento” mais ficar encorujado, todo encurvado, dobrado por causa do frio. E no inverno a vida desse povo “malacabado” dá uma diferençada muito grande e a gente passa por uma sofridinha básica.
Como somos todos cheios de pinos, de chapas, de hastes de platina pelo corpo (a medicina conserta a funilaria, mas precisa de equipamentos
), reza a lenda que, com a temperatura mais baixa, esses troços reagem e a gente passa a ter dores pelo corpo.

Particularmente, eu não padeço muito de dores, mas, os meus cambitos passam por um processo intenso de “picoletização”. Num entendeu? Tá, eu explico porque eu sou “minino bão”, só por isso.
Como não movimento as pernas como os seres humanos comuns
, o frio atua em tudo, na pele, na musculatura, nos ossos e ai, babau, quase que congela o tio. E os pés? “Zente”, quando percebo os danados tão até roxinhos (olha que meigo
) de tanto que tão gelados.
Quando era moleque e tinha a “minha santa” cuidando de mim o tempo todo, não raro ela colocava bolsas quentes nas minhas pernas e pés para conseguir reaquecer. O “xodadis” da minha mama, viu. ![]()
Atualmente, eu embrulho tudo em meias grossas, cobertas, edredons. Mas, às vezes, demoram horas para esquentar. E ai tem que ficar fazendo “maxagi” pra ajudar a quebrar o gelo. A sensação é bem ruim, viu?
Para os “matrixianos” que não possuem sensibilidade, o lance é ainda mais “compricoso”. Como eles perdem, algumas vezes, a noção de que os cambitos tão friopracaramba.com.br podem sofrer até complicações de circulação.
Se você por ventura encostar nas pernas ou nos pés de um cadeirante (ui, delícia) e sentir tudo muito gelado, não se acanhe em avisá-lo.
O ideal para os “mamulengões” (povo com maiores restrições de movimento) é fazer uma fisioterapia para agilizar a musculatura e ficar menos exposto às conseqüências do clima.
Praticar esportes também ajuda bastante a deixar o corpo menos vulnerável aos efeitos do inverno. Ah, claro, agarrar a mulherada também é bastante positivo
. (Pinga, no meu caso, é fundamental oficorsi)

Outro inferno que vivo no frio é com a danada da cadeira de rodas. A bicha, que é feita, em geral, de material que absorve parcialmente a temperatura, passa de cavalo pra lagartixa: esfria que é uma beleza
.
Imagine você acordando cedo (no meu caso, bota cedo nisso, eu praticamente acordo o galo pra cantar
) e vai se transferir da cama pra cadeira, todo quentinho, e encosta seu popo, seus braços, suas mãos num treco gelado?! Chorou?
Bem, ai você se agasalha todo, fica “ingual que nem” uma cebola, cheio de camadas. Beleza, vai tocar a cadeira, vai. É o casaco que enrosca nas rodas, é a manga da jaqueta que toca nos pneus, é o cachecol que prende nos raios e quase te mata sufocado... Êh, vidão é a nossa de "matrixano".

Talvez o ideal seja eu comprar um aquecedor aqui pra casa para conseguir ficar menos preguiçoso e padecer menos com o inverno. E vou te contar, viu... aqui é frio de lascar. É que moro num descampado sem fim e numa das regiões mais geladas da city.
Bem, enquanto o verão num chega, o blogueiro vai falhando nos posts pra mode ficar bem encolhidinho aqui no frio! ![]()
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h06
A sua viagem dos sonhos
No começo da semana passada, contei um pouco como foi uma viagem “maraviwonderful” que fiz à Espanha, país que dá exemplo em promover a acessibilidade e que tais... Mas, não dá pra ficar tomando sorvete na frente de meninos “lombriguentos” sem tomar uma atitude, concordam? ![]()
Então, tcha nammmmm... tenho uma surpresa para todo mundo que ficou com vontade de dar uma “viajadinha” ou um “viajandão”, fica a gosto do cliente! Calma, sossega que eu vou explicar, mas só porque eu sou um “minino bão” e viajado (pode dizer, pode dizer que sou “inzibido”).
Com diz aquela música da Xuxa, “Imagine...” (gente, to meio surtado, hoje, né?
) um ‘malacabado’ conseguir fazer um tour com tudo dando certinho, fazer turismo, que é um direito de todo cidadão, de uma forma relax, sem ficar na pilha de que algo não vai dar certo... Tá achando que isso só vai rolar depois da dominação do mundo por parte dos matrixianos?
Nem é! Agora, em São Paulo, existe uma agência de turismo que está se propondo a ser especialista em dar aquela “hand” para esse povo sem perna, sem braço, muletante, puxador de cachorro, que não escuta, mas quer viajar pelo Brasil e pelo mundo de uma forma tranquila.

Os “pessoais” pensam em tudo: nos passeios, no hotel, no translado, nas dicas do que fazer. Muita gente com deficiência nunca viajou com medo de não conseguir sevirar.com.br. E realmente num é fácil encarar um mundo que é hostil às diferenças. “Beleza, véio doido, mas eu sou tetrão, mamulengão e preciso de assistência especial, de alguém do meu lado pra ajudar a tocar os pernilongos.
Eu faço o que, choro?”.
A agência também dispõe de profissionais que, garante ela, são habilitados para te dar aquele help. Todos os roteiros que eles oferecem foram testados. E, caso você queira ir a um lugar fora da agenda deles, eles irão caçar a forma mais viável pra o “matrixiano” num padecer (muito, porque um pouquinho a gente já tá vacinado
)
Agora, senta e fecha a boca pra num babar no teclado. Advinha quem vai criar o slogan da Accessible Tour? Ocê, nego!!!
Calma, calma... quem criar a melhor frase... ai, ai... vai viajar de GRÁTIS!!!! Com os próprio acompanhante!!!! Serão duas opções a escolha do ganhador: um final de semana no Rio de Janeiro (ai, gzuis, aquelas praias, aquelas ‘minina’ das Ipanema
), ou um final de semana em Foz do Iguaçu (ôh, pai, as cataratas, o verde, o Paraguai ali do ladinho
).

As regras tão aqui em baixo!!!! ![]()
Escrito por Jairo Marques às 00h01
Vamos às regras:
Quem pode participar? Todo mundo. Matrixianos (pessoa com deficiência física ou sensorial) e infiltrados! (pessoas que não tem nenhuma deficiência, mas se empenha para que o mundo seja mais pleno para todos!)
"Infiltrado poooode, tio?" Pode, maaaaas... caso o vencedor seja uma pessoa sem deficiência, NECESSARIAMENTE, o acompanhante precisa ser um “malacabado”. A ideia é fazer esse povo viajar, então, assim, a gente não exclui ninguém, mas mantém o propósito do concurso!
Pra concorrer, é preciso criar um slogan de até cinco linhas para a Accessible Tour. Você pode participar com quantas frases quiser. Mas cada criação deve estar em um email diferente. O título da mensagem tem de ser: “A viagem dos meus sonhos” e precisa chegar impreterivelmente até o dia 31 de julho no email jairo.marques@grupofolha.com.br. Coloque seu nome, endereço e um telefone de contato.
As frases criadas serão enviadas para cinco jurados que estão espalhados pelo país e pelo mundo e só serão conhecidos no final da promoção. Eles irão escolher cinco slogans e um deles será o premiado.
Os diretos da frase ganhadora, que poderá ser modificada, ficarão cedidos para a agência que promoverá a viagem e ficará responsável pelos custos.
Contestações e dúvidas ausentes das regras e dos detalhes da viagem vão ser sanadas pelo blogueiro (o tio mesmo) e pela agência.
O ganhador fica no direito de transferir sua viagem apenas e exclusivamente para uma pessoa com deficiência, que poderá manter o acompanhante e demais direitos, desde que respeite as datas e critérios estabelecidos.
O acompanhante irá ficar no mesmo apartamento que o ganhador, que deverá usar o prêmio entre 10 de agosto e 30 de outubro (não valido para feriados , feiras, congressos e estará sujeitos a disponibilidade). Apos confirmada a viagem não serão permitidas alterações ou cancelamentos, pois isso implicará na perda do premio.
Mas o que vai ganhar, direitinho?
Se escolher a viagem para o Rio de Janeiro:
Passagem aérea ida e volta em classe econômica promocional
Duas noites de hotel categoria turística com café e taxas; traslados de chegada e saída (ninguém via ficar perdido que nem cachorro que cai do caminhão de mudança
)
City tour pelo centro histórico e praias;
ingresso para o corcovado e para o pão de açúcar

Se escolher Foz do Iguaçu:
Passagem aérea ida e volta em classe econômica promocional.
Duas noites de hotel categoria turística com café e taxas; traslados de chegada e saída.
Passeio pelas cataratas brasileiras, pelo Parque das Aves, pela hidrelétrica de Itaipu e pelas Cataratas Argentinas.

Então, "zente", tô contente em promover esse concurso. Deixo claro que não há nenhum acerto financeiro por ele. É mesmo uma forma de fazer esse povo que nunca teve a "oportunidadchi" de viajar a passeiro, sentir o gosto bom de conhecer um lugar novo! Conto com a participarção e divulgação de todo mundo. Uhrúúúú
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Mais uma chance
Povo, vai rolar mais uma chance para ver um espetáculo “maraviwonderful” que, para mim, é um dos símbolos máximos da dominação do mundo pela Matrix: o Noturno Cadeirantes.
Quem ainda não teve a chance de assistir ao musical precisa agora firmar a ideia de ir! O grupo, cheio de “gatenhas”
, está completando seis anos e promete, como sempre faz, “arrupiar” a platéia com um show de dança, de graça, de beleza, de talento e de emoção.
Pra quem ainda não sabe nada sobre o grupo, é só clicar no bozo que eu, como “minino bão”, explico melhor. ![]()
As criaturas da noite
Eu tenho medo de ver... As criaturas da noite

Estátuas sem rosto me olhando, eu já vi
As criaturas da noite. O noturno véu

Porcelana, Lua de luz violeta. Brilha de néon no céu.

Porcelana, Lua de luz violeta.
Quem quiser ir, precisa se apressar, vai bombar e os ingressos já estão acabando! Muita gente me pergunta sobre os espetáculos, então, tá ai a dica! O tio, claaaaro, vai estar todo pimpão!
Mai, quando que é? Em julho, dias 3 (sexta), às 21h, e dia 5 (domingo), às 20h
E onde que é? No teatro Dias Gomes, que fica na rua Domingos de Moraes, 348, pertinho da estação Ana Rosa do Metrô. Para quem for de xaranga, há estacionamento em frente, dos lados, atrás..![]()
E quanto que é? Na hora do show, os ingressos custam R$ 40 (vulgo, quarenta mangos). Se comprar antecipado, com o elenco, paga R$ 15
Quer saber mais? 5575-7472 ou http://menestreis.campogeral.com.br
* Trecho da música "Criaturas da Noite", de Oswaldo Montenegro
** Fotos de Ricardo Feres / Divulgação
Escrito por Jairo Marques às 00h12
O meu Baloubet
Como eu já sou um senhor de idade avançada, cheio de dor nos quartos, nos quintos
, resolvi sair catando as moedinhas que tinham espalhadas nos cantos de casa e comprar um cavalo (que os mortais costumam chamar de cadeira de rodas) daqueles “raçudos”, bonitões e caaaaros que só um "diacho". Chega de andar de pangaré estrebuchado, né, não?!
Uma boa cadeira de rodas, como eu já falei um pouco por aqui, é cheia de frescuras para garantir uma boa postura, um bom posicionamento para tocar os aros e leveza pra facilitar jogar a bicha daqui para acolá.
Ainda vejo muita gente usando cadeiras manuais padronizadas, que custam menos, mas dão menor independência e exigem mais do muque pro “galope”. As “elétricas” não têm muito jeito. Há alguns ajustes, mas não rola de fazer grandes mudanças.
Mesmo quem é tetrão, mamulengão dos braços
, pode tocar uma cadeira manual. Vai ser mais custoso, mas dá certo e há adaptações que ajudam! Mas, bora voltar para a minha aquisição (xiki isso, eu sei
).
Uma cadeira ideal precisa ter tudo medidinho. A altura e a inclinação do encosto das costas, a altura dos pedais onde descansam as pernas, a largura e a profundidade do acento, a altura em relação ao chão.
Também é preciso determinar um centro de gravidade, pra mode o caboclo num empinar para trás e bater o coco no chão e também para facilitar a impulsão tanto para “andar” como para vencer obstáculos (o que não faltam nas cidades, né, não?).
Tudo isso, na hora que o malacabado (mlkbd, né, Marieli
) monta na cadeira faz uma diferença enorme de postura, de comodidade e também estética, porque a gente baba um pouquinho, mas quer ser bonitão, ora pois.
O cavalo que comprei é um Baboubet...
Se lembram dele? Era um alazão bonito que saia pulando os pau, os tronco “véio” e ganhava um monte de competição de hipismo mundo afora com o cavaleiro Fernando Pessoa. Ai, nos jogos olímpicos de Atenas, todo mundo querendo ver o galope do bicho, todo mundo esperando as medalhes e ele só fez foi refugar
. "Ingual que nem" o Diego Hipólito, manja aquela “bundada” no chão?

Mas ai você me pergunta. “Uai, mas por que o tio num comprou logo um manga larga, um cavalão formozurento?”. “Zente”, ai porquinho onde guardo as moedas não agüentava.
As melhores cadeiras de rodas, infelizmente, ainda são importadas, feitas em titânio, que custam um caminhão dos grandes lotado de dinheiro. Acho um abuso, um absurdo, pagar R$ 10 mil, isso mesmo, dez mil "renais", por algo básico pra eu colocar a bunda em cima.
E muitos questionam: “O governo num ajuda, num subsidia?” Nada. Os impostos de importação incidem normalmente. É da Matrix, nego?! Tooooma. Cê que se lasque para conseguir algo básico: um meio para se locomover. (óia a brabeza
)
A minha foi bem cara para os padrões brasileiros. É fato. Mas cortei muita lenha e amassei muito barro pra poder comprar, viu, povo. E o que ela tem de especial? Vamos lá:
Coloquei rodas importadas (tô podendo, fala
) chamadas spinergy. São muito, muito leves. Quase a metade do peso das tradicionais. A vantagem é que o peso total da cadeira diminui e facilita demais pra mim (e pra qualquer pessoa, claro) quando preciso desmontar a bicha sozinho pra colocar na kombi.

Os pneus traseiros, juro, são maciços! Uuuuia
. Eu resolvi apostar que o negócio funcionava bem e, me surpreendi positivamente, são ótimos e não dão impacto que machuca o popô (sim, tô Priscila, hoje). É as própria tecnologia, “zimininos”. Sempre tive cadeiras com pneus infláveis, que precisam ser calibrados e furavam, esse de agora (shox), pelo que parece, foi um salto de “qualidadchi”.

Nas rodas dianteiras coloquei umas que se chamam soft holl. As danadas possuem amortecedores que diminuem “di certeza” o atrito com o chão. Então, acredito que meu cérebro irá ‘balangar’ menos e, quem sabe, consequentemente, eu num aprumo na vida? ![]()

Se eu num vou contar onde comprei e qual o modelo? Olha, “pessoais”, foi numa fábrica lá do Goiás, mas a dor de cabeça para receber o produto (SETENTA DIAS, mais do que um carro), que paguei antecipadamente, foi tanta que me recuso a falar o nome. Sem falar que acho que o dono dá uma explorada básica porque a concorrência no Brasil é muito pequena.
Foi um parto receber o cavalo, mesmo tendo eu deixado praticamente as cuecas na empresa para honrar o pagamento. Só digo que é um lançamento e que, aparentemente, me parece bom. Se acharem muuuito válido, depois eu abro o jogo
nos comentários, fechou?
Por fim, digo que estou mais bonito do que filho de barbeiro desfilando com o meu Baloubet cromado e com detalhes em vermelho. O pessoal da redação do jornal tá dizendo que fiquei mais fashion (ainda). Sei, não... tô achando é que querem darem umas galopadas!
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Minha viagem dos sonhos...
“Zente”, o primeiro desafio para um “malacabado” viajar sozinho é convencer aos outros que ele vai, sim, sozinho. Porque quando estamos na “radoviara” ou no “zoroporto” é uma perguntação da gota serena:
“Uai, cê tá perdido? Mas vai sozinho como? Num tem ninguém pra te ajudar? Cê num tem medo? Sua mãe sabe? Tá fugindo do hospital? Mas vai fazer como?” Só por Nossa Senhora da Bicicletinha, mesmo, viu... ![]()
Cadeira de rodas num é sinônimo de impossibilidade crônica de viver, se divertir e de viajar, “ziminos”. A gente passa uns apertos, uns sufocos, chega perto de dar o “quentão”
, mas consegue se virar.
Se o deficiente ficar pensando em tudo o que pode ser complicado, todos os empecilhos, tudo o que não estará a contento durante uma viagem, é “di certeza”, ele nunca vai sair de casa.
O maior desafio turístico que encarei até hoje foi a primeira vez que fui pros exterior. Aqui no Brazil a gente chora e todo mundo acode rapidinho, agora, num lugar onde você fala e ninguém entende, o bicho pega.
Minha mãe começou a chorar um ano antes da viagem
. E lá fui eu testar mais uma vez os tais limites de ser “malacabado”. Pra onde que eu fui? Pra Espanha! (metiiiido!
).
O impacto a gente sente logo no avião. Dez horas tendo de meditar bastante para abstrair a vontade de dar aquela urinaaaaada. Para tudo. Num tá achando que existe banheiro acessível dentro desses urubuzão, né? ![]()
Se a coisa apertar muito, o jeito é xixizar num copinho por debaixo das cobertas. Para quem faz xixi pelo canudinho, tem de ir com um saquinho amarrado nas pernas, mas, isso a gente tira de letra.
Cheguei a Madrid cedinho. Aquela mistura de medinho, com ansiedade, com vontade de ir ao banheiro
. E estrangeiro é tudo igual, nego. Ser cadeirante, muletante, puxador de cão-guia não dá credencial pra se livrar das fiscalizações, não.
O impacto de um país onde costumes, arquitetura, formas de expressão são completamente diferentes do Brasil é muito grande. E eu senti isso logo no primeiro dia.
Fiquei em um hotel bem centralizado e próximo aos principais atrativos da cidade: museus, bares, vida noturna, praças, palácios. Uhrúúú... tava lindo na fota! ![]()
Era verão e fazia um calor de estourar mamona, de fritar ovo no asfalto, de derreter as borrachas da cadeira de rodas.

E lá fui eu, todo “formozurento”, encarar as ruas madrilenhas. O lado “inacreditível” é que em qualquer buraco, juro, qualquer buraco, tinha rampa. E num eram essas rampas estrumbicadas que a gente conhece, não, eram certinhas, de inclinação fácil de ser vencida, com piso tátil, uma belezura.
Povo, e eu comecei a “andar” sem parar. Tava mais feliz do que porco na lama por conseguir transitar de boa pra todo canto. Acontece que o calor da Espanha é seco. O caboclo vai fervendo, vai fritando e não sua (tem malacabado que não sua, naturalmente, mesmo), não percebe que sua energia vai se esvaindo.
Quando eu percebi que num “guentava” mais tocar o cavalo já tava perto de desmaiar.
E, um detalhe que fui percebendo: ninguém, mas ninguém meeeesmo oferece aquela “hand”, aquela ajudinha básica, aquela “quer uma carona?”.
“Gzuis, que pessoais mais trapaiado que num ajuda a gente”, pensei. E só fui sacar a razão disso bem mais tarde.
Em vários países mais desenvolvidos que nós, tipo quase todos
, o costume é não ficar tocando nas pessoas, sobretudo quando elas não pedem. A lógica é: tem tudo acessível, ruas, transporte público, bares e restaurantes, então, sevira.com.br.
Caso o “matrixiano” precise de ajuda, então, é o próprio “esgualepado” quem tem de pedir auxílio. Caso contrário, vai ficar lá curando no sol, viu?! Emotion. E não tem nada a ver com falta de educação, com formação.
Depois de recuperado da insolação
, toca passear mais. Fui a um palácio mega ultra blaster bonito, a igrejas, a outros museus. Na Europa, construções históricas, com arquitetura muito antiga são mais “compricosas” de ter acessibilidade, mas, mesmo assim, em algumas partes sempre é possível entrar com a cadeira. Se há três degraus, eles colocam ali um elevador.

Museu do Prado, que é totalmente acessível, em Madrid / Imagem de divulgação
A Espanha é cheia de “plazas de toro”, que são locais onde rolavam as touradas (ui). Atualmente, são só locais de lazer rodeados de botecos. As ruas no entorno das “plazas” são todas de paralelepípedos que fazem o cérebro de um cadeirante virar um mingau de tanto que balanga. ![]()
Mas, eles pensaram na gente! Uhrúúúu! Em toda rua antiga há sempre, uma espécie de caminho, no centro, bem lisinho, onde dá pra transitar super tranquilamente.
Bem, mas nessa de ir pra lá, ir para acolá num é que me fura o raio do pneu da cadeira? Para tudo. Num sabia que os nossos pneus arriavam? Agora, me diz, como é que eu ia explicar em espanhol que eu precisava de uma "hand" pra consertar o bicho?
Olha que eu até engano bem em Espanhol, mas dizer que o pneu estava furado era broca! (Para os curiosos é algo do tipo: El neumático se pincho, la rueda esta pinchada). Não me lembro bem (é a idade, é a idade
), como resolvi o problema, mas, deu tudo certo.

E tive outras dezenas de perrengues lá pela Espanha. O banheiro que tinha banheira dentro do box e tive de tomar banho de copinho; entender que “autobús de planta baja” é um ônibus que, podem acreditar, murcha dos lados, é, ele “murcha”
, e fica mais baixinho pra mode a gente entrar com o cavalo e aprender que “salir de copas” era algo básico pra mim: encher os canecos de pinga. ![]()
Contudo, acho que até hoje aquela foi a minha viagem dos sonhos, a que eu mais me expus, mais consegui aprender a me virar (uuuia) e a que mais me senti livre e independente em diversos sentidos.
Enfim, é impossível, penso eu, prever todas as situações que vamos passar como matrixianos em outros países. E cada um tem uma "necessidadchi" diferente. Contudo, quando há informação, há alguém especializado para nos dar dicas e nos avisar do que poderemos ter de enfrentar, nos expor, fica mais fácil.
Os “normais” procuram assistência em uma agência de turismo e, nós, os “malacabados”? É, “zimininos”, quando digo que acham que vivemos num mundo paralelo num é sem razão. Turismo acessível ainda é algo muuuito recente no Brasil... mas tá mudando... tá mudando... até o final de semana, eu devo dizer a vocês o porquê!
* Imagens do Google imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h01
No cheque especial
Pessoal, nesta semana fiquei em débito com o blog, praticamente entrei no vermelho, né, não? ![]()

Mas tá broca, viu?! Tô "gribado", provas da molecada na facul, palestra, enfim.... tô realmente bem "malacabado"! ![]()
Bom final de semana pra todo mundo e espero que segunda eu consiga trazer algo "bacanudo"
Beijos nas crianças...
* Imagem retirada do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 08h59
Quando a ficha não cai
“Arô, Márcia?! Cê tá boa, fia?! Ai ‘minina’ tô no zorelhão porque o celular tá sem crédito. Só no dia 5, agora. Mas dá pra falar bastante com ficha. O duro é que acho que vou ficar com dor nos quarto porque essa casinha aqui é baixinha demais da conta.”

“Zimininos”, então. Telefone público acessível já é uma raridade (os especiais para surdos, praticamente inexistentes) e quando tem um a nega se “dipindura” e nunca sai nunca mais? Ah, gzuis me leva que eu to pronto, né?! ![]()
Mas eu já descobrir porque as pessoas adoram usar o orelhão dos “malacabados”. Como ele é mais baixo, as pessoas aproveitam para se escorar no aparelho. Saca um povo com amarelão que não pode ver um canto que já tá se encostando? Então
. Bota reparo que vocês vão comprovar o que tô dizendo.
“Moço, espera ai que é rapidinho. Vou só passar a receita de frango da Zana Maria Brega pra minha cunhada”... Pô, rapidinho é o demônio da tasmânia
. E fica lá o cadeirante esperando “a vez” dele para dar uma ligadinha.

Não sou radical em achar que o telefone acessível tenha de ser exclusivo. O que é dose de leão é ver que as pessoas têm outras opções públicas para ligar, mas optam pelo mais cômodo, o que vê primeiro. Acredito que haja também desconhecimento... gente que ache que o símbolo universal da acessibilidade seja um enfeite, um "grafite"... ![]()
Contudo, se liguem no caso da fota acima, que é do meu brother Arthur Calasans, feita no centrão de São Paulo . Há um orelhão convencional vago do ladinho da moçoila.
Pra cadeirante e gente pequena as opções são em menor número do que para os não “matrixianos”, logo, um pouquinho de bom senso ajuda, né?!
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Mais cachorrada
Povo, agora vejam na prática como se faz o "au au" trabalhar pra esse povo sem braço, sem perna, cadeirante e mais folgado do que colarinho de palhaço! ![]()
Está semana tá puro sufoco pra mim, mas tô fazendo de tudo para que na sexta, tenha uma "novidadchi" bacanademais.com.br por aqui.
A tradução e a legenda do filminho cachorrudo é da Silvetz Dutra!
PS: Pessoal, como a janela do vídeo é muito grande, deem dois clicks que ele irá abrir em outro local e poderão ver direitinho, tá bão?!
Escrito por Jairo Marques às 08h05
Bote seu cachorro pra trabalhar!
“Zimininos”, podem acreditar, cachorro não é só para abanar o rabo, criar carrapato e puxar o povo cego na rua atuando como cão-guia. ![]()
É possível ensinar ao seu tomba lata que tá se coçando por ai a fazer pequenas atividades do dia a dia como apagar a luz, buscar objetos, abrir portas e até dar uma puxadinha na cadeira quando bater aquela “lezeira” básica. ![]()
A minha leitora Maria Carolina, aqui de São Paulo, dá umas dicas “supimpas” de como fazer o “lulu” quebrar seu galho. Muita gente havia me perguntado de os próprio cachorros podem ajudar cadeirantes, além dos cegos, então, a resposta começa hoje!
As ilustrações são do parceirão Marcio Baraldi!
![]()
Para que serve um cão? Se você respondeu que é para buscar bolinha, fazer carinho e te lamber quando você chega, saiba que você está completamente, redondamente e totalmente certo. Mas ele não serve só para isso...
O seu super Tabajaracão pode também aprender a acender e apagar a luz, trazer objetos específicos como controles da TV, roupas e seu chinelo ou até chamar algum "infiltrado".
E olha que ele nem precisa ser assim um gênio-cão... Basta que você ou o infiltrado ao seu lado tenha paciência e petiscos interessantes.
Como fazer isso? Anote aí tudim: ![]()
Primeiro ache o cão, tire a meia suja da boca dele
, arrume uns petiscos e prepare-se para a aula. Os petiscos podem ser salsichas de frango (porque não têm corantes), petiscos para cães tipo bifinhos desidratados, pedaços de frutas ou a própria ração, se ele for esganadinho.
Corte a salsicha ou as frutas em pedaços beeeeem pequenos. Os petiscos servem só para motivar e, se forem muito grandes, ele vai ter que parar para comer e perderá o interesse logo. Não use bolachas para cães porque elas esfarelam e o aluno-cão vai perder um tempão até pegar todas as migalhas. Alguns alunos podem precisar de outros estímulos como carinhos ou um “pega a bolinha”. Use o que ele mais gosta.

Para facilitar a vida, vamos usar um negócio chamado target. Pode ser uma varinha, um post-it (aqueles bilhetinhos que colam) ou um pedaço de papel (escolha somente um e use sempre o mesmo).
Mostre ao cão. Curioso como eles são, vão cheirar o objeto. Imediatamente, diga “MUITO BOM, ISSO MESMO” e dê um pedacinho do petisco. Repita isso umas 3 ou 4 vezes e pare. O segredo do adestramento é deixá-lo sempre motivado. E aulas grandes são chatas pra caramba! ![]()
Repita o mesmo treino mais tarde ou no dia seguinte. Você pode fazer várias aulas por dia, desde que elas sejam sempre curtas e o cão esteja motivado (babando pelo petisco). Pode começar a variar a posição do target também. Ponha em lugares mais baixos, mais altos, na parede, em você mesmo. O cão estará “pronto” quando ele for sozinho até o objeto e encostar o nariz nele. Esse é o objetivo.
Para ensinar a acender e apagar a luz: coloque o target um pouco acima do interruptor e deixe que o cão pule para alcançá-lo. Se ele bater no interruptor diga MUITO BOM e premie. Quando ele estiver “craque” passe a dar o comando “LUZ” (ou outro que você escolher) antes de colocar o target no interruptor.
Logo ele entende o que significa a palavra e se adianta ao target. Parabéns! Ele aprendeu... Não se esqueça de sempre “pagar” pelo serviço - funcionário motivado sempre trabalha melhor.
Mas só premie quando ele obedecer o comando. Se ele fizer SEM que você tenha usado o petisco ou o comando, ignore...

Se ele tiver dificuldades para entender como alcançar o target, comece com o objeto encostado na parede, mas embaixo, de forma com que ele consiga encostar o nariz sem esforço, e vá subindo até ele entender o que precisa fazer.
Cães pequenos podem ser ensinados a usar um sofá ou cadeira como apoio. A parte de pular no interruptor não é recomendada para cães acima do peso, com mais de oito anos, problemas de coluna e cães das raças Teckel (o salsichinha) e Basset Hound. Ensine a parte do target que será bem útil nos próximos treinos.
Escrito por Jairo Marques às 07h53
É só uma grande história de amor
Não posso negar que tenho tido sorte ao longo da vida deste diário. As histórias mais surpreendentes e mais ligadas às temáticas que pretendo abordar vão surgindo como se uma força invisível dissesse: “Agora, veja se inspire nisso”.
Fecho a Semana dos Namorados, no dia 12 de junho, com a deliciosa e surpreendente história de amor entre Giuliano e Márcia... Em um mundo em que tudo para quem tem uma deficiência ainda parece complicado e romance é um capítulo cheio de tabus e meias verdades, este casal mostra que para ser feliz, às vezes, é preciso apenas um “olhar” pelo outro... um “caminhar” pelo outro....

“Na hora em que você menos espera, o amor acontece. Foi assim com a gente. Nunca imaginei que iria conhecer um deficiente visual e me apaixonar. Recomendo que as pessoas da “Matrix” não fiquem isoladas, escondidas em casa. Que conheçam gente, que saiam, abrindo campo para que outros possam se achegar a você.” (Márcia)
“Nosso amor é diferente do dito normal, ele se completa. Eu não vejo, ela não anda, ela vê por mim e eu ando por ela, e juntos nos completamos naquilo que nos falta em nosso físico.” (Giu)
“Nós nos respeitamos muito. Um sempre um ajuda ao outro. Todo casal tem suas briguinhas e, as nossas acabam sempre muito rápido. O que nos ligou a ponto de casarmos foi a necessidade de estarmos sempre juntos.” (Márcia)
“No primeiro dia dos namorados que passamos juntos, fiz uma surpresa: Primeiro dei um presentinho bem simples: alguns sabonetes em uma caixinha, e uma rosa. Falei que estava sem dinheiro e que era só uma lembrancinha. Passeamos em um parque e, à tarde, quando ela foi tomar banho, deixei outro presente em cima da cama dela, uma jaqueta vermelha e, ela ficou super contente! Depois, fomos a um jantar romântico a luz de velas, e lá, deixei tudo combinado com o “maitre”. Quando dei o sinal, ele veio até a mesa com o outro presente, que era um coração grande e vermelho e um cartão que, no final, eu a pedia em casamento. Ali, coloquei a aliança em suas mãos.” (Giu)

“Quando nós saímos juntos, as pessoas não percebem que o Giu é cego porque os olhos dele são perfeitos. Então, quem o vê, pensa que ele é “normal”, e que está me levando pra passear. Isto sempre acontece. Quando vamos ao shopping, por exemplo, nós andamos de mãos dadas, um ao lado do outro, só que eu vou dando alguns toques na mão dele quando vêm alguém de frete, ou ao lado. Muitas vezes, tenho que puxá-lo mesmo pra ele não trombar com alguém ou com algum obstáculo. Em lugares com muitas pessoas, aí eu coloco sua mão no meu ombro e peço para ele vir atrás de mim e ele segura na parte de trás da cadeira, como a me conduzir.” (Márcia)
“Sim, eu vejo a beleza dela, mas não externa que todos podem admirar. Eu vejo a interna e sei que ela é linda. Nós não andamos de mãos dadas na praia, porém perto do mar nós caminhamos de corações unidos.” (Giu)
“O dia do nosso casamento foi lindo, maravilhoso, mesmo. Aconteceu em um sítio em Mairiporã (interior de SP), e fez um dia de sol intenso. Tudo estava perfeito.” (Márcia)
“Na festa do casamento, durante a sessão de fotos, nós começamos a nos beijar para os fotógrafos tirarem as fotos e, nos empolgamos um pouco e um deles gritou: LAAAAAARGA!” (Giu)
Márcia e Giuliano estão juntos há quatro anos. Ela ainda está o convencendo a terem filhos! Ela é analista financeira, ele é assistente operacional. Eles se conheceram fazendo teatro. Detalhe: teatro no famoso grupo aqui deste blog, o "Menestréis Cadeirantes".
As fotos extasiantes do casal, só poderiam ter sido feitos pela minha querida amiga Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com)
Escrito por Jairo Marques às 00h00
No outro Lado da Matrix!
Minha leitora há muuuuito tempo, a Su Melo, lá das Minas Gerais, pediu uma pequena “assessoria” pra mim quando se apaixonou e se aproximou de um cadeirante.
Desde que comecei o blog, pedidos de “dicas” para dar aquela namoradinha básica com um “estropiado” são frequentes. Talvez isso queira dizer que tamo abalando, será, não?! ![]()
Eu dei uma "hand" a ela e, em contrapartida, pedi para que me relatasse como foi esse romance, como era o "outro lado da Matrix" quando se relaciona com um deficiente. O resultado eu publico hoje, seguindo a semana dos namorados.
É um texto emotivo, divertido e “maraviwonderful”, agora na perspectiva feminina, sobre como “garrar” um “malacabo”! Quem quiser ler o texto do Rapha Bathe, sobre o olhar masculino, é só clicar no bozo! ![]()
Boa leitura, e volto na sexta, porque amanhã é feriado! Uhrú
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Escrito por Jairo Marques às 00h39
Um dia acordei e percebi que no mundo existiam degraus demais e rampas de menos, isso por que no dia anterior olhei de maneira diferente para alguém que não era compatível com degraus! E sabem de uma coisa, que legal, que feliz poder olhar para uma pessoa e ver diferenças, sem se perguntar como será que ele faz isso ou aquilo, o bom mesmo da vida é ter coração aberto, aceitar que somos todos seres únicos, cada qual com suas peculiaridades.
As historias sempre acontecem de maneira bem inusitada na minha vida, essa não foi diferente, me deixar cair pelos encantos de um cadeirante foi uma das melhores coisas que me aconteceram, pelo crescimento que isso me proporcionou como pessoa, como cidadã e claro pela paixão que por si já valeu muito a pena! Vai ser feliz lá longe!! ![]()
Hoje em dia o apelo estético é “imposto” pelos mais variados meios de comunicação, a beleza cada dia mais agrega o conceito de perfeição. Mas eu vivo me perguntando o que é perfeição? Seriam as mulheres com nomes de frutas, seriam certos batalhões de homens mostrando em calendários os seus músculos definidos, será mesmo que isso é perfeição, quem disse que beleza é perfeição?! Meu namorado é super bonito (modesta demais) e é perfeito aos meus olhos, me apaixonei pelo jeito sincero, pelo “cara boa praça” que ele é, pela gargalhada boa que ele tem, pela boa companhia que ele se faz com seu jeito inteligente, pelo seu olhar que me desconcerta..Vou parar de falar se não as meninas vão querer o endereço dele!! ![]()

Não pensem, meninas, que namorando um cadeirante a concorrência é menor, pelo contrario, os cadeirantes “desencanados” tem um charme todo especial, podem espalhar seus encantos em pouquíssimo tempo, é exatamente ai que mora o perigo! Existem algumas coisinhas bem básicas que acontecem de maneira diferente, mas nada que seja um bicho de sete cabeças, alias, quando se convive com pessoas com alguma deficiência percebemos que nada é um bicho de sete cabeças!
Agora, uma coisa é fato para “infiltrados” como eu: nesse mundo “Matrix”, é preciso cuidado, pois se você não convive com uma pessoa com deficiência e acha que o “google” te contou tudo, engano seu, cada caso é um caso, as pessoas tem um jeito muito pessoal de fazer as coisas, de reagir em cada situação, é preciso entender que nem sempre a pessoa vai precisar de ajuda e se precisar você vai ser solicitado, isso não é falta de amor, orgulho, é apenas independência e aquilo que por ventura você jurava ser muito difícil, vai ver que no final, não é nada disso!

Muitas vezes você vai ficar com algumas duvidas martelando na sua cabeça igual ressaca pós baile de formatura, mas para isso uma boa DR (discussão de relação) resolve!! Os homens adooooooram!
Agora cabe à pessoa com deficiência, ser aberto, deixar o outro a vontade para perguntar, conversar sobre suas limitações, a PACIÊNCIA deve ser usada ao ensinar ao outro como ajudá-lo e até mesmo como não atrapalhá-lo!
É comum que a pessoa “normal” queira fazer algumas “coisinhas” na frente para tentar facilitar a vida do “malacabado”, isso acontece até de forma automática ou ao contrario também, pode deixar varias coisas espalhadas no meio do caminho, simplesmente por esquecer ou não se dar conta que pode atrapalhar.
Contudo, isso contribuiu para que o “infiltrado” fique mais à vontade com todos os detalhes, dando segurança inclusive para responder quando se é questionado o fato de estar com uma pessoa que tem alguma deficiência, e é certo que todos vão te perguntar: família, amigos até o pedreiro que você contratar para dar aquele “up” no banheiro da sua casa e torná-lo mais amplo, acessível. Com um jeitinho todo especial fazemos as pessoas entender que ser diferente todos somos, que o fato de poder andar ou faz diferença sim, diante uma escada, nada além!
Meninas, não pensem que aquela famosa “prova de fogo” com a família dele vai ser diferente não, sogros, cunhadas, primas, amigos, veterinário do papagaio da vizinha!
Não importa, se você é andante, se é cor de rosa, amarelo ou vermelho é milionário ou pobre, família é tudo igual, inclusive a sua!
Aahhhh... tem “aquele negocinho” que os casais fazem, que chamamos de sexo!! Engraçado que quando conto a alguém que meu namorado é cadeirante, intimas ou não as pessoas sempre perguntam: Mas funciona!?!?! E eu sempre dou muita risada e respondo: - Dizem que sempre paramos no melhor e se depender de mim eu parei! Bem, como em toda relação é necessário uma boa dose de sinceridade, o famoso dialogo “cartas na mesa”, talvez em um casal que envolva alguma deficiência essas conversas tenham que ser um pouquinho intensificadas no começo, afinal o mapa para chegar até o tesouro pode ter uns “morrinhos” a mais!
Conversem, brinquem, se desenhem, se descubram e no final vão constatar que chegar ao paraíso é bem mais fácil que se imagina e depois de descobrir isso vocês vão querer ir lá muuuuuuuuuuuuitas vezes e nessas idas e vindas perceberão que as paginas do kama Sutra que tiveram que ser arrancadas não fizeram a menor diferença, porque no final vocês acrescentaram vaarias outras paginas e para isso é preciso apenas intimidade e IMAGINAÇÃO!

Me lembro que em uma de nossas conversar, perguntei se tínhamos como dormir de conchinha, ele respondeu: Acho que dá sim!! Na prática descobrimos que realmente dá, o problema é que não conseguimos dormir!
Seja de conchinha ou de qualquer maneira e ele te jurar “que não vai fazer nada”, é puuuura mentira, meninas nessas coisas os homens não mudam! ![]()
Se você não consegue enxergar o outro como igual, então veja graça nas diferenças! E você vai ver que felicidade, paixão, amor, estão além do que podemos conceituar, isso podemos apenas sentir e para isso SE PERMITA! Permita se deixar levar pelas coisas que realmente fazem seu coração vibrar!
* Imagens gentilmente cedidas pelo meu amigo Evandro Bonocchi. Estampas da "Legal Camisetas"
Escrito por Jairo Marques às 00h28

