Carta para Luciana
Querida Luciana, O seu grito de desespero, solto na última segunda-feira à noite, depois que o médico te disse que você pode ficar “tetrona”, ta ecoando no meu ouvindo até agora. Aquele gosto de desespero que você demonstrou, se alastrou pela noite de milhares de pessoas que te viram ali, diante da crua “realidade” de saber que poderá “nunca mais andar”. Eu não te conheço pessoalmente, moça, mas resolvi te escrever porque, desse assunto de não poder caminhar, eu entendo um bocadinho. Assim como entendo de dramas, de revoltas temporárias, de reabilitação, de sentimentos controversos que envolvem ser visto como diferente no mundo. O que tenho pra te dizer, neste momento de profunda angústia da busca dos “porquês”, é para você ter certeza, certeza mesmo, que “viver a vida” tem significados além dos clássicos que você está habituada e, sem dúvida, o seu primeiro grande desafio será aprender a “reviver a vida”. Da minha cadeira de rodas, eu apanho das calçadas esburacadas, mas consigo sempre ficar à altura ideal para sentir o aroma das flores dos jardins. Por muitas vezes você terá de enfrentar olhares de piedade, de “ôh dó”, mas será uma delícia quando você perceber que, para as pessoas que te amam, que te querem bem, o seu “cavalo” será invisível. Da cadeira de rodas, eu dou “colinho” para minha namorada que dança pra mim nas baladas e arranco suspiros dos outros que ficam pensando “o amor é tão lindo”. Eu faço das pequenas viagens grandes desafios, eu reinvento maneiras de fazer tudo o que os outros fazem e, com isso, roubo a cena com os perplexos e incrédulos que sempre dizem: “mas não é possível!” As respostas que você procura, agora, eu lamento muito: elas não existem dentro de um contexto lógico da existência humana. Já escutei de tudo. “Você foi um instrumento para mostrar a força que temos”, “Você está pagando dívidas do passado”, “Você é uma lição para os preguiçosos”. Nada adianta, mas tudo, pode apostar, vai te fortalecer e fazer uma pessoa melhor, se você quiser, dia após dia. Torço muito para que você se recupere da melhor forma possível (e tenho certeza que será assim!) e que você some esforços conosco, que somos milhares, para a construção de um mundo que seja melhor para todos, que entenda e permita as diferenças. Claro que seus perrengues serão imensos, que suas dores poderão ser reativadas na menor fuga da concentração, mas, tenha fé, vai passar. Vai passar e você será uma nova pessoa, um pouquinho “estropiada”, com um “ligeiro” desequilíbrio, porém, com uma gana de aproveitar sua “nova existência” que será incrível, incontrolável, fascinante! Do lado de cá, de um mundo paralelo onde nos enfiaram à medida que conceitos errados, discriminação e falta de estrutura básica para atuar na sociedade foram sendo criados, tem um monte de gente, gente mesmo, querendo te mostrar que sua vida não teve fim com um acidente que te levou o poder de controlar os movimentos. Sua vida teve apenas um solavanco para, quem sabe, te elevar e te ensinar ainda mais o que é ser humano!
Escrito por Jairo Marques às 16h20
Calçadas sem fama
Estão fazendo uma obra aqui no centro de São Paulo (ou seja, obrando
) que vai ter o nome de “Calçada da Fama”, na boa, meu povo, mais uma breguice sem fim para essa cidade.
O lance é que a dona de vários bares conseguiu autorização, inclusive com aprovação de lei, para reformar os passeios em frente aos botecos dela no estilo de “Róliude”, nos EUA. Vão homenagear artistas consagrados escrevendo o nome deles no chão.
Uma calçada novinha, lisa, padronizada, mais ampla, é sempre um tropicão a menos para um cego, um enrosco a menos para as rodinhas de um cadeirante, uma preocupação a menos para a mãe que conduz o carrinho do bebê, um salto a mais no armário das meninas...

Tente andar "nisso" numa cadeira de rodas. Saca a inclinação
Resta saber se os mortais e os “matrixianos” poderão transitar pela calçada toda chique sem problemas... Eu, pelo menos, que apareci nas novela tudo, sou famoso, vou ser vip lá, né, não? ![]()
.... E também resta saber se, depois do local pronto, não vão encher de mesas para impedir a nossa passagem e faturam com o espaço público.
Contudo, o que me indigna mais nessa história da “Calçada da Fama” é saber que a prefeitura, os vereadores se empenharam ao ponto de se indispor com um monte de comerciantes locais que acham que a obra vai atrapalhar tudo na região.
Ora é pedra portuguesa, ora é lajota, ora é pedra solta mesmo
E eu me pergunto: E as outras calçadas dessa cidade, num tem lei, num tem fama, só tem drama? Por que fazer um lance absolutamente promocional no centro se o que a gente precisa são passarelas dignas em toda a cidade? É ou não é de colocar a tanga do Tarsan e ficar gritando “cadê a Chiiiita!!!!! ![]()
Já não bastasse esse “calundum”, fiquei sabendo há alguns dias que o secretário Marcos Belizário, da secretaria da Pessoa com Deficiência e da Mobilidade Reduzida aqui da city, quer criar a “tacha dos malacabados” para endireitar as calçadas podres que somos obrigados a “andar” aqui. Eu já meti a boca nessa ideia de jerico em uma entrevista que dei na Folha Online. Quem quiser me ver todo com o cabelo “desbagunçado”, basta clicar no bozo.. ![]()
O secretário nega que seja uma taxa, mas, sim, um valor cobrado para que a prefeitura faça algo que ninguém faz: cuidar das calçadas. Cada contribuinte da cidade receberia, junto da cobrança do IPTU (Imposto Predial Territorial e Urbano), um acrescimozinho para que a calçada porca da casa dele fosse reformada... A medida está em estudo porque “multar não tem adiantado” e faltam fiscais para mandar brasa no bolso dos infratores... Sei...
....
É uma calçada que tem um buraco ou é um buraco que tem um calçada?
Quando eu tava lá nos Miami (EUA), vivi uma situação super engraçada e de guardar como exemplo. Eu me preparava, junto com a minha amiga “Silvetz” Dutra, para ir gastar os dólar tudo nos “xopim”, quando ela se lembrou que precisava passar na casa dela com “urgência”. Sabem pra quê? Pra retirar o carrinho do lixo da calçada (e nem era essas latas velhas que a gente usa aqui, era um carrinho bacanudo) antes das 18h. Caso ela não fizesse aquilo em tempo, vinha a “puliça” e mandava tinta na multa....
Aqui no Brasil, não só pode deixar o lixo eternamente na calçada como fazer da própria calçada um lixo. (Noooosssa, tô mais nelvoso que cachorro de japonês, né?
)
“Zente”, para quem é “deficientchi”, uma calçada mal feita, esburacada, sem padrão, determina de forma cabal se vamos ou não sair de casa e enfrentar o “mundo lá fora”. Transitar em terreno acidentado montado numa cadeira de rodas, não é fácil, não é agradável e é ultrajante. Não sou contra que a prefeitura faça as obras necessárias e, DEPOIS, mande a conta, mas criar uma cobrança sobre a justificativa (entre outras), que os cadeirantes não param de “encher o saco” (as aspas são minhas, mesmo
) para consertar os passeios, eu acho over.

Olha que luxo esse "rasgo" de fora a fora no passeio...
Imaginem vocês o exército de insatisfeitos que se virariam contra nós... “Lá vai um malacabado infeliz que fez a gente pagar mais imposto”. Avalio que não dá pra criar uma taxa que irá fazer caixa para o poder público e sabe-se lá qual a garantia que o cidadão terá que, realmente, as obras nos passeios serão feitas.
Claro que do jeito que tá aqui (e no Brasil todo, “di certeza”) não dá pra ficar. Mas tenho certeza que existem saídas mais inteligentes para isso. Será que tô sendo muito radical? O que vocês acham, heim?
* Fotos de Thaís Naldoni, tiradas na região central de São Paulo, bem próximo de onde acontecerá a passeata do Superação, no dia 5 de dezembro. Ou seja, vamos todos pela rua, mesmo!
Escrito por Jairo Marques às 22h21
Geringonça da alegria
Não dá pra negar que boa parte do povo da Matrix tem algumas limitações para conseguir fazer tudo o que tá naquele livrinho famoooso que ensina os pessoais a se divertir com seus parceiros ou parceiras sexuais, né, não?
Tem cadeirante que consegue fazer mais movimentos, inclusive nos quadris (ui) e tem alguns que são mais parados do que “zóio” de santo.
Claro que, como eu já escrevi diversas vezes aqui, se vai e vem fosse tão importante na vida gangorra num era de graça nos parquinhos.... ![]()
Dá pra ter uma vida sexual muito bacanuda e prazerosa independentemente do tipo de ginga que você tenha nos “quartos”. Isso eu tenho certeza (tô me achando...
)
Contudo, a tecnologia tem trabalhado para dar aquela “hand” e todo mundo poder ficar no desfrute também com mais agilidade física, digamos assim!
Inventores lá dos “Estadusunidos” criaram um equipamento que permite a um tetrão, por exemplo, conseguir bagunçar com sua parceira de formas inéditas! Aêêêê ... Para mim, que sou paraplégico, o trem também permite umas diversões sem "deformar e sem soltar as tiras". 
Mais do que para o próprio deficiente, esse equipamento pode levar um prazer diferente para a parceira. Repito: se posição ganhasse jogo, time de futebol só jogava com centroavante...
, mas um movimento novo, pode ser interessantchi numa relação!
Bem, mas o vídeo abaixo explica direitinho o que faz e como faz a geringonça da alegria que, pelo que sei, ainda não tem representante de vendas no Brasil. O negócio é encomendar com os colegas que vão viajar pros exterior!
Recomendo que pessoas mais sensíveis, mais conservadores, mais pudicas (ui) não vejam a apresentação que segue abaixo, mais uma contribuição excelente da minha querida amiga Silvetz Dutra.
Escrito por Jairo Marques às 23h04
Mãos ao alto?!
Essa história pouca gente sabe. Nem lá casa eu contei porque a minha mãe já vive dizendo pra eu fazer as trouxas e voltar pras “trelagoa” porque São Paulo é “ruim demais da conta”!
Mas, como vocês me mimam muito
, resolvi contar. Talvez, ajude alguém a se safar de situação semelhante ou mesmo para manter a calma na hora do apuro, na hora que porca torce o rabo, sacam?! ![]()
Moro aqui nessa terra do gás carbônico
, há quase onze anos e nunca passei, ainda bem, pelo perrengue de ser assaltado. Acho os próprio assaltante olham a Kombi, olham a cadeira de rodas e pensam: “esse ta mais lascado que eu!” ![]()

Contudo, há uns quatro anos, vivi um momento de apuros que quase perco a dignidade nas calças. Tava eu e um “ziminina” dentro da minha condução lavando roupa suja.
Era um tal “seu bobo” pra cá, sua “feia” pra lá, “seu chato” daqui, “sua xarope” para acolá, tudo na frente da casa da fulana, num rua calma de um bairro residencial, mais ou menos umas 17h. Ou seja, era dia!
No meio daquela confusão (era só uma discussão, mesmo, não tinha nada de ‘sequiço’ com emoção
), percebo que dois cabras se aproximam da janela da kombi. Na hora, a bagunça com a mulher cessa e dá lugar a um suador gelado...
Um dos rapazes, bem magrinho e com cara de quem não queria fazer “amizadchi”
, levantou a camiseta e mostrou.... calma, calma... mostrou um cano de “revórvi”. Ai, meu povo, eu notei que tava na roça sem trator...

A moçoila ficou até muda (e gostava de falar a danada, heim
) de tanto “nelvoso”. O cara, com uma delicadeza inesquecível me pediu: “Abre a janela da xaranga, destrave as portas e fiquem quietinhos. E a ‘mina’ trata de passar para o banco de trás”.
Olhei pro meu muque e pensei: “vou dar um catiripapo nesse caboclo”!
. Mas, foi só por um segundo, mesmo, logo percebi que ainda tenho de tomar muuuito todynho pra enfrentar dois meliantes. ![]()
Mentira, “zente”...
. Jamais pensei em reagir. Muito pelo contrário. Eu pensei em todos os ‘manuais’ que já li sobre: “como ter um assalto feliz”!
E foi justamente uma dessas ‘dicas’ que me salvou daquela situação.
Quando o cidadão se sentou ao meu lado e a guria foi para o banco de trás, junto com o outro “camarada assaltante”, acabou o meu crédito (cair a ficha é algo muito antigo
) e me dei conta que aquilo poderia ser um sequestro relâmpago. Ai, pensei rápido.
“Ôh seu assaltante, o senhor me desculpe falar, mas queria dar uns instruções pro senhor roubar ‘nóis’ tudo. Como eu sou cadeirante, o meu carro é adaptado e, por isso, vou manter a minha mão esquerda abaixada o tempo todo para acionar o freio e o acelerador. Outra coisa, que queria avisar é que, como a cadeira está no porta malas, pode ser que faça alguns barulhos e atrapalhe a concentração do ofício do senhor”.

Naquele momento, juro pra vocês, o semblante do “seu bandido” mudou totalmente e ele, meio que com um sorriso, meio que com um olhar de frustração soltou uma das maiores pérolas que já ouvi na vida:
“Pô, truta, tu é cadeirante? Num tá mentindo pra mim, não?”
“Ôh, seu bandido, tô mentindo, não. Bate o olho no adesivo, olha o comando manual aqui no volante”
“Ah, irmãzinho, a gente não atua contra deficiente, não. É contra a lei, né? Deficiente, não pode rodar, não. Faz o seguinte, então, dá um role por uns dez minutos pra gente se avuá daqui.”
A dupla saiu do carro, e eu arranquei (ui) daqui, com o coração batendo mais do sino de igreja durante a missa do galo. Quando eu e a moça conseguimos nos acalmar um pouco, claro, ligamos para polícia para relatar o ocorrido. Pelo menos, a PM poderia fazer uma ronda pela rua, pelo bairro.
Ainda bem que a dupla não me pediu pra ficar de “mãos ao alto” porque ai eu tava lascado. Como meu braço esquerdo foi parcialmente abatido na guerra
, quem diz que eu consigo, como vive pedindo o padre Marcelo, Marmelo, Martelo
“erguer as mãos”?

Bom final de semana e beijos nas crianças!!!
Em tempo: Não só para ‘malacabados’, mas para qualquer ‘serumano’ a recomendação durante uma situação de violência é não fazer movimentos bruscos e avisar ao assaltante que tipo de movimento você pretende realizar. Jamais se deve reagir numa situação como a que eu narrei.
Em tempo, de novo: As cadeias e prisões brasileiras estão cheias de “matrixianos”, um povão estropiado por tiros, facadas, brigas. Eles se lascam um bocado no cárcere. Contraem diversas feridas pelo corpo, não recebem uma reabilitação adequada e contraem infecções urinárias por ausência de orientação médica.
Talvez seja por isso, por saber os perrengues que naturalmente passam um deficiente, ALGUNS bandidos tem como regra não “atuar” contra esse povo sem perna, sem braço, que não enxerga, que não escuta direito. Evidentemente que, num mundo cada vez mais violento, regras não são o forte dos criminosos...
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h14
Casos de polícia
Quando a gente flagra um carro irregularmente estacionado na vaga de um “malacabado”, a gente deve chamar um agente de trânsito, chamar a mãe da gente pra dar umas vassouradas na cabra infrator
ou chamar as própria “puliça”, certo?
Bem, mas e quando é a polícia que estaciona nas vagas reservadas? Isso mesmo, a polícia, que deve empunhar o rigor da lei aos cidadãos, “disque”...
“Ah, tio, mas a PM, numa situação de emergência, no atendimento de uma ocorrência grave, pode parar as ximbicas em qualquer lugar, uai!”
“Di certeza” que sim, “craro crovis”...
. Mas, batam o olho nessa fota abaixo.

Conseguem ler que no “mata bode” tem a inscrição "Escola de Oficiais”? Então, trata-se da "Academia do Barro Branco, lugar, meu povo, onde os “puliça” APRENDEM noções para serem exemplares na sociedade, é onde os oficiais são formados, onde eles, em tese, vão receber conhecimento suficiente para saber que parar num vaga desse povo comprado no R$ 1,99
é proibido para quem não tem esse direito.
Falem pra mim se é não de chorar pelado no asfalto quente?
Quem fez o flagrante foi o Kiyomori Mori, de origem sueca, como se pode notar
. Ele ta sempre me dando dicas, sugestões, ideias, mas é tímido e nunca aparece nos coments!

Percebam também na imagem que o povão que passa tá tudo de “diboa”, ninguém aparenta nenhum pânico que denuncie que ali está rolando uma situação de perigo. Então tudo leva a crer, que botaram o carro na vaga porque acham que é ali é terra arrasada, ninguém é de ninguém... Aff...
![]()
Outro retrato de levantar os cabelos da verruga
foi enviado pelo meu brother blogueiro de Sergipe, o Ronald Andrade Silva. Essa é de arrancar a roupa tudo e sair gritando pela rua... ![]()

Essa obra prima da arquitetura de quinta categoria, pode ser vista no Aeroporto de Congonhas, aqui em Sampa. Isso, lá mesmo de onde “avuam” os urubuzões... ![]()
As rampas dão acesso ao estacionamento. Show de bola!!! Só que, o que esse pessoal que tem as pernas tudo prejudicadas, que nem eu, faz com essa corrente no meio do caminho??

Para tudo, para tudo que já tô entendendo: como somos “matrixianos”, temos a habilidade de fazer aqueles movimentos esquisitos... sacam aqueles de dobrar a cacunda, de quase quebrar a espinhela? Então... devem pensar que a gente é capaz de passar por baixo...
Vai, gzuis, me leva, me leva que eu até tomei banho e tô pronto!
Escrito por Jairo Marques às 21h25
O bloco na rua
“Zente”, como muuuuitos de vocês pediram, esse blog vai ter um bloco na Passeata do Superação, no próximo dia 5 de dezembro! Aêêêê
Imaginem nós tudo, nas própria Praça da República (ponto de partida e onde pertinho, pertinho tem um hotel bom e barato pros pessoal que vem de longe!), todos ‘formozurentos’ seguindo até a Praça do Patriarca, levando em frente um projeto simples e humilde de dominar o mundo? ![]()
O autor intelectual dos nossos trajes é o meu camarada Evandro Bonocchi, o Bob! Uhrúúúú..... “Particularmentchi”, adorei o resultado.... Chega de mistério e batam o “zóio” na estampa do nosso “uniforme de guerrilha”! ![]()

Povo, vai funcionar assim: quem quiser adquirir a camiseta precisa mandar um email para ebonocchi@hotmail.com IMPRETERIVELMENTE até o dia 25 deste mês (novembro) dizendo a quantidade e o tamanho que precisa e acertar com ele o pagamento!
O custo é baratinho: R$ 15, vulgo 15 renais, 15 roias, 15 contos, 15 cruzeiros, quinzão!
. O blog NÃO TEM nenhuma relação com a venda, estou apenas divulgando e dando as instruções para quem tiver afim de vir “fardado” pra “andação”. ![]()
Pelo bem da transparência, pedi ao Bob que destrinchasse os custos da t-shirt (fazia tempo que eu num gastava o meu inglês
) que ficaram assim: R$5,70 é o valor do material da camiseta, os pano tudo, sacam?
, R$ 2,50 vai para doação (o Bob tá fazendo um fundo para comprar cadeiras pros pessoais mais ralado), R$1,90 é o valor da tinta e da estampa, R$3 é para a confecção da tela.... e o restinho que sobrou, é para comprar as mamadeiras do Evandrão! ![]()
Acho que vai ser um luxo (tooootalmente biba isso
) ter um bloco do “Assim como Você” na passeata. Todas essas informações vão estar também nas própria comunidade dos Orkut. Para ir lá, clica no bozo! ![]()
E ai, o que acharam? “Vamo nóis tudo” de camiseta?!
Escrito por Jairo Marques às 23h06
Um show inesquecível
Meu povo, começo a semana com um relato que me deixou radiante todo o final de semana. Fiquei ansioso (como acontece invariavelmente
) pra contar a vocês esse fato que foge um bocado das histórias de perrengue que relato por aqui...
Geralmente, quando um “malacabado” se “atreve” a encarar uma casa de show para, como qualquer ‘serumano’, ver um espetáculo, é um verdadeiro parto de "minino" atravessado:
Os lugares reservados no estacionamento estão sempre ocupados, as pessoas não abrem passagem na entrada, chegar até a mesa comprada é uma maratona de apertos e a turma mais animada tapa a frente do palco e te impede de ver... aff.. ![]()
Contudo, a experiência vivida pela advogada Andréa Pontes, 26, na última sexta-feira foge de todos os perrengues e nos faz dar um sorriso gostoooso!
Calma, calma, já vou parar de enrolar e falar logo...
. Não acho e nem defendo que “defientchi” tenha de ter privilégios. Mas, para que a gente consiga ter tanto prazer em uma apresentação como os outros mortais, a gente precisa de alguns detalhes “diferençados”, né, não?”
Mas ‘bora’ voltar para o causo da Andrea. Ela foi assistir a um show da cantora Simone, no Teatro do Sesi, em Porto Alegre (RS). Já na entrada, ela sentiu que viveria uma grande noite.
“A produção do show - Branco produções- foi muito boa. O pessoal se esforçou para me colocar em um local agradável, foram gentis e incansáveis. Enquanto eles me posicionavam no local indicado, perguntei se, ao termino do show, poderia conhecer a Simone.”
Todo mundo quer chegar perto de seus ídolos, falai?! Mesmo que seja para tocar na mão, falar o quanto admira, dar um beijo... sabe assim que nem vocês fazem comigo? “Inzibiiiiido” ![]()
...
Para esse povo que não anda, que não enxerga, que tem o escutador de novela prejudicado
, chegar pertinho de um artista é um baita desafio. Imagina vencer as multidão tudo? E camarim que seja fácil de chegar, existe?
“Logo que o show acabou o pessoal da produção foi ali me retirar do local e me levar para o camarim da cantora. Na hora de ir embora, o problema foi que eles não esperavam uma fila enorme e um tumulto de fãs em volta. Eu não tinha como sair dali. Era um corredor lotado de fãs, aquele empurra-empurra típico.”
Agora, “Zimininos”, se ajeitem ai na cadeira porque é legalpracaramba.com.br!
“A Simone, quando viu a cena, logo veio correndo me ajudar. Pegou a minha cadeira de rodas, perguntou para onde eu queria ir e disse para deixar com ela que ela resolveria.”
Ahhh, gente... eu acho isso o máximo. A Simone não simplesmente deu uma “carona” para a Andréa, ela demonstrou para todos os que estavam ali presentes que é a favor de um mundo mais digno para todos... “Di certeza” que quem viu a cena nunca mais vai esquecer e vai entrar na turma de ajudar a gente a dominar no mundo... 
“Ela foi lá na frente da multidão, já me empurrando na cadeira, e disse que não queria ninguém a volta dela, que queria espaço para passar comigo e o respeito dos fãs. Que me levaria até o meu carro no estacionamento, pois ela queria ter certeza da acessibilidade do local e pediu para não ser seguida por ninguém.”
Eu me “arrupiei” fui recriando todinha essa cena na minha cachola. Pode não parecer nada, mas só quem é ‘matrixiano’ sabe o quanto uma atitude dessa nos enche de energia, de vontade de conquistar novos “adeptos”...
“O pessoal foi abrindo passagem, os seguranças foram ajudando na volta e ela realmente me levou até o estacionamento, me ajudou a entrar no carro e a guardar a cadeira de rodas.”
A Simone é um das maiores cantoras brasileiras e, com diz a minha tia Filinha, “difinitivamente” NÃO precisa de atitudes promocionais. Ela já um sucesso com sua voz, com sua presença de palco... Ela fez, a meu ver, porque sabe o quando aquele gesto fez a diferença para Andréa e para todos que estavam ali!
“Em todos os shows que fui, nunca tive um atendimento tão especial, tão digno.”
Adorei demais essa história! E vocês? Alguém já viveu algo parecido? Ah, e gostaram do meu novo retrato ali do ladinho que vocês usam pra matar a "xodades"
? Quem tirou foi o meu brother Rapha Bathe. Tô ou num tô todo formozurento? 
* Imagens do arquivo pessoal de Andréa Pontes
Escrito por Jairo Marques às 22h13
É pura emoção
Tem gente que não leva muito a sério que o meu projeto é mesmo dominar o mundo É com muita satisfação e orgulho que informo a vocês que um grande aliado desse blog, parceirão, mesmo, o fotógrafo Arthur Calasans, teve um de seus trabalhos sobre esse universo paralelo em que vivem os deficientes escolhido pelas Nações Unidas para uma exposição mundial! Para quem não se lembra, o Calasans fez aquele ensaio comigo dentro de um cinema pornô Uma imagem flagrada por ele foi selecionada para compor a mostra da Campanha Mundial de Fotografia “Humanizando o Desenvolvimento”. Os trabalhos escolhidos irão rodar dezenas de países ao redor do mundo e poderam ser vistas em exposições públicas. E nós, os matrixianos, estaremos belamente representado por uma florzinha cor-de-rosa, a encantadora ‘malacabadinha’, Ana Laura Cotrim Rebouças, clicada pelas lentes do Calasans. Que orgulho! Esta imagem foi registrada na escola Doce Começo, onde a deusinha ensaia seus primeiros.... passos.... do balé cadeirante! ( Foto selecionada para a exposição) Baile para o mundo, Aninha... que todos se inspirem no seu sorriso contido e na sua forma sublime de inteirar... Concentre-se, pequena bailarina. Que sua arte seja admirada, respeitada e entendida cada vez mais Que a cada Pliê e Demipliê, realizados a seu modo, mais pessoas entendam que todos precisam ter o direito de viver plenamente Sorrria, mesmo, Aninha... Você é orgulho de todos nós. E vamos contigo e com o talento do Arthur Calasans desbravar o universo! Para saber mais sobre a campanha das Nações Unidas e ver outras fotos selecionadas, clique aqui! * Ensaio cedido pelo fotógrafo Arthur Calasans com exclusividade para o "Assim como Você"
. E digo a vocês que os tentáculos desse humilde objetivo estão estirados e já mostram resultados concretos.
. Tá duro pra saber qualé? Clica no bozo! ![]()


Escrito por Jairo Marques às 01h02
Falta um mês ou nada mais?
“Zimininos”, é hora de começar a mexer a farofa, preparar a leitoa, arrumar as panelas da “malmita”. Daqui a exatos 30 dias, mais conhecido como um mês
, será a hora dessa gente “malacabada” e seus aliados mostrarem seu valor aqui em São Paulo!
No dia 5 de dezembro, vai rolar a passeata/bagunceira do Movimento Superação! Aêêêêê. O local onde irá acontecer o fuzuê ainda está igual ao sexo do meu amigo Amauri: indefinido... ![]()
Talvez seja mesmo na avenida Paulista, talvez no Vale do Anhangabaú.... Assim que baterem o martelo, eu aviso todo mundo.
Insisto com vocês que esse momento é a grande ocasião para que mostremos a cara. É quando a gente firma para sociedade que não queremos mais viver num mundo paralelo em que nos jogaram.
Seja de maca, de bengala, arrastando um cachorro, puxando as sandálias, tropicando, mancando, é preciso ir à rua, pessoal. É preciso gritar que queremos ir e vir com dignidade, que queremos acesso pleno à vida cultural e social, que queremos reconhecido o nosso direito de sermos protagonistas, atuantes, e não mais expectadores.
Para dar mais um fôlego e inspiração a vocês, minha adorável amiga e colaboradora maior deste blog Silvetz Dutra arranjou as impactantes fotos da Lara Miranda, feitas na passeata do Rio, em um vídeo de encher o zóio e o coração de emoção! Se preparem para dar aquela choradinha básica! ![]()
Ah, sim, e não falta nada mais pra eu ficar mais velho... Hoje, dia 5, os numerozinhos que ficam abaixo dessa foto do tio ali do ladinho direito da tela, e que vocês tanto beijam quando tão com “xodades”
, precisam mudar para 35.... Num é lindo?!
Escrito por Jairo Marques às 00h35
‘Tenditudo’
Um trampo num flash!
Eu vivo martelando na cabeça desse povo “matrixiano” que sem estudar, sem se qualificar, sem botar banca de sabichão
, a dominação do mundo não rola.
Quando a gente se prepara, a gente consegue emprego e com emprego consegue dinheiro e com dinheiro muita gente que nem olha pra nossa cara vai estender tapete vermelho pra gente sujar com as rodas das cadeiras de rodas tudo... ![]()
O CPqD, de Campinas, que é uma instituição independente, com foco na inovação em tecnologias da informação e comunicação, abriu novas vagas para o seu programa de capacitação “Qualificar para Incluir”, que tem o objetivo de treinar os ‘matrixianos’ em Tecnologias da Informação e Comunicação. Tudos os negócios de futuro, de avanço, de gente "inteligentechi"!

O barato e totalmente de graça e tem cerca de um ano de duração. Só pode se inscrever quem tem, pelo menos, até o segundo ano do ensino médio, que no meu tempo era o colegial. ![]()
“Uai, tio, mais causo de quê isso ai é bom?” Porque boa parte dos cabras que participaram da primeira turma já tão tuuudo empregado em grandes empresas, ganhando bufunfa e rumando pras próprias diretoria...
.
São 80 vagas e as pessoas serão divididas em quatro turmas. O CPqD também vai, prestem atenção, dar o material didático e transporte do centro de Campinas até as instalações onde vão rolar as aulas. Mais moleza só sentando no colo do Jô Soares... ![]()
Para se candidatar www.cpqd.com.br. Tem de fazer até o dia 15 de dezembro. Qualquer estropiado (dos zóios, dos zovidos, das pernas, de tudo EMOTION) pode se candidatar!
Sua, sua, sua... feia!
Essa quem me mandou foi a minha amiga linda/ linda amiga Tabata Contri. A loira “pescou” nos próprio Twitter esse “desabafo” mimoso de uma atriz que, como diz o Zeca Pagodinho, e com todo o respeito, eu repito: “Nunca vi, nem comi eu só ouço falar”
. É uma tal de Thaila Ayala.
Saque o que a nega declarou: “Como e ruim sentar na primeira cadeira do avião... Todo mundo fica te olhando como se fosse paraplégico! 3:25 AM Nov”.
http://twitter.com/Thailaayala

Juro que não conheço essa moça e nem sei qual foi a intenção dela em escrever algo que nem em roda de botequim de terceira eu já ouvi.
Mas eu mando um recado: Se preocupa, não, mona. Não vão te olhar com cara de “malacabada”, porque o seu estrago não é nos cambitos nem nas canelas na finas... seu estrago é no “célebro”, se é que você me entende....
(Gzuis, tô ruim, né?)!
Mais, mais cinema!
Meu povo, termina no dia 8 deste mês (domingão) a Mostra Cinema Nacional Legendado & Audiodescrito, no Centro Cultural Banco do Brasil.
Os filmes vão ser exibidos em com closed caption (legenda oculta), a partir das 11h e é tuuudo na faixa... uma beleza de se ver! 
E bota reparo que legalpracaramba.com.br: uma Van faz o transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifícos Zarvos) e na Rua 15 de novembro, esquina com a Rua da Quitanda, a vinte metros da entrada do CCBB.

Os “pessoais” que é cego ou tenha os “zóios” meio descompensados
, além dos surdos tem uma oportunidade “maraviwonderfull” de apreciar a sétima arte com independência total! Bora lá, “zimininos”?
Para mais informations: Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo R. Álvares Penteado, 112, Centro Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
(11) 3113 3651 www.bb.com.br/cultura e www.twitter.com/CCBB_SP
* Imagens de divulgação e do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 23h32
A viagem da Fabi
Conto por aqui diversas histórias de desafios que esse povo sem braço, sem perna, que não enxerga, que não escuta direito enfrenta para desbravar o mundo. A de hoje tem um sabor especial: é a de uma menina que, pela primeira vez, resolveu viajar sozinha, montada em sua cadeira de rodas.
Pode parecer algo corriqueiro para a maioria dos “mortais” fazer uma viagem, né, não? Para um cadeirante, porém, o lance é mais punk, afinal, para dar “as caras” ao mundo é preciso passar bastante óleo de peroba... ![]()
A fórmula, contudo, para que sejamos notados de fato e para que as transformações que precisamos para ter mais dignidade no aproveitamento dos espaços, a meu ver, é justamente a de enfrentamento.
É saindo à rua que ela, a rua, irá nos notar. É indo aos bares que vamos poder beber, é indo aos centros de lazer que eles vão acreditar que a gente “não quer só comida”, é viajando que as estradas irão acreditar que queremos ir a qualquer lugar.
A Fabíola Pedroso, minha leitora desde os tempos das cavernas
, tem essa cartilha do projeto da dominação do mundo na ponta da língua. Passou sebo nas canelas finas e vou se aventurar, como qualquer jovem, em um passeio de férias, lá pras Minas Gerais.

“Minha saga começou na compra das passagens, pois me aventurei a andar de ônibus e como todos sabem não é adaptado em nada. Comprei pela internet sem problemas e também não havia nenhuma indicação para eu falar que era deficiente. Já lá na rodoviária, cheguei ao ônibus e fui a ultima a entrar. Não havia nenhuma adaptação e tive de ser carregada para cima. A cadeira foi no bagageiro junto com as malas.
Como meu santo é forte e quem tem boca vai a Roma, sempre arrumo alguém que me ajude e haja homem forte ...
. Uma dica é comprar a passagem com algumas semanas de antecedência para pegas as primeiras poltronas e não a última como eu fiz.”
Atualmente, eu já tenho visto alguns ônibus interestaduais com elevador. Essa situação que a Fabi narrou, eu já vivi muuitas vezes. Só que nem sempre eu era “agarrado” nos braços com muito carinho, não...
. Quem quiser saber como era, é só clicar no bozo!
“Depois de oito horas de viagem, cheguei a ‘Belzonte’ louca de vontade de fazer xix
, mas para minha surpresa o banheiro acessível da rodoviária ficava no andar de cima e para chegar lá.... tchanaammmm... era preciso subir escadas porque o elevador tava quebrado. Não teve jeito tive que esperar e ir fazer em um bar lá próximo...”
Tá ai uma situação que os “mortais” poucas vezes se dão conta: os ‘malacabados’ precisam dar as suas urinaaaaadas...
Uma ‘radoviária’ precisa ter vários banheiros acessíveis, assim como aeroportos, estações de trem. A gente chega das viagens tudo muito avexados para ir à casinha...
“Durante meus quatro dias em BH, andei de ônibus e taxi já que metrô lá não nos leva para muitos lugares. Ônibus, em sua maioria, como eu fiquei bem no centro da city, eram adaptados e os taxistas bonzinhos e as corridas não muito caras. Gastava o máximo 15 reais por corrida. Fiquei hospedada no bairro de Santa Ifigênia , perto do centro (praça da Liberdade), sem muitos problemas cheguei fácil ao Mineirão e ao Mineirinho onde aos domingos tem uma feira e comidas típicas.”
A Fabi teve um pouco de sorte porque taxista "bonzinho" com malacabado é peça rara!
Mas, sem dúvidas, esse tipo de transporte é uma opção para que possamos conhecer alguns pontos das cidades. Será que BH já tem táxi acessível?
“As ruas de BH não são nada acessíveis e se você não tiver domínio ou campainha fica bem difícil de se locomover. Como eu não queria gastar muito com hospedagem, resolvi procurar um Albergue da Juventude (WWW.hostel.com.br), onde muitos estudantes, jovens e até adultos e aventureiros se hospedam. Para minha surpresa o albergue tinha acabado de fazer um quarto adaptado e estava começando a adaptar o hostel na entrada é uma rampa a porta é bem pequena mais passa.

Já o quarto tem lugar para duas pessoas e banheiros dentro, o banheiro é bem espaçoso e acabei colocando uma cadeira de plástico para tomar banho (quando fui embora, iam colocar barras de apoio no vaso e chuveiro, lá ainda conta com cozinha , lavanderia , lan house e piscina."
Achei legalpracaramba.com.br o fato de ela ter ficado em um albergue da juventude. Eu nunca tive essa coragem, apesar de viajar um bocado. Os albergues socializam, são mega animados e baratos. Atualmentchi, acho que já vários acessíveis.
"Fui a muitos bares, a especialidade da cidade , parque ao estádio, fiz tudo que eu queria dando um jeitinho e ajuda dos amigos. Consegui me divertir e andar por todos os lugares. Mas como em qualquer cidade brasileira você enfrentará dificuldades com calçadas, banheiros, etc. Mas planeje e divirta-se sempre ! Uma boa viagem é umas das melhores experiências e sentimento de liberdade e independência .... Próxima parada Rio de Janeiro...” 

É isso, gente! Com um pouco de planejamento e tendo clara noção de que haverá perrengues, mas que se divertir vale muito a pena e todo mundo pode viajar!
* Imagens de arquivo pessoal
Escrito por Jairo Marques às 08h42
Acontece, presidente!
Naquele dia eu botei roupa de ir para batizado, passei “clostora” nos heróis da resistência que insistem em ficar na minha cabeça, e até banho tomei, juro
. Era uma situação especial, ia comprar uma charanga nova!
Quando eu botei as quatro rodas dentro da concessionária, estava me achando o último gomo da mexerica
, mas mal sabia eu que seria um sufoco para um cadeirante com cara de pobre comprar sua kombi.
Esperei que alguém me atendesse por alguns minutos..... tá, admito, por vários minutos. Com um “malacabado” que se “atreve” a fazer tudo sozinho, que nem o tio, essa situação é sempre comum: acham que você tá perdido, acham que você fugiu da casa de repouso, acham que você tá ali para vender rifa... nunca, para comprar.
“Moço, eu queria olhar essas ximbicas”....
“Fique à vontade...pode olhar”, rebateu o vendedor.

O mais curioso é que os outros potenciais compradores eram acompanhados por “representantes” sorridentes que contavam as vantagens dos carros: “esse tem até freio”... ![]()
Mas eu vou dizer uma coisa “pro6”: eu sou carudo. “Essa concessionária tá falindo? Num tem quem venda carro pra gente?” Aí, enfim, alguém se dignifica a te atender.
“Esse modelo que o senhor gostou não tem um valor tão ‘aquicessível’, viu?!”.... Naquele momento eu abri a minha carteira na frente daquela múmia e mostrei que eu tinha, sim, três ou quatro ‘roiais’ na carteira e mais umas moedinhas... ![]()
“Zente”, ressalto que durante esse atendimento vip o caboclo também atendia ao telefone celular, ao ramal na mesa, que não parava de tocar, e ele ainda dava tchauzinho para quem entrasse na loja.
Por que eu não fui embora? Porque era questão de honra para mim mostrar praquele ‘logozento’ que eu podia, como qualquer outro ‘serumano’ comprar a minha ‘condução’.
“Eu vou estar avaliando o seu carro velho (uma Brasília abacate
... mentira, é mentira), tá senhor”?
Como os vendedores sabem que compramos carros com desconto de impostos (IPI e ICMS), como determina a lei, na hora de vender, eles jogam o valor do nosso veículo antigo no subsolo, como se fossemos toupeiras, na cara dura.

Minha sugestão é que vocês ofereçam seus carros antigos nas “internets” ou tentem vender por conta própria. Na concessionária, apesar de ser muito mais prático, ainda mais para quem evita ter de ficar circulando muito, rola uma exploração básica.
“O senhor pretende pagar o carro como”...
“Pagar como? Geralmente a gente paga com dinheiro, né, não, seu vendedor?”
“Vai financiar? Aí tem de ter renda, emprego fixo...”. Eu não perco uma trucada sem gritar SEIS
.
“Ah, eu tenho uma renda de mesa muito bonita que comprei lá na Paraíba antes de virar retirante da seca, viu”....
Caso uma situação semelhante seja vivida por vocês, ‘matrixianos’, chamem o gerente, reclamem. Constranja os caras. Faça uma queixa na montadora. Garanto que o tratamento melhora. Não é um terno ou uma aparência física que vai determinar a condição social de uma pessoal.
Enfim, escolhido o modelo, o cidadão, me dá o “fatalit”: “O senhor já tem a papelada toda das isenções?”
“Papelada como assim você fala?”
Aqui no Brasil, algo que funciona muito bem são as Receitas Federal e estadual, que garfam os nossos “ricursos”. O monte de documento que exigem para que você PROVE que é “prejudicado pela guerra” e tem uma deficiência física é ultrajante.
Para quem mora numa cidade grande, o jeito é comer na mão de um despachante... saca aquele povo que põe galinha preta nas esquinas?
... Aqui, eles cobram uma verdadeira fábula para “resolver” o que você precisa: exercer seu direito legítimo de ter isenções de impostos na compra de um carro, haja vista o transporte público não nos dar condições de acesso.
Com um mundo informatizado, porque não facilitam pra gente, “gzuis”? Porque cobrar imposto é uma delícia, abrir mão deles é um parto de menino de “revestréis” na barriga da mãe. ![]()
Aqui em “Sum Paulo”, a concorrência para vender carros para “malacabos” (depois que você convence o vendedor que não é um pedinte) é tão grande que as concessionárias costumam “pagar” o despachante para você. Vale lembrar que o desconto, de cerca de 25% no valor do carro, só vale para veículos zero bala!

Tudo resolvido???? Nãaaao.... a gente que é meio torto, precisa esperar meeeses até que a liberação do desconto seja realizada e o carro, enfim, chegue. Pode demorar seis meses, isso mesmo... seis.
Chegou, nego? Agora espera mais um pouco. Vão colocar as adaptações para quem precisa deles. Pra isso, prepare novamente as “carças” porque os equipamentos são caros, o pagamento é à vista e a exploração é fatal. Dois ou três ferrinhos que colocam lá é mil conto, mil e quinhentos contos...
Eu não quero de graça, não. Quero pagar algo que seja justo. E eu sempre saio dessas com uma sensação de que fui muito golpeado, saqueado.
Depois desse périplo todo, digo que vale a pena. O carro dá outra vida pra gente que tem dificuldade de locomoção. Você passa a ter mais condições de viajar, de conseguir interagir em sociedade, de trabalhar com mais dignidade.
A lei das isenções é um tanto distorcida. Há Estados que não concedem o desconto do ICMS para pessoas que não dirigem. É de dar nó na guela de vontade de “gumitar”. Oras, a gente faz o quê com os ‘pessoais’ com deficiências mais agudas? Bota num saco e enterra?
O presidente Lula vive dizendo que estamos entrando no primeiro mundo, que tudo é uma beleza por aqui... ele poderia, a meu ver, dar uma canetada lá no Planalto, como tantas que ele dá, criando uma lei federal abrindo mão de uma migalha de arrecadação que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas, acabando com a burocracia e fazendo algo concreto pela “Matrix”.
Tenho muita esperança de que um dia, até o final do mandato, ele vai “comparecer” de tomará ciência de que um grupo social, o dos malacabados, quer ouvir dele um daqueles chavões “nunca antes na história desse país”, se fez algo tão importante...
Beijo nas crianças, bom final de semana e bom feriado!
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h15
Compre a sua 'kombi'!
Todos os dias, pela manhã, tomando o meu cafezinho com um seboso pão na chapa
, escuto o meu amigo Valdeci, que manda prender e manda soltar aqui no setor em que trabalho, reclamando da viagem de metrô que fez da zona lost até o centro, onde fica o jornal:
“Jairão, quase perdi a minha dignidade hoje de tão cheio que tava o metrô. Tava mais cheio do que caixa d´gua de pobre quando chove... Fico pensando como é que uma cadeira de rodas entraria no vagão agora pela manhã. Só por gzuis, né?.”
E nesses momentos eu fico aliviado pensando no conforto que tenho dentro da minha kombi, que tem ventilador à pilha, motorzão a óleo de cozinha e espaço suficiente pra abrigar a família buscapé tudo... 

Para um ‘malacabado’ que vive, ou tenta
, numa grande cidade, onde os transportes públicos são indigentes até para andantes e as calçadas um convite para um traumatismo craniano, ter um carro é questão de urgência, de necessidade urgente. Claro que eu sei que as ximbicas poluem, aumentam o trânsito e são uma forma “egoísta” de ir e vir, mas, pra esse povo todo lascado, comprado na loja de R$ 1,99*
, os carros libertam, ajudam a incluir, a interagir em sociedade, a dar condições para acessar a pouco acessível vida cultura, social e laboral (falei bonito, admitam..).
O post de hoje, então, mostra várias opções, entre ela uma bem fresquinha (ui), para cadeirantes e 'deficientchis' quebrados (de grana também
) possam sonhar em ter um “tomóvel”. Pra quem não sabe, a gente precisa de carros automáticos ou atomatizados porque eles facilitam muuuito na direção. Imagem vocês que, com a adaptação de freio e acelerador manual, somos obrigados a dirigir com uma mão só, o tempo todo... se tiver que ficar trocando a marcha, tamo na roça...
Vale lembrar que tetrões, pessoas sem os braços, gente pequena podem, perfeitamente, dirigir e tirar carteira de habilitação. Há adaptações pra todos esses "zimininos" dirigir com toda segurança!
Quem produziu o texto foi o meu brother Fabiano Severo, que trabalha no caderno Veículos da Folha, e manja tudo sobre ximbicas... Quebrem os cofrinhos, façam rifas, trabalhem mais porque as kombis aumentam a nossa autonomia e dão mais liberdade. Aí, quando tivermos uma cidade acessível, a gente monta um ‘ferro véio’...
Amanhã (ou depois), eu conto a minha aventura para comprar a kombi com os cerca de 25% de descontos a que todo matrixiano tem direito por lei, com as isenções de impostos!
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A Volkswagen lançará no início de novembro os carros automáticos mais baratos do Brasil. Sem isenções de IPI, ICMS e IPVA, o Gol I-Motion com motor 1.6 "flex" custará a bagatela de R$ 34.605; o sedã Voyage, R$ 37.090. (Com o desconto, os preços pode ficar em cerca de R$ 26.000 e 27.800)
O câmbio I-Motion, porém, não é um automático convencional, e sim automatizado. Usa a mesma mecânica do câmbio manual, mas com sensores que acionam a embreagem e trocam as marchas sem a intervenção do motorista. Só há dois pedais (acelerador e freio). Basta colocar em "D" ("drive", dirigir) e acelerar.

A vantagem? Além da praticidade, custa cerca de R$ 2.500, a metade do valor das transmissões tradicionais com conversores de torque. O senão é que, no automatizado, as trocas entre as primeiras marchas são desconfortáveis. O sistema dá trancos e faz o ocupante balançar demais (entenda como funciona o carro automatizado clicando no bozo!
)

O mesmo ocorre com o câmbio Dualogic, da Fiat _o Palio 1.8 "flex" (114 cv) custa R$ 37.230_, e com o Easytronic, da Chevrolet. A Meriva 1.8 flexível (114 cv) sai por R$ 46.292, mas, no jargão dos lojistas, ganhou o apelido de "Easytranco"...
(Todos os valores citados até o fim do post são “cheios”, sem o desconto que os “malacabados” tem direito)
Por R$ 40 mil, há a opção do Kia Picanto. Sim, o nome é esquisito, mas o carro é simpático. Pequeno para manobrar e bem equipado. Só há um problema (quer dizer, dois): o porta-malas é tão pequeno que dificilmente caberá a cadeira de rodas recolhida. O outro problema é que a Kia fabrica seus carros na Coreia do Sul. Por lei, o governo daqui só concede a isenção de impostos para carros fabricados no Brasil.

Por R$ 47.000, é possível comprar o Peugeot 207 XS automático, já com direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico (vidros, travas e espelhos elétricos).
Se você puder pagar esses R$ 47 mil, vale mais a pena investir na família Livina, da Nissan. A marca ainda tem poucas revendas no Brasil, e as minivans não são exatamente bonitas, mas são racionais, espaçosas e econômicas. Enfim, têm a melhor relação custo-benefício do mercado de automáticos.
A Livina vem com motor 1.8 de 124 cv e câmbio automático _convencional e sem trancos. Já a Grand Livina custa cerca de R$ 7.000 a mais e pode carregar até sete pessoas. Uma verdadeira lotação! (Kombi, kombi..
)

Na "irmã" maior, o interessante mesmo é que os dois banquinhos da terceira fileira podem ser rebatidos facilmente e deixam um espaço enorme para, por exemplo, acomodar a cadeira de rodas.

O assoalho plano e o teto alto permitem levar a cadeira inteira, sem desmontá-la. É algo que só vemos nas minivans mais caras, como a Citroën Picasso (R$ 63,2 mil) e a Chevrolet Zafira, de R$ 70 mil (preço máximo permitido para malacabados comprarem carro com isenção de impostos).
O Honda Fit, por exemplo, até tem o teto alto, mas leva bem menos bagagem e tem motores 1.4 ou 1.5 _dependendo do tamanho da família, são fracos para ultrapassagens ou subidas íngremes. Ah, e custa a partir de R$ 57 mil, com câmbio automático. Não vale!
A família Livina tem volante com regulagem de altura, o que permite adaptar alavancas do tipo "push-pull" (empurre e puxe) sem risco de a barra longitudinal raspar na perna.
* Valeu, Paty!!!
** Imagens de divulgação
Escrito por Jairo Marques às 00h02
Como é que faz?
Muita gente me pergunta como é que faço para botar a cadeira dentro da kombi. Não é algo muito "complicoso", não. Só requer um pouquinho de paciência, alguma prática e ser sarado com é, lógico... ![]()
Na real, mesmo os tetrões, aqueles pessoal bem prejudicado pela guerra
, conseguem criar a autonomia e jogar o cavalo na caçamba amarrando umas cordas nele.
Já falei uma vez que existe uma “máquina” que joga a cadeira pra riba do carro, mas custa tão caro e é tão pouco prática que nunca vi alguém usando. Mas, como eu tenho vários leitores barões (ui), deixo a dica.
Para exemplificar melhor como faz o lance, coloquei esse videozinho de um malacabado se aprumando no carro e desmontando a cadeira. A diferença para o que o tio faz é somente uma: eu coloco o quadro da bicha no banco dianteiro, mesmo.
É melhor fazer como o carinha do vídeo e jogar no traseiro, por questões de segurança, mas cada um conhece suas possibilidades e se ajeita como pode (frase de pobre essa, né?
). O que importa é criar autonomia.
Ah, sim, quando há alguém para me ajudar ou a patroa (uuuia) tá comigo na ximbica, a cadeira vai no porta-malas, bem mais prático (ai eu num ajudo em nada..
). Amanhã eu continuo falando de carros..
Em tempo: Tem um textinho meu no caderno Cotidiano da Folha de hoje falando sobre o metrô
. Quem for assinante do Uol ou do jornal pode acessar clicando no bozo!
Escrito por Jairo Marques às 08h28
Crônica de uma festa “malacabada”
“Nossa, será que tá tendo encontro dos pacientes do Hospital das Clínicas aqui no xopim? É uma cadeiranda de rodas, um povo tudo sem perna, com aparelho no ouvido, estropiado, né, menina?”...
E no pé sujo chique ali pertinho da loja onde se espantava a moça, o forró comia solto. E era mesmo gente de todo tipo por ali celebrando numa balada cujo ritmo da música vinha dos corações arretados de emoção, das risadonas da mesa do “sarado” e de um “muquirana” e também do tilintar dos copos que comemoravam.... a vida.


Os garçons do boteco não sabiam se riam, se expressavam espanto ou se serviam aquela gente que, só nossa senhora da bicicletinha pra explicar de onde havia saído: de Goiânia? De Arujá? Da Praia Grande? De Brasília? De Ribeirão? De Jundiaí? Da zona Lost? De um mundo paralelo chamado “Matrix”?
E “di certeza” que por ali havia artistas porque os flashs não paravam. E tinha também gente “inzibida” com o nome pendurado no pescoço, tinha uma molecada derramada por todo canto, tinha um monte de lindas, tinha até uns “pessoal” se declarando, de mentirinha, que não eram legalpracaramba.com.br .



Rapidinho, rapidinho, o encontro já teve carta: “Acho revolucionário você ter conseguido, em tão pouco tempo, mobilizar tantas pessoas, pessoas com religiões, posições políticas, times de futebol, status e classe sociais diferentes. Nenhum movimento em prol dos deficientes conseguiu essa proeza. Continue sendo simplesmente você, conte-nos suas histórias ou a de algum leitor. Promova discussões do seu jeito bem humorado, descontraído. Não nos abandone.”


Quando o fervo já tava “xiqui no úrtimo”, eis que adentra por ali uma família inteira trazendo... é... trazendo um choro incontido ao “Jairo do blog”. Veio pai, mãe, cachorro, papagaio, “cadeira elétrica” e um vulcão de emoções que explodiu em todo mundo após, vejam só que coisa, um DISCURSO!!!!



O bailão seguiu com sua gente que leva a causa da dominação do mundo nas garras, seguiu com uma mesa “excrusiva”, vejam só, para o pessoal que nem foi!!!! Seguiu com a perplexidade de quem passava e via aquele mundaréu de gente torta: “Gzuis amado, jogaram uma bomba aqui?”

Um encontro cravado na minha história, na história da moça do cerrado de vestido florido, da moça que distribuía sorrisos e fotos, do japonês doido, doido, doido, de quem até ganhou presente, de quem levou presente, de todos, todos que se abraçaram.



Se engana quem pensa que esse texto é o relato isolado de uma festa bacana e meio capenga. Pra quem foi, pra quem torceu de longe, para quem planejou, para quem fez, para quem viajou, para quem se arriscou, para quem conheceu, para quem chorou... foi um momento daqueles que a gente crava na memória: “É bonita, é bonita, e é bonita”!
Escrito por Jairo Marques às 17h25

